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SÃO PAULO

Não vai longe a época em que a etnologia, como era conhecida em nosso meio, constituia simples passatempo ou inocente ocupação de diletantes. Colecionavam-se arcos e fle-xas, tacapes, adornos, urnas fune-

rárias e peças líticas de sambaquis da mesma forma como se faz uma coleção de seios, moedas, pratos ou medalhas. Os costumes e os idiomas ameríndios interessavam pelo que neles havia de curioso e estranho. Quando muito, algum etnologista de velha escola se punha a "interpretar" nomes indígenas de pessoas e animais, de plantas e acidentes geográficos.

Era esta a regra geral. Havia algumas exceções, uns poucos estudiosos sérios, em São Paulo e no Rio de Janeiro, que, apesar do isolamento em que trabalhavam, conseguiram fazer contribuição de valor científico. Seria injusto esquecê-los.

No estudo das populações primitivas, a América do Sul continua sendo, porém, a parte do mundo menos explorada, não por falta de problemas interessantes a investigar, mas simplesmente porque o clima cultural do Brasil e de outros países sul-americanos só agora começa a favorecer trabalhos sistemáticos de caráter científico no campo da etnologia. Antes da criação da Universidade de S. Paulo, as expedições etnográficas empreendidas no Brasil eram quase todas organizadas por instituições estrangeiras ou então levadas a efeito por cientistas isolados, subvencionados por escolas ou sociedades de apoio à ciência. Estão neste caso as viagens de Von deu Steinen, Ehren-reich, Krause, Koch, Pruenberg e, em época mais recente, as de Herbert Baldus e Curt Nimuendaju. E' claro que não vamos esquecer, por exemplo, as pesquisas,'sobretudo arqueológicas (exploração de sambaquis, estudos de arte marajoara, etc), do Museu Nacional e do Museu Goeldi, nem as iniciativas da Comissão Ron-

don, que possibilitaram, entre outros, o grande livro de Roquete Pinto sobre a Rondônia. Mas eram iniciativas mais ou menos esparcas. Não havia, no Brasil, um centro cultural em que se aliasse uma segura orientação teórica a trabalhos de campo projetados dentro dum plano mais amplo e mais eficiente. A falta de coordenação dos vários centros cada qual mais cioso de sua "independência" e de sua vida própria, levava necessariamente ao disperdício das energias. Desse modo, a etnologia brasileira não tinha possibilidade alguma de libertar-se das peias do au-todidatismo, Assim se foi perdendo tempo, que está irremediavelmente perdido. Muitas tribus indígenas desapareceram total ou parcialmente, sem que a sua língua e a sua cultura tivessem sido estudadas por especialistas competentes.

Em boa hora, ou melhor, à undé-cima hora, surgiu a Universidade de S. Paulo, como organização global destinada a coordenar energias e conjugar iniciativas e esforços para maior eficiência das atividades culturais. Foi aí que o estudo dos aborígenes brasileiros encontrou, pela primeira ver, parte do apoio de que pre- cisa para o seu desenvolvimento. Por era, tem sido um apoio sobretudo moral, que se pode caracterizar como a elevação da etnologia ao nível das coisas sérias. Está integrada no currículo universitário, ao lado das outras especialidades que abrangem o estudo do Homem.

Nos treze anos de sua existência a Universidade criou assim, a atmosfera indispensável ao trabalho produtivo. Construiu, por assim dizer, uma plataforma sobre a qual se podem realizar pesquisas sistemáticas e cor-

rigir, aos poucos, o erro grotesco de serem os trabalhos etnológicos do Brasil comentados e discutidos em outros países, enquanto são mais ou menos ignorados dentro de nossas fronteiras.

