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Descrevermos agora os passos seguidos para desenvolvimento da pesquisa, os detalhes das oficinas de trabalho e os instrumentos utilizados para problematização destas.

3.8.1 Passos para desenvolvimento

Para tanto, as seguintes fases foram obedecidas. Apesar de apresentá-las em uma seqüência as mesmas não acontecem linearmente, mas sobrepondo-se.

1º Passo: aproximação com o local de estudo.

A inserção nas atividades da Articulação Antinuclear do Ceará constitui esta primeira fase e está descrita em detalhes no item anterior e na introdução. Permitiu uma aproximação com o campo, revelando interesses e atores diversos.

2º Passo: pesquisa documental sobre o local do estudo.

Pesquisa documental de cunho sócio-histórico sobre o território onde foi realizado o estudo. Pretendeu-se analisar as características demográficas e socioeconômicas da população, bem como as dimensões da educação e saúde, o perfil de morbimortalidade e as condições sanitárias.

As fontes utilizadas para coleta de dados foram do Instituto Brasileiro de Geografia e Pesquisa (IBGE), do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (IPECE) e do DATASUS.

3º Passo: aproximação da pesquisa com expectativas da Articulação Antinuclear do Ceará.

Apresentação do projeto de pesquisa na reunião da Articulação Antinuclear do Ceará, ocorrida na comunidade de Riacho das Pedras em fevereiro de 2012. Na ocasião, apresentamos a proposta de estudo, bem como discutimos e esclarecemos alguns aspectos, ao tempo em que recebemos sugestões do grupo presente.

4º Passo: apresentação do projeto de pesquisa às instituições, a coletivos e a sujeitos potenciais participantes da pesquisa-ação.

A inserção na Articulação Antinuclear do Ceará nos facilitou a inserção no campo por meio de contato com os sujeitos e da identificação de espaços favoráveis à comunicação da pesquisa.

Apresentamos a proposta de estudo em espaços coletivos, reunindo conselhos, sindicatos, profissionais de saúde e de educação, trabalhadores rurais e estudantes. Contamos com a colaboração de um integrante da Comissão Pastoral da Terra e do grupo de moradores que vem discutindo as questões relacionadas ao Projeto Santa Quitéria. A primeira reunião foi no salão paroquial; a segunda e a terceira, descritas na parte sobre a reconstituição do grupo, aconteceram na Federação das Associações Comunitárias de Itatira (FACI). Na reconstituição do grupo os membros foram ativos e fundamentais neste processo e este ponto será tratado mais adiante.

5º Passo: planejamento dos encontros do grupo de pesquisa.

Este passo ocorreu de maneira longitudinal e esteve em constante fase de readequação. Ainda que iniciado antes do quarto passo, após este ter proporcionado o contato com os sujeitos, detalhes foram repensados.

Para as seteoficinas,foi elaborado e proposto um plano de atividades apresentado na primeira oficina. Buscando ser coerente com os princípios da pesquisa-ação, este plano foi discutido e aprovado, destacando o caráter aberto do planejamento.

6º Passo: realização das oficinas.

7º Passo: avaliação contínua dos encontros realizados pelo grupo de pesquisa. 8º Passo: apresentação do relatório final ao grupo de pesquisa.

9º Passo: avaliação e legitimação dos conhecimentos produzidos pelo grupo.

Neste momento final, definimos elementos a compor o relatório final e submetemos à compilação desta dissertação à publicação. Apresentação dos resultados em espaços coletivos será negociada com o grupo.

3.8.2

Oficinas de trabalho

A pesquisa aconteceu por meio de oficinas de trabalho orientadas pela pergunta de partida localizada no início deste trabalho e outros questionamentos dispostos em anexo, objetivando a abordagem do problema de pesquisa e o alcance dos objetivos propostos. Com a proposta inicial de seis oficinas que acontecessem a cada quinze dias, o número de encontros em definitivo foi decisão do coletivo e da realidade, sempre em negociação com a equipe da pesquisa dada à limitação do tempo acadêmico. Entre agosto de 2012 e janeiro de 2013 realizamos um total de 10 oficinas e 03 momentos de divulgação do projeto. Esse total de 10 oficinas inclui as realizadas na primeira fase de formação do grupo, três, e a segunda fase, sete. O local de encontro foi definido pelo coletivo e pela viabilidade e disponibilidade do espaço: Federação das Associações Comunitárias de Itatira.

