3 Finland
3.5 Case Institution 2: University of Tampere
3.5.6 Faculty level
Sobre como era o relacionamento com os (as) professores (as), percebemos que as normalistas trazem em suas falas a presença da palavra “respeito”, que se repete com certa frequência. Conforme pode ser verificado nas falas que se seguem:
Muito bons. Elas eram muito severas, disciplinadas. A gente não conhecia nenhuma escola daquele jeito. Porque mesmo no Colégio das Damas, era disciplinado também, mas não com aquele grau de disciplina. E muito mais acessíveis com a gente de conversar, de brincar. Não havia uma parede, assim, professor e aluno (LAURA BARRETO).
[...] A gente, principalmente com as irmãs, a gente guardava um pouco mais de distância, o respeito, tinha muito, muito respeito. A gente falava com elas,
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aí beijava o anel, a mão. Você não passou isso né? Mas era a título de respeito, nós tínhamos muito respeito. Jamais, a pessoa que desse uma resposta a uma irmã, um professor, aquilo era muito grave, muito grave. [...] Então a gente tinha muito, muito respeito (MARIA ANA FERNANDES). Era um relacionamento muito bom, de muito respeito. Respeitava muito os professores. Naquele tempo não tinha aluno mal criado, que desrespeitava professores não. Claro que tinham uns que davam mais trabalho, mas eu pelo menos tinha o maior respeito por todos eles (GERCINA FREITAS).
Diante dos depoimentos das normalistas entrevistadas, questionamo-nos se era
“respeito” ou a utilização de artifícios didáticos das professoras para o disciplinamento das
normalistas. Ainda que para as normalistas:
[...] Era muito interessante, porque ao mesmo que elas conservavam aquela postura, aquela psicologia alemã de muita ordem, muita disciplina, muito pulso, ao mesmo tempo tinha uma abertura que eu acho que até hoje é difícil de encontrar (SEDY).
Sempre eu tive um bom, excelente relacionamento com os professores. Eu gostava muito dos meus professores. [...] Então eu estudei interno, e eu era considerara assim uma aluna estudiosa, aplicada e eu gostava de todas as professoras indistintamente. O relacionamento era excelente. Elas eram umas pessoas assim, apesar de alemães, eram pessoas. Numa disciplina que eu adoro, considero a minha formação, uma formação [...] E graças a Deus eu considero excelente, porque pra mim a formação alemã que a gente recebeu delas desde o ponto de vista cultural, de formação cultural a intelectual, a disciplinar e a emocional, me deixou muito legado (TEREZINHA DINIZ).
Ai meu Deus [...] Era uma turma de 40 mais ou menos, todo mundo bem caladinho assim. Tinha que formar antes da aula, cantar o hino nacional, rezar, entrar pra sala de aula todo mundo formado. E, boca fechada. Pra conversar, pra conversar, pra fazer uma pergunta, tinha que levantar o dedo. E, não tinha bagunça em sala de aula não (BERTA AZEVEDO).
Na fala da professora entrevistada, Marluce Barreto temos o seguinte relato sobre como era o relacionamento entre professores e normalistas: “Bem, boas e tinham vontade mesmo de aprender, eram disciplinadas. E a ordem da religião, a ordem delas era pesada. Não dispensava qualquer falta. Se precisasse aplicar um castigozinho, aplicava”. A esse respeito, podemos evocar Correia (2010, p. 267) ao esclarecer a prática educativa descrita acima que:
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4.4 O FARDAMENTO
Acerca do fardamento, este identificava as normalistas, em especial, por frequentarem um educandário pertencente a uma ordem religiosa. Havia uma exigência rigorosa em que a orientação precisava ser seguida pelas normalistas. O modo como a normalista se apresentava à sociedade era através do seu fardamento. A partir dele, ela demonstrava seu elo com a instituição formadora de professoras primárias. Estas se vestiam de azul e branco, como podemos constatar nos depoimentos que se seguem:
[...] Era uma saia azul, uma blusa branca e suspensório. Saia pregueada (LAURA BARRETO).
[...] No meu tempo a farda era pregueada, que a gente fazia bem miudinho e plissada. Aí com suspensório. Aí tinha umas travas aqui que sustentava o suspensório. Aí a blusa, no meu tempo já era branca. [...] Tinha uma gravata. Aí de quem faltasse essa gravata. Não era pra faltar essa gravata. Tínhamos que vir completas. Agora, na diária, nós tínhamos sandálias, mas quando eu estava no 3º ano, já começou a ser o uso de sapatos. Sapato e meia branca. Na diária (MARIA ANA FERNANDES).
[...] Era uma saia, eu não me lembro o tecido, não sei se era gavineira [...] Azul marinho de preguinhas, todas de preguinha cós e o suspensório que subia aqui e cruzava atrás, com uma gravatinha e a blusa branca, sapato preto (SEDY).
Normalistas com fardamento bem apresentável. Era a cultura escolar em evidência. Se o fardamento representava a instituição, essa deveria ser bem representada por meio de suas normalistas, futuras professoras. Conforme a normalista Terezinha Diniz:
[...] Era uma farda muito linda, com a “sainha” bem pregueadinha, minha farda fazia questão de ficar bem pregueadinha; blusa branca, a saia tinha um suspensório, que exatamente chamava suspensório e a frente com uma gravata, gravatinha que tinha o nome Colégio Normal Francisca Mendes. Era essa a nossa farda. Branca, mangas compridas a blusa, mangas compridas. E mangas curtas para durante o dia. Mas a farda de gala era de mangas compridas (TEREZINHA DINIZ).
Podemos perceber que, ao longo dos anos, elementos como o sutache de cor branca foi adicionado ao fardamento para diferenciar a identificação da normalista. Portanto, para a normalista do 1º ano Normal, um sutache; 2º ano Normal, dois sutaches e assim por diante até o 5º ano do Normal com cinco sutaches brancos que configuravam o estilo do fardamento da instituição. Tal percepção pode ser acompanhada na fala da entrevistada transcrita abaixo:
Era aquelas fardas saia plissada duma, não sei, não era percal, mas era uma coisa mais pesada ainda, um percal. [...] blusa branca. Saia azul marinho.
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Azul marinho abaixo do joelho. Meias brancas, sapato preto né?! Blusa branca, de golinha, com uma gravata. Na gravata tinha um sutache assim dizendo. Se era um, um sutache branco era do primeiro ano, ou dois segundo ano, terceiro ou quarto. Cada ano tinha uma listrinha branca correspondente ao ano (BERTA AZEVEDO).
Na figura 20 alocada abaixo, pode ser observado o estilo do fardamento mencionado pelas normalistas entrevistadas.
FIGURA 20 – Normalistas fardadas(s/d)
Fonte: Acervo do Colégio Francisca
Mendes, 2011.