Dentre as realizações da Universi-dade no campo da etnologia brasílica destacam- se os trabalhos da Faculdade de Filosofia, na Cadeira de Eu-rografia e Tupi-Guaraní, sob p regência de Plínio Airosa. Nos bole- tins publicados pela Cadeira, em número de doze ou treze, predominam as contribuições de cunho linguístico, mas não faltam também ensaios sobre questões etnográficas e assuntos de interesse sociológico. Além dos estudos propriamente linguísticos e das contribuições de ordem bibliográfica, a série de publicações abrange traria-lhos sobre a organização do parentesco entre os Tupi-Guaraní (de Carlos Drumond e Jurn Philipson) e sobre os trocanos entre os ameríndios em geral (Carlos Drumond) . O museu de etnografia, anexo à Cadei- ra, figura entre as coleções mal; ricas da América do Sul. Mais de duas mil peças, em parte muito preciosas, representam a cultura de trinta e tantas tribus indígenas das mais longínquas regiões do país. Cumpriria, porém, instalar o museu em salas amplas e adequadas, para se poder avaliar devidamente a sua riqueza e o carinho com que foi organizado, Mas isso é música do futuro.

A seção etnológica do Museu Paulista, instituto complementar da Universidade, está sendo inteiramente reorganizada pelo professor Herbert Baldus. A tradicional revista do Museu, que ressurgirá dentro em breve,

será dedicada exclusivamente a as- suntes etnológicos.

Levaria muito longe enumerar aqui os estudos grandes e pequenos sobre tribus indígenas até agora realizados no quadro das atividades universitárias de São Paulo. Além dos boletins da Cadeira de Etnografia, a que já me referi, e os livros e artigos do professor Herbert Baldus, da Escola Livre de Socioiogia e Política, há as comunicações de Levi-Strauss sobre Bororó e Nhambiquara, a tese de Gio- conda Mussolini sobre medicina e magia entre os Bororó e os Kaingrans (Xokleng), a tese de Lucila Hermann sobre a organização social dos Va-pidiana do Território do Rio Branco, cs estudos de Florestan Fernandes sobre a marginalidade de Tiago Marques Alpobureu e sobre a organização social dos Tupinambás, as contribuições de d. Mauro Wírth para a mitologia dos Vapidiana — e assim por diante. Há vários anos, a revista Sociologia inaugurou uma seção de assuntos etnológicos, em que já foram insertos vários desses ensaios.

No último ano, os trabalhos etnológicos patrocinados pela Universidade tomaram um rumo diferente e provavelmente muito produtivo. Ate há pouco, os institutos universitários quase não haviam tomado iniciativas de pesquisa direta, isto é, de trabalhos de campo no seio das próprfas populações indígenas. E' o que se está co- meçando agora. A Faculdade de Filosofia, em duas de suas Cadeiras (Etnografia e Antropologia), e a Escola Livre de Sociologia e Política inauguraram simultaneamente essa nova fase, de auspiciosa atividade, que desde já vem merecendo o interesse e a honrosa colaboração de 'lis-

tituições européias e norte-america-nas, como o Museu do Homem, de Paris, e a Smithsonian Institution, de Washington. Há poucos meses regressou do sertão paranaense (vaie c:o Ivai) a expedição, chefiada pelo professor Herbert Baldus, que durante várias semanas estudou os in- dios Kaingang em sua fase de transição para a vida civilizada. Além de abundante documentação foto e cinematográfica, a expedição recolheu muitos dados sobre os fenomenos aculturativos e aplicou os testes psicológicos de Rorschach e Mira y Lo-pez. Pesquisas sobre a aculturação dos aborígenes vêm sendo realizadas tambem entre os últimos remanescentes dos Guarani do litoral paulista. São trabalhos que se enquadram num plano mais amplo, que prevê a investigação sistemática da aculturação dos índios do Brasil Meridional. Sem a colaboração dos diferentes institutos da Universidade, este plano não se teria estabelecido a tempo, pois ninguém ignora que os grupos indígenas dos estados sulinos estão quase extintos. Em dezembro partiu para Mato Grosso a expedição do professor Obsrg, que tenciona estudar os índios Guató, os Tereno e os Kaduveo. Da França virá dentro em breve o conhecido americanista Paul Rivet, a fim de presidir à inauguração duma série de pesquisas arqueológicas nos sambaquis do nosso litoral. Estes estudos serão realizados por vários institutos universitários de São Paulo em colaboração com o Museu do Homem, de Paris.

Bastam estas ligeiras observações para se ter uma idéia do papel da Universidade nesse setor da Ciência do Homem. Hoje os esforços dos estudiosos já são incentivados e amparados por professores e cientistas, que se empenham na formação de pesquisadores sérios e de orientação segura. Justifica-se, assim, a nota de otimismo que dei a este artigo. Certo, haveria muito para criticar e para lamentar; seria fácil e até necessário apontar falhas e sugerir reformas. Mas isto pode ficar para outra ocasião. — EGON SCHADEN (O listado de São

Paulo, São Paulo).

