• No results found

8 Etterkommere – veivisere i det multietniske samfunnet?

O Brasil vem ocupando posição destacada entre os países onde o stress ocupacional tem-se manifestado. Numa pesquisa recente patrocinada pela “ISMA” (International Stress Management Association), que verificou a questão nos Estados Unidos, Alemanha, França, Brasil, Israel, Japão, China, Hong Kong e em Fiji, demonstrou-se que ocupamos o segundo lugar em número de trabalhadores acometidos pela Síndrome de Burnout. Entre os trabalhadores brasileiros, apurou-se que 70% são afetados pelo stress ocupacional e 30% do total estão vitimados pela Síndrome de Burnout. No Japão, esses números se elevam. Na terra do sol nascente, 85% dos trabalhadores são estressados crônicos e 70% deles manifestam a “Síndrome de Burnout”.

Aspectos como: tensão no relacionamento entre os trabalhadores e seus chefes, expectativa quanto à manutenção do posto de trabalho, elevada exigência e pressão profissional com excesso de trabalho e sobrejornada são os fatores que a pesquisa aponta como geradores do alto número de trabalhadores afetados. Os sintomas apresentados são, em conseqüência, alto índice de depressão nos

funcionários, drogadicção, alcoolismo, baixa de rendimento e, em casos, extremos, o suicídio.

A ruptura do fluxo de interação homem-trabalho traz conseqüências gravíssimas. Ressalta, ainda, que a Síndrome de Burnout é o processo de agudização do stress ocupacional crônico: uma resposta ao stress laboral,

descrevendo sintomas que se evidenciam pela decepção e perda de interesse pela atividade de trabalho que surge nas profissões que trabalham em contato direto com pessoas em prestação de serviço como conseqüência desse contato diário no seu trabalho.

A diferenciação entre o stress ocupacional crônico e a Síndrome tem sido apontada pelos autores mediante o surgimento de fadiga emocional, física e mental, sentimentos de impotência e inutilidade, falta de entusiasmo pelo trabalho, pela vida em geral e baixa auto-estima.

Essa síndrome foi identificada em meados dos anos 70 e, inicialmente, atribuída a profissionais da área de saúde. Hoje, no entanto, já é consenso que qualquer área de atividade pode ensejar tanto o

stress ocupacional como a Síndrome de Burnout.

Amorim e Turbay,(1998) sugerem, assim, que se desenvolva estudo fisiológico da natureza humana ligada à dinâmica inter-relacional na organização do trabalho, eis que já se compreende que a

síndrome em estudo tem um alto potencial de contaminação entre colegas, por implicar modelos de comportamentos assimiláveis (dimensão social).

O trabalhador passa, então, a realizar seu trabalho de forma fria e desinteressada, despersonalizando as pessoas por ele atendidas e, conseqüentemente, impondo baixíssimos níveis de realização profissional (dimensão pessoal).

O processo de instalação da Síndrome de Burnout* tem sido descrito em três momentos:

• no primeiro, o indivíduo percebe a evidência de uma tensão, o stress; • no segundo momento, aparecem sintomas de fadiga e esgotamento

emocional, concomitantemente a um aumento do nível de ansiedade e,

*Maiores informações podem ser buscadas no site

www2.uel.br/ccb/psicologia/.../textov2n1 5.htm

• finalmente, o indivíduo desenvolve estratégias de defesa, que utiliza de maneira constante.

A mais influente definição de burnout foi desenvolvida por Maslach e Jackson, em 1986. Sua definição multidimensional inclui três componentes: exaustão emocional, despersonalização e redução da realização pessoal (Mills & Huebner, 1998; Codo & Vasques-Menezes, 1999).

A despersonalização é o resultado do desenvolvimento de sentimentos e atitudes negativas, por vezes indiferentes e cínicas em torno daquelas pessoas que entram em contato direto com o profissional, que são sua demanda e objeto de trabalho. Num primeiro momento, é um fator de proteção, mas pode representar um risco de desumanização, constituindo a dimensão interpessoal de burnout.

Por último, a falta de realização pessoal no trabalho caracteriza-se como uma tendência que afeta as habilidades interpessoais relacionadas com a prática profissional, o que influi diretamente na forma de atendimento e contato com as pessoas usuárias do trabalho, bem como com a organização (Maslach, 1998). Trata- se de uma síndrome na qual o trabalhador perde o sentido da sua relação com o trabalho, de forma que as coisas passam a não mais lhe importar e qualquer esforço lhe parece inútil (dimensão existencial).

4.9.1 Tudo reduzido a pó19

Sou médico, proctologista. Trabalho em hospital público. No momento, estou afastado, em tratamento psiquiátrico.

