7. EMPIRICAL ANALYSIS AND RESULTS
7.2 S ECOND HYPOTHESIS : LOCAL INCENTIVES LEAD TO DIFFERENT REGIONAL EV ADOPTION RATES 38
For am visit adas, na zona r ur al do município, duas comunidades, Sant o Ant ônio e Ribeir ão de Capivar a. Out r a localidade, pr óxima a Ribeir ão de Capivar a, chamada “apenas” Capivar a, t ambém f oi visit ada, mas me concent r ei nas duas pr imeir as, uma vez que Capivar a t em hoj e muit o poucos mor ador es, e das 21 r esidências visit adas, apenas uma se localiza ali.
Na zona r ur al de Car aí, no dist r it o de Sant o Ant ônio, as casas não são agr upadas num cent r o; não exist e uma pr aça, nem uma igr ej a, apenas o salão da igr ej a, uma const r ução que não possui nenhuma car act er íst ica específ ica da ar quit et ur a das igr ej as cat ólicas, e est á localizada, como algumas out r as const r uções do lugar , num bar r anco, ao lado da est r ada. Não exist e igr ej a evangélica, mas past or es visit am a localidade regular ment e, há alguns anos. Também não exist e um cent r o espír it a ou umbandist a; exist em, por ém algumas pessoas que exer cem pr át icas r eligiosas popular es, t ais como as benzedeir as, que, no ger al, par ecem ser consider adas cat ólicas26.
Pr óximo ao salão da igr ej a est á o salão da escola e, em f r ent e a est e, o salão da Codevale, const r ução f eit a na época da Codevale (décadas de 1970 e 1980) e por ela incent ivada, assim como a cr iação da associação de ar t esãos, par a ser um local comum par a guar dar as peças, que f acilit asse o acesso dos compr ador es, não
26 No âmbit o dest a pesquisa, não f oi possível conhecer e conver sar dir et ament e com as benzedeir as de Car aí, apenas em out r as localidades do Vale. J á a dir igent e do cult o cat ólico f oi visit ada e ent r evist ada, como se ver á adiant e.
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necessit ando buscá-las de casa em casa27. Est e local cumpr ir ia a f unção de sede da associação, onde se r ealizar iam r euniões e event uais t r abalhos conj unt os. Essas const r uções se localizam de f rent e ao que f oi e é, ainda hoj e, o pr incipal bar r eir o – o local onde se ext r ai a mat ér ia pr ima, o bar r o. O t er r eno onde f or am er guidas essas const r uções f oi cedido por uma f amília que ainda hoj e r eside no local, bem pr óxima ao salão da Codevale, e que cont a com ar t esãos ent r e os seus, como não poder ia deixar de ser , aliás, numa localidade onde “t odos são par ent es”, conf or me af ir mam.
Figur a 2: salão da Codevale em Sant o Ant ônio
27 Codevale - Comissão do Desenvolviment o do Vale do J equit inhonha, per sonagem de dest aque na hi[e]st ór ia do Vale, sobr e a qual t r at ar ei det alhadament e na quar t a par t e dest a disser t ação.
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Par a chegar a Ribeir ão de Capivar a, out r o dist r it o da zona r ur al, um pouco mais dist ant e, em r elação a Car aí, é pr eciso subir um mor r o bast ant e longo – onde o ônibus da escola não sobe, em caso de chuva. O cume desse mor r o é aplainado, a est r ada segue em linha r et a e plana, at é iniciar a descida, do out r o lado. O ônibus da escola não desce at é lá. Logo se avist a o salão da escola de Ribeir ão, onde a pr of essor a leciona par a uma classe mist a de 1ª a 4ª sér ie. Uma única sala, banheir os ext er nos, placas de ener gia solar , cedidas por uma ent idade gover nament al, a Emat er -MG (Empr esa de Assist ência Técnica e Rur al de Minas Ger ais), se bem me lembr o. Pr óximo à escola, o bot eco, dir igido pelo mar ido da pr of essor a, é pont o de encont r o local. Poucas casas, nem t odas ocupadas; alguns mor ador es se mudar am par a Car aí, Belo Hor izont e, et c. O cór r ego – o r ibeir ão Capivar a - passa bem pr óximo a est e pequeno “cent r o”. Dif er ent e de Sant o Ant ônio, onde as const r uções mar geiam e seguem o cur so do cór r ego, descont inuament e, Ribeir ão de Capivar a congr ega-se em t or no dessa passagem do cór r ego, da escola e do bot eco. Seguindo a est r ada, que sobe e desce mais alguns mor r os, chega-se na Capivar a, est a sim, bem dist ant e e isolada, onde r est a soment e uma f amília. Par a lá da Capivar a, seguindo a est r ada, chega-se a Ar açuaí, cer ca de 70 quilômet r os adiant e.
