4 Mulige forklaringer på endringene i strykprosent
4.2 Faktorer som ikke har sammenheng med Kvalitetsreformen
Nas propostas curriculares de Educação Infantil, a linguagem e a brincadeira são elementos articuladores entre os saberes e os conhecimentos. As experiências com a linguagem devem considerar o papel central da oralidade, materializada em práticas de narrativas, que tomam como objeto os saberes e os conhecimentos das crianças. A brincadeira, como experiência de cultura e como forma privilegiada de expressão da criança, deve ser vivenciada tanto em situações espontâneas quanto em situações construídas, com e
sem a intervenção do adulto. Souza (2005, p.22), afirma que: “É por meio da linguagem que a criança constrói a representação da realidade na qual está inserida. Agindo, ela é capaz de transformar a realidade, mas no mesmo tempo, é também transformada por esse seu modo de agir no e sobre o mundo”.
A construção e o domínio da linguagem, em específico, da linguagem oral, contribuem significativamente para a integração da criança da Educação Infantil nas diversas esferas do seu convívio social e propiciar a melhor forma de desenvolvê-la é um compromisso, que deve ser vivenciado por todos, visto que os estudos sobre a linguagem oral e as novas perspectivas nas áreas sociais e culturais proporcionam um olhar reflexivo para a estruturação do currículo com foco nessa área.
A linguagem perpassa todas as áreas do conhecimento (social, cultural, linguístico e lógico-matemático), logo, ela “é conhecimento social, mas é também produção individual, e, como tal, está presente em todas as manifestações do conhecimento humano.” (KRAMER 2007, p.70). Constatamos na fala de Kramer que a linguagem deve ser vivenciada interdisciplinarmente, contemplando a criança em todos os seus aspectos constitutivos, já que a criança está inserida no mundo da linguagem e por meio dela constrói uma visão de mundo permitindo-a ter uma autonomia com relação à oralidade e esta autonomia traz a competência linguística, que segundo Bortoni-Ricardo (2004, p.73) “[...] lhe permite saber o que falar e como falar com quaisquer interlocutores em quaisquer circunstâncias”.
Expostas estas considerações, ficamos a nos indagar: por ser a Educação Infantil a etapaem que a criança se expressa por meio da oralidade, por qual motivo a oralidade não tem a mesma relevância da escrita? É uma reflexão que deixamos para os profissionais da área.
Muitas são as preocupações para que a criança escreva bem, há uma supervalorização do escrito que se sobrepõe ao oral, daí, aquele ter um prestígio maior em relação a este. Devemos lembrar que a criança escreverá no tempo certo, não há necessidade de se priorizar, nesta fase, a escrita e deixar a oralidade em segundo plano, pois como já afirmamos é através da oralidade que a criança se comunica, expressa seus desejos, seus sentimentos. Desta forma, valorizar a oralidade, na medida em que se valoriza a escrita, é desenvolver a competência da criança para exercê-la utilizando-se das múltiplas linguagens.
Marcuschi (2003, p.25), refere-se à oralidade dizendo que “[...] é uma prática social interativa para fins comunicativos, que se apresenta sob variadas formas ou gêneros textuais fundamentados na realidade sonora”. Por isso, as práticas sociais, desenvolvidas na escola, devem ser consideradas com base na noção de que oralidade e letramento são práticas sociais
que todo indivíduo adquire e desenvolve ao longo de sua vida, adaptando-as aos diversos contextos sociais.
Nesse sentido, nota-se que a oralidade precisa ser refletida tanto na sala de aula como fora dela e ter a mesma dimensão que a escrita, indo além do contexto escolar. Walter Ong (1998 apud MARCUSCHI 2007, p.27), explicita muito bem a importância que deve ter a oralidade, quando discorre: “Mesmo considerando a inegável importância que a escrita tem nos povos e nas civilizações letradas, continuamos povos orais”.
