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Diante do cenário inerente à realidade brasileira podemos dizer que existem diversos pontos interessantes para a colaboração da Pedagogia Social, preenchendo as lacunas deixadas pela legislação e politicas públicas sociais atuais. “Diferentemente do que ocorreu no resto do mundo, a Pedagogia Social que se afigura como necessário para o Brasil, não é vinculada a uma única área de conhecimento ou campos de trabalho ou investigação”. (SOUZA NETO; SILVA; MOURA, 2009, p. 289)

No vasto campo da educação muitas são as possibilidades de atuação articulando o campo da Educação Social, sendo relevante pontuar que as contradições e problemáticas que perpassam a realidade brasileira acabam revelando a escola como lócus onde podem emergir necessidades de intervenção sociopedagógica. A Pedagogia Social pode favorecer a formação do pedagogo, na graduação em Pedagogia, buscando construí-la pautado na questão da qualidade social da educação e na ampliação do direito à Educação.

Sob esta perspectiva, os currículos dos cursos de Pedagogia deveriam habilitar ao profissional da educação trabalhar com os diversos problemas sociais que chegam até ele na sala de aula, relacionados à drogradição, alcoolismo, violência, desemprego, etc. Em nível de pós-graduação seria relevante o oferecimento de cursos de Especialização em Pedagogia Social, em diversas modalidades, entre elas no ensino à distância, aumentando as vagas e atendendo as necessidades de aperfeiçoamento de diferentes profissionais diante dos desafios encontrados em seus ofícios, sugestões de formação pautadas nos autores da Pedagogia Social.

Ao longo dos tempos, diversas funções sociais foram transferidas para outras instituições da nossa sociedade, entre elas, a escola pública. Observamos, dessa forma, certa “intenção de se fazer da escola pública brasileira um lócus privilegiado para a execução de politicas sociais, compensatórias, complementares ou reparatórias”, conforme nos indicam Souza Neto, Silva e Moura (2009, p. 293) evidenciando a pouca suficiência das outras instituições no cumprimento das suas próprias ações.

Neste sentido, não podemos negar que nas escolas públicas atuais, a política educacional e a política social encontram-se articuladas, ponto este reconhecido na “merenda

[...], no livro didático, rádio, televisão, a antena parabólica, vídeo e a internet como meio de superar a defasagem cultural.” (SOUZA NETO; SILVA; MOURA, 2009, p. 292)

Partindo, então, do reconhecimento da multiplicidade de funções, apontamos que não se pode mais desconsiderar tais elementos em âmbito escolar, e por isso, entendemos que a sua identificação é fundamental já que somente assim, poderemos tecer ações que instrumentalizem a realização satisfatória destas mesmas funções, sem o detrimento da função didático-pedagógica da escola, sendo esta a contribuição da Pedagogia Social no âmbito da Educação.

Atualmente, sabemos que a escola pública brasileira não é avaliada por sua função social, contudo, mesmo sem indicadores neste quesito, conseguimos visualizar os problemas inerentes à formação dos trabalhadores da educação na lida com estas diversas funções. Este fato também pode ser observado, no que se refere ao despreparo de seus colegiados como Associação de Pais e Mestres e Conselho de Escola, os quais deveriam participar de maneira mais efetiva para a garantia e promoção dos direitos dos alunos, fato muitas vezes, sem êxito.

Neste sentido, em meio aos desafios que perpassam a função dos professores e àqueles que emergem da inexpressiva participação da família na escola de seus filhos, podemos apontar um campo interessante para a atuação da Pedagogia Social, trazendo contribuições para a relação entre famílias, escolas e comunidade local.

Ainda, pontuamos que a Pedagogia Social pode atuar no terreno da educação, apresentando sua importância junto à proposta governamental de ampliação da escola de tempo integral, pautada na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional Nº 9394/96, atuando na formação de profissionais para o trabalho com os alunos em diferentes tempos e em espaços não-escolares.

Consideramos, então, que o campo da educação é perpassado por questões relacionadas à infância e adolescência, terreno também, para a atuação da Pedagogia Social podendo ajudar no processo de formação, capacitação e aperfeiçoamento e especialização contínuas dos profissionais e comunidades, tendo como base o Estatuto da Criança e Adolescente que deve incorporar-se à Doutrina da Proteção Integral, fomentando a promoção da garantia de direitos fundamentais com medidas de proteção ou socioeducativas.

Ainda, quanto às áreas de atuação da Pedagogia Social podemos apontar o sistema penitenciário. Neste “a questão fundamental é a qualidade da formação de quem faz a

mediação entre os objetivos da Educação e os objetivos da pena e da prisão, sendo esta a tarefa a ser assumida pela Pedagogia Social.” (SOUZA NETO; SILVA; MOURA, 2009, p. 299) Aqui, seriam necessárias alterações curriculares que possibilitassem compreender a complexa situação daqueles sujeitos privados de sua liberdade, sendo voltadas para a reabilitação, desenvolvimento pessoal e inserção social.

Além disso, como área de atuação da Pedagogia Social apontamos o Terceiro Setor, tendo como referência o trabalho desenvolvido por meio das Organizações não- governamentais (ONGs). Observamos que a maior parte destas instituições tem seus serviços prestados por trabalhadores não remunerados ou informais, que atuam desde a educação infantil, ensino médio e até mesmo em universidades, sendo que seus salários variam conforme a complexidade de cada uma das organizações. No que se refere à Pedagogia Social importa aqui, o fato de que muitas destas pessoas exercem seus trabalhos sem que tenham recebido formação adequada para tal, sendo este seu ponto de atuação.

Com isso, não se quere negar a importância da atuação das ONGs junto à escola pública ou outras instituições de educação formal, mas sim, favorecer a profissionalização de seus trabalhadores, questionando a precariedade a que são submetidos, caminhando a regulamentação desta atividade como profissão, propiciando à formação pedagógica para o trabalho com crianças, adolescentes, jovens e adultos.

Podemos dizer que na medida em que se pontuam as áreas de atuação da Pedagogia Social acabamos indicando

[...] a institucionalização da Pedagogia Social no Brasil, como área de formação do educador social [...] devendo ter em vista a formação pedagógica e o compromisso com a regulamentação de sua atividade como profissão, com vistas à superação da falta de identidade profissional, da precariedade das condições de trabalho e da insegurança jurídica em que milhares de homens e mulheres são obrigados a trabalhar. (SOUZA NETO; SILVA; MOURA, 2009, p. 16)

Vimos, assim, o amplo terreno para a atuação da Pedagogia Social no Brasil, que por vezes, é atrelado à educação não-formal cuja designação acaba por “despir as práticas educativas de suas conotações históricas, políticas e ideológicas”, ponto relevante na perspectiva deste referencial teórico. (SOUZA NETO; SILVA; MOURA, 2009, p. 10) Esta denominação se faz imprópria já que a Pedagogia Social supera esta relação dicotômica entre a Educação não-formal e a Educação formal.

Ainda, quando falamos em Pedagogia Social, as práticas de educação popular, social e comunitária devem ser reagrupadas em três domínios distintos: domínio sociocultural,

domínio sociopedagógico, domínio sociopolítico, sendo que cada um deles tem seu lócus

privilegiado pra desenvolver-se, pautados na criatividade, na cognição e no social conforme as demandas dos contextos em que se realizam, fato este que não exclui a possibilidade de encontrarmos situações onde os domínios encontram-se entrelaçados.