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6. BACKGROUND

6.4 EV POLICIES IN THE N ETHERLANDS

Mar ia Lir a Mar ques, ar t esã de Ar açuaí, af ir mou-me que “apr endi a pesquisar , não sint o dif iculdade nenhuma por que eu t ambém sou povo” (mar ço de 2009).

Em novembr o do mesmo ano, volt o a encont r á-la num Seminár io de Cult ur a Popular , r ealizado em Pinhões, Sant a Luzia – MG, e ela volt a a af ir mar a mesma coisa, dest a vez, explicando com um belo exemplo em mãos: um livr o manuscr it o, de sua aut or ia, r ealizado na ocasião dos 100 anos da abolição da escr avidão (1988). Nessa época, f oi-lhe suger ido que escr evesse alguma coisa a r espeit o dos 100 anos da abolição, e Lir a cr iou um quest ionár io, que aplicou em det er minado númer o de mulher es negr as. O livr o t r az o r esult ado dessa pesquisa, além de depoiment os int eir os que f or am gr avados e t r anscr it os, f ot ogr af ias e desenhos de cr ianças sobr e o t ema. Capr ichoso e belo, o manuscr it o f oi r ecusado por uma edit or a cr ist ã, e Lir a manif est ava sua r evolt a quant o ao f at o. Cont ou-me que disser am que aquilo “não er a uma monogr af ia”. Soube que, r ecent ement e, uma par t e do t r abalho f oi publicada.

Lir a diz que muit as das mulher es ent r evist adas, por t er em pr át icas de t er r eir o, de umbanda, espir it ismo ou benzeção, não r eceber iam pessoas “de f or a” e muit o menos cont ar iam a pessoas “out r as” o que cont ar am-lhe; ela, além de ser “povo”, conf or me sua expr essão, t ambém é mulher e t ambém é negr a, o que, par a ela, é condição necessár ia par a o acesso a est e t ipo de dados, às hi[e]st ór ias e memór ias dessas mulheres. Ser á pr eciso “ser povo” par a ser pesquisador , ist o é, par a enunciar um discur so válido sobr e a vida social?

Deduzimos que par a Lir a é possível t or nar -se out r o, o pesquisador , at r avés de um apr endizado: apr endi a pesquisar , ela diz. Par a o pesquisador , a maior dif iculdade em sua pesquisa, em seu cont at o com o out r o – nest e caso, o povo, do qual é excluído e dif er enciado -, seria t er acesso a inf or mações – dados empír icos – que lhes são vedadas, uma vez que o pesquisador não par t icipa dessa condição. Ou sej a, ser ia pr eciso t or nar -se o out r o, o “povo”, par a ent endê-lo. A oper ação r ealment e não é

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simét r ica: o “povo” pode t or nar -se pesquisador , at r avés de um apr endizado, mas o pesquisador não pode t or nar -se “povo”. A menos que ele sej a, como ela, desde o início, classif icado como “povo”.

Cer t ament e, em minha pesquisa, me conf undi com o “povo”. Evident ement e, não me t or nei “povo”, mas posso dizer que exper iment ei out r os pont os de vist a, af et ada por aquela maneir a de viver . Ouvi deles, muit as vezes, que “ela é igual nós mesmo, não liga par a nada”. Essa af ir mação f oi f eit a, por exemplo, quando no início do campo chegávamos, eu e meus acompanhant es, numa casa onde eu ainda não conhecia os mor ador es, e eles f icavam r essabiados com minha pr esença [“meu nome é Daniela, sou de Belo Hor izont e”] de “gent e” da cidade. Eu er a apr esent ada por meus acompanhant es que j á me conheciam, par a “quebr ar o gelo”: ela é igual nós mesmo. E emendavam: bebe cachaça e f uma palheir o que nem nós. Em pouco t empo apar ecia um golinho, que compar t ilhávamos sat isf eit os.

