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Experimental setup – Methods and materials

3. Experimental studies

3.4 Experimental setup – Methods and materials

produz compromissos com valores, as mudanças mais estruturais das

41. Não por acaso, a CNBB lança, em 1994, um documento chamado Orientações Pastorais sobre a Renovação Carismática Católica, que tem como um dos propósitos localizar a RCC na Igreja, re-

estabelecer a importância da hierarquia. Nos próprios meios da Renovação Carismática são promovidos eventos e circulam músicas relacionados ao valor do sacerdócio. Ou seja: os dons não substituiriam os sacramentos – muito menos o da ordem (cf. SILVA, 2007).

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formas de associação que fundamentam critérios de justiça dentro da Igreja Católica se dão somente no longo prazo, correlacionadas à mudanças em outras instituições sociais, bem como à substituição daqueles indivíduos compromissados.

Ou seja, com o passar do tempo novas formas de associação e de classificação são instituídas e possibilitam a adoção de diferentes critérios de justificação. No entanto, a transferência dessas alterações estruturais das associações à Igreja só será feita gradualmente e com o auxílio da substituição do pessoal que fora socializado nas formas anteriores, canônicas e dominantes, de associação.

A conseqüência metodológica desta perspectiva é a necessidade de reconstrução histórica dos fenômenos estudados, mas conferindo atenção especial aos episódios em que se pode verificar a consolidação da mudança. Obviamente, um fato ou outro não será, isoladamente, responsável por todo um processo. A importância de conferir atenção especial a determinados eventos consiste na construção do contraste entre dois tempos: são ilustrativos, e não tanto explicativos. Mas é com base nas diferenças elencadas que se torna possível a análise comparativa.

Há que seà po tua ,à o tudo,à ueà aà o epç oà deà uptu asà so à o ti uidades à oà encerra e nem pode encerrar uma pesquisa histórica de fronteiras indefinidas, que se arrisca a cair numa regressão infinita, sempre norteada pela preocupação de encontrar asà aízes à ouà osà p e ede tes à aisà p i iti osà doà fe e oà ueà seà estuda.à U aà busca desse tipo é metodologicamente insustentável além de fornecer um arcabouço mais descritivo do que interpretativo. Deste modo, é preciso estabelecer uma hierarquia de importâncias entre os acontecimentos, teoricamente fundamentada pelas impressões, hipóteses e orientações analíticas. Tal constatação é de extrema gravidade, quando o caso é o estudo das instituições do cristianismo, e, em particular, da Igreja Católica. Sua perenidade milenar não oculta o fato de que esteve em constantes mutações organizacionais e de que sempre foi internamente heterogênea e conflituosa. Qualquer pretensão de exaustividade seria forçosamente superficial e incompleta. Por isso, um recorte temporal e geográfico é imprescindível.

88 Importante ressaltar também que a diferença entre um trabalho desta natureza e outro com pretensões historiográficas reside em dois aspectos. Em primeiro lugar, a centralidade assumida pelo momento contemporâneo: é somente em função da tentativa de compreender o presente que o passado se torna relevante. O recurso à história não é um fim em si mesmo. Assim procederam, por exemplo, Weber, em seus estudos sobre a racionalização ocidental, e Elias, em suas investigações sobre os processos sócio-históricos. Essa primeira característica se liga à segunda: a busca de regularidades sociais, seja nas situações de estabilidade ou de crise e mudanças. Esse é o ofício propriamente sociológico, que através de um aparato teórico-conceitual abstrai padrões e tipificações.

De maneira alusiva, é possível fazer uma aproximação entre a abordagem aqui exposta eà oà o eitoà deà est utu aà daà o ju tu a ,à ela o adoà po à Ma shallà “ahli s,à e à seuà Ilhas de História (1990)42. Estrutura da conjuntura expressa a leitura cultural, que se faz sob o crivo de significados estruturados e ordenados, de um evento contingente. A Tradição na Igreja opera como um conjunto estruturado (e em muitos aspectos ordenado e sistematizado) de significados que orientam visões de mundo e práticas e que são reproduzidos e atualizados continuamente. A conjuntura é estruturada ativamente pelos sujeitos que carregam os significados culturais. Sahlins faz duas observações quanto a esse ponto:

