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CHAPTER IX: CONCLUSION

9.3. F URTHER WORK

Houve signii cativa mudança do peso eleitoral das regiões paranaenses entre o i nal da década de 1940 e a de 1960. Estudo realizado pelo IPARDES (1987)32 mostrou que, em 1947, o número de

eleitores do Paraná Tradicional, somado aos da região de Curitiba, chegava a 65% do total de eleitores. Os grupos predominantes nessa região, que controlavam o Estado, eram os grandes latifundiários ligados às atividades madeireiras, extração, processamento e exportação do mate e pecuária, vinculada ou não ao tropeirismo. As regiões “norte cafeeiro” e oeste paranaense – englobando inclusive o sudoeste – tinham juntas apenas 30% do total de eleitores, conforme se observa no grái co 04, a seguir. Durante a década de 1950 houve grande crescimento populacional no norte do Paraná, que acabou se

Regiões População Total 1960 % Acum. PIB 1960 (R$ V.Const) PIB 1960 % Acum.

Pop. Norte Paraná 2.500.763 58,4% 58,4% 4.470.149,08 55,79% 55,79% População do Sudoeste e Oeste 349.626 8,2% 66,6% 453.853,88 5,34% 61,13% População Paraná Tradicional 1.428.735 33,4% 100% 3.301.658,48 38,86% 100%

Total 4.279.124 100,0% 8.495.661,44 100,00%

Fonte: IBGE, Censo 1960 e Ipeadata. Acessado em 07/12/2010.

Pop. Norte Paraná 2.500.763 58,4% 58,4% 4.470.149,08 55,79% 55,79%

População Paraná Tradicional 1.428.735 33,4% 100% 3.301.658,48 38,86% 100%

32.As regiões mencionadas nesta subseção são as do estudo do IPARDES (1987). O Paraná Tradicional compreende

a Região Metropolitana de Curitiba e as Mesorregiões Centro-Oriental, Centro-Sul e Sudeste. A Região Norte é compreendida pelas Mesorregiões Norte Pioneiro, Norte Central, Centro Ocidental e Noroeste e a Região Oeste é formada pela Mesorregião Oeste e Sudoeste.

traduzindo no aumento de eleitores. Nas eleições de 1960 observa- se a inversão radical da distribuição do eleitorado paranaense, com o norte cafeeiro sozinho passando a possuir 51% dos eleitores do Estado. Somando esses aos eleitores do sudoeste – incluindo oeste – chegaram a um peso eleitoral de 62% do total de eleitores. (Gráico 04).

Nessas regiões – norte, sudoeste e oeste – se concentravam as reclamações sobre a falta de atenção da Capital em relação ao interior. No caso da região oeste-sudoeste, chegou inclusive a ser criado o Estado do Iguaçu, como visto e, no norte, houve o movimento pela criação do Estado do Paranapanema, que icou latente na população da região e que emergia em épocas eleitorais. Reclamavam que a Capital apenas arrecadava os impostos nessas regiões e não retornava nenhum benefício a elas.

A diferença de peso político, dada pelo grande e rápido crescimento populacional, se reletia nas disputas e resultados eleitorais.

A grande maioria dos votos dados aos candidatos vencedores nas eleições de 1947 foram da região de Curitiba e Paraná Tradicional (58%), que também tinham o maior número de eleitores, como visto acima. As regiões Norte Cafeeiro e Oeste juntas consignaram apenas 37% dos votos ao candidato vencedor, conforme pode ser visto no gráico 05, demonstrando seu descontentamento com os “políticos da capital”, constituintes da elite que dominava o Estado praticamente desde sua elevação a Província. Importante ressalvar que o fato dessa elite estar situada principalmente na capital não exclui a possibilidade de terem interesses econômicos no interior paranaense. Algumas famílias tinham fazendas e outros negócios nas regiões que estavam sendo colonizadas, bem como repassavam para famílias que as apoiavam o controle de órgãos do Estado.

Em 1960, o Norte Cafeeiro deu 48% dos votos ao candidato vencedor, que somados à votação do oeste chegou a 58% dos votos recebidos. O Paraná Tradicional e a região de Curitiba juntas reuniram

Fonte: TRE (apud IPARDES, 1987)

(UDN). (IPARDES, 1987, p. 184). No entanto, esse “apoio discreto” do partido no qual se concentrava a maioria das forças políticas da elite – a família Bento Munhoz, por exemplo – fez a diferença junto aos seus redutos eleitorais, possibilitando a votação que teve.