QUE SABE VOCÊ A RESPEITO DE HEREDIDARIEDADE? (*)

Quais os característicos de um ser humano — físicos ou mentais, que podem ser ou não herdados? A Genética é uma das mais exatas entre todas as ciências biológicas: muitos problemas de hereditariedade têm sido por ela resolvidos. Povoa, entretanto, ainda hoje, os cérebros de um grande número de pessoas, uma variedade de crenças, superstições e mitos a respeito deste fascinante tema. Serão examinadas aqui algumas dessas crenças comumente aceitas como verdades. Você poderá julgá-las. As respostas encerram muitas informações reveladoras.

1. Uma mulher grávida deverá evitar os sustos, os temores de qualquer natureza, a fim de que a criança que vai nascer não herde tais temores. (*) Traduzido, com a devida autorização da American Medicai As-sociaüon do número de junho de 1944, pelo técnico de educação Ana Rimoli de Faria Dória.

Falsa. A ciência ainda não con-firmou que a mente, as tendências ou os tecidos de uma criança possam ser influenciados, de algum modo, pela impressão mental da mãe antes do nascimento do bebê. Se a mãe, por exemplo, passou a temer os gatos, a criança não herdará tal temor ainda que, sem dúvida, possa adquirir até aversão pelos "gatos durante o pe-ríodo de crescimento por causa de exemplo apresentado pela mãe.

2. O talento musical é herdado. Verdadeira. A capacidade musi- cal, alta ou fraca, depende em larga escala, da hereditariedade. Um profundo estudo das carreiras dos grandes músicos, tanto dos que tocam instrumento como dos que cantam, revelou que a grande maioria descendia de pais talentosos nesse terreno e somente um pequeno número descendia de pais que não tinham talento musical. Os investigadores acrescentaram que, sem dúvida, oportunidade e treino são também essenciais, mas é preciso que o talento esteja presente, pela hereditariedade, antes de ser manifestado.

Estes dados contradizem o popular juízo falso de que uma mulher grávida que ouve música fina dará à luz, com certeza, uma criança talentosa nesse terreno.

3. Nossos filhos herdarão os pro gressos físicos e mentais quê fi zermos.

Falsa. Nenhuma mudança que ocorra cm toda a vida dos pais poderá ser, de qualquer forma, transmitida aos 'filhos pela hereditarie-dade. Assim, por exemplo, uma criança não herdará melhor capacidade de aprender a ciência, com maior vantagem, pelo fato de seu pai se

revelar um hábil cientista. Pobreza, riqueza, tendências criminosas, acidentes, doenças ou boa sorte não afetam a herança genética do nascituro. Se os pais, porém, não podem mudar ou aperfeiçoar aquilo que os filhos herdam, podem, contudo, influenciar profundamente o desenvolvimento de seus filhos pelo ambiente que lhes fornecerem. Desta forma, nosso ativo cientista poderá dar a seu filho um melhor impulso de vida. Por outro lado. um pai com tendências crimi- nosas poderá ver em seu filho a ma- nifestação de tais tendências devido ao exemplo dado por ele próprio. 4. Uma cabeça grande é sinal de grande inteligência.

Falsa. As investigações científicas não têm comprovado a afirmativa de que cabeças grandes e testas largas indicam grande inteligência. Pesquisadores estudaram os tamanhos dos cérebros de homens de diferentes ocupações desde os cientistas até os operários e não encontraram nenhuma relação entre as dimensões do cérebro e a capacidade mental.

5. A falta de queixo, como se diz vulgarmente, indica fraco ca ráter .

Falsa. O contorno do queixo pode ser atribuído a várias causas, assim, a interferência no desenvolvimento do maxilar inferior; deformações do corpo da mãe podem ter interferido no desenvolvimento de várias partes do corpo da criança. Esta suposição é tão infundada como a idéia de que a agressividade e coragem são indicadas por um maxilar saliente.

6. Alergias são hereditarárias. Verdadeira. Tem ficado estabele cido que a hereditariedade desempe nha um papel importante no desen-

volvimento das alergias. Não é a alergia que é Herdada nas a tendência para ser alérgico.