A primeira [observação] é aquele venerável princípioà oasia oà deà ueà oà olhoà ueà à àoà g oàdaàt adiç o... àáàe pe i iaàso ialàhu a aà o sisteà da apropriação de objetos de percepção por conceitos gerais: uma ordenação de homens e dos objetos de sua existência que nunca será a única possível, mas que, nesse sentido, é arbitrária e histórica. A segunda proposição é de que o uso de conceitos convencionais em contextos empíricos sujeita os significados culturais a reavaliações práticas. As categorias tradicionais, quando levadas a agir sobre um mundo com razões

42 “egu doà “ahli s,à ... à u à e e toà oà à ape asà u à a o te i e toà a a te ísti oà doà fe e o,à mesmo que, enquanto fenômeno, ele tenha forças e razões próprias, independentes de qualquer sistema simbólico. Um evento transforma-se quando apropriado por, e através do esquema cultural, é ueàad ui eàu aàsig ifi iaàhist i a àEàoàa t op logoàa es e ta:à Oà ueà ue oàdize à o à est utu aà daà o ju tu a é a realização prática das categorias culturais em um contexto histórico específico, assim como se expressa nas ações motivadas dos agentes históricos, o que inclui a microssociologia de sua interação (1990, p.15).

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próprias, um mundo que é por si mesmo potencialmente refratário, são transformadas. Pois, assim como o mundo pode escapar facilmente dos esquemas interpretativos de um dado grupo humano, nada pode garantir que sujeitos inteligentes e motivados, com interesses e biografias sociais diversas, utilizarão as categorias existentes das maneiras prescritas. Chamo essa contingência dupla de o risco das categorias na ação. (1990, p.181- 182).

Agir culturalmente é uma necessidade e um risco. E nos momentos críticos, há poucas garantias para os sujeitos sociais que os seus atos de justificação terão as conseqüências pretendidas. No entanto, o esforço analítico pode se concentrar na reconstrução das matrizes simbólicas subjacentes àqueles sujeitos e então proporcionar uma interpretação para as direções assumidas.

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Capítulo 2 – O processo de organização da Igreja no

Brasil e a construção da plausibilidade do uso da técnica

Cessou para a Igreja no Brasil, a fase dos esforços – heróicos, de valor – mas dispersos, descontínuos, sem planejamento.

Dom Helder Câmara, sobre a fundação da CNBB

Introdução

A construção da plausibilidade para a adoção de práticas econômicas pela Igreja percorreu um caminho histórico que de início não apontava nesta direção. Pautados pela necessidade de coordenação das atividades pastorais, os eclesiásticos brasileiros geraram, pouco a pouco, condições de plausibilidade para a modernização organizacional do catolicismo.

Este capítulo visa descrever como foi percorrido o caminho que levou da rejeição ao mundo moderno, típica do século XIX, até a rotinização do uso de modernas técnicas administrativas. Deste modo, é possível compreender como foram construídas as formas de justificação que são acessadas contemporaneamente para garantir legitimidade dos modelos e das iniciativas mais sofisticadas em termos de gestão empresarial.

Durante o correr de todo capítulo, as formas de justificação são apresentadas conforme a tipologia das cidades, de Boltanski e Thévenot, descrita anteriormente. De modo a facilitar o uso daquelas categorias, alterno descrições detalhadas sobre os princípios de grandeza e equivalência com um uma forma mais abreviada de expressar as mesmas idéias – baseada em usos feitos pelos próprios autores (cf. BOLTANSKI & THEVENOT, 2006, cap. 8). A notação abreviada será feita sempre em sobrescrito. Para indicar o mundo comum e o princípio de grandeza envolvido na justificação, a marcação seguirá a seguinte convenção: i=cidade inspirada, d=doméstica, f=fama,

c=cívica, m=mercantil, u=industrial. Uma barra indicará a atividade de crítica: d/m, por

91 colocado entre a marcação dos princípios de equivalência indica formas de compromisso entre duas grandezas: i-u é um compromisso entre as cidades inspirada e industrial.