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Figur a 3: bot eco em Ribeir ão de Capivar a.
Na Capivar a, at r avesso um cór r ego que passa num laj edo lar go, com manchas de ar eia br anca e f ina, e o veio de água br ilhando como pedr a pr eciosa ao sol; dizem que lá é mes’ (mesmo) que a gent e est ar no par aíso.
Figur a 4: cór r ego em Capivar a
Quando lá est ive, em set embr o de 2009, um pr ogr ama de const r ução de cist er nas (caixas) mobilizava homens e mulher es, em camar adagem. Er a necessár io f azer a massa e as placas que mont am a cist er na, o que leva alguns dias de t r abalho par a cada caixa. For mavam-se equipes nas casas de cada um. Ao que par ece, quase t odas as casas t er ão cist er nas em 2010, o que dever á melhor ar a of er t a de água limpa no per íodo da seca. Como na est ação chuvosa de 2008-2009 choveu mais que em
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out r os anos, quando est ive lá, alguns cór r egos int er mit ent es ainda não haviam secado, o que amenizou o pr oblema da f alt a d’água. Pude obser var , no ent ant o, os poços que se cavam par a pegar água em t empos de seca, nos quais a água é t ão r uim que não dá par a
lavar a r oupa, por que ela f ica amar ela e f edendo. Em muit os pont os dos pequenos
vales que f or mam os cór r egos locais, a f alt a de água no per íodo da seca é uma r ealidade. Algumas casas ut ilizam a água das chamadas gr ot as, onde exist em algumas nascent es que não secam na est ação seca. Ent r et ant o, essas nascent es encont r am-se cada vez mais r ar ament e, devido ao desmat ament o – que par ece t er aument ado nos últ imos 30 anos -, e, pr ovavelment e, às recent es mudanças climát icas.
Ouvi muit as obser vações quant o às mudanças do clima e da veget ação. Se diz que ant igament e chovia mais ; que esse cór r ego er a muit o maior ; que ant igament e não
se via a casa da est r ada, t inha muit o ar vor edo gr osso. Também soube que a seca de
uns dois ou t r ês anos at r ás f or a maior , obr igando as pessoas a car r egar água por longas dist âncias.
A luz elét r ica começou a chegar em Sant o Ant ônio e Ribeir ão em 2008, at r avés do Pr ogr ama Luz par a Todos, do Gover no Feder al, mas ainda não at ingiu t odas as casas. Pr omessa ant iga de vár ios polít icos, pr ovocou a descr ença dos mor ador es quant o à sua concr et ização, que f inalment e acont eceu. Lélia Coelho Fr ot a (2009) cont a que, na década de 1970, quando a Codevale começou a at uar em Car aí, uma das j ust if icat ivas apr esent adas par a o f oment o ao ar t esanat o, enquant o f ont e de r enda, er a a monet ar ização da economia local, par a que as pessoas pudessem pagar suas cont as de luz – de uma luz que chegar ia em br eve.
