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Failure modes, effects and criticality analysis

Part 2 Theory descriptions

2 Literature review

2.3 Hazard identification, FTA .1 Hazard identification

2.3.1.2 Failure modes, effects and criticality analysis

A política de ensino regular inclusiva do estado de São Paulo, tem o apoio do Cape, que presta serviços de atendimento na formação de profissionais que lidam com alunos especiais e conta com o apoio de uma equipe especializada, para cada tipo de diferença. Na área da surdez há profissionais formados em fonoaudiologia, profissionais surdos e ouvintes especialistas em surdez.

A gestora entrevistada nos diz que o órgão é responsável por implantar e implementar o processo de inclusão escolar, na secretaria do estado de São Paulo que abrange uma grande quantidade de municípios e escolas e, para agilizar, a organização se subdivide em módulos regionais com o objetivo de alavancar e disseminar esse processo.

O meu papel é gerenciar, organizar, prever e prover todas as ações para que de fato a inclusão ocorra, de forma eficaz e com qualidade. Então, eu acho que é um trabalho árduo, é um trabalho que não é fácil. Isso demanda muitas ações. O surdo chega na escola sem nenhuma língua, com uma linguagem que foi criada no próprio contexto familiar. Então, a gente tem a sala de recursos, aonde o aluno frequenta no contra turno da escola para que possa estar aprendendo a língua (C.1).

Como vimos no recorte acima, os alunos que chegam à escola sem nenhuma língua, assim como foi evidenciado pelos professores e intérpretes, também é uma preocupação para os gestores dos órgãos que trabalham com capacitação de profissionais de educação, porém a gestora nos diz que esse trabalho tem que ser efetuado numa ação conjunta que envolve várias instituições, incluindo a família.

Nós temos que pensar que o aluno surdo não é do Cape, o aluno surdo é da escola, todos os profissionais envolvidos com a educação tem a responsabilidade de oferecer para o aluno a educação completa [...] Não é só o estado que faz um trabalho de aquisição linguística, mas é responsabilidade das associações, também das federações. É de responsabilidade da prefeitura também, enquanto educação infantil, da família em aceitar a criança surda, é um contexto maior não é responsabilidade de apenas um órgão. Os professores que atuam nas salas de recursos das unidades escolares fazem o trabalho de disseminar Libras nas escolas. Então, a rede vem trabalhando numa ação para disseminar a Libras na escola, para que futuramente a gente possa dizer, que esse surdo tem um trabalho dentro da cultura dele [...] É uma tríade, como a gente fala, o professor interlocutor, o professor da classe comum e o professor da sala de recurso. Todos devem trabalhar colaborativamente para o aprendizado desse aluno surdo (C.1). Pelo que pudemos perceber a função do professor da sala de recursos não é somente disseminar a língua de sinais, ou proporcionar a aquisição linguística do aluno surdo. Esses professores tem também a tarefa de esclarecer as dúvidas dos alunos com relação ao conteúdo aplicado em sala de aula que não é entendido por eles.

O principal é dar educação especial para o surdo. É triste, mas todas as disciplinas precisam de apoio, mas principalmente o português. Às vezes, é preciso estimular. História, geografia, também Libras, porque muitos surdos não sabem Libras. Como ensinar uma disciplina, se o surdo não sabe Libras? Começo pelo básico, vou ensinando Libras junto com a matéria dos ouvintes,

vou pegando fotos da internet, compartilhando tudo o que precisam aprender. Com o surdo oralizado é mais fácil, porque eles leem e fica mais fácil a explicação. Às vezes, eles têm dificuldades com palavras, faço voltar e consultar o dicionário. Então, tem que ter um jeito diferente de ensinar (S.8). O surdo não sabe português, é preciso uma explicação mais detalhada. Por exemplo, a palavra população. Não adianta falar apenas que é um grupo de pessoas, é preciso explicar melhor. Falta didática. O intérprete não faz isso e, por isso é importante a sala de reforço. Os surdos vem para cá interessados em aprender em Libras (S.3).