7. A maior parte da calvície é de vida à hereditariedade

Verdadeira. A calvície mais comum é a que resulta da perda de ca-belo em uma parte do couro cabeludo.

'Esta é devida à hereditariedade e aparece com o sobrevir da idade, transmitindo-se de uma geração para outra, não influenciada, absolutamente, pelo estilo do penteado ou pelos hábitos de vida ou ainda, pelos tônicos para os cabelos. Levanta-se, entretanto, uma questão: por que as mulheres não são tão afetadas orno os homens? A ciência responde que as investigações têm revelado que calvície é o que se chama um traço hereditário puro, isto é, uma "do- minante'' no homem e um "recessivo'' na mulher. Um traço dominante é aquele que frequentemente, ou melhor, comumente, aparece desde o nascimento, mesmo quando derivado de um dos genitores. Por outro lado, um traço recessivo não é comumente manifesto a menos que seja derivado de ambos cs pais.

8. Primos que se casam correm o risco de ter filhos de inteligên cia inferior.

Talvez. Há mais oportunidade para a presença dos característicos recessivos nos casamentos entre primos do que nos casamentos entre pessoas que não são parentes. Isto porque os primos têm avós comuns, uma parte de seus gens — os fatores fundamentais em hereditariedade — pode ser a mesma. Assim, de acordo com os geneticistas, se os avós possuem alguns secretos traços fracos, haverá mais do que 50 % de proba-

bilidades de que os filhos os herdarão. Se a família, porém, é conhecida como isenta de imperfeição na sua linhagem, esta objeção relativa ao casamento dos primos- irmãos deixa de existir. Dada a importância do assunto, Amram Scheinfeld no seu livro "Você e hereditariedade" diz: "nós devemos concluir que, a menos que a família seja de uma inco-mum e alta qualidade é ainda conhecida como isenta de sérios defeitos de hereditariedade, os casamentos entre primos deverão ser desencorajados''.

9. Sífilis é herdada.

Falsa. A sífilis nos recém-nascidos é adquirida antes do nascimento somente através de mães contagiadas e por contato, não hereditariamente. Uma criança não pode nascer com o mal a menos que estivesse presente na mãe durante o período de gravidez. O tratamento da mãe durante a gravidez, nesse caso, pode prevenir tal infecção na criança que vai nascer.

10. Ambos os cônjuges deverão estar preparados para a con cepção .

Falsa. Os fatores hereditários transmitidos a uma específica criança pelos pais serão exatamente os mesmos, quer tenha a criança sido concebida em período de felicidade e riqueza, quer de amarguras c pobreza .

11. O sexo da criança pode ser in fluenciado antes ou durante a concepção pela mãe.

Falsa. Nem a dieta da mãe, nem as estrelas, nem o clima ou o pensamento, ou ainda qualquer fator poderá influir no sexo da criança que vai nascer.

12. Nascem mais meninos do que meninas porque os meninos são mais fortes.

Falsa. Nascem mais meninos simplesmente porque são concebidos cm maior número; como um todo, melhor, como um grupo, porém, o sexo masculino é mais fraco do que o sexo feminino.

Os cientistas examinaram fetos e verificaram que nestas precoces mor- talidades o sexo masculino sobrepuja o feminino. E depois do nascimento, quase que na mesma época da vida, os meninos morrem em muito maior número do que as meninas.

13. Os sinais de nascimentos são herdados.

Verdadeira. Apesar de haver um sem número de superstições acerca dos sinais de nascimento, há considerável evidência em mostrar que os sinais congênitos são herdados. A tendência, por parte dos membros de uma família, de herdar um sinal na mesma posição, não é universal; estudos, porém, de "pedigrees" mostram que a frequência de tal localização é muito alta.

14. A tuberculose é herdada.

Falsa. O contato com o bacilo da tuberculose é essencial para a aquisição da moléstia. Tanto quanto se sabe, as únicas moléstias que podem ser adquiridas pela hereditariedade, ou seja, em que esta tem uma influência dominante, são a diabetes e o reumatismo cardíaco. Se o marido e a mulher tiverem diabetes, cada um dos seus filhos será diabético. No caso do reumatismo agudo o que é herdado não é a molestia mas uma suscetibilidade ao seu desenvolvimento sob certas condições.

