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Fangstrater basert på gytegroptellinger og fangstoppgaver

A teoria e o método científico baconiano foram modificados, aperfeiçoados e desafiados com o passar do tempo (Chalmers, 1993). Em poucos anos, diversas variações

28 Somente em 1633 Galileu renegou suas descobertas diante da Santa Inquisição e Descartes desistiu de publicar seu recém-escrito O mundo ou tratado da luz. O próprio Discurso do método, de 1637, não traz o nome de quem o escreveu na primeira edição, tamanha era a pressão que os adeptos da “nova filosofia” sofriam (Descartes, 2001).

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“Cautela na observação, suspensão das idéias recebidas da educação, cautela e precisão no uso da linguagem, e o desenvolvimento de experiências criadas especificamente para atender aos fins da interrogação científica (o que, se não representava uma novidade estrito senso na época, marcaria cada vez mais a prática da ciência posterior), eram os ingredientes do receituário baconiano para a atitude científica” (Furlan, 2003:126).

desses trabalhos podiam ser encontradas pela Europa, ora se distanciando, ora se aproximando, conforme o contexto intelectual do continente ia se transformando. Livros como Novo teatro di machine (1607) de Vittorio Zonca, Astronomia nova (1609) de Kepler, Discorsi intorno a due nuove scienze (1638) de Galilei, De mundo nostro sublunari philosophia nova (1651) de William Gilbert, etc. mostram como a ciência moderna foi apresentada de diversas maneiras ao longo do século XVII. Se por um lado a “novidade” era um tema comum a maioria desses textos, de outro lado as bases intelectuais e as técnicas de investigação nem sempre se assemelhavam (Rossi, 2001).

Assim, se forem observados à distância, os primeiros modernos até parecem um grupo homogêneo de indivíduos fugindo das trevas medievais em direção à luz dos novos tempos. De outro modo, caso sejam vistos mais de perto, nota-se uma série de diferenças internas, que foram se acumulando paulatinamente até eclodirem num grande esforço de interpretação e explicação da ciência na passagem do século XIX30. Segundo Laudan (1993:15), “o estudo histórico moderno da ciência emergiu durante as últimas décadas do Iluminismo como parte de uma tentativa ambiciosa de construir uma teoria geral da ciência e de suas implicações culturais”. À medida que a ciência ganhava importância econômica, militar, política, etc. crescia também o número de intelectuais, de distintas áreas do conhecimento interessados em escrever sua história, seu funcionamento e, principalmente, como deveria ser o seu futuro.

Laudan (1993) destaca Auguste Comte, William Whewell, Pierre Duhem e Ernst Mach como um grupo pioneiro de pensadores que tentaram, no início do século XIX, propor teorias abrangentes o bastante para abraçar tudo o que se fazia desde a Revolução Científica. Hoje em dia, essas propostas são consideradas leituras clássicas da ciência, ultrapassadas para a maioria dos cientistas, que, comumente, unificam-nas sob o rótulo do positivismo. Entretanto, na época em que foram escritas, as “filosofias positivas” significavam o controle preciso da ciência e, por conseguinte, um atalho extremamente útil para o progresso das sociedades como um todo (Lacerda, 2009). Nesse sentido, o

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Vale destacar a criação das organizações de fomento à pesquisa bem como o aparecimento do cientista profissional ainda no século XVIII. Em meio ao crescimento de uma consciência cada vez maior do valor da investigação sistemática, utilitária e cooperativa, diversas academias, observatórios e museus foram reformados assim como institutos e sociedades foram inauguradas para estimular financeiramente a realização de trabalhos científicos. Encantados com a idéia de um progresso infinito, governos e burgueses encomendavam pesquisas a fim de aumentar, melhorar ou simplesmente conhecer mais sobre seus negócios e/ou domínios (Burke, 2003).

empreendimento positivista marca uma importante virada na história da ciência: suas transformações não interessavam mais somente aos intelectuais envolvidos na sua produção ou àqueles que perceberam precocemente o seu potencial, mas à toda sociedade moderna que tem no conhecimento científico o seu principal motor.

