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In document LIFE IN TRANSITION: (sider 47-52)

A entrevista é um procedimento recomendado na investigação qualitativa, cuja grande vantagem reside na obtenção imediata de informações que não são diretamente observáveis ou que não podem ser obtidas por outros métodos (Sharma, 2010; Ludke & André, 1986). É uma estratégia para conhecer as ideias e perspetivas dos participantes acerca dos fenómenos em estudo (Sharma, 2010).

A entrevista pode ser incluída num dos seguintes tipos: (1) estruturada, quando é composta por questões abertas e/ou fechadas pré-estabelecidas, por uma ordem fixa, com categorias prévias subjacentes e de fácil quantificação das respostas; (2) não estruturada, quando se carateriza por uma total flexibilidade e liberdade no desenrolar do diálogo com o entrevistado; e (3) semiestruturada, quando é orientada por questões planeadas mas que são adaptáveis às caraterísticas dos entrevistados e que podem evoluir na sequência da conversa (MacDonal & Headlam, 2009; Fontana & Frey, 1994). A natureza do fenómeno em estudo determina a escolha do tipo e estrutura das entrevistas (Sarma, 2010).

Neste estudo optou-se pela realização de entrevistas que cabem na tipologia de entrevistas estruturadas, dado que obedeceram a um guião composto por um conjunto de questões pré-estabelecidas e agrupadas por categorias temáticas; em todo o caso, a condução das entrevistas assumiu a possibilidade de formular novas questões suscitadas pelas respostas dos entrevistados, sempre que julgado oportuno. Este tipo de entrevista permitiu agrupar questões específicas segundo vários focos, de acordo com os propósitos do estudo.

As entrevistas constituíram o procedimento utilizado para recolher dados descritivos na linguagem dos intervenientes (Bogdan & Biklen, 1994), possibilitando captar ideias sobre a forma como estes interpretam variados aspetos inerentes ao

contexto do estudo, nomeadamente no que diz respeito à manifestação da criatividade matemática na resolução de problemas. A sua preparação envolveu a construção de guiões com base num conjunto de tópicos gerais que foram seguidamente decompostos em diversas perguntas. Além disso, procurou-se dar atenção a aspetos como a duração, escolha do local da entrevista e a relação afável estabelecida com o entrevistado (Bogdan & Biklen, 1994; Fontana & Frey, 2005).

Foi selecionado um conjunto de participantes para obter dados através de entrevistas: seis alunos finalistas da edição de 2009/10 e os respetivos professores de Matemática (que correspondem a cinco professoras). A seleção dos alunos foi feita no conjunto dos finalistas oriundos da região do Algarve, pesando nesta decisão a proximidade e o acesso do investigador aos participantes, em momentos diversos, devidamente planeados de acordo com a disponibilidade dos estudantes e seus encarregados de educação, bem como dos respetivos professores. Apesar de esta seleção não contemplar as duas regiões abrangidas pelo SUB12 (Algarve e Alentejo), procurou- se assegurar que os alunos pertenciam a escolas distintas, que os professores eram diferentes (com exceção de uma das docentes entrevistadas que era professora de dois alunos finalistas) e que os selecionados tiveram classificações variadas na prova final do campeonato.

Os alunos selecionados fazem parte do conjunto dos primeiros vinte e um classificados na final do SUB12. Embora sendo uma amostra de seis alunos, obtida por conveniência, todos eles com um elevado desempenho na resolução de problemas, é de referir que as suas classificações na prova final foram distintas, pelo que estes alunos se distribuem entre o 1.º classificado e o 21.º classificado da final. A escolha das professoras a serem entrevistadas no âmbito deste estudo foi diretamente influenciada pela seleção dos respetivos alunos.

Os entrevistados foram informados e esclarecidos, desde o início, acerca dos objetivos, da estrutura e da finalidade do material a recolher através da entrevista (MacDonald & Headlam, 2009). Todas as entrevistas foram individuais, tendo sido gravadas em vídeo/áudio após concluída a final do campeonato de 2009/10. A maioria das entrevistas foi realizada no mês de julho de 2010 e as restantes em novembro do mesmo ano. Para conduzir as entrevistas, foram elaborados dois guiões, um para os alunos (ver anexo 6) e outro para os professores (ver anexo 7), qualquer deles organizado em torno de um conjunto pré-estabelecido de tópicos ou focos.

O recurso a esses focos assegurou a estruturação pretendida da informação a recolher e representou o fio condutor das entrevistas, além de guiar a codificação do material transcrito de acordo com as categorias contidas nos próprios tópicos e questões a colocar. Constituiu, assim, um instrumento para captar as perspetivas e visões dos alunos e professores sobre o campeonato SUB12, sobre a resolução de problemas e sobre a ideia de criatividade matemática e sua manifestação.

As entrevistas aos alunos e aos respetivos professores tiveram como base três tópicos gerais: 1) resolução de problemas, 2) campeonato SUB12 e 3) criatividade na resolução de problemas. No caso das entrevistas aos professores o primeiro tópico incluiu questões sobre a importância da resolução de problemas e aspetos da sua implementação pedagógica; o segundo tópico referiu-se à opinião geral sobre o SUB12, aos problemas propostos, à relação que têm com o conhecimento matemático e ao aspeto competitivo; o terceiro tópico desdobrou-se em questões relativas à originalidade das resoluções, ao papel das representações matemáticas e à relação da criatividade com o saber matemático e a capacidade de resolver problemas. Quanto aos alunos, no primeiro tópico esteve em foco a sua relação com a resolução de problemas, nomeadamente o gosto por esta atividade, bem como o conceito de aptidão para resolver problemas; os dois outros tópicos seguiram um certo paralelismo com as entrevistas aos professores. Relativamente ao tópico do campeonato SUB12, foi importante questionar os alunos sobre o que os leva a participar nessa e noutras competições matemáticas.

O local das entrevistas foi variado e escolhido de acordo com a conveniência dos entrevistados, procurando que o espaço fosse o mais agradável possível, suportado por um clima de confiança, empatia e tranquilidade, de modo a que o entrevistado se sentisse à vontade para se expressar livremente e o diálogo acontecesse com naturalidade (Bogdan e Biklen, 1994; Ludke e André, 1986).

Os contactos realizados para solicitar as entrevistas aos alunos e professoras foram realizados no mesmo dia em que decorreu a fase da final da edição 2009/10, em Junho de 2010. Foram contactados pessoalmente alguns dos sujeitos a entrevistar, quer alunos, quer professoras, logo após o conhecimento da classificação geral dos finalistas, no sentido proceder, posteriormente, à marcação das datas e locais para a realização das entrevistas. Algumas das professoras a entrevistar foram contatadas posteriormente, dado que não acompanharam os respetivos alunos no dia em que se realizou a final, na Universidade do Algarve. Nalguns casos, as entrevistas, foram efetuadas nas escolas, noutros casos realizaram-se em casa dos entrevistados. A duração média das entrevistas

aos alunos foi de 35 minutos e das entrevistas às professoras foi de 45 minutos. A variação do tempo de duração teve a ver com o rumo que o diálogo tomou, em cada caso, e com o maior ou menor à vontade dos entrevistados. Logo após a realização de cada entrevista foram registadas impressões de memória por parte do investigador acerca de factos considerados pertinentes.

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