Fica evidente nos relatos desses professores surdos que trabalham em salas de recursos que precisam elaborar estratégias baseando-se na necessidade e especificidade de cada aluno. O conhecimento em Libras é utilizado não apenas para o ensino da língua mas no seu uso como base do aprendizado que o professores regentes e o intérprete de Libras não conseguem transmitir.

Vale lembrar que a aquisição da primeira língua passa por um período crítico e não é adquirido com a mesma facilidade em todos os estágios da vida. Pessoas que adquirem a língua em idade tardia têm mais dificuldades em alguns tipos de construções (QUADROS, 2008). Deduz-se, então, que o trabalho de ensino de línguas deva exigir formação específica e um trabalho individualizado com o aluno, tornando- se impossível a tarefa de transmitir conteúdos numa língua que o aluno ainda não domina.

Percebemos uma grande preocupação do órgão com a capacitação dos professores interlocutores, para atender a demanda na acessibilidade dos alunos surdos nas escolas de todo o estado. Desses profissionais é exigida formação em pedagogia, pois além da fluência na tradução e interpretação da língua de sinais, há de ter um conhecimento do currículo do estado que vai do quinto ano do ensino fundamental ao ensino médio, fundamentos relativos a alfabetização do aluno, metodologia e avaliação. Portanto o trabalho do professor interlocutor não se resume a intermediação, deve conhecer toda a estrutura pedagógica de adaptação curricular. Quadros (2004) nos diz que o código de ética dos intérpretes de Libras foram elaborados exatamente para evitar essa transferência de responsabilidade de professores regentes para os intérpretes.

Se essa possibilidade existe, poder-se-ia prever que o intérprete assumiria a função de tutoria mediante a supervisão do professor, o que em outras circunstâncias de interpretação não seria permitido. No entanto, isso poderia gerar muitos problemas. Os intérpretes-tutores deveriam estar preparados para trabalharem com as diferentes áreas de ensino. Se a eles fossem

atribuídas as responsabilidades com o ensino, eles deveriam ser professores, além de serem intérpretes. E se estiverem assumindo a função de professores, por que estariam sendo contratados como intérpretes? (QUADROS, 2004, p. 61).

Podemos pensar, então, na possibilidade de que esse cargo tenha sido criado para que não haja questionamentos sobre essa questão já que os profissionais são chamados de professores-interlocutores. De acordo com a gestora do órgão, seria conveniente que os professores interlocutores tivessem formação em cursos de Libras com duração de 120 horas, porém para atender a demanda são contratados profissionais, em caráter emergencial, com cursos de formação de menor carga horária e, para esses profissionais é oferecida uma formação complementar.

Quanto a formação dos professores regentes, o órgão oferece capacitação em cursos de Libras e outras formações para os professores que já trabalham nas escolas estaduais, através de parcerias com instituições credenciadas que oferecem esses cursos para a escola. Esses cursos reúnem os professores para discutir as leis e rever propostas de educação e diz ainda que: "é muito difícil encontrar professor surdo, a maioria é ouvinte, tem Libras básico, sem fluência" (S.1).

De fato, é muito difícil encontrar professores surdos concursados nas instituições de ensino. Segundo o Cape, os professores surdos podem ser contratados como especialistas e atuar em sala de recursos. Porém, na condição de contratados, não participam dessas discussões de leis e revisão de propostas de educação que são oferecidas pelo órgão. Ao indagarmos da responsabilidade da formação e o espaço de trabalho do professor surdo nas escolas estaduais, obtivemos a seguinte informação.

São as instituições que se responsabilizam pela formação de professores surdos. O professor surdo vem para o Cape e se tiver pós-graduação pode trabalhar em sala de recurso (C.1).

As instituições que são referenciadas pelo Cape como responsáveis pela formação de professores surdos são as ONGs representativas das comunidades surdas, e a única entidade credenciada para isso em São Paulo é a Feneis, que não capacita professores, mas instrutores surdos e pessoas ouvintes que se interessam pela aprendizagem das línguas de sinais. Não encontramos outro local, ou instituição

que capacite especificamente professores surdos em formação continuada ou cursos de aprimoramento.