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Com toda a import‰ncia e presen•a ass’dua do termo e conceito de rede no lŽxico social, econ™mico, pol’tico e acad•mico na atualidade parece adequado come•ar esta explora•‹o das defini•›es de rede e rede social com a reflex‹o de Norbert Elias, para quem

[os] nossos instrumentos de pensamento n‹o s‹o suficientemente m—veis para apreender adequadamente os fen™menos reticulares, nossas palavras ainda n‹o s‹o flex’veis o bastante para expressar com simplicidade esse simples estado de coisas. Para ter uma vis‹o mais detalhada desse tipo de inter-rela•‹o, podemos pensar no objeto de que deriva o conceito de rede: a rede de tecido. Nessa rede, muitos fios isolados ligam-se uns aos outros. No entanto, nem a totalidade da rede nem a forma assumida por cada um de seus fios podem ser compreendidas em termos de um œnico fio, ou mesmo de todos eles, isoladamente considerados; a rede s— Ž compreens’vel em termos da maneira como eles se ligam, de sua rela•‹o rec’proca. Essa liga•‹o origina um sistema de tens›es para o qual cada fio isolado concorre, cada um de maneira um pouco diferente, conforme seu lugar e fun•‹o na totalidade da rede. A forma do fio individual se modifica quando se

alteram a tens‹o e a estrutura da rede inteira. No entanto essa rede nada Ž alŽm de uma liga•‹o de fios individuais; e, no interior do todo, cada fio continua a constituir uma unidade em si; tem uma posi•‹o e uma forma singulares dentro dele. [A imagem de rede de tecido] Ž apenas uma imagem, r’gida e inadequada como todas as imagens desse tipo, [...] e esse Ž um modelo est‡tico. Talvez ele atenda um pouco melhor a seu objetivo se imaginarmos a rede em constante movimento, como um tecer e destecer ininterrupto das liga•›es (ELIAS, 1994, p.35).

Para Fritjof Capra, Òum dos insights mais importantes para a nova compreens‹o da vida Ž que a rede Ž o padr‹o comum para qualquer tipo de vidaÓ (in DUARTE et al., 2008, p. 20). Na ÔTeia da vidaÕ, indaga retoricamente o leitor dizendo,

h‡ um padr‹o comum de organiza•‹o que pode ser identificado em todos os organismos vivos? Veremos que este Ž realmente o caso. [...] Sua propriedade mais importante Ž a de que Ž um padr‹o de rede. Onde quer que encontremos sistemas vivos Ð organismos, partes de organismos ou comunidades de organismos Ð podemos observar que seus componentes est‹o arranjados ˆ maneira de rede. Sempre que olhamos para a vida, olhamos para redes (CAPRA, 1996, p.77).

Inspirando-se nesta œltima frase de Capra, Martinho diz-nos que Òdo mesmo modo como se pode dizer Ôtudo Ž umÕ, pode-se dizer, sem medo de errar, Ôtudo Ž redeÕÓ, continuando para concluir que Òo curioso Ž que, para vermos redes, basta que desloquemos o olhar das coisas para a liga•‹o entre elasÓ (2001, p.24).

Castells ensina que Òuma rede Ž um conjunto de n—s interconectados, [que] n— Ž o ponto no qual uma curva se entrecorta23, [e que] concretamente, o que um n— Ž depende do tipo de

redes concretas de que falamosÓ. Complementarmente, rede representa tambŽm uma Ònova morfologia social de nossas sociedades e a difus‹o da l—gica de redes modifica de forma substancial a opera•‹o e os resultados dos processos produtivos e de experi•ncia, poder e culturaÓ (1999, p.565/566). Outra forma de entender o conceito advŽm da compreens‹o de que,

tecnicamente, um hipertexto Ž um conjunto de n—s ligados por conex›es. Os n—s podem ser palavras, paginas imagens, gr‡ficos ou partes de gr‡ficos, sequ•ncias sonoras, documentos complexos que podem eles mesmos ser hipertextos. Os itens de informa•‹o n‹o s‹o

ligados linearmente, como em uma corda com n—s, mas cada um deles, ou a maioria, estende suas conex›es em estrela, de modo reticular (LƒVY, 1993, p.33)

