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9. Resultados y discusión

9.7. Aplicación de fotocatálisis heterogénea para la degradación de PAE

9.7.3. Evaluación de la actividad fotocatalítica

Caso dedicarmos a nossa atenção às províncias ocidentais do antigo Impé- rio Romano, ou seja, ao que se convencionou denominar Europa Ocidental, encontraremos às vésperas do período considerado uma situação totalmente diferente daquela dos bizantinos. Entre os séculos IV e VII, todos os territórios situados a Oeste do Reno e ao Sul dos alpes, aqui incluídas algumas partes das ilhas britânicas, haviam acompanhado o desenrolar das grandes migrações dos povos germânicos.

Estes movimentos migratórios haviam criado na Europa Ocidental um estado de extrema devastação; eles haviam provocado o declínio das cidades e todas as atividades comerciais estavam desde então concentradas localmente em pequenas aglomerações. A civilização da Europa Ocidental deixara de ser uma civilização urbana para tornar -se uma civilização de pequenas comunidades agrícolas que não mantinham entre si senão restritas relações.

Esta desorganização generalizada da vida social entre os séculos V e X trans- formara a Europa em um aglomerado de pequenos territórios voltados para si mesmos. As populações viviam praticamente nas florestas e nas planícies, onde lutavam desesperadamente pela sobrevivência até a próxima colheita. Possuir a garantia do seu alimento cotidiano era o privilégio de alguns grandes e podero-

7 No que se refere à religião ortodoxa e ao monofisismo na Núbia, conferir UNESCO, História Geral da

sos personagens. Estas sociedades não eram de forma alguma capazes de seguir o modelo das civilizações urbanas da Antiguidade.

Nestes tempos de turbulência, o comércio local e as trocas com as regiões mais remotas dificilmente podiam se desenvolver. As tendências autárcicas prevalentes em todos os níveis haviam provocado o progressivo desapareci- mento dos intercâmbios comerciais e da economia fundada na moeda. Em consequência da rarefação das peças de moeda, o pagamento dos bens e dos serviços indispensáveis acontecia por intermédio de produtos agrícolas e a terra e os impostos cobrados relativos a ela constituíam – com a guerra – a principal fonte de riqueza e poder. Os camponeses dedicados ao trabalho nas terras estavam engajados, de bom grado ou à força, em diferentes tipos de relações contratuais com os seus senhores, aos quais deviam ceder uma porção sempre mais importante da sua produção, em troca da segurança e da proteção contra o inimigo local ou estrangeiro. Deste modo, lentamente implantava- -se o sistema feudal que marcaria a história da Europa durante numerosos séculos vindouros.

No século VII, enquanto o Império Bizantino era obrigado a lutar para rechaçar invasores vindos do Norte e do Sul, a Europa Ocidental, até então sem ameaçar nenhuma potência externa, foi capaz de se reorganizar em territórios mais ou menos estáveis. A Oeste, os visigodos controlavam toda a península ibérica; a Gália e os territórios adjacentes encontravam -se sob o domínio dos francos merovíngios e a Inglaterra acompanhava a fundação dos reinos anglo- -saxões. Ao final do século, a Itália estava em mãos dos bizantinos ao Sul e dos lombardos (novos invasores germânicos) ao Norte. Ao longo dos séculos seguintes, todos os povos germânicos da Europa Ocidental converteram -se à religião católica, de modo que malgrado as suas divisões étnicas, políticas e econômicas, esta parte do continente encontrara no século VII um elemento de unidade religiosa e cultural.

No século VIII, a conquista árabo -berbere da Espanha visígota arrancou do Ocidente latino uma considerável porção do seu território. Os francos con- seguiram bloquear a progressão das tropas muçulmanas na Gália, contudo, as incursões e invasões árabes prosseguiram no litoral meridional da França e da Itália durante mais de dois séculos, contribuindo para fazer reinar um clima de insegurança generalizada no Mediterrâneo. Ao final do século VIII, todavia, uma primeira ação de unificação política da Europa Ocidental – não renovada por muito tempo – foi conduzida com êxito pelos carolíngios. Os predecesso- res de Carlos Magno haviam unificado os territórios francos dos Pirineus até o Reno e rechaçado os ataques de outros povos germânicos vindos do Leste.

