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Examples of carbonate formations with karst and cavities

In document Drilling in karstified carbonates (sider 16-0)

No presente estudo foi avaliado o potencial antiviral dos extratos brutos de duas espécies de plantas do nordeste brasileiro: Annona muricata e Spondias mombin contra o DENV-2.

Inicialmente foram realizados testes de citotoxicidade a fim de se descobrir uma concentração que não fosse citotóxica para as células e que, portanto, agisse sob as partículas virais. Através das técnicas de unidades formadoras de placa (PFU) e PCR em tempo real a carga viral dos ensaios foi avaliada. Os resultados mostram uma ação antiviral significativa, apresentada pelo extrato foliar da A. muricata, quando utilizado no tratamento, 1 hora após infecção e quando administrado em intervalos de 12 e 24 horas em células Vero infectadas com DENV-2.

A A. muricata apresenta atividade biológica contra alguns agentes patogênicos, dentre eles, os vírus de DNA, mas até o presente momento não foi encontrado nenhum relato sobre a ação do extrato desta planta contra vírus de RNA, tornando nosso estudo pioneiro frente à infecção da dengue em nossa região, uma vez que, nossos resultados demonstram que o extrato foliar da gravioleira também apresenta ação antiviral contra vírus de RNA, conforme pôde ser constatado em relação ao DENV-2 em cultura de células Vero.

Em um estudo anterior, Padma et al.,(1998) observaram a ação antiviral da A. muricata contra o vírus Herpes simples tipo 1 (HSV-1) em células Vero. Por outro lado, Betancur-Galvis et al., (1999), também relataram ação antiviral do extrato das folhas e das sementes da A. muricata contra o vírus Herpes simples tipo 2 (HSV-2), quando administrado em células HEp-2 infectadas com esse vírus.

Muito provavelmente, esses resultados se justificam pelo fato de a família Annonaceae ser rica em substâncias bioativas (VIEIRA et al., 2010), destacando-se: ácidos fenólicos, taninos, flavonoides, óleos essenciais, terpenos, esteroides, alcaloides, acetogeninas, entre outros (NUNES et al., 2012).

Em destaque se encontram as acetogeninas, que representam uma classe de compostos naturais presente em todas as partes da planta. Nos últimos anos, houve uma crescente busca pelo isolamento dessas substâncias, em especial, a partir de folhas (NUNES, 2011), devido ao seu amplo potencial biológico, apresentando atividades: anti-helmíntica, antimalárica, antitumoral, antiprotozoária, antimicrobiana e pesticida (ALALI et al., 1999)

Referente à atuação antimicrobiana, o efeito bactericida também foi atribuído à graviola. Ao testar o extrato aquoso da casca da planta Vieira et al., (2010) obtiveram resultados positivos contras as espécies Staphylococcus aureus e Vibrio cholerae.

Por sua vez, Osório et al., (2007), em estudo desenvolvido a partir dos extratos, de seis espécies anonáceas, demonstraram a ação antiparasitária do extrato das folhas da A. muricata contra Leishmania sp e Trypanosoma cruzi, atribuídas as frações hexano, acetato de etila e metanol do extrato.

Ainda fazendo relação à ação antiparasitária, em seu trabalho, Santo e Sant’Ana, (2001) e Luna et al., (2005) comprovaram o efeito moluscicida do extrato alcoólico da gravioleira contra o caramujo Biomphalaria glabrata e seus ovos. Espécie essa, responsável pela disseminação do parasita Schistosoma mansoni, causador da esquistossomose (ARICAN- GOKTAS et al, 2014).

Retomando ao âmbito da dengue, um resultado interessante foi apresentado por Luna et al., (2005), que ao testarem a A. muricata e a S. mombin identificaram a atividade larvicida dos extratos das plantas quando administrados sob larvas do mosquito Aedes aegypti, mostrando que a gravioleira e a cajazeira poderiam ser empregadas no combate ao mosquito transmissor da dengue. Esse tipo de atividade do extrato da gravioleira é importante, do ponto de vista de sua aplicabilidade, uma vez que não existindo antivirais específicos, as formas de controle da doença se concentram no combate ao mosquito vetor. Sendo o combate ao vetor feito principalmente através de inseticidas químicos (BRAGA e VALLE, 2007) e o uso de plantas para esse fim seria uma alternativa mais viável e biologicamente correta.