Os coment ár ios pr osseguiam: ela não impor t a com nada; não r epar a – pois, se diz, há pessoas da cidade, e out r as ainda pior es, de Car aí mesmo, ou nem nascidas lá – agr avant e! - mas na r oça, que se mudar am par a a cidade, ou at é par a São Paulo, Belo Hor izont e; essas pessoas da cidade chegam na r oça desf azendo dos hábit os e cost umes, de beber caf é num copo ou xícar a qualquer , em xícar a f eia, velha, de f er r o enf er r uj ada... ou r epar am na casa, na cozinha e nas par edes de bar r o, no f ogão à lenha, na f uligem que se agar r a às t elhas... Ent ão, ao obser var em meus at os e gest os cot idianos, como t omar banho de balde, andar no t er r eir o no escur o, não r eclamar da necessidade de caminhar , no sol, t omar água do pot e sem per gunt ar se é f ilt r ada, no mesmo copo em que t odos t omam, et c., as pessoas se colocavam mais aber t as, mais j oviais, mais à vont ade, pr osseguindo seus af azeres, em minha pr esença, ou sej a: t r at ando-me como visit a, mas não uma visit a solene, est r anha, mas uma visit ant e “igual nós mesmo”.

Ao apr oximar -me do ser povo, pude t er , em pr imeir o lugar , uma r elação af et iva com essas pessoas e, em segundo lugar , uma r elação como pesquisador a que f oi mais

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r ica por que mais pr óxima. Talvez, em out r as condições, essa não sej a uma r elação desej ável do pont o de vist a ant r opológico, mas no meu caso, com um t empo ext r emament e pequeno par a a r ealização do t r abalho de campo, em condições at ípicas (r ealizando uma out r a at ividade ao mesmo t empo), “ser povo”, em alguma medida, pode t er sido uma vant agem, senão uma condição de possibilidade, de acor do com o pont o de vist a de Lir a. Por ém essa apr oximação não passa de uma apr oximação. O que Lir a quer dizer é algo mais pr of undo e, no cont ext o específ ico dela, r emet e ao acesso a out r o t ipo de conheciment o da vida do out r o, não dos aspect os cot idianos, com os quais me ocupei em maior par t e. Lir a r ef ere-se, pr incipalment e, a aspect os r eligiosos – o sagr ado, na sua acepção mais pr óxima ao segr edo -, e a aspect os da int imidade das pessoas.

Lir a apr endeu a pesquisar , especialment e, com Fr ei Chico, ou Fr ancisco van der Poel Of m, f r ade holandês que chegou a Ar açuaí em 1968. Mor ou nessa cidade cer ca de 10 anos, onde f undou cor ais e f oment ou a cult ur a popular de vár ias maneir as. Lir a e Fr ei Chico mant êm, desde ent ão, uma amizade dur adour a, bem como uma par cer ia nas at ividades de pesquisa da cult ur a popular . Lir a diz que apr endeu a pesquisar com ele; ele diz que apr endeu a pesquisar com ela. Assim, numa par cer ia suplement ar , elabor ar am uma obr a, no pr elo, pr ovavelment e int it ulada Abecedár io da Religiosidade

Popular , em f or ma de dicionár io, com cer ca de 6 mil ver bet es, f r ut o de mais de 20

anos de pesquisas.

Quando chegou a Ar açuaí, cidade localizada numa r egião que er a chamada, na época, de “4ª r egião mais pobr e do mundo”, Fr ei Chico, holandês, exper ienciou um embat e ant r opológico: “est r anhei t udo, o clima, a comida, o conf or t o, os cost umes. Não sabia como se negociava, como se cur ava, como se r ezava. As pessoas na r oça cont avam um caso, o caso acabava e eu não ent endia...” (comunicação pessoal, 2009).