Dos quatro nomes citados acima, Auguste Comte é, indubitavelmente, o mais conhecido quando o assunto é positivismo (Lacerda, 2009). Conforme sua Vida e Obra (Comte, 1978), Comte interpretou os textos de Galilei, Bacon e Descartes – para ele, os fundadores da filosofia positiva – preocupando-se especialmente com a unidade do conhecimento e defendendo o positivismo como o “fundamento intelectual da fraternidade entre os homens” (pXII). Em sua “filosofia da história”, todas as ciências e o espírito humano passariam por três estágios distintos: o teológico, o metafísico e o positivo. No primeiro, a imaginação desempenha papel de primeiro plano, pois, diante da diversidade da natureza, o homem só consegue respostas para suas questões mais profundas com a ajuda de seres/entes sobrenaturais que ele mesmo cria. O segundo estágio é uma fase intermediária, guardando semelhanças com o começo teológico, mas demonstrando uma evolução marcante nas trocas do sagrado-concreto pela razão-abstrata e da imaginação pelo argumento. Em outras palavras, “a metafísica destruiria a ideia teológica de subordinação da natureza e do homem ao sobrenatural” (pXI). No terceiro e mais progressivo estágio do pensamento, a imaginação e a argumentação estão subordinadas à observação: “a visão positiva dos fatos abandona a consideração das causas dos fenômenos (procedimento teológico e metafísico) e torna-se pesquisa de suas leis, entendidos como relações constantes entre fenômenos observáveis” (pXI). De acordo com Lacerda (2009), a preocupação de Auguste Comte era construir um sistema de valores (a filosofia positiva ou positivismo) capaz de regular as relações sociais, encerrando, consequentemente, os conflitos da sociedade.

Em suma, o espírito positivo, segundo Comte, instaura as ciências como investigação do real, do certo e indubitável, do precisamente determinado e do útil. Nos domínios do social e do político, o estágio positivo do espírito humano marcaria a passagem do poder espiritual para as mãos dos sábios e cientistas e do poder material para o controle dos industriais (Comte, 1978:XII).

XVII até meados do século XIX é uma época de grandes descobertas (Isaac Newton e Charles Darwin, por exemplo, formularam algumas das teorias mais importantes da Física e das ciências naturais neste intervalo), mas também de grandes equívocos em relação à aplicação do método científico31. O Iluminismo, a última grande revolução intelectual da humanidade, levou a ciência moderna, forma de conhecimento idealizada ainda na Renascença, ao lugar mais alto da hierarquia dos saberes: as reformas iluministas colocaram a sociedade, a economia e a política (Burke, 2003), bem como os mitos e as religiões, sob os desígnios da “Razão soberana” (Morin, 2005). Ou seja, o indutivismo- empírico de Francis Bacon e cia. passou a ser utilizado indiscriminadamente no tratamento de qualquer tema ou assunto, como se todos os problemas da natureza e da sociedade pudessem ser apreendidos da mesma forma ou com o mesmo instrumento (Santos, B. 1988). Pode-se argumentar então que o positivismo emerge ao longo do século XIX como o ápice de um cientismo esboçado ainda no final do Renascimento mas que, neste “momento de luz”, estava prestes a se tornar algo semelhante àquilo que combatia na virada do século XVII durante a Revolução Científica.

Assim, a Razão soberana converte-se ela mesma em razão providencial e em mito quase religioso, alcançando até mesmo um momento transitório de verdadeira deificação com a instituição por Robespierre do culto à 'Deusa' Razão. Nessa perspectiva, a ciência torna-se a produtora do autêntico conhecimento, ou seja, da verdade. Trata-se de uma época de grande desenvolvimento das ciências físicas, químicas e biológicas. Impõe-se então a ideia de que o universo seria totalmente inteligível (inteligibilidade absoluta expressa pelo demônio de Laplace, que imaginou um ser dotado de faculdades mentais superiores capaz de conhecer não apenas todos os acontecimentos do passado, mas também todos os acontecimentos do futuro) (Morin, 2005:25).