Carlos Magno (768 -814) integrou a maioria dos germânicos orientais ao seu reino e conteve os eslavos a Leste do Elba. A metade ao Norte da Itália e certos territórios do Norte da Espanha igualmente caíram sob domínio dos francos, não havendo surpresa na coroação de Carlos Magno, tornado o mais poderoso monarca do Ocidente latino, como imperador em 800. Numerosas regiões da Europa Ocidental todavia escapavam ao seu império: as ilhas britânicas, a maior parte da Espanha (sob domínio muçulmano) e o Sul da Itália, ainda em mãos bizantinas e dos lombardos.

Conhecemos a tese defendida a propósito de Carlos Magno pelo histo- riador belga Henri Pirenne; ela provocou animados debates concernentes às consequências do advento do Império Muçulmano na história da Europa Ocidental8. Em substância, Pirenne sustenta terem sido em menor grau as

invasões das “tribos bárbaras germânicas do século V” que teriam imposto um termo à supremacia comercial de Roma na bacia mediterrânea, comparativa- mente ao maior peso atribuído à constituição do Império Muçulmano neste processo. Privando os bizantinos da África do Norte e das suas províncias orientais, os árabes teriam provocado uma rachadura definitiva entre Oriente e Ocidente. A Europa Ocidental teria então sido obrigada a voltar -se sobre si mesma e sobre os seus próprios recursos, assim como a economia marí- tima dos merovíngios teria cedido lugar, sob os carolíngios, a uma economia continental e circunscrita às terras, deixando o Ocidente atormentado, em meio à pobreza e à barbárie. Segundo Pirenne, “sem Maomé, não haveria Carlos Magno”. O fundador do Império Ocidental aparece sob esta ótica como tendo encarnado o recuo, mais que uma nova grandeza, e o seu reino como marco de uma ruptura nos destinos do Ocidente latino. Seria necessário esperar o final do século X para que o surgimento de uma nova civilização urbana colocasse um termo a esta estagnação, lançando definitivamente as bases da sociedade moderna.

Embora finalmente rejeitada pela maioria dos historiadores, esta tese teve o mérito principal de atrair a atenção sobre alguns importantes problemas relativos às transformações econômicas da Idade Média e à ascensão do feudalismo no Ocidente. Em suplemento, ela levou os historiadores a tomarem consciência do impacto que a expansão dos árabes e o seu domínio na África do Norte tivera sobre o desenvolvimento da Europa, tema por demasiado tempo negligenciado.

A questão relativa a saber se as conquistas árabes tiveram como efeito cortar qualquer acesso ao Mediterrâneo e interromper totalmente os inter- câmbios comerciais entre a Europa e as mais longínquas regiões ou somente diminuir o volume destes últimos – justamente o conteúdo da controvérsia –, esta interrogação aparenta ser secundária em relação à principal fraqueza da tese de Pirenne, consistente em atribuir consequências tão graves a esta interrupção das trocas. Por mais volumoso ou lucrativo que ele tenha sido, o comércio com os países longínquos não desempenhou na vida social e eco- nômica da Europa Ocidental o papel decisivo que Pirenne lhe atribui. A sua interrupção não podia portanto provocar uma perturbação tão profunda no sistema econômico. Os latifúndios autárcicos que ameaçaram a própria exis- tência dos centros urbanos do Império se haviam constituído bem antes das conquistas germânicas e árabes.

O duradouro impacto das conquistas árabes e islâmicas sobre a Europa está menos ligado aos enfrentamentos militares ou à interrupção do comércio euro- peu no Mediterrâneo que ao longo domínio muçulmano exercido na Espanha e na Sicília. As inovações trazidas a estas regiões favoreceram a introdução de novos métodos, técnicas e culturas agrícolas, bem como de novos conceitos – notadamente científicos e filosóficos – em uma Europa mais atrasada que o mundo islâmico nestas áreas. Embora o Renascimento europeu tenha começado mais tarde – a partir do século XIII –, os fundamentos que o tornaram possível foram lançados no momento em que a civilização islâmica estava em seu apogeu, ou seja, entre os séculos VIII e XII.