Poder íamos f alar de dif er ent es planos de est r anhament o. Par a mim, acost umada ao clima, ao t emper o, ao sot aque – se bem que nem t ant o, e muit o pouco quant o ao vocabulár io -, o est r anhament o não f oi desse por t e. Minha mãe é nat ur al de

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Medina, cidade pr óxima a Car aí, onde mor a gr ande par t e da minha f amília, que visit ávamos anualment e, e nos envia r egular ment e, há muit os anos, aliment os r egionais par a os par ent es que mor am em Belo Hor izont e, hábit o que obser va-se em emigr adas do Vale do J equit inhonha, ao levar em consigo muit o dos ingr edient es, dos t emper os e dos modos de pr epar o de lá 24.

A impor t ância da comida, da adapt ação à comida, e, por out r o pr isma, da comensalidade, não pode ser despr ezada. Ao t elef onar par a minha anf it r iã, avisando que eu r et or nar ia à Car aí, per gunt ando se podia hospedar -me novament e em sua casa, r espondeu-me: só se você não gost ar do f eij ão com gor dur a! Almoçando, ao exper iment ar o ar r oz, eu disse: “esse ar r oz est á gost oso, o que t em nele?” – é que f oi

f eit o na gor dur a de por co. Eu t ambém acho ele mais gost oso que o out r o! E assim,

r eit er adament e, a comida é assunt o de dest aque na cr ônica diár ia25.

A f alt a de um est r anhament o r adical, em si, não é um f at or det er minant e par a o insucesso de uma pesquisa ant r opológica. Mar ilia Amor im, em O Pesquisador e seu

Out r o (2001), const r ói algumas cat egor ias t eór icas e analisa, em seguida, uma

sit uação de campo, na t ent at iva de t or nar sua análise mais int eligível. Pr opõe, assim, duas ideias cent r ais, int er valo e int er locução.

I nt er valo r ef er e-se aos “limit es const it ut ivos de t oda r elação com o out r o”, é - “at r avés de sua expr essão nos moment os em que o diálogo se t or na impossível” - “o pont o cr ucial de uma abor dagem dialógica na medida em que os dois lugar es – o do

24 A t ít ulo de cur iosidade, list o a seguir os it ens enviados – a list a é ext ensa e demonst r a a inser ção int egr al desses aliment os na diet a or dinár ia: cor ant e de ur ucum, ut ilizado em maior quant idade no Vale; t emper o elabor ado com coent r o, muit o comum em quase t odos os pr at os; piment as f or t es cur t idas no óleo; f ar inha de mandioca de boa qualidade, muit o f ina; car ne-de-sol; biscoit os de goma (polvilho) e de queij o; a pr ópr ia goma; mant eiga de gar r af a; queij o cozido (cabacinha); f eij ão andu; doces; event ualment e, um f r ango r ecém-abat ido, de sabor inigualável, que chega f r esco; et c.

25 Ret or no a esse assunt o ao t r at ar do not ór io biscoit o de goma, pr esença

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pesquisador e o do out r o – se dar iam a ver naquilo em que são ir r edut íveis” (2001, p. 258).

A quest ão de f undo aqui é que a palavr a se dir ige; nunca saber emos a quem r ealment e se dir ige o out r o quando f ala a mim. Assim, “a ideia de uma nat ur alidade ou de uma espont aneidade que t or nar iam as palavr as t r anspar ent es e a de uma comunicação ef icaz são incompat íveis com esse pr incípio” (2001, p. 259).

Embor a t enha post ulado, mais acima, a hipót ese dos vár ios planos de est r anhament o, as apr oximações suger idas, os encont r os ocor r idos e r econheciment os f eit os – “ela é igual nós mesmo” – não implicam numa espont aneidade, naquilo que Lir a expr essou como “eu t ambém sou povo”. O at o da escr it ur a, sem dúvida, impor ia essa dist ância f undant e ent r e o pesquisador e seu obj et o. Por ém, no diálogo em campo, que ant ecede a escr it ur a, a dist ância est á post a e independe de uma maior ou menor “f amiliar idade” com o out r o pesquisado. Uma r elação mais pr óxima, de amizade, de conf iança, de int imidade, é f acilit ador a de quaisquer r elações humanas, mas não necessar iament e f acilit a ou possibilit a a pr odução de conheciment o sobr e o out r o, ainda que diver sos pesquisador es ver if iquem, na pr át ica, a necessidade de const it uir vínculos par a a r ealização de suas pesquisas.