Refletindo sobre a Web 2.0, O«Reilly argumenta que Òdo mesmo modo que se formam sinapses no cŽrebro - com as associa•›es fortalecendo-se em fun•‹o da repeti•‹o ou da intensidade - a rede de conex›es cresce organicamente, como resultado da atividade coletiva de todos os usu‡rios da redeÓ (2006, p.9). Concomitantemente, rede Ž com frequ•ncia usada de forma metaf—rica e, segundo Marteleto, vem adquirindo diversas significa•›es como Òsistema de nodos e elos; uma estrutura sem fronteiras; uma comunidade n‹o geogr‡fica, [...] um conjunto de participantes aut™nomos, unindo ideias e recursos em torno de valores e interesses compartilhadosÓ (2001a, p. 72). Importa acrescentar que Òa presen•a de um ponto central, de uma fonte propulsora/geradora, n‹o figura no significado popular de rede. A igualdade e complementaridade entre as partes s‹o os seus aspectos b‡sicos, refor•ados pela regularidade entre as malhasÓ (LOIOLA e MOURA. 1997, p.54), que corrobora a ideia de que Òa rede, que Ž uma estrutura n‹o-linear, descentralizada, flex’vel, din‰mica, sem limites d e f i n i d o s e a u t o o rg a n i z ‡ v e l , e s t a b e l e c e - s e p o r r e l a • › e s h o r i z o n t a i s d e coopera•‹oÓ (TOMAƒL et al., 2005, p.94).

ÒGenericamente, pode-se definir uma rede como um conjunto de elementos que mant•m conex›es uns com os outros [e], na literatura matem‡tica, as redes s‹o conhecidas como grafos, seus elementos como vŽrtices e suas conex›es como arestasÓ (BRANDÌO et al., 2007). O f’sico Mark Newman, refer•ncia na ci•ncia de redes, diz que Òuma rede Ž um conjunto de itens, aos quais chamaremos de vŽrtices ou n—s, com conex›es entre eles, chamadas arestasÓ (2003, p.168 - tradu•‹o livre do autor) e Òna defini•‹o de uma rede, o primeiro passo Ž determinar os vŽrtices e a propriedade que determina se existe alguma conex‹o ou aresta entre algum par desses vŽrticesÓ (ALMENDRAL et al., 2003, p.1 - tradu•‹o livre do autor). Efetivamente, Òpara os f’sicos (matem‡ticos), uma rede Ž um conjunto de itens, que chamamos de vŽrtices (n—s), com liga•›es entre eles, chamados de conex›es (arestas)Ó (DE CASTRO, 2007, p.45). Nessa linha,

aqui est‡ uma defini•‹o de gr‡fico em toda a sua gl—ria de abstra•‹o: um grafo Ž um par de conjuntos, V e E, onde cada elemento de E Ž um conjunto de dois membros, cujos membros s‹o elementos de V. Por

exemplo, isto Ž um grafo : V = {a, b, c} E, = {{a, b}, {a, c}} (HAYES, 2000a, p.9 - tradu•‹o livre do autor).

Aparte a formaliza•‹o matem‡tica, Ž consensual na literatura o conceito de que

uma rede Ž composta por tr•s elementos b‡sicos: n—s ou atores, v’nculos ou rela•›es e fluxos, [e que] entende-se por rede um grupo de indiv’duos que, de forma agrupada ou individual, se relacionam uns com os outros, com um fim espec’fico, caracterizando-se pela exist•ncia de fluxos de informa•‹o (VELçZQUEZ çLVAREZ e AGUILAR GALLEGOS, 2005, p. 2).

Assim, tambŽm para os soci—logos, Òuma rede social Ž um conjunto de atores (ou pontos, ou n—s, ou agentes) que podem ter rela•›es (ou arestas, ou la•os) entre si. As redes podem ter muitos ou poucos atores, e um ou mais tipos de rela•›es entre pares de atoresÓ (HANNEMAN, 2001, p.18 - tradu•‹o livre do autor). Sobre redes sociais, Martins declara que essa no•‹o vem ganhando visibilidade te—rica na academia mas que, no entanto, ela ainda est‡ envolta e impregnada de uma serie de ambiguidades. O autor destaca as ambiguidades que resultam da Òindecis‹o sobre a natureza sociol—gica da rede socialÓ como sendo das mais importantes e, nas suas palavras,

podemos formular tais ambiguidades pelas quest›es seguintes: trata-se a rede social de um sistema de a•‹o social produzido por uma articula•‹o racional e desejada entre os atores sociais individuais envolvidos com um fen™meno social em foco ou, diferentemente, a rede social tem a ver com um sistema complexo supra-individual, diferente dos indiv’duos que dela fazem parte, impondo-se sobre as vontades individuais? (2008, p.12).

