ABSTRACT INTRODUCTION
1.2. Factores implicados en la litiasis renal
INTRODUÇÃO
Este trabalho foi desenvolvido com o intuito de alavancar e aperfeiçoar a ativi- dade extrativista dos pequenos agricultores de município de Borba, estado do Amazo- nas, que ao longo de décadas têm-se dedicado à exploração e comercialização de uma espécie vegetal, o puxuri, sem, contudo, verem seus esforços recompensados devido ao desconhecimento e, consequentemente, a baixa valoração econômica da mesma. A pro- posta é a de se fazer um estudo cujos resultados possibilitem produzir conhecimentos científicos, que aliados aos saberes tradicionais já existentes, tornem a atividade mais atrativa despertando o interesse pelo cultivo desta espécie, com base em técnicas silvi- culturais, a serem aplicadas a posteriori.
A magnitude da biodiversidade brasileira não é conhecida com precisão tal a sua complexidade, estimando-se a existência de mais de dois milhões de espécies distin- tas. O Brasil é o país com maior diversidade genética vegetal do mundo, contando com uma estimativa de mais de 50.000 espécies de plantas superiores produtoras de madeiras e de seus derivados, de alimentos, de goma, de resina, de látex, de óleos vegetais dentre outros produtos naturais, catalogadas de um total estimado em cerca de 350.000 a 550.000 do mundo (DIAS, 1996). Considera-se que mais da metade das espécies se en- contram nas florestas tropicais, cuja área corresponde a 7% da superfície da terra (SOE- JARTO, 1996).
Somente a floresta Amazônica, com seus 4 milhões de km2, teria 30.000 espé- cies de plantas, das quais cerca de um terço seriam medicinais e/ou aromáticas e apro- ximadamente 70% destas usadas como medicamentos pelas populações locais e tradici- onais, além de outros usos. Contudo, acredita-se que apenas 8% destas espécies foram estudadas na busca de compostos bioativos e que apenas 1.100 espécies vegetais da flo- ra brasileira foram avaliadas em suas propriedades medicinais (GARCIA et al., 1996).
O estudo dessas plantas vem ganhando importância, pois, além de esclarecer diferentes aspectos relativos aos casos de intoxicações e de identificar constituintes químicos capazes de exercer ação tóxica, pode ainda fornecer substâncias ativas para a produção de fármacos (VIEIRA et al., 2002; AMARAL et al., 2006; BARBOSA-
RÊA, MELO e COSTA, 2008). A oportunidade para a identificação de produtos com possível utilização econômica aumenta com a diversidade de espécies.
As plantas são uma fonte importante de produtos naturais biologicamente ati- vos, muitos dos quais se constituem em modelos para síntese de grande número de fár- macos. Alcaloides vegetais, por exemplo, têm se mostrado especialmente efetivos em seus efeitos medicinais e encontram-se distribuídos por diversas espécies vegetais tropi- cais (SIMÕES e SPITZER, 2003).
Acredita-se que a utilização de plantas medicinais como terapia curativa e pre- ventiva seja tão antiga quanto o próprio homem (MARTINS, CASTRO e CASTELLA- NI, 1994). De acordo com o Centro Internacional do Comércio, a proporção das plantas utilizadas no preparo de produtos farmacêuticos chega à terça parte das substâncias sin- téticas empregadas em quimioterapia.
A biodiversidade das florestas tropicais constitui-se na principal fonte de bio- moléculas para produção industrial de medicamentos, cujas vendas chegaram a nível mundial a 30 bilhões de dólares anuais, mercado este em ampla expansão (SEARS, 1995). Várias empresas nacionais vêm empregando matéria-prima vegetal diretamente na elaboração de seus medicamentos (FARIAS et al.,1994).
Os óleos voláteis de plantas são conhecidos e utilizados desde a antiguidade por suas propriedades biológicas, especialmente antibacteriana, antifúngica e antioxi- dante (DEANS e WATERMAN, 1993). Além disso, os produtos naturais crescem em importância devido as evidências de que alguns compostos antioxidantes sintéticos lar- gamente utilizados na indústria podem promover o desenvolvimento de células tumorais (BOTTERWERCK et al., 2000; CANDAN et al., 2003; SACCHETTI et al., 2005).
Para Cozzi et al. (1977) os óleos essenciais têm sido muito estudados, pois al- guns componentes dessas substâncias são capazes de proteger os sistemas biológicos, especialmente membranas lipídicas, das ações provocadas pelo estresse oxidativo, um dos principais responsáveis pelo envelhecimento precoce, das doenças degenerativas e do câncer.
Óleos essenciais e extratos de plantas aromáticas da Amazônia constituem ma- térias-primas apropriadas para a indústria, aplicadas principalmente na elaboração de produtos como perfumes, fragrâncias e cosméticos; de produtos de uso fitoterapêutico ou como inseticida, fungicida e bactericida na horticultura e em cultivos tradicionais
dessa região como, por exemplo, cacau, cupuaçu, pimenta-do-reino, seringueira e algu- mas hortaliças.
Para a produção de novos insumos agrícolas, apoiada na flora aromática da re- gião amazônica, é necessário estender o conhecimento científico e tecnológico de espé- cies com potencial econômico, que venham a subsidiar o setor produtivo para execução de projetos de desenvolvimento voltados à agroindústria regional.