É f acult ado, por t ant o, ao pesquisador – e ao leit or – opt ar por seguir o r igor dessa “noção cent r al” sobr e a pesquisa em ciências humanas – a ir r edut ibilidade do out r o; ou, se assim pr ef er ir , a opção não menos r igor osa expr essa pela ar t esã Lir a: “apr endi a pesquisar por que eu t ambém sou povo”. Minha opção, aqui, est á em não deixar de r econhecer o que nos t oca dir et ament e – uma exper iência ínt ima, const it ut iva, de pr oximidade com o “obj et o” pesquisado, concor dando, em par t e, com Lir a. Ao mesmo t empo, at est ar as conclusões de Amor im, a r espeit o da ir r edut ibilidade do out r o – que, t al qual a exper iência ínt ima, apr esent a-se como dado const it ut ivo sej a da pesquisa em ciências humanas sej a na vida.

A segunda noção cent r al de que f ala Amor im, int er locução, consist e em que “t udo aquilo que é dit o é dit o a alguém. Se quer o analisar a palavr a do out r o enquant o

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enunciado, e não enquant o f r ase, é pr eciso levar em cont a quem é seu int er locut or . O que acont ece f r equent ement e é que, mesmo numa sit uação em que há vár ias pessoas, o int er locut or pr ivilegiado é o pr ópr io pesquisador , apesar da sit uação indicar o cont r ár io” (2001, p. 259).

Essa ideia t ambém se aplica ao que er a, mais de per t o, meu papel em campo: não o de pesquisador a, mas de int er vent or a. Na análise de uma sit uação de pesquisa de campo, onde os pesquisador es est avam numa sit uação pr óxima à minha, ou sej a, er am agent es de um t r abalho de int er venção social, buscando t or nar seu “campo de int er venção” num “campo de pesquisa”, o t r abalho da aut or a apont ou alguns pr oblemas nesse t ipo de r elação com o out r o.

Ela descr eve uma r eunião, na qual est avam pr esent es os benef iciár ios da ação - ou os suj eit os/ obj et os de pesquisa - r epr esent ant es das ent idades int er vent or as, e pesquisador es. Per cebeu que os pesquisador es t omavam o lugar como dest inat ár ios pr ef erenciais da int er locução. Sendo est r angeir os e est r anhos, eu dir ia, est r anhos no ninho, e, muit as vezes, sendo f igur as impor t ant es par a os suj eit os int er vent or es – sej am f uncionár ios de gover no, de ONGs, et c. -, a pr esença do pesquisador enquant o t al, conclui, sempr e int er f er e no pr ocesso da int er locução de uma r eunião.

“Reunião” é a palavr a mágica, assim como “pr oj et o”. Em Car aí, quando eu er a apr esent ada de maneir a mais f or mal, ou sej a, desligada de uma r elação af et iva, ou par a ident if icar -me par a pessoas que est ão “de f or a” do meu univer so – os ar t esãos -, eu er a a menina que veio dar a r eunião. Apesar da minha insist ência em af ir mar que “eu não vim dar a r eunião, a r eunião é nossa”, per manecia, por mais dif er ent es que sej am as f or mas de int er venção umas das out r as, a per cepção de que a int er venção é “deles”, dos que vêm de f or a. E o t er mo “r eunião” é ut ilizado indif erent ement e par a quaisquer f or mas de int er venção, uma vez que t odas elas sempr e exigem “r euniões” ou encont r os. Da mesma maneir a, a pessoa ou as pessoas que vêm at é a comunidade par t icipar , pr omover , f oment ar ou simplesment e compar ecer à r eunião, vêm “dar a

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r eunião”. É ist o que o gover no, sej a qual f or o set or e a f inalidade, e as ent idades, f azem: r euniões.

