É importante percebermos que o nosso conceito de Educação Ambiental está ligado à nossa concepção de meio ambiente. Conforme já foi abordado em outros temas nesse material, diferentes concepções de EA têm sido encontradas. Para a educação ambiental escolar op- tamos por uma concepção de Educação Ambiental crítica. Loureiro (2006) ressalta que “as proposições críticas admitem que o conhecimento é uma construção social, historicamente datada, não neutra, que atende a diferentes ins em cada sociedade, reproduzindo e produ- zindo relações sociais...”.
É importante ressaltar, também, que a problemática ambiental não pode ser compreendida de forma crítica sem a integração de campos diversos do saber.
Neste sentido, conforme propõe Loureiro (2006), para a tradição crítica não cabe: discutir conservação sem considerar os processos sociais que levaram ao atual quadro de esgota- mento e extinção; falar em mudanças de comportamentos sem pensar como cada indivíduo vive, seu contexto e suas possibilidades concretas de fazer escolhas; defender uma forma de pensar a natureza, ignorando como cada civilização, cada sociedade e cada comunidade
Paulo Freire foi um dos principais precursores da teoria crítica na Educação. Vejam o que ele escreveu em um de seus últimos textos:
“Não é possível refazer esse país, democratizá-lo, humanizá-lo, torná-lo sério com adolescentes brincando de matar gente, ofendendo a vida, destruindo o sonho, inviabilizando o amor. Se a educação sozinha não transforma a socie- dade, sem ela tampouco a sociedade muda. Se a nossa opção é progressista, se estamos a favor da vida e não da morte, da equidade e não da injustiça, do direito e não do arbítrio, da convivência com o diferente e não de sua negação, não temos outro caminho senão viver plenamente nossa opção. Encarná-la, diminuindo assim a distância entre o que dizemos e o que fazemos”. (Paulo Freire – Pedagogia da Indignação)
interagiam nela e deiniam representações sobre ela; como produziam, geravam cultura e estilos de vida e como isso se dá hoje.
Para tanto, o diagnóstico da realidade local, incluindo aspectos sociais, culturais, naturais, históricos, entre outros, torna-se essencial, uma vez que não existem modelos de EA que se adaptem a todas as realidades.
Mas como identiicar se uma determinada atividade de educação ambiental que estamos participando ou protagonizando se enquadra em uma perspectiva crítica? Você já tentou elencar alguns elementos a partir dos materiais que têm lido até o momento, e que a carac- terizam?
Algumas pesquisas tentam propor categorias para entender a diversidade de concepções de Educação Ambiental existentes atualmente no Brasil. Com objetivo de auxiliar professores e professoras nas análises e proposições de ações em educação ambiental, tendo como nor- te uma perspectiva crítica, apresentamos uma classiicação em três categorias de Educação Ambiental (SILVA, 2007): conservadora, pragmática e crítica, conforme apresentado no quadro 1.
Conservadora
- dicotomia ser humano- ambiente;
- ser humano como destruidor; - retorno à natureza primitiva; - ser humano faz parte da natureza em sua dimensão biológica.
- atividades de contemplação; - datas comemorativas – atividades pontuais; - atividades externas de “contato com a natureza” com im em si mesma.
Pragmática
- antropocentrismo (ser humano como centro de tudo); - perspectiva fatalista – precisa proteger o ambiente para poder sobreviver;
- lei de ação e reação (natureza vingativa). - atividades “técnicas/
instrumentais” sem propostas de relexão (ex. apenas separar materiais para reciclagem ou ganhar brindes para isso);
- resolução de problemas ambientais como atividade im; - propostas de atuação individual;
- proposta de modelos de comportamento ambiental;
Crítica
- ser humano pertence à teia de relações sociais, naturais e culturais e vive em interação; - relação com o meio é historicamente determinada; - propostas de atividades necessariamente
interdisciplinares;
- resolução de problemas como temas geradores; - exploram-se potencialidades ambientais locais/regionais; - Reconhecimento de conlitos; - ênfase na participação coletiva - questões de igualdade de acesso aos recursos naturais e distribuição desigual de riscos ambientais são discutidas
Você já participou de alguma proposta de educação ambiental? A partir das categorias an- teriores, em qual(is) concepção(ões) elas se enquadram? Por quais características? Que elementos poderiam ser incorporados em direção a uma EA crítica?
Assista ao ilme Estação da Vida acessando o site www.dominiopublico. gov.br, procurar por vídeos, TV Escola, Com ciência, e baixar o vídeo Estação da Vida: este ilme mostra e discute algumas experiências de educação ambiental. Procure analisá-las buscando identiicar as concepções de Educação Ambiental mais presentes no texto e identiicar os atores sociais que fazem parte dos projetos.
Na mídia, a questão ambiental tem sido trabalhada, em grande parte, por seu componente catastróico ou pela prescrição de comportamentos ambientalmente corretos. Discuta se essas são as melhores formas de se pensar sobre a temática.
Você já procurou saber quais as ações que os órgãos governamentais, não governamentais, sociedade civil, escolas, comunidades do seu estado e do seu município estão realizando no que se refere à educação ambiental? Você já participou de alguma dessas atividades? Houve alguma relação com a escola?
Os programas de Educação Ambiental promovidos pelo Estado em seus diversos níveis (fe- deral, estadual, municipal) estão presentes nas divisões, secretarias, ministérios e conselhos de educação e do meio ambiente, institutos de pesquisa, zoológicos, jardim botânico, mu- seus, hortos, bacias hidrográicas, entre outros. No entanto, algumas vezes essas ações se organizam em torno de datas comemorativas ou campanhas que, após o entusiasmo inicial, caem no esquecimento. Entendendo a Educação Ambiental como um processo contínuo e permanente, há necessidade de estruturar ações que possam ter continuidade na escola e/ou comunidade na qual se insere.