3.8.3 Instrumentos de problematização e sistematização das oficinas

Dentre instrumentos e técnicas adotados nas metodologias das oficinas temos: dinâmicas de grupo, vídeos, cartografias e elaboração do plano de ação, este último tanto técnica de sistematização quanto produto da pesquisa.

A técnica de dinâmica de grupo permitiu animar as atividades do dia, aproximar o grupo e tentar significar os momentos de outros modos. Para um grupo em formação, foi importante buscar formas de aproximação com a problemática e para tanto a realidade em Caetité foi essencial e feita através de vídeos.

A opção pela exibição de vídeos deveu-se à necessidade de trabalhar aspectos centrais do processo produtivo e seus danos ao ambiente e à saúde, ou seja, os riscos ambientais e ocupacionais no trabalho da complexa cadeia do combustível nuclear. Para tanto a experiência de Caetité sobre a mineração de urânio foi essencial

Devido ao momento atual na região ser de aparente ausência da atividade mineral, impactos e conflitos, os vídeos foram um importante recurso à problematização. O material foi submetido à avaliação crítica e debate com o grupo. Foram trabalhadas questões centrais destacadas pelos sujeitos e emoções e sentimentos pontuados por nós. Este recurso permitiu visualizar e facilitar a antecipação de riscos e melhor apreensão na metodologia das oficinas.

Para isto utilizamos os vídeos produzidos pelo Greenpeace e cinco reportagens de telejornais de audiência e repercussão estadual e nacional que versam sobre a mineração em Caetité e outras experiências no mundo.

O vídeo inicial corresponde a uma sinopse dos demais ao descrever as etapas principais da cadeia do combustível nuclear. Os demais detalham o trabalho na mina, o transporte do material, as usinas em Angra dos Reis e as possibilidades de produção energética.

Os vídeos produzidos pelo Greenpeace têm como título:  O ciclo do urânio.

Disponível em http://www.youtube.com/watch?v=4xpszpxQB2s.  O ciclo do urânio. Capítulo 1: a mina.

Disponível em http://www.youtube.com/watch?v=JnhlynFf-Zs  O ciclo do urânio. Capítulo 2: transporte.

Disponível em http://www.youtube.com/watch?v=yNKKun-3Ddw  O ciclo do urânio. Capítulo 3: a denúncia.

Disponível em http://www.youtube.com/watch?v=1Z5dLXgoCR0  O ciclo do urânio. Capítulo 4: Angra.

Disponível em http://www.youtube.com/watch?v=m-WNZmPiBKQ  O ciclo do urânio. Capítulo 5: revolução energética.

Disponível em http://www.youtube.com/watch?v=cD9z8pgcvJ0

As reportagens estão disponíveis nos links abaixo e referem-se a vazamentos, contaminação de poços, ocorrência de câncer em trabalhadores, transporte de material radioativo e greve de trabalhadores na produção de urânio em Caetité.

1) http://www.youtube.com/watch?v=7DMISDJbs9g Último acesso em: 10/05/13

2) http://www.youtube.com/watch?v=qWmhOdRo-dc Último acesso em: 10/05/13

3) http://www.youtube.com/watch?v=W5qoJ3rBhp4 Último acesso em: 10/05/13

4) http://www.youtube.com/watch?v=X-C3eU_8T5w Último acesso em: 10/05/13

5) http://www.youtube.com/watch?v=cP5EQys5m3w Último acesso em: 10/05/13

O documentário “O futuro irradiante do Brasil – A exploração de urânio em Caetité” foi bastante citado, o qual foi um produzido por Kigali filmes a pedido de MISEREOR, IHR HILFSWERK, com apoio de comunidades e movimentos sociais locais.

A cartografia social foi elaborada pela questão condutora: quais os elementos que promovem e ameaçam o território considerando as relações produção-trabalho, ambiente e saúde?

A partir do uso de cartolina e pincéis os participantes das oficinas elaboraram mapas de aspecto social, ambiental e de processos produtivos/ trabalho. No momento seguinte a cada construção foi feita a apresentação e posteriormente a problematização. O cerne desta última etapa foi a identificação de elementos que promovem e ameaçam o território considerando as relações produção-trabalho, ambiente e saúde.

Para sistematização e análise das informações coletados utilizamos alguns instrumentos que facilitaram a organização de elementos centrais em nossa hipótese.

Como atividade complementar propusemos visitas de campo em locais mencionados como potencialidades do modo de vida das comunidades pelos membros do grupo durante as oficinas. O roteiro das oficinas encontra-se em anexo (apêndice F).

Fotografia 3 – Visita ao Balneário de São Pedro, Itatira.