Por ém, se numa dessas r euniões cont amos, além dos “doador es de r eunião”, com pesquisador es, o cenár io f ica mais complexo, podendo t omar r umos diver sos de acor do com as cir cunst âncias par t icular es. Volt ando ao exemplo acima, dependendo da r elação que o pesquisador mant ém com aqueles que vão “dar a r eunião”, ele se t or na, t al como no exemplo descr it o por Amor im, o int er locut or pr incipal da r eunião (2001, p. 267-268).

Ant e a necessidade de escolher ent r e os dois papéis, de int er venção e de pesquisa, opt ei por f icar com um deles apenas, nat ur alment e, o de int er vent or a. Digo nat ur alment e por que t odos os meus cont at os iniciais com os ar t esãos, de t odas as localidades que conheci, f or ma f eit os at r avés do pr oj et o e como r epr esent ant e dele – além das out r as duas inst âncias que eu r epr esent ava, o Pr ogr ama Polo, que é mais abr angent e que o pr oj et o do ar t esanat o e envolve out r as ações, out r as post ur as e out r os papéis a desempenhar , e a Uf mg que, últ ima inst ância, é a inst it uição pela qual eu est ava ali.

Ao invés de pr ej udicar a pesquisa, penso que essa sit uação f oi benéf ica, ou ent ão, nem f avor ável nem desf avor ável. Cer t ament e, par a o t r abalho de int er venção, a per spect iva ant r opológica é ext r emament e enr iquecedor a, e em alguns casos pode ser condição necessár ia; par a a pesquisa ant r opológica, apar ent ement e, est ar subor dinada a uma int er venção não é int er essant e, e t alvez não sej a aconselhável.

A reunião é o espaço de int er locução mais r econhecido, em ações de int er venção. É um moment o impor t ant e e que pode ser decisivo, apesar da ocor r ência, comum, de r euniões complet ament e dispensáveis, pela f alt a de int er locução r eal que elas pr omovem. Esse per igo passa pela pr esença de at or es inibidor es, como f oi o caso da descr ição f eit a por Amor im. Minimizar os ef eit os desse r isco f oi uma das minhas pr eocupações ao decidir assumir um dos papéis.

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É impor t ant e r egist r ar que, mesmo assim, algumas vezes expliquei-lhes que eu est ava est udando, que pr ecisava f azer um gr ande t r abalho escr it o, de muit as páginas, que eu escr everia sobre o ar t esanat o, que eu gost ava de ouvir hi[e]st ór ias – essa car act er íst ica f icou conhecida -, que pensava em escr ever um livr o sobr e a hi[e]st ór ia deles. No ent ant o, minha pr ópr ia f alt a de clar eza sobre o que ser ia esse “livr o”, naquele moment o, não per mit ia maior es explicações – af inal, eu não as t inha nem par a mim mesma.

A segunda sit uação de pesquisa descr it a por Amor im é a de um almoço que ocor r eu com a pr esença dos 3 at or es: os benef iciár ios da ação/ suj eit os-obj et os de pesquisa, os int er vent or es e os pesquisador es. Não é necessár io descr ever t oda a sit uação; o t r echo a seguir deve bast ar ao leit or par a compr eender o pont o a que quer o chegar : “Madame Per r ine (lider ança do gr upo benef iciár io) est ava em casa e t odos est avam em sua casa. Foi ela quem dir igiu t oda a sit uação, do almoço à r eunião. O int er essant e que est e cont r ast e per mit iu per ceber é que o lugar do pesquisador var ia e depende, f undament alment e do out r o, na at r ibuição que ele pr oduz. Evident ement e, essa at r ibuição depende do cont ext o de enunciação – do gêner o