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7 Etter regulering

A residência se localiza no bairro do Morumbi em São Paulo. Ela foi projetada com o propósito de ser a residência do arquiteto, atual acervo de projetos e documentos do escritório de Hans Broos.

Os materiais construtivos utilizados neste projeto foram concreto armado e vidro. O plano de vidro do átrio não limita o espaço, não tem limites de contorno, é simplesmente um plano justaposto entre os limites do piso e da cobertura.Desta forma, não representa uma barreira e a arquitetura tem a frente todo o jardim a incorporar.72

O partido conceitual do Burle Marx se dá pela integração dos espaços externo e interno criados por Hans Broos. O espaço externo é caracterizado pela presença dos jardins de Roberto Burle Marx. Numa das extremidades do projeto forma-se um átrio entre os pavimentos. O segundo pavimento se desenvolve em torno deste vão de comunicação com o espaço natural. Tem-se assim, total comunicabilidade entre os ambientes dos diferentes pavimentos. Um espaço fluído, que se desenvolve a procura da luz que surge através do átrio.73

“O jardim lateral da casa do arquiteto, que em parte é um terraço jardim sobre o andar posterior, por outra parte é continuação do terreno, não deixa de ser uma incorporação, já que ele é totalmente dominado pelo ato construtivo e serve de prolongamento às salas. Na parte mais baixa encontra-se o escritório, e acima dele, um terraço-jardim em continuidade com o lote. Os jardins próximos à casa surgem escalonados. Todo o terreno tem o sentido de domínio frente ao lugar. Ambos os projetos analisados apresentam movimentos opostos em relação ao espaço e, do mesmo modo, resolvem de maneira oposta a questão entre espaço interno e externo. Mas a

72 DAUFENBACH, Karine. Op. cit., p. 77. 73 Idem, ibidem, p. 77.

Ilustração 235 – Hans Broos: Residência do arquiteto, Hans Broos, São Paulo SP

Ilustração 236 – Hans Broos: Residência do arquiteto, Hans Broos, São Paulo SP

questão que fica é a relação interior e exterior; são duas tentativas de fazer uma maior aproximação. Ambas as arquiteturas definem um espaço; transformam-no. O espaço, aqui, é uma realidade a se construir, de acordo com as necessidades humanas”.74

74 Idem, p.77-79 Planta baixa 1 Escritório 2 Vestíbulo 3 Lavabo 4 Banheiro 5 Dormitório 6 Sala de Jantar 7 Cozinha 8 Lavanderia 9 Despensa 10 Varanda 11 Mezanino

Ilustração 237 – Planta Baixa da residência, Hans Broos

Em 1978, Hans Broos solicitou a Burle Marx um projeto de dois painéis em auto-relevo, em concreto, para ficar em cima da lareira, com algumas exigências técnicas. Broos enviou também croquis referente à parte da entrada da residência, desejando eliminar o estacionamento de carros. O jardim ficaria com a área maior. E consulta o paisagista sobre a possibilidade introduzir um orquidário.

Nas cartas abaixo podemos observar o que Broos desejava o que foi estabelecido como projeto definitivo.

Características das formas do painel75

Os desenhos de Burle Marx para o painel apresentam formas irregulares e abstratas, que se assemelham muito aos propostos pelo paisagista para os canteiros de alguns projetos paisagísticos. Ele mistura linhas rígidas com a suavidade das curvas, buscando uma composição harmônica. Simetria e assimetria estão sempre presentes nas obras de Burle Marx como também as curvas abertas, fechadas, côncavas, convexas e sinuosas.

As fotos abaixo representam os estudos para o painel da residência de Hans Broos.

75 Vide em

O jardim da residência projetado por Burle Marx previa canteiros com formas triangulares, acompanhando a irregularidade do terreno.

Burle Marx selecionou árvores de médio à grande porte e nativas brasileiras, como as quaresmeiras, manacá da Serra.

Para o jardim do entorno da piscina, ele usou formas irregulares, plantando ai espécies vegetais que cria várias coberturas esverdeadas e outras nuances de cores.

Os demais canteiros com formas geométricas mistas harmonizando assim com o todo. As espécies vegetais utilizadas são:

1. Zoysia matrella – Grama coreana* 2. Plumbago capensis – Bela Emilia * 3. Tibouchina rodula – Manacá da Serra* 4. Tibouchina holosericea – Manacá da Serra* 5. Cássia bicapsularis – Cássia *

6. Spartium junceum

7. Tibouchina fothergilloe – Manacá da Serra* 8. Hemerocallis flava – lírio *

9. Hemerocallis fulva – lírio * 10. Hemerocallis North Star – lírio *

11. Hemerocallis Michael Robertson – lírio * 12. Hemerocallis Pink prelude – lírio * 13. Hemerocallis Glory of Texas – lírio *

14. Strelitzia Reginae – Estrilizia * 15. Eragrostis curvula

16. Cortaderia argêntea

17. Lantana camara – cambara * 18. Kniphofia uvária 19. Crinum amabile 20. Selloginella convoluta 21. Aphelandra sinclariana 22. Megaskepasma erythrochiamys 23. Asystasia sinciariana

24. Philodendron bipinnatifidum – babosa-de-pau * 25. Bauhinia blakeana – pata de vaca*

26. Philodendron Mello-barretoanum* Ilustração 247 – Cambara

27. Vellozia plicata 28. Vriesea imperialis 29. Vriesea reginae 30. Pitcairnia corcovadensis 31. Clusia fluminensis 32. Caesalpinia peitophoroides 33. Tecoma chysotriaha 34. Erythrina crista

35. Tibouchina granulosa – Manacá da Serra* 36. Cássia macronthera – Acácia*

37. Tipuana tipu 38. Crescentia cujete

39. Rhododendron indicum – Azaléia rosa* 40. Brunfelsia hapeana

41. Dicksonia sellowiana 42. Liriope muscari*

43. Dracaena marginata – Dracena de Madagascar 44. Sanchezia nobilis

45. Phosomeria magnífica 46. ophiopogon japonicus

47. Bougainvillaea spectabillis – Primavera * 48. Crinum asiaticum

49. Philodendron selloum* 50. Fícus repens

51. Euphorbia splendens 52. Loea coccínea

53. Allamanda cathartica – Alamanda * 54. Beloperone guttata 55. Thunbergia grandiflora 56. Brassaia actinophyla 57. Beloperone spp 58. Impatiens holstii 59. Dracaena fragans

60. Zebrina pendula – lambari * 61. Wedelia paludosa – vedelia * 62. Setcreasea prupura 63. Cordyline terminalis 64. Curculigo capitulata 65. Clusia spp. Ilustração 249 – Azaléia Ilustração 250 – Dracena Ilustração 252 – Vedelia Ilustração 251 – Primavera

Primeiro estudo para o projeto paisagístico

CAPÍTULO V

5. Burle Marx e Miguel Juliano e Silva