Efetivamente, esta polariza•‹o entre as abordagens individualista e holista na reflex‹o e discuss‹o sobre redes sociais n‹o Ž nova e Òela reflete as dificuldades do pensamento sociol—gico para se desembara•ar de uma compreens‹o te—rica simplista e dual da realidade social, a qual reflete o fetiche dos objetos sociais, em particular as institui•›es sociais, face ao homem que as criouÓ (MARTINS, 2008, p.12), sendo que Òa an‡lise de redes enquanto uma ampla perspectiva sobre a estrutura social pode ser claramente distinguida do individualismo radical da teoria da escolha racionalÓ (EMIRBAYER e GOODWIN, 1994, p.1416 - tradu•‹o livre do autor). Nesta disserta•‹o, argumenta-se em favor da segunda possibilidade avan•ada por Martins, isto Ž, de que, na sua ess•ncia, a rede social tem a ver com um sistema complexo

supra individual, diferente dos indiv’duos que dela fazem parte e que se imp›e sobre as vontades individuais.

Admite-se, portanto, que as intera•›es sociais estabelecidas pelos indiv’duos s‹o os processos estruturadores das redes sociais e que, como explica o soci—logo Breno Fontes, a estrutura da sociabilidade inerente em cada ator de uma intera•‹o social surge a partir de Òcertos impulsos e em fun•‹o de certos prop—sitos e Ž organizada em campos sociais, elementos de identidade de uma geografia social que permite, por exemplo, a localiza•‹o dos indiv’duos em uma estrutura social e as potencialidades interativas entre elesÓ. Assim, e de acordo com este pesquisador, Òa express‹o rede social Ž utilizada pelas ci•ncias sociais como instrumento de an‡lise que permite a reconstru•‹o dos processos interativos dos indiv’duos e suas afilia•›es a grupos, a partir das conex›es interpessoais constru’das cotidianamenteÓ (2011, p.124). ƒ indubit‡vel, portanto, que as redes sociais s‹o sempre fen™menos coletivos assentes em din‰micas e processos interativos entre indiv’duos e grupos que, em fun•‹o de impulsos e prop—sitos, possibilitam diversos tipos de relacionamento, como sejam de trabalho, de colabora•‹o cient’fica, de amizade, entre outras, ainda que essas rela•›es possam passar despercebidas ao observador incauto.

Redes, durante quase todo o tempo, s‹o estruturas invis’veis, informais, t‡citas. Elas perpassam os momentos da vida social, mas praticamente n‹o se d‹o a ver - s‹o o conjunto de Ôconex›es ocultasÕ, como diria Capra; ou a Ôestrutura submersaÕ, nas palavras de Alberto Melucci. A no•‹o de horizonte refere-se a essa incapacidade de se saber a extens‹o da rede para alŽm de um certo ponto. Na pr‡tica social, cada uma das pessoas possui muitos c’rculos de relacionamento, mas n‹o sabe quantos eles s‹o ou como identific‡-los. Na verdade, as pessoas, de modo geral, s— v•em a rede quando precisam dela (COSTA et al., 2003, p.39).

Objetivando uma proposta pragm‡tica e instrumental do ponto de vista de pesquisa emp’rica, o pesquisador de redes sociais Steve Borgatti definiu, durante uma conferencia em 2003, rede social como um conjunto de la•os di‡dicos, todos do mesmo tipo, entre uma sŽrie de atores, sendo que esses atores podem ser indiv’duos, organiza•›es, etc. e um la•o Ž um epis—dio de relacionamento social. Nessa mesma linha de argumenta•‹o, Wasserman e Faust (1994, p.4 - tradu•‹o livre do autor) explicam que Òos atores e a suas a•›es s‹o vistos como interdependentes ao invŽs de unidades independentes e aut™nomas e os la•os relacionais, as

liga•›es entre os atores s‹o canais para a transfer•ncia ou fluxo de recursos, sejam eles materiais ou imateriaisÓ. Na vis‹o de um dos pioneiros do estudo e ARS, o soci—logo e antrop—logo brit‰nico James Clyde Mitchell (1918Ð1995), uma redes social Ž Òum conjunto espec’fico de v’nculos entre um conjunto definido de pessoas, com a propriedade adicional de que as caracter’sticas dessas rela•›es como um todo podem ser usadas para interpretar o comportamento social das pessoas envolvidas" (MITCHELL apud TICHY et al., 1979, p.507 - tradu•‹o livre do autor). TomaŽl e Marteleto consideram que Òuma rede Ž uma representa•‹o formal de atores e suas rela•›esÓ e que uma rede social se refere a um conjunto de pessoas, organiza•›es ou outras entidades sociais Òconectadas por relacionamentos sociais, motivados pela amizade e