Câmara Cascudo (1898-1986) já se referia ao termo “literatura oral” em seu Dicionário do Folclore Brasileiro, afirmando que o termo, criado por Paul Sébillot, (1881), reúne gêneros da oralidade, tais como: contos, lendas, mitos, adivinhas, provérbios, parlendas, frases-feitas, cantos, orações, transmitidos e conservados oralmente, mesmo que, posteriormente, registrados e conservados através da escrita. “Sua característica é a persistência pela oralidade.” (CASCUDO, 1984, p.23). E, como os gêneros são formas que utilizamos para nos comunicarmos, eles devem ser utilizados, diariamente, de maneira viva, e dinâmica no contexto em que a criança está inserida.
O Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (2002, p.21), discorre que:
A criança é um ser social que nasce com capacidades afetivas, emocionais e cognitivas. Tem desejo de estar próximas às pessoas e é capaz de interagir e aprender com elas de forma que possa compreender e influenciar seu ambiente. Ampliando suas relações sociais, interações e formas de comunicação, as crianças sentem-se cada vez mais seguras para se expressar, podendo aprender, nas trocas sociais, com diferentes crianças e adultos, cujas percepções e compreensões da realidade também são diversas. (BRASIL, 2002, v.2, p.21).
Também o mesmo referencial, (RCNEI, 2002, v.2, p.126), se refere à oralidade afirmando que “[...] a construção da linguagem oral não é linear e ocorre em um processo de aproximações sucessivas com a fala do outro, seja ela do pai, da mãe, do professor, dos amigos ou aqueles ouvidos na televisão, no rádio”. A aquisição do discurso oral é um processo dialético e esta construção não acontece de forma linear, mas sim de trocas e da interação social a partir das quais as crianças vão colecionando informações acerca deste código comunicativo e os falantes mais experientes desempenham papel fundamental neste processo.
Na linguagem oral, a criança aprende a falar no convívio com falantes mais experientes, a fala das crianças é reconstrução interna, ressignificação e também criação. Ao criarem palavras podem cometer “erros” que, na verdade, demonstram uma certa compreensão da língua que ouvem desde muito cedo. Nisto, refletem e organizam hipóteses sobre a linguagem.
Neste sentido, a tarefa da Educação Infantil é, além de ampliar o vocabulário da criança, integrar sua fala em contextos sociocomunicativos para que ela se torne um falante cada vez mais competente e tenha autonomia com relação a sua fala. Para isto faz-se necessário atribuir intenção à fala da criança, observando o que ela diz, aprendendo sobre o jeito particular de se expressar, promovendo discussões em situações que sejam significativas, onde ela possa expor, argumentar, discordar, ter criticidade e se posicionar diante das situações apresentadas.
Para que isto se concretize, compartilhamos da fala de Faria e Cavalcante (2009, p.110), quando sublinham que: “Eleger a língua oral como conteúdo escolar exige o planejamento da ação pedagógica de forma a garantir, na sala de aula, atividades sistemáticas de fala, escuta e reflexão sobre a língua oral”.
Por meio deste posicionamento das autoras, podemos depreender que é essencial o trabalho realizado na escola, envolvendo a oralidade, respeitando as diferenças e as peculiaridades de cada criança, mas complementamos que este trabalho deve perpassar seus muros e atingir as famílias das crianças, fazendo um intercâmbio oral, promovendo experiências significativas e transformações no que concerne à oralidade. Vale salientar que, o ponto de partida para o sucesso destas atividades deve ser a criança, com sua participação ativa neste processo, sentindo-se acolhida e feliz no ambiente que lhe proporcione voz e vez, acreditamos ser este o sentido do trabalho com a oralidade na Educação Infantil.
Para acompanharmos toda a apresentação dos dados coletados envolvendo o tema currículo na Educação Infantil e tendo como foco a oralidade, narramos no capítulo a seguir as vozes que ecoaram durante o desenvolvimento do projeto de intervenção pedagógica, envolvendo as professoras, as quais trouxeram contribuições valiosas e fundamentais para o trabalho com a Educação Infantil.
CAPÍTULO 3