A razão pela qual as pessoas viajam remonta-nos para diferentes motivações, isto é, o porquê de os turistas se deslocarem para determinado destino.
cujo motivo de viagem é a prática de desportos de Inverno deslocam-se para as montanhas”.
Estabeleceram-se diferentes tipos de turismo para as distintas motivações dos turistas, segundo Cunha (2003):
a) Turismo de recreio b) Turismo de repouso; c) Turismo cultural; d) Turismo étnico; e) Turismo de natureza; f) Turismo de negócios; g) Turismo desportivo.
O turismo é também classificado por diferentes tipos, áreas urbanas, estâncias de férias – resort (cidade, localidade), campo, onde se incluem as montanhas e altas montanhas, e os cruzeiros marítimos, fluviais ou lacustres (Cunha, 2003).
De acordo com o número de pessoas que viajam, pode distinguir-se o turismo em 2 tipos, individual e colectivo. Cunha (2003: 46) afirma que o turismo individual engloba, “as pessoas, que segundo os seus gostos individuais ou do
grupo que integram, determinam livremente a viagem” enquanto o turismo
colectivo, de grupo ou organizado, refere-se à compra de um serviço fixo, isto é, previamente organizado e definido pelo retalhista ou grossista, (Cunha, 2003).
Entenda-se por turismo desportivo e de acordo com (Gibson, Attle and Yiannakis, 1997) citado por Neirotti “viagem para fora da sua residência
recreação ou competição, viajar para observar o desporto amador ou de elite, e para viajar para visitar uma atracção desportiva como um estádio, museu desportivo ou um parque aquático”.
A definição de turismo desportivo implica a deslocação da residência primária para participar numa qualquer actividade desportiva para recreação ou competição. Concomitantemente, o turismo desportivo incorpora diversas categorias, tais como: turismo aventura, turismo de saúde, turismo natureza, turismo de espectador, turismo de competição, turismo de recreação ou lazer, turismo educativo e turismo de negócios. Trata-se de um mix de modalidades de turismo que tornam a sua definição pouco concisa entre os vários autores deste tema.
O turismo desportivo caracteriza-se cada vez mais pelo seu alargamento aos vários estratos sociais e a todas as idades sem excepção. Este divide-se em duas distintas modalidades, ou seja, está relacionado com as viagens realizadas para assistir a manifestações desportivas, tais como os Jogos Olímpicos (Verão, Inverno, Paralímpicos), competições futebolísticas ou outros eventos desportivos organizados por uma outra entidade, federação ou comité desportivo. Contudo, o turismo desportivo está, igualmente, associado à prática das mais variadas modalidades desportivas como o golfe, ténis, mergulho, esqui, entre outros, (Neirotti, 2003).
Cunha (2003: 52) afirma que, “o desporto surge como um espectáculo em
relação ao qual os viajantes assumem atitude passiva (Jogos Olímpicos) e… a actividade desportiva resulta de uma participação activa do viajante (golfe, esqui, entre outros,).“
participação numa actividade desportiva pode dar origem a destinos turísticos estruturados com base no desporto (centros de golfe ou esqui) ”.
O turismo desportivo deve também ser analisado do ponto de vista da oferta. Kurtzman e Zuhar (1997) citados por Neirotti (2003) identificaram 5 áreas principais: i) Atracções; ii) Resorts; iii) Cruzeiros; iv) Tours; v) Eventos.
Neste estudo importa avaliar todos com excepção dos cruzeiros. Neirotti 2003: 3) define as atracções como “destinos que fornecem ao turista
acontecimentos possíveis de serem visitados e relacionados com o desporto. As
atracações podem ser naturais (parques, montanhas, vida selvagem) ou artificiais
(museus, estádios, lojas) ”.
Os resorts representam a integração de um conjunto de serviços planeados estrategicamente para a prática de uma específica actividade desportiva, como golfe, ténis, desportos de Verão (vela, windsurf) e de Inverno (esqui, snowboard) Contudo, a sua oferta é, muitas vezes, complementada com ameneties e spas, e outros desportos (Neirotti, 2003).
As viagens organizadas (Tours) no turismo desportivo proporcionam aos visitantes o contacto com esta actividade. No caso das viagens organizadas para destinos de Inverno, estes englobam, na grande maioria, viagem aérea, alojamento, transfer e forfait sem a necessidade de um guia. Por outro lado, vários
operadores especializam-se noutro segmento de mercado, os eventos desportivos, vendendo viagens organizadas de poucos dias para que os adeptos desse desporto possam acompanhar a sua equipa. O reduzido tempo de permanência inclui, habitualmente, alojamento, bilhetes para o evento, viagem área e outros serviços extra (entrada para museus desportivos ou outros), (Neirotti, 2003).