At é o moment o, a luz elét r ica int r oduziu possibilidades como o som, que per mit e em algumas casas “f ar r as” at é de madr ugada; f r eezer , que per mit iu a compr a de gr ande quant idade de f r angos congelados par a r evenda na r oça, por uma f amília, além da possibilidade de beber uma cer vej inha gelada, em algumas ocasiões especiais. Uma f amília que t inha um “bot eco”, na pr ópr ia casa, declar a que o negócio não f oi muit o par a f r ent e, por enquant o, f icando um t ant o quant o r eduzido ao f r eezer e seus
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pr odut os, além da event ual, mas cost umeir a, venda de cachaça (doses) aos passant es. A geladeir a j á se f az pr esent e em algumas casas, aument ando a conser vação dos aliment os e t r azendo novidades par a a diet a, de pr odut os que necessit em r ef r iger ação. A cont a de luz, no ent ant o, é alvo de queixas.
Obser va-se que a pr epar ação dos aliment os, especialment e, do almoço e do j ant ar , é uma at ividade muit o f r equent e – como dizer ? Muit o mais do que ent r e nós -, t alvez por que os aliment os se est r aguem de um dia par a o out r o, sem r ef r iger ação, ainda mais numa r egião de clima quent e. A despeit o dest e possível mot ivo, é conver sa cor r ent e que não se come comida velha – a maior ia das pessoas coment a que só come comida f eit a na hor a. A car ne f ica de um dia par a o out r o, e mesmo muit os dias, uma vez que a maior par t e das car nes consumidas ali são secas ou salgadas, ou f r escas o bast ant e par a não est r agar em ant es do coziment o (compr adas no mesmo dia), ou r ecém abat idas (f r angos e out r os). Out r as vezes, as car nes são conser vadas e/ ou cozidas e f r it as em bast ant e gor dur a, sendo consumidas no máximo em 2 ou 3 dias após o pr epar o, sem pr oblemas. Mesmo quant o às car nes, há pessoas que não comem senão quando do pr imeir o coziment o.
Além das car nes, compõem a diet a cot idiana ar r oz, f eij ão, f ar inha, macar r ão (que não é muit o apr eciado, mas é pr epar ado e of er ecido aos visit ant es; uma cant ineir a me disse que, quando começou a chegar macar r ão par a o pr epar o da mer enda escolar , as cozinheir as nem sabiam como se pr epar ava); ovos (par a os que cr iam galinhas), legumes e ver dur as – pr incipalment e abóbor a (vár ios t ipos), que na r egião se diz dar em muit o boas, “enxut inhas”; inhame (“coió”), mandioca, chuchu, quiabo, maxixe, coent r o, cebolinha, alf ace. Quem possui hor t a em casa consome as ver dur as que t em; quando não possui ou não é t empo, est ão disponíveis apenas aos sábados, na f eir a em Car aí. Também se compr am ver dur as em pequenos super mer cados na cidade, mas quem mor a na r oça r ar ament e vai lá dur ant e a semana. Na f eir a pode-se compr ar uma ampla var iedade de legumes e de ver dur as, que não dif er e da f eir a de Belo Hor izont e. O ar r oz, dizem que há poucos anos plant ava-se
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muit o, mas esse plant io decaiu, t alvez pelo aument o do poder de compr a e da maior f acilidade de acesso aos mer cados de Car aí. As pessoas ainda manif est am sua pr ef erência pelo ar r oz nat ivo, que ele er a mais gr udadinho assim e mais escur inho,
dava muit o t r abalho no pilão pr a t ir ar a casca, mas er a mais gost oso. Quant o ao
f eij ão, se consome muit o mais o f eij ão nat ivo, mais novo e mais gost oso, t endo vár ias qualidades pr óximas ao f eij ão car ioquinha, o f eij ão r oxinho, e o f amoso f eij ão andu, dest aque na culinár ia r egional.
A esposa de um senhor de cer ca de 60 anos, cont ou-me que ele só come a comida f eit a na hor a. Ela adquir iu uma geladeir a, e passou a guar dar o que sobr ava do almoço na geladeir a, mas ele não come comida de geladeir a. Disse que seu mar ido não come nem mesmo comida f eit a de manhã; t em que ser f eit a na hor a. O que sobr a de cada r ef eição, ela j oga par a as galinhas. E não cozinha pouco: eu gost o é de f ar t ur a, a
comida t em que ser f ar t a.