15. Um caso de insanidade na família de um dos cônjuges conduzirá a insanidade todos os filhos.

Falsa. Os defeitos mentais derivam de uma variedade de causas, inclusive da hereditariedade, mas nenhuma criança pode herdar um defeito mental de apenas um lado da família. Isto é fato para os defeitos recessivos — físicos e mentais — fraqueza mental, suscetibilidade à feore reumática, diabetes, surdez congênita e outras. Nenhum destes defeitos poderá ser herdado por uma criança a menos que tenha recebido exatamente cs mesmos Fatores hereditários de ambos os pais. — ALAN A. BROWN (Hygeia. Nova York) .

TÉCNICA DO MUSEU MO- DERNO

O Museu deve rejuvenescer, mudar de substância, de uma vez. Os palácio áulicos e oficiais poderão continuar em sua modorra, encerrando os seus materiais, uns após outros, nas estantes, armários, vitrines e paredes. Nosso Museu, porém, não mais pode ser um armazém ou depósito, ainda que cientificamente catalogado. Escrevera Thomas Mann, num artigo que apareceu na Europa, pouco antes de sua morte: "Ao entrar nos museus da Europa tendes, aproximadamente, a impressão do vácuo, da morte tal como se quando neles as conversas não fossem senão os despojos de uma sangrenta batalha gloriosa, se se deseja, mas cuja repetição não deve ser tentada jamais. O passado parece envolver-se numa obstinação teimosa de mutismo

arredio e antipático. No melhor dos casos, tudo parece reduzir-se a um jogo apaixonado, ou melhor, patético, de curiosidades a serem satisfeitas, de mania de colecionar, que muito se parecem com o ócio e a vai-dade". E' precisamente este sentido de "coleção" que devemos abolir; o sentido enfadonho e impróprio da co- letânea, se quisermos restituir aos exemplares da humanidade ativa, o seu próprio valor, que consiste essencialmente em suas tentativas de expressão. Já de per si a disposição dos exemplares — um quadro, um objeto — deve ser continuamente passível de perfeição, de acordo com experiências contínuas. A sucessão será concebi-da sempre como desenvolvimento claro e evidente, comentado por acessível didascálias, aptas a imprimir na mente, além dos olhos, os elos e as etapas, os métodos e os valores, as datas e os conceitos. Tornando-o móvel e variável, de uma feita, o material apresentará os desenvolvimen-tos formais, outra, os processos dos conteúdos, ou então os progressos das técnicas em analogia com os dos conhecimentos científicos, ou ainda o movimento e a relação das ideologias. Em outro caso tratar-se-á de atrair a vista e o interesse do espectador sobre uma única obra de valor excepcional, impressionar a imaginação, demonstrar os contatos com a vida e a produção, ensinar, elevar o nivel dos gostos e dos sentimentos; guiar o indivíduo no sentido de lhe facilitar a formação de uma capacidade e julgamento pessoal e sincero da obra de art;, seja ela obra de imaginação ou de utilidade social: eis cometimentos verdadeiros do verdadeiro Museu. Para satisfazer estas exigências, será necessário

dar valor a todas as sugestões, e também aos bons expedientes execgita-dos pela moderna indagação cientí-fica, para que todo sentido de monotonia e aborrecimento, toda desconfiança inicial seja evitada. As salas, porém, nunca deveriam ser construídas de acordo com dimensões "standards''. A iluminação distribuída não' só racionalmente, mas com intenção construtiva, em doses equilibradas, de forma a criar uma atmosfera que denominaremos "plástica" para pôr em relevo, com procedimento "a chias-mo", na medida da valorização que se pretende dar, de cada vez, aos objetos singulares ou a grupos de objetos em relação a outros grupos. A atmosfera se tornará então um elemento essencial que atribui prestancia e tonalidade especiais-; e

que se torna criação em torno dos vários complexos dos espaços ideais, onde a atenção é absorvida, guiada, impressiona- da, emocionada. Qualidades e carac- terísticas, postas sob luz oportuna, incidem-se com maior facilidade, O material não será constituído apenas pelas obras de arte: é um erro crer que só nelas