1. Introduction
1.5. Factors affecting taste sensitivity
A noção de representação social é utilizada nas mais diversas correntes de estudos das Ciências Sociais, a exemplo da Antropologia, Sociologia e Psicologia. Também é possível encontrar os usos da expressão no senso comum e na imprensa. Segundo Jodelet (2002), existe uma necessidade constante de saber sobre o mundo que aí está e o que ele tem a ver com os sujeitos. Sendo assim, a autora afirma que
É necessário ajustar-se, conduzir-se, localizar-se, física ou intelectualmente, identificar e resolver problemas que ele põe. Eis porquê construímos representações. E, da mesma forma que, ante as coisas, pessoas, eventos ou ideias, não somos equipados apenas com automatismos, igualmente não somos isolados em um vazio social: compartilhamos o mundo com outros, neles nos apoiamos – às vezes convergindo; outas, divergindo – para o compreender, o gerenciar ou o afrontar. Por isso as representações são sociais e são tão importantes na vida cotidiana (JODELET, 2002, p. 17).
Segundo Freire Filho (2004), comumente a noção de representação é associada ao processo democrático da eleição que, por meio dos votos, elege um para representar os interesses de determinada comunidade. Sendo assim, de maneira análoga, o autor explica que representação trata também do “uso dos variados sistemas significantes disponíveis (textos, imagens, sons) para ‘falar por’ ou ‘falar sobre’ categorias ou grupos sociais, no campo de batalha simbólico das artes e das indústrias da cultura” (FREIRE FILHO, 2004, p. 45).
Ou seja, a representação é uma maneira de tomar uma categoria ou grupo social e representa-la por meio de imagens, sons ou textos que a remetam simbolicamente.
Assim, elas podem ser consideradas fenômenos complexos ativos e agentes na sociedade, conforme Jodelet (2002).
Jodelet (2002) explica que uma primeira caraterização do conceito de representação trata o termo como uma forma de conhecimento socialmente elaborado e partilhado, quase como um “senso comum”, o que a distingue do conhecimento científico. Freire Filho (2004) afirma que as representações sociais intervêm nos mais diversos processos, desde a assimilação de conhecimentos até a definição das identidades pessoais e sociais. Além disso,
Como fenômenos cognitivos, associam o pertencimento social dos indivíduos às implicações afetivas e normativas, às interiorizações das experiências, das práticas, dos modelos de conduta e de pensamento, socialmente inculcados ou transmitidos pela comunicação social, que aí estão ligados. [...] De fato, representar ou se representar corresponde a um ato de pensamento pelo qual o sujeito relaciona-se com um objeto. [...] A representação é, pois, a representante mental do objeto que reconstitui simbolicamente. De outro lado, como conteúdo concreto do ato de pensar, a representação carrega a marca do sujeito e de sua atividade. (JODELET, 2002, p. 22).
Dessa forma, é compreensível que, dependendo do sentido que se deseja dar a determinado grupo social, a representação pode ser distorcida, especialmente quando se trata de minorias, tais como mulheres, negros e imigrantes. Conforme diz Freire Filho (2004), a análise crítica da representação de identidades sociais teve início na década de 1960, com foco nas distorções provocadas pela mídia voltada para a comunicação de massa.
Alexandre (2001) esclarece que a origem da expressão representação social é europeia e que “remete ao conceito de representação coletiva de Émile Durkheim, por longo tempo esquecido, que Serge Moscovici retomou para desenvolver uma teoria das representações sociais no campo da Psicologia Social” (ALEXANDRE, 2001, p. 111).
O autor explica que “na definição de Moscovici, a representação social refere-se ao posicionamento e localização da consciência subjetiva nos espaços sociais, com o sentido de constituir percepções por parte dos indivíduos” (ALEXANDRE, 2001, p. 112). Ainda, afirma que as representações de um objeto social teriam um processo de formação “entendido como um encadeamento de fenômenos interativos, fruto dos processos sociais no cotidiano do mundo moderno” (ALEXANDRE, 2001, p. 112).