Talvez a f ar t ur a sej a um indicat ivo de uma condição melhor de vida, par a ut ilizar essa expr essão que pr ocur o pr oblemat izar ao longo dest e t ext o, e como t al, deve ser vivenciada diar iament e, lembr ando sempr e às pessoas que elas vivem com dignidade, uma imagem que se cont r apõe a lembr anças de t empos mais dif íceis. Obser vando as f ot ogr af ias das casas de ar t esãos, t ir adas há cer ca de 12 anos (1997), publicadas no livr o Noivas da Seca, per cebe-se uma mudança nas condições de vida, a par t ir das casas: ant es, er am f eit as de pau-a-pique, sem r evest iment o ext er no, dando a impr essão de que “t udo ali é f eit o de bar r o” (Dalglish, 2006, p. 66, 142, 148). Hoj e, as mesmas casas encont r am-se r ef or madas, com r eboco ext er no, pint adas de br anco com a t abat inga, e uma das ar t esãs t er minava a casa nova (f eit a de adobe), quando est ive lá. Tais melhor ias se devem, senão t ot alment e, em gr ande par t e, à aposent ador ia conquist ada por algumas pessoas, e em out r os casos, a benef ícios do t ipo bolsa f amília28. I nf elizment e, não são f r ut os da venda do ar t esanat o, embor a
28 O Bolsa Família é um pr ogr ama de t r ansf er ência dir et a de r enda, pr omovido pelo gover no f eder al, que benef icia f amílias em sit uação de pobr eza (com r enda
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f aça par t e de suas r endas. A ar t esã cit ada conquist ou sua aposent ador ia r ur al há pouco t empo (t em 59 anos) e, vivendo com o mar ido, t ent avam conquist ar t ambém a aposent ador ia dele, que t em 56 anos.
Out r a possibilidade de int er pr et ação, quant o à f ar t ur a, é que ela sej a a r egr a: sempr e t endo sido indispensável pr epar ar a comida f ar t ament e, f azer as f est as f ar t ament e, longament e, com t odo o dispêndio de t odos os r ecur sos disponíveis. Essa possibilidade me par ece mais plausível.
Essa hipót ese se aplicar ia t ambém a out r as comunidades ar t esãs do Vale? J osef a Alves dos Reis, a Zef a, not ór ia ar t esã de Ar açuaí, hoj e com 85 anos, disse cer t a vez a Fr ei Chico que quando r ecebia algum dinheir o da venda de uma peça, compr ava um bom pedaço de car ne par a assar e chamava os amigos e vizinhos. Frei Chico (comunicação pessoal, 2010) most r ou-me uma escult ur a em bar r o de Zef a, que lhe pr esent eou com ela, explicando a cena: f ez sua pr ópr ia mão, cer ca de 4 vezes maior que a mão humana; quando acabou, pensou: essa é a mão de Deus, est amos t odos
nas mãos de Deus.
mensal por pessoa de R$ 70 a R$ 140) e ext r ema pobr eza (com r enda mensal por pessoa de at é R$ 70).
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Figur a 5: peça de bar r o cr u de Zef a.
Segundo Zef a, pobr e, quando pode compr ar comida, t em que apr oveit ar e
comer bem at é se f ar t ar . Out r a peça most r a uma cena com “bonecos”, f igur as
humanas, que er am os pobr es comendo. Mas, per gunt ou Fr ei Chico, por que t em est e aqui na f r ent e, esquelét ico, e os out r os est ão comendo, e há t ant a comida no cent r o? Ela disse que pobr e, quando t em comida, come t udo de uma vez, e depois f ica na
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Figur a 6: peça de bar r o cr u de Zef a.
