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Exhaust emissions from traffic

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Emission Survey for Jakarta

4. Exhaust emissions from traffic

Logo no primeiro encontro da “Primeira Etapa de Formação Continuada” (para Professores Indígenas) e a “Capacitação em Montagem e Manutenção de Computadores” (para Jovens indígenas), acontecida no período de 13 a 17/10/2009, apresentei a programação pensada, com uma linguagem simples; foi feita uma rápida demonstração, seguida de exploração tipo “mão na massa” pelos indígenas. Com a participação dos membros de minha equipe, desafiei a motivação dos participantes da reunião: como usar aquela ferramenta, como ligar e desligar o computador, como entrar num site de buscas e pesquisas, como trocar e-mail com os amigos, o que são blogs, qual a importância dos blogs para conhecer outras etnias.

Coloquei na lousa alguns sites conhecidos (como, por exemplo: www.funai.com.br; www.g1.com.br), solicitando a participação de alguns deles e auxiliando-os nesta primeira experiência de se conectarem à internet e de se usar os

navegadores. Liberados para o acesso, a maioria das escolhas recaiu em sites para ouvir música, para o Projeto Açaí (Capacitação para os indígenas de nível médio), futebol.

Trocamos idéias acerca do que esperavam da sala de informática. Fizemos alguns questionamentos a eles e perguntamos qual era a importância da inclusão digital para a aldeia indígena e como esse instrumento poderia beneficiá-los. As respostas foram variadas, alguns disseram que seria bom, pois assim poderiam ter mais acesso aos recursos ofertados pelo Ministério das Comunicações, entre outros órgãos que oferecem benefícios aos povos indígenas. Relataram ainda que a informática iria facilitar muito, pois, não precisariam ir pessoalmente a Brasília, ou mesmo a outras cidades, como Ji-Paraná, para captarem recursos para construir seu próprio material didático, produzirem e adequarem seu próprio currículo às suas necessidades na língua nativa.

Todos ficaram, visivelmente, empolgados com essa nova ferramenta para poderem utilizá-la em sala de aula, ter mais acesso ao mundo globalizado e maior contato com outras etnias. Alguns docentes indígenas já possuíam conhecimento básico em computadores, outros nem, ao menos, tinham conhecimento da existência dessa ferramenta tecnológica.

Estava implantada toda a infra-estrutura como se constata na documentação referente à implantação do Telecentro na Aldeia Gavião (Figuras 14, 15 e 16 do subtópico 3.1); os sujeitos envolvidos, sensibilizados e, previamente, preparados para o desenvolvimento do projeto. Este passava a ser o cenário particular da pesquisa, a ser executada nas comunidades indígenas da Terra Igarapé Lourdes, em Ji-Paraná/RO.

Trabalhei sempre com a preocupação de contribuir para que o coletivo de cada comunidade fosse capaz de, mais adiante, se conduzir autonomamente, no uso destes recursos no seu meio.

A equipe de pesquisadores estabeleceu uma relação-de-ajuda com o grupo de educadores indígenas para a criação de um blog, de e-mails e Orkut e o aprendizado da consulta à internet. Uma vez criados os e-mails de cada um e, tendo treinado os procedimentos de acesso à internet para realizar pesquisas, foi proposto a eles o trabalho “história de vida” que, depois de pronto deveria ser encaminhado para a pesquisadora, via e-mail e, além disso, postada no blog.

Com os jovens monitores, o instrutor do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) deu início à capacitação para montagem e manutenção de computadores.

Destaco, a esta altura do relato, que os dois processos (com os docentes e com os jovens monitores) foram conduzidos sempre num movimento de ação- reflexão- ação: fazer, operar a ferramenta, discutir o que foi feito; tornar a fazer com autonomia e, a partir da observação do que foi feito, segundo tenha sido acertado ou não, procedia-se ao desempenho de outro fazer que favorecesse melhor compreensão e apreensão de procedimentos.

As duas atividades paralelas a “Primeira Etapa de Formação Continuada” (para Professores Indígenas) e a de “Capacitação em Montagem e Manutenção de Computadores” (para Jovens indígenas) aconteceram no período de 13 a 17/10/2009, cujo relatório, elaborado pelas estagiárias e por uma colaboradora da pesquisa, elucida muitos aspectos que serão analisados neste capítulo.

Dei início a esta etapa com uma conversa informal sobre a pesquisa na internet que foram levados a fazer, a partir dos encontros quando da implantação da infra-estrutura do projeto, tendo como tema o significado de seus próprios nomes. Pedi para os professores falarem, não apenas dos significados pesquisados, mas também, acerca de como trabalharam esta atividade, na sala de aula, com seus alunos.