Dessa forma, Alexandre (2001) salienta que cotidianamente são muitas as informações, sons e imagens que bombardeiam a todos e que acabam por tentar “criar, mudar ou cristalizar atitudes ou opiniões nos indivíduos. É o efeito dos meios de comunicação de massa (MCM) em nossas relações sociais” (ALEXANDRE, 2001, p. 112).
O tema da representação é especialmente tratado nos estudos culturais, que se consolidaram em meados dos anos 1960, conforme salienta Freire Filho (2004). Segundo o autor, “tal inclinação teórica se harmoniza com a pauta de reivindicações dos novos movimentos sociais, notabilizados por uma preocupação profunda com a questão da identidade – o que ela significa, como é produzida e contestada” (FREIRE FILHO, 2004, p. 45).
A historiadora Swain (2001) compreende que ao tempo em que as representações ajudam a construir a realidade, elas também a integram, ao afirmar que “as representações sociais são consideradas como uma forma de construção social da realidade cuja mediação atravessa e constitui as práticas através das quais se expressam” (SWAIN, 2001, p. 13).
Para a autora, as representações sociais podem ser encontradas desde o senso comum até a literatura ou no discurso científico, e elas instituem o mundo nas chamadas “clivagens valorativas”, definindo categorias de percepção, análise e definição do social. Os meios de comunicação, por serem instrumentos de mediação entre as várias realidades, acabam por serem construtores e legitimadores de representações sociais.
Assim a televisão, as novelas, os romances, as revistas em quadrinhos, as revistas em geral, os jornais, a internet etc., em seu espaço de recepção e interação veiculam representações sobre as mulheres, os homens, a sociedade. Imagens e textos compõem um mosaico que integra a maneira de se perceber o mundo e o desenho de sua positividade (SWAIN, 2001, p. 14).
Sendo assim, conforme Swain (2001), torna-se de extrema importância buscar o que se entende por inversão das evidências na análise do discurso social, ou seja, procurar o que constrói a naturalização de papéis. Uma das ferramentas para tal construção é o discurso de verdade, que tem como base a tradição, a ciência e a religião para “definir a essência dos seres: uma identidade baseada em critérios arbitrários que se apresenta com um caráter atemporal, negação de toda historicidade, em asserções do
tipo ‘eterno feminino’, ‘prostituição, a mais antiga profissão do mundo’” (SWAIN, 2001, p. 15).
Conforme Vizeu (2011), a representação faz uma conexão entre sentido, linguagem e cultura. Desse modo, ela é “uma parte essencial do processo na qual o sentido se produz e estabelece trocas entre os membros de uma cultura.” (VIZEU, 2011, p. 31). O autor destaca que, assim como no construtivismo jornalístico, é importante, em relação à representação, “dizermos de que lugar estamos falamos” (VIZEU, 2011, p. 32).
Ainda, Vizeu (2011) explica que há dois geradores de representações sociais: ancoragem e objetivação. Na objetivação, “as teorias abstratas de um grupo especializado [é integrado] em elementos do meio ambiente geral” (VIZEU, 2011, p. 33), enquanto que a ancoragem “transforma a ciência num saber útil para todos” (VIZEU, 2011, p. 33). Por fim, o autor diz que a preocupação da teoria é compreender “por que as pessoas fazem o que fazem?”, entendendo a representação não só como racional e cognitiva, mas também como “um conjunto amplo de sentidos criados e partilhados socialmente” (VIZEU, 2011, p. 33).
A pesquisadora Azevêdo (2011) afirma que o jornalismo “também representa uma realidade compartilhada a todo um conjunto social. Ou seja, um sistema próprio de representação social no qual os significados da vida social assumem sua dimensão pública e onde acontecem diferentes mediações institucionais” (AZEVÊDO, 2011, p. 50). Assim, entende-se que há uma multiplicidade de discursos na imprensa, cada um disputando o espaço de representação de pessoas, locais e acontecimentos.