Essa r elação com a f ar t ur a é uma r elação com o dispêndio, que encont r amos na lit er at ur a ant r opológica ent r e out r os em Mar cel Mauss e Geor ges Bat aille. No Ensaio sobr e a dádiva, Mauss diz que “a dest r uição pr opr iament e dit a par ece const it uir uma f or ma super ior de esbanj ament o”. Analisando as t r ês obr igações const it ut ivas do pr incípio da r ecipr ocidade, af ir ma que “dar j á é dest r uir ”, que “é pr eciso r et r ibuir com mais do que f oi r ecebido”, ou sej a, “é pr eciso ser ‘gr ande senhor ’ nessas ocasiões”, é pr eciso gast ar sem medidas, pois a “r iqueza é f eit a par a ser dada” (1974, p. 100, 150, 164). Tal ideia apar ece t ambém na af ir mação a pr opósit o das t r ocas, dos dispêndios e das r edist r ibuições de r iquezas car act er íst icos das f est as esquimó: “sem gener osidade não há sor t e” (Mauss e Beuchat , 1974, p. 467).
Em A Par t e Maldit a, Bat aille desenvolve o que chamou de “economia ger al, onde a despesa (o consumo) das r iquezas é, em relação à pr odução, o obj et o pr imeir o” (1975, p. 49, gr if os do aut or ). I nver t endo assim a or dem das t eor ias clássicas
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econômicas, nas quais a pr odução pr ecede o consumo e, quant o ao consumo, a necessidade pr ecede o luxo, par a Bat aille é o “luxo” que coloca par a o homem seus pr oblemas f undament ais. Nenhuma das ciências, nem mesmo a psicologia e a f ilosof ia, ser iam independent es dest a que é uma quest ão pr imor dial: a do moviment o da “ener gia excedent e, t r aduzido na ef er vescência da vida” (1975, p. 50). Após analisar a sociedade ast eca, que sacr if icava vidas humanas em pr of usão; o pot lat ch, dádiva da r ivalidade, ent r e os mexicanos e os índios nor t e-amer icanos; o I slã e o Tibet , como sociedades do empr eendiment o milit ar e r eligioso; a sociedade indust r ial, nas or igens do capit alismo, a indust r ialização soviét ica e, f inalment e, o Plano Mar shall, def ende a t ese de que a f unção da r iqueza – do excedent e - é o desper dício, a dilapidação, a dádiva sem cont r apar t ida. A dádiva ost ent at ór ia, o desper dício r it ual, não est ar iam r elacionados apenas a uma possível nat ur eza da r iqueza, mas à sua f unção. Na sua r ef lexão ousada, af ir ma que “essa ver dade é par adoxal, a pont o de ser exat ament e cont r ár ia à que de or dinár io par ece. Esse car át er par adoxal é sublinhado pelo f at o de, no pont o culminant e da exuber ância, seu sent ido ser encober t o de t odos os modos. Nas condições at uais, t udo concor r e par a obnubilar o moviment o f undament al que t ende a devolver a r iqueza à sua f unção, à dádiva, ao desper dício sem cont r apar t ida” (1975, p. 75). Pensando no per íodo ent r e guer r as e no per íodo pós-guer r a, Bat aille pr ocur a most r ar que a dest r uição per pet r ada pela guer r a, com a concor r ência de enor mes cont ingent es de ener gia excedent e, é um modo de dilapidação da r iqueza. Tendo r econhecido moviment os semelhant es em suas análises das sociedades cit adas, def ine-o como um “moviment o f undament al”, aquele que demonst r a a possibilidade da inver são que ele pr opõe – a pr ecedência do consumo sobr e a pr odução.
Seguindo Bat aille, dir íamos que o que vemos como “desper dício” do excedent e pode ser consider ado como simples gast o do mesmo excedent e: o que sobr a não deve ser acumulado, mas usuf r uído ou dilapidado.
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O conj unt o desses cór r egos que f or mam os pequenos vales, ladeados espar sament e pelas casas, compondo a paisagem de Sant o Ant ônio e de Ribeir ão de Capivar a, par ece t er sido bem mais moviment ado há poucos anos, quando possuíam um númer o maior de mor ador es. Ouvi r elat os de longas f est as, que começavam numa sext a-f eir a à noit e e t er minavam no domingo: a gent e só ia embor a quando o dono da
casa mat ava umas duas galinhas par a o almoço. Todos coment am que ant es havia mais
mor ador es, pr incipalment e par a os lados da Capivar a e de Ribeir ão de Capivar a.
Em suas pesquisas sobr e a migr ação no Vale do J equit inhonha, Eduar do