Apenas alguns poucos produtos obtidos da região constam da pauta de expor- tação, dentre os quais, o óleo essencial de pau-rosa (Aniba rosaeodora Ducke), Laura-
ceae; o óleo de andiroba (Carapa guianensis Aubl.), Meliaceae; o óleo-resina de copaí- ba (Copaifera multijuga Hayne), Leguminosae; e as sementes de cumaru (Dypterix odo-
rata Aubl.), Leguminosae, três produtos típicos do extrativismo florestal. Há também um incipiente comércio artesanal de fragrâncias, sachês e plantas aromáticas. As fra- grâncias são preparadas com essências importadas e enriquecidas com extratos orgâni- cos de algumas espécies, como a priprioca (Cyperus articulatus L), Cyperaceae; a ca- tinga-de-mulata (Aeollanthus suaveolens Matt. ex Spreng.), Asteraceae; o manjericão (Ocimum minimum L.), Lamiaceae, e o vetiver (Chrysopogon zizanioides (L), Roberty),
Poaceae. Para a confecção dos sachês também se utilizam essências importadas e são enriquecidos com pós e raspas de plantas nativas como, por exemplo, pau-rosa, vetiver, macacaporanga (Aniba fragrans Ducke.), Lauraceae; arataciú (Sagotia racemosa Baill),
Euphorbiaceae. Entre as plantas aromáticas comercializadas estão a priprioca, o breu- branco (Protium heptaphyllum Aubl. Marchand), Burseraceae e a casca-preciosa (Aniba
canelilla H.B.K. Mez.), Lauraceae, algumas na forma bruta e outras como extratos eta- nólicos ou óleos destilados em pequena escala.
É reconhecido que muitas espécies aromáticas amazônicas, assim como outros recursos naturais, têm sofrido exploração intensa devido às ações desastrosas causadas pelas práticas propostas pelo modelo de desenvolvimento da região. A taxa de extinção das espécies aromáticas que ocorrem em áreas de pressão ambiental precisa ser conhe- cida. Portanto, é necessário que se promova com urgência o resgate do conhecimento científico e tecnológico destas espécies. A flora aromática da Amazônia representa uma fonte renovável apropriada à produção de essências aromáticas e uma alternativa eco- nômica para o desenvolvimento sustentável da região. Com exceção dos produtos obti- dos por extrativismo florestal (pau-rosa, copaíba e cumaru), que são demandados pelo
mercado nacional e internacional, a oferta e a comercialização de outros produtos aro- máticos ainda são muito pequenas e inconsistentes.
Uma espécie aromática da Amazônia que apresenta grande potencial para a produção industrial é o puxuri [Licaria puchury–major, (Mart.), Kosterm., Lauraceae]. Suas sementes aromáticas são usadas na medicina caseira como carminativas estomá- quicas e, no tratamento de insônia e irritabilidade de adultos e crianças (MORS e RIZ- ZINI, 1966; PIO CORREA, 1931). A população prepara o chá da planta usando uma semente triturada (peso médio em torno de 4,5g), em um copo de água fervente. O re- médio assim elaborado é conhecido como “abafado”.
Os primeiros trabalhos de natureza química com esta espécie datam dos sécu- los XVIII e XIX e são sumarizados por Gildemeister e Hoffmann (1916). Em 1920, a firma francesa Rouge-Bertrand, descreveu algumas propriedades do óleo essencial e indicou a presença de safrol, eucaliptol e isoeugenol nas sementes do puxuri. Gottlieb (1956) confirmou a presença de safrol, eucaliptol e eugenol em lugar de isoeugenol, além de ácido láurico. Seabra, Guimarães e Mors (1967) estudaram o óleo volátil das folhas e galhos da planta e indicaram a presença de safrol, eucaliptol, α-terpineol e eu- genol. Maia (1973) e Silva et al. (1973) descreveram o estudo da madeira do tronco, onde isolaram o aldeído 3,4-metilenodioxicinâmico, o álcool 3,4-metileno-dioxi- namílico e o aldeído siríngico, além de safrol e eugenol. Carlini, Oliveira e Oliveira (1983) observaram que o óleo essencial das sementes do puxuri reduz a atividade moto- ra e anestesia ratos, além de que, seu hidrolato (resultante do arraste com vapor d’água) promove proteção contra as convulsões induzidas por choque elétrico e potencializa os barbituratos utilizados para fazê-los dormir. Alguns desses efeitos farmacológicos são atribuídos a presença de safrol, eugenol e mutieugenol (MELO et al., 1973; DALL- MEIER; CARLINI, 1981) no óleo essencial.
Para que esta e outras espécies possam ser valoradas como produtos de interes- se para o mercado de óleos essenciais, é necessário que se promovam o conhecimento das suas propriedades físicas, químicas e tecnológicas com base em experimentos oti- mizados por meio de técnicas estatísticas, eliminando a técnica corriqueira de tentativa e erro, a fim de que os conhecimentos gerados atinjam um patamar de excelência na qua- lidade e, dessa forma, possam habilitá-la como mais uma espécie com potencial de pro- dução de matéria-prima para a indústria, tanto nacional quanto de exportação, com par- ticipação efetiva na balança comercial. Assim, são objetos deste trabalho a caracteriza-
ção tecnológica de partes desta espécie e, sobretudo um estudo mais acurado de suas sementes no tocante a secagem, higroscopicidade, extração do óleo essencial (otimiza- ção do processo), a caracterização química e física, do grau de toxicidade desse óleo, além do aproveitamento dos resíduos da extração (torta) para a produção de sabão.