No presente estudo com o extrato bruto da planta S. mombin, não foi observado uma redução da carga viral, quando comparado com as células infectadas e não tratadas, utilizadas com o controle, embora atividade antiviral dos compostos isolados dessa planta tenha sido relatada por Silva et al., (2011), que observaram a inibição da replicação do DENV-2, em cultura de células C6/36, atribuída ao ácido elágico e quercetina isolados a partir das folhas dessa árvore.

Ao comparar esse estudo com o desenvolvido por Silva et al., (2011), o que poderia justificar a diferença desses resultados é o fato das condições de coleta, processamento do material vegetal e disposição dos ensaios antivirais, terem sido distintos. Uma vez que as amostras aqui analisadas foram oriundas do Estado do Rio Grande do Norte e os ensaios foram desenvolvidos a partir do extrato bruto e não de suas frações, como também concentrados diferentes foram utilizadas.

Vários são os fatores que podem vir a interferir na qualidade e quantidade de moléculas bioativas presente em uma determinada amostra vegetal. De acordo com Calixto (2000) fatores relacionados como: temperatura, exposição à luz, disponibilidade de água, nutrientes, período e tempo de coleta, método de coleta, secagem, embalagem, armazenamento e transporte de matéria-prima, idade e parte da planta colhida, podem modificar as substâncias contidas em uma determinada amostra.

Voltando a fazer inferência a ação antiviral atribuída à Spondias mombin, Corthout et al., (1991), avaliaram a ação antiviral dos compostos pertencentes ao grupos dos elagitaninos, geraniina e galoilgeraniina contra o vírus Coxsackie B2 e HSV-1, responsáveis, respectivamente, por quadros respiratórios e febris agudados e vesículas dolorosas na região orofacial, conhecida como herpes labial.

Na literatura são encontrados relatos de ações microbicidas atribuídos à cajazeira. A planta apresenta potencial para ser empregada futuramente no combate da Leishmaniose visceral, uma vez que a porção caracterizada como ácido tânico, do fracionamento de seu extrato, demonstrou atividade leishmanicida contra as duas formas, amastigota e promastigota, do parasita Leishmania chagasi, quando testado em células RAW 264.7 (ACCIOLY et al., 2012).

O potencial antibacteriano foi comprovado por Abo et al., (1999) que identificaram a atividade bactericida do extrato etanólico das folhas e da casca da cajazeira contra as espécies Pseudomonas aeruginosa, Shigella dysenteriae, Klebsiella pneumoniae e Escherichia coli. Esse resultado foi atribuído à presença de taninos, saponinas e antraquinonas. Também foi testada a atividade antifúngica de tal extrato, sendo que resultados positivos não foram relatados (ABO et al.,1999). A atividade antibacteriana, ainda foi evidenciada no extrato metanólico da casca do caule quando aplicado sobre a espécie Mycobacterium tuberculosis (OLUGBUYIRO e MOODY, 2013).

Tem sido aplicado o extrato das folhas em testes in vivo, contra a espécie Vibrio cholerae, onde os camundongos tratados com o extrato da S. mombin suportaram altas concentrações das doses do tratado, indicando que os princípios ativos dessa planta futuramente podem fortes candidatos para o tratamento da cólera(SHITTU et al., 2014).

Como podemos perceber os resultados referentes à S. mombin são obtidos a partir do fracionamento dos extratos brutos oriundos de diferentes partes da planta. Tais resultados nos fornece embasamento para desenvolver pesquisas futuras fracionando o extrato bruto das folhas da cajazeira para verificar se possui ou não ação antiviral.

É conhecido que desde a antiguidade, o homem considera as plantas como fonte eficaz de agentes microbicidas e as utiliza no tratamento de doenças infecciosas comuns (SIMÕES, BENNETT e ROSA, 2009). Na atualidade, alguns destes medicamentos tradicionais, ainda são utilizados como parte do tratamento habitual de várias enfermidades(RÍOS E RECIO, 2005).

Tendo-se a dengue como uma doença que ainda não tem tratamento específico e que é considerada de notificação compulsória, com cerca de 50 a 100 milhões de casos registrados por ano (PAHO, 2014), é visto nas plantas uma fonte de busca para tentar solucionar esta problemática.

Este foi um estudo inédito e pioneiro na região nordeste do Brasil, de modo que avaliamos a ação dos extratos das plantas Annona muricata e Spondias mombin sobre a replicação do DENV-2 em linhagens de cultura de células C6/36 e Vero. Em vias futuras, esperamos dar continuidade a este estudo a partir de compostos isolados dos extratos brutos, na tentativa de se obter melhores resultados com a A. muricata, como também obter resultados satisfatórios referentes à Spondias mombin.

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