No seguimento do ponto anterior, é fundamental abordar os eventos desportivos. Neirotti, (2003, 8) afirma que “ a categoria de evento refere-se
aquelas actividades desportivas que atraem um número considerável de
participantes/atletas e/ou espectadores”. Tendo como exemplo os desportos de
Inverno, tema deste estudo, realçam-se como eventos de renome, os Jogos Olímpicos de Inverno (4 em 4 anos), os campeonatos do mundo de esqui alpino da FIS (2 em 2 anos) e a taça do mundo de esqui alpino, (anual), embora menos cotados que os primeiros. No entanto, de acordo com Lang, Patrick (FIS website) vários profissionais da modalidade consideram mais prestigiante um triunfo na taça do mundo, constituída por várias provas ao longo da época, do que o ouro nos Jogos Olímpicos ou nos campeonatos do mundo de esqui alpino da FIS, numa única corrida.
É notória uma tendência por férias activas, que envolvam práticas desportivas. Será pois imprescindível a estruturação destes destinos turísticos, equipando-os com as infra-estruturas necessárias para a prática desses mesmos desportos (Cunha, 2003).
definido como um nicho de mercado pelos principais agentes de turismo internacionais. O trunfo do turismo desportivo é o facto de a participação recreativa de determinado desporto proporcionar a venda de equipamento específico para cada desporto, a possibilidade de continuação da prática deste deporto a um nível mais elevado de competitividade e a propensão para a visualização desse desporto através dos mass media. (Neirotti, 2003).
O aumento da prática desportiva de determinada actividade possibilita o desenvolvimento do mesmo, erguendo-se destinos turísticos especializados nesse desporto, como as estâncias de esqui. Nascem infra-estruturas para a prática de todas as actividades que lhe estão associadas e um conjunto de facilidades como alojamento, restaurantes, saneamento, entre outros. A visibilidade deste desporto é galopante, à medida que se vai tornando acessível a diferentes estratos populacionais.
As entidades que dinamizam o turismo desportivo devem reconhecer os seus vários segmentos e estabelecer os seus objectivos e prioridades que delimitem essa actividade desportiva. Não menos importantes são os stakeholders que incorporam o funcionamento de qualquer destino desportivo, como a restauração, hotelaria, companhias áreas, entre outros, (Neirotti, 2003).
A Figura 7, em baixo, representa um modelo dinâmico de integração do turismo desportivo, compreendendo o desencadear de todo o processo turístico nos destinos desportivos.
Em suma, o turismo desportivo está em crescente expansão, movido pelas pessoas que “viajam para praticar desporto, viajam para ver desporto e viajam
para visitar uma atracção desportiva”, citando Neirotti (2003, 21).
“Não existem barreiras ou separações entre os diversos tipos de turismo e muitos deles coexistem nos mesmos destinos. A diversidade de motivações dos visitantes e de atractivos nos destinos conduz a que se estabeleçam relações entre os vários tipos de turismo” Cunha, (2003:52).
Figura 7 – Um modelo dinâmico para o turismo desportivo
Fonte: Adaptado de Neirotti (2003: 21)
Gatekeepers
Agências de viagens Amigos e família Organizadores de congressos e reuniões
Organizações desportivas Media
Motivações turismo desportivo
Explorar/aventura Divertimento/descanso Competição Negócios Educação/Realização pessoal Preocupações contínuas Retorno do investimento Preocupações ambientais Allocation of Resources Turismo Desportivo
Atracções Resorts Cruzeiros Tours Eventos
Mercados Turísticos
Turismo Aventura Turismo de Saúde Turismo de Natureza Turismo Desportivo de competição Turismo Recreativo Turismo de Entretenimento Turismo Educativo Turismo de Negócios
Infra-estrutura
Recursos Naturais Recursos Artificiais
Montanhas Facilidade no Resort Parkland Estádio/Arena Bodies of Water Passeios a cavalo/ BTT
Convention & Visitor Bureaus Associações de Hotéis e Motéis Organização de evento Associações de restaurantes Clubes desportivos locais/equipa Gestores de instalações
Comissões desportivas/Autoridades Lojas de desporto Operadores turísticos Agências de viagens Câmara do comércio Associação de empresas Companhias Aéreas
De acordo com Neirotti, citada por Hudson (2003) o turismo mundial irá crescer cerca de 4.3% por ano, alcançando 1.6 biliões de turistas em 2020, tendo como impulsionador o mercado do turismo desportivo. Esta tendência faz prever boas indicações para o crescimento e desenvolvimento do turismo desportivo.
O turismo desportivo é pois, uma interacção entre actividade, pessoas e lugares. Apesar da importância que o local tem para a realização da actividade, algumas das principais motivações dos turistas aparecem associadas às interacções sociais que se estabelecem entre turistas ou turistas e residentes, apenas possível graças à realização dessas actividades nesses destinos (Graburn, 1983).