Constatei algumas dificuldades pelo fato de alguns não gostarem do significado de seus nomes; o nome deles é escolhido de acordo com algum “acontecimento” havido com a criança ao nascer ou ainda quando pequena. Um dos professores indígenas é autor do seguinte relato:

Eu sou Sebastião Kara`yã Gavião, sou filho de Gavião com Arara. Portanto nasci e cresci na aldeia dos Arara por isso recebi o nome de Kara`yã Péw que significa “costela podre”. Meus parentes colocaram esse nome em mim porque quando eu era criança eu tive uma ferida na costela. Porém sou professor, trabalho há mais de dez anos na educação. Ao decorrer do meu trabalho aprendi muito como funciona os trabalhos dos não indígenas, consegui publicar um livro de mito do meu povo, ainda estou quase concluindo um dicionário na língua karo. Com minha entrada na Universidade eu pretendo pesquisar muito mais as histórias do meu povo para ser divulgado e preservado para eu as pessoas que ao conhecem índios possam reconhecer as

nossas culturas nacionalmente ou até internacionalmente. (Prof. indígena Sebastião Kara`yã Gavião – Out/2009)

Quando perguntei o que pensavam da implantação da sala de informática na aldeia e da formação de professores indígenas para o uso das TIC, manifestaram-se satisfeitos porque consideram que isto seria muito importante para ajudá-los a se comunicar com as demais pessoas, para aprenderem mais sobre outras culturas, para ter contato com os demais povos indígenas e assim poderem se unir na luta da valorização da cultura indígena, além do que esses recursos os possibilitariam ter um acesso mais rápido ao maior número de informações, auxiliando na elaboração de seus trabalhos pedagógicos em sala de aula.

Depois desta roda de discussão, como aquecimento, apresentei o conteúdo e as atividades desta etapa do curso:

 Conhecimento da ferramenta (mouse, estabilizador, CPU, teclado, monitor etc).  Como fazer pesquisa na internet, através dos sites de busca de outros povos

indígenas.

 Como fazer pastas para salvar (guardar) documentos.

 Descarregar fotos no computador, baixar músicas, salvar documentos em mídias móveis.

 Desenhar no Paint.

 Pesquisa da história do nome.

 Criação e troca de e-mail dos cursistas.  Criação do Blog.

 Criação do Orkut.

Enquanto isso, em outra sala, o Professor José Rosivaldo da Silva do SENAI e Endrio Afonso de Araújo, acadêmico da Universidade Luterana do Brasil (ULBRA), ministravam curso técnico de montagem e manutenção de computadores, para alunos monitores indígenas (Figuras 19 e 20), com o objetivo de prepará-los para ajudar os professores na manutenção dos computadores, aprender como estas máquinas funcionam e dar suporte ao planejamento dos docentes indígenas no uso da sala de informática e, talvez, ainda propiciar oportunidade no mercado de trabalho para esses alunos monitores.

Figura 19: Professor do SENAI treina monitores Figura 20: Jovens indígenas em treinamento para Montagem e Manutenção de Computadores

A duração de cada sessão não ultrapassava quatro horas em cada turno (trabalhou-se em três turnos); ao trabalhar com algo desconhecido para os indígenas, defini o tempo de cada sessão de modo a se conseguir interesse e participação do grupo por todo o período de trabalho e discussão. O ambiente escolhido foi a sala de informática da aldeia Iteráp, composta por 11 computadores do kit Telecentro e 22 cadeiras.

Enquanto numa sala uma das auxiliares de pesquisa dava apoio à professora pesquisadora, trabalhando com os docentes, em outra sala, a outra auxiliar trabalhava com estes jovens, dando apoio ao professor do SENAI, responsável por dois aspectos indispensáveis ao alcance dos objetivos do projeto: a montagem e a manutenção de computadores. A partir deste tema é que conhecimentos específicos foram levados a esse grupo pelos auxiliares de pesquisa e por profissionais do SENAI que participaram das atividades. Tal capacitação foi, festivamente, certificada pelo SENAI (Figura 21).

No período noturno, docentes e jovens aprendizes integravam-se num só grupo, fazendo “exercício”, ou seja, vivenciando experiências de uso do computador por meio de atividades já citadas (e-mail, blog, orkut, etc), prestando-se, de maneira imediata, para tirar dúvidas e reforçar o que se aprendia. Como isto já fazia parte do universo de experiências dos mais jovens, acontecia uma troca e um reforço para os docentes, integrando os dois grupos num só trabalho, o que viria a ser muito útil quando, mais tarde, a equipe de pesquisadores já não estiver atuando na aldeia.

Este período noturno constituiu-se momento por excelência para a coleta de dados da pesquisa. A pesquisadora, partindo da análise de situações acontecidas durante o dia, introduzia as questões que procurava elucidar em relação à chegada das TIC à escola/comunidade indígena, num movimento de codificação e decodificação destas situações.

Assim, em diálogo com o grupo de docentes, os debates foram norteados pelos objetivos mais amplos da pesquisa.

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