3. Metode
3.4 Evaluering av metoden
Para Heidegger (1997), o fenômeno da referência torna-se visível na interpretação dos instrumentos que estão à mão. Referência e totalidade são constitutivas da própria mundanidade. Toda referência é uma relação da coexistência do ser-no-mundo.
Assim, esse movimento traz as ações que mostram a prática educativa do Currículo Integrado como referência.
A gente não tinha a dimensão do que seria o currículo, o pessoal não diz que no papel é uma coisa, no real outra. Porque o currículo, também escrito teoricamente, ele é um papel, mas quando você dá vida, somos nós que damos vida a ele, ele realmente nasceu de outro jeito. Então é ali que tem que ser reestruturado mesmo, não é nada que tinha que ter previsto. Não tinha que ter previsto nada. Porque ele é dinâmico, é no processo que você vai corrigindo as coisas. É no processo que você vê como fica, que você pode mudar para lá e para cá. Então, hoje quando eu vejo na literatura, currículo é dinâmico, ele tem flexibilidade, hoje eu sei exatamente o que aquilo quer dizer, ele não é mais um conceito teórico, porque realmente ele é vida, ele é muito dinâmico, ele faz os vais e véns toda hora. (d-3)
Dar aula nesse currículo para mim é muito grandioso, é muito bom porque eu posso aprender junto com os alunos. (d-9)
Martins (1992) refere que educação é poesia e retoma a origem do termo poesia que significa fazer, produzir, ato de poder e de fazer. Esse
autor, citando um texto de Heidegger denominado Construir, Habitar e Pensar, diz que habitamos aquilo que construímos. O ser-docente passa a habitar aquilo que constrói em seu cotidiano. Ele olha para o aluno e percebe a sua transformação:
Eu vejo assim que eles aprendem muito mais porque eles mesmos buscam seu próprio conhecimento. Eles têm estudado muito mais, eles têm compartilhado com o professor o que aprendem. Você também tem momentos que você tem necessidade de buscar mais conhecimento, então é uma troca mesmo. E eu vejo isto pelo discurso dos alunos, pela postura. Aquele aluno crítico e reflexivo, eu acho que realmente eles têm se tornado cada dia mais, na medida que passam os módulos. Mas de certa forma, eles também nos cobram uma postura tradicional, às vezes, querem aula expositiva. Mas, eu vejo que eles têm crescido muito também nesse processo, e muitos falam, eu não quero voltar para trás, eu estou gostando do currículo da forma que está, eu não quero mais tradicional, outros porém ainda preferem aulas expositivas.
(d-6)
Dentro do currículo integrado eles assumiam já esse papel, então você faz uma proposta, ele senta, arregaça as mangas e faz, bom, ruim, ele faz, ele se propõe a fazer, ele se propõe a pensar, ele se propõe a arriscar, ele faz uma hipótese, absurda, tudo bem, mas faz uma hipótese. A avaliação que eu tenho hoje é super real, é um aluno que se posiciona mais, é um aluno que busca melhor os seus espaços, ainda que enquanto acadêmico nas situações possíveis, ainda que enquanto pessoa procura respeitar dentro do grupo, ainda que na relação de aluno – professor consegue se colocar mais pra mim hoje que antigamente. (d-8)
Eles estão mudando também, muitos já expressaram em documentos. Nossa, professora, eu mudei muito depois que eu entrei nesse currículo! Então, a gente percebe que eles também estão sofrendo um processo de mudança, talvez para eles não tão consciente quanto o nosso, mas eles também têm uma atitude diferente diante de tudo, sabe assim, diante do paciente, diante da realidade. Eles parecem que demonstram mais uma postura ética profissional... Acho que ainda precisa manter uma postura ética, profissional, mas a gente percebe que realmente, antes, era muito pouco concreto o teu limite. Agora está muito concreto, na forma de agir, na forma de se portar junto aos pacientes, na forma de agir conosco diante de um grupo, eles são mais maduros pra discutir um conflito. (d-7)
O aluno participa muito mais. Teve um período que voltei para o currículo de transição, senti muita diferença. Eu entrava em sala de aula e ficava meio perdida... Nossa, lá o aluno ficava questionando, o aluno participava, e eu chegava no currículo de transição e isto não acontecia... (d-10)
O ser-docente retoma o sentido de educação enquanto o espaço de desenvolvimento das possibilidades de poder ser, reconhecendo que uma educação que pretenda ser co-responsável pela apropriação do sentido de vir-a-ser, precisa manter-se atenta aos movimentos de ocultamento, transcendendo-os para o desvelamento das possibilidades de ser mais próprio.
Acho, independente de qualquer resultado futuro que a gente possa viver, o currículo integrado foi um ganho, assim, fenomenal pra essa escola e para as pessoas que fazem parte dela. Porque mudou muito, mexeu com todo mundo, mexeu individualmente com as pessoas, mexeu muitos com os alunos... Então, eu acho que, ainda que a gente não consiga concretizar alguns sonhos, a 1ª turma é uma vitória. Uma vitória já concretizada. (d-8)
O destino do currículo eu não sei, eu sinto que existe uma esperança de que as pessoas possam incorporar, que podem enxergá-lo de forma diferente. Mas também tenho essa sensação de dúvida de que caminho tomar... Na verdade o currículo somos nós, não é o papel, não é a folha, não é um caderninho que a gente escreve. O currículo somos nós, o caderninho é o de menos. Aquilo que está escrito nele é orientador, mas o caderno em si é estático, quem vai dar vida a ele é o professor, é o grupo que vai interagir, é o aluno. Então, se a gente não tiver consciência de que essa dinamicidade depende destas relações entre as pessoas que dão vida, que é o aluno, ela não faz sentido, ela não tem sentido. (d-3)
O Currículo somos nós expressado no discurso acima, mostra
como ele aparece, como todos estão cuidando de ensinar, em um mundo compartilhado, de modo que, colocar o currículo em prática não é um ato isolado. Nunca é sozinho e sempre com o outro quando fundamentado na
coexistencialidade. Essa condição desvela que a priori já existe a possibilidade de todos os docentes vivenciarem uma relação de solicitude, agindo em conjunto a partir do ser-com.
Assim, as quatro unificações ontológicas descritas configuram os movimentos existenciais do ser-docente para habitar o mundo desta prática educativa onde está existindo. Retomo neste momento as palavras de Heidegger para fechar este movimento do olhar do ser-docente:
Ensinar é mais difícil do que aprender, porque ensinar quer dizer deixar aprender. Aquele que verdadeiramente ensina não faz aprender nenhuma outra coisa que não seja o aprender. (...) O mestre que ensina ultrapassa os alunos, que aprendem, somente nisto: que ele deve aprender ainda mais do que eles, porque deve aprender a deixar aprender (HEIDEGGER, 1954, p. 89)