18% e 22%, respectivamente, e nem somando à votação do Litoral, de apenas 2%, chegaram perto da votação das novas regiões do Paraná: o Norte Cafeeiro e Oeste, incluindo o sudoeste do estado. Essas regiões passavam a ter um peso político signiicativo no mapa eleitoral estadual. Ressalve-se que o candidato vencedor de 1960, embora com expressiva votação dessas regiões, tinha construído sua carreira na região do Paraná Tradicional e de Curitiba, o que pode ser observado pela expressiva votação que teve nessas regiões. Soube, esse candidato, entender o que estava ocorrendo no Estado e deu grande peso em sua campanha, às novas regiões, visitando e prometendo atender às suas reivindicações. Mesmo sendo ligado às famílias tradicionais (Camargo, Bento Munhoz), tirou proveito do desconhecimento sobre suas relações políticas, construiu um discurso que o diferenciava dos candidatos mais conhecidos, se apresentou como oposição, apoiado pela Igreja Católica e ainda contou com o inesperado33. (IPARDES, 1987,

p. 184).

A expressiva quantidade de votos a Ney Braga no Norte Cafeeiro não signiicou que teve total apoio dessa região, pois sua votação foi apenas 1% maior que o segundo colocado. (Gráico 05). A boa vantagem que obteve no Paraná Tradicional e em Curitiba, onde amealhou uma diferença em relação ao segundo colocado de 31.066 votos, foi suiciente para garantir sua eleição dentre os três candidatos concorrentes. Isso porque o Partido da Democracia Cristã (PDC), partido de Ney Braga, era “um pequeno partido com algum prestígio apenas em Curitiba” e teve ainda apoio discreto, de bastidores, da União Democrática Nacional

33. C.f. Nota 9 página 42

Fonte: TRE, baseado em estudos do IPARDES, 1987

As famílias tradicionais voltaram ao poder, conseguindo inclusive a vitória na região que mais havia criticado a gestão anterior – do Bento Munhoz – pelo abandono do interior, acusado de “ser o prefeito de Curitiba” e ainda “de gastar todos os recursos de ICM do café com o embelezamento da capital”. (IPARDES, 1987, p. 181).

Por outro lado, a disputa apertada e a importância que o norte e o oeste do Paraná passam a ter na política, em função da expressiva população votante, desperta preocupações em relação ao controle futuro do Estado. Caso a situação viesse a se consolidar, com outras regiões do Estado tendo maior peso político e econômico que a capital e seu hinterland, poderia-se chegar à perda total do controle que a elite tinha sobre o Paraná até então, como aconteceu no passado com Paranaguá. Disputar a produção agrícola não era possível. A única saída era industrializar Curitiba e atrair população para essa região, para reverter e, no mínimo, equilibrar o peso político e econômico da Capital em relação ao interior. Essa hipótese, aqui adiantada, merece maiores estudos e aprofundamento, que não é o objeto deste estudo. Entretanto, esta relexão corroborada com os dados apresentados permite inferir o sentido do discurso da industrialização, que surge como uma necessidade imediata e que acabou direcionando todas as políticas implementadas pelos sucessivos Governos, a partir de então, mesmo que o chefe do Executivo não pertencesse à elite tradicional. A perda da representatividade política, como visto, acabou criando a necessidade de buscar alternativas para assegurar tanto a manutenção do controle do Estado quanto o processo de acumulação pela elite. Isto interessa, pois direcionou concretamente a implantação da infraestrutura do Estado como será visto.

Essa eleição foi uma mudança conservadora nos rumos do Estado. Por um lado, um candidato novo, quase desconhecido no interior, assume o comando do Estado fazendo alianças com o interior, que viabilizou o amplo apoio que teve no norte paranaense. Por outro, signiicou a ruptura com a direção que a elite vinha conduzindo o Estado até aquele momento. Mesmo com a consciência das deiciências políticas e econômicas internas ao Estado desde a década de 1930, a visão de Governo da elite vinculava-se mais aos interesses dos grandes latifundiários, criadores de gado e remanescentes dos tropeiros, madeireiros e empresários do mate do primeiro e segundo planalto, que tinham na produção agropecuária ou no extrativismo seus maiores interesses. A industrialização foi a nova direção para a qual o Estado passou a ser orientado. A infraestrutura passa a ser importante não apenas para eliminar a perda de divisas, mas, principalmente, para redirecionar o peril econômico do Paraná. Nesse sentido a elite passa a mobilizar o Estado para reverter a visão que tinha sido hegemônica desde a década de 1930. A bandeira da mudança do Estado será, então, carregada pela própria elite, que tinha entendido o signiicado do peso político e econômico do norte, oeste e sudoeste do Estado e acompanhava as transformações que o Brasil vinha experimentando, com a industrialização.