O fato é que não agüentei mais a pressão do trabalho. Implodi. Não deu mais para metabolizar o clima que se instalou naquele hospital. Na verdade tenho dois empregos. Num deles eu ainda poderia continuar operando, desde que em horário reduzido. Sim, sou cirurgião.

Gosto muito do que faço e posso me considerar muito bom, competente mesmo, como cirurgião. Diferente de muitos outros dos meus colegas, converso com meus pacientes, dou-lhes muita atenção, explico direitinho, falo com a família, porque do meu ponto de vista isto faz parte, essa consideração.

O fato é que a situação de trabalho veio mudando lá no hospital Público. Desde que mudou o governo e houve a indicação de uma nova chefia pelo partido político que assumiu. A nova chefia não se afinou com o corpo médico. Muito pelo contrário. Entrou chutando, baixando ordens

1919 Dr. Penna, 54 anos, Médico. Depoimento realizado em meu consultório. Dr. Penna, sensibilizado

desarrazoadas, determinações que não fazem sentido e só prejudicam o andamento do serviço. Gerou um clima de muito mal estar.

Não é a primeira vez que eu passo por uma crise de chefia. Lembro-me até de uma situação em que, como assistente de um grande cirurgião, estava nos planos que, em breve, ele haveria de partir para um novo posto e eu deveria ser indicado, por ele mesmo, para substituí-lo. Qual não foi minha surpresa, totalmente desagradável, quando no dia da minha designação, foi nomeada para o cargo a que eu aspirava e para o qual havia sido treinado e estava preparado para assumir, uma mocinha nova, médica sem experiência alguma, recém-formada, mas bonitinha e ... o novo caso dele! Foi um choque para mim. Fui simplesmente colocado de lado, preterido sem uma palavra, sem um gesto de consideração da parte dele! Isso não se faz. Eu sei que ele estava deslumbrado, a moça era nova, ele apaixonado, mas... Ela era burrinha, burrinha. Fazia tudo errado. E a ética?! Ficou onde? Mas isso acontece. Acontece muita coisa no meio médico. Já vi e já vivi muito. O que tem agora de diferente? Vou te explicar. Enquanto o mal estar estava instalado somente entre nós médicos e enfermeiros, mas não prejudicava os pacientes, dava para levar. Até que um dia fui chamado pelo diretor, que me disse simplesmente isso:

– Você vai ter que triplicar o número de consultas!.- ordenou – Como assim? - perguntei.

– A quantos pacientes você atende por dia? - indagou. – Uns dez ou doze.

– Passe a atender trinta!

– Não dá! Protestei. Eu... Eles... - fui tentar descrever o que acontece, o diretor me cortou.

– Faça!

E eu comecei a ver aquelas filas enormes se formando nos saguões, gente passando mal, revoltada, descarregando na gente. Gente que havia chegado cedo, pela manhã, e no meio da tarde ainda não havia sido atendida. O que nós, médicos, tínhamos ou temos a ver com isso, se não somos nós que marcamos?! Nós não temos essa capacidade de atendimento “no atacado”! É coisa da cabeça maluca desse diretor! Uma total irresponsabilidade! Fazer vir ao hospital, sabendo que não vai ser possível atender!

Um dia, uma senhora começou a gritar comigo no corredor, deu de dedo na minha cara, me ofendeu, me chamou nem sei mais do que – e isso nem mais vem ao caso - só sei que explodi com ela, também, disse-lhe poucas e boas e com esse episódio fiquei me sentindo pior ainda.

Foi meu limite. Eu sou médico. Não estou para ser insultado, nem para fazer um trabalho escravo, atender de um modo no qual eu não acredito. Veja você. Eu atendo as pessoas de idade. Senhorinhas que tem pudor. Senhorzinhos que não conseguem andar direito, passinhos trôpegos. Têm medo. Estão inseguros. Como é que eu faço? Ergo-os pelos braços, jogo-os de quatro sobre a mesa de exame para o toque, à toque de caixa? Força eu tenho, mas é isso?!

Não! Às vezes, eu preciso de meia hora só para fazê-los se sentir à vontade comigo. O exame é vexatório para eles, preciso conquistar-lhes a confiança... Como atender em cinco minutos cada? Linha de montagem? Eu me senti um nada. Eu me vi destituído de tudo aquilo em que acreditei durante todos esses meus anos de profissão. Meus princípios, minha ética, tudo reduzido a pó.

Comecei a passar mal, tão mal, que você não calcula. Ir para o hospital me deixava em pânico. Meu corpo doía todo. Meu cérebro fervia. Não quero mais ser médico. Errei em tudo. Errei ao escolher esta profissão. Nadei, nadei... Morri na praia. Será que eu consigo me aposentar por invalidez? Faltam menos de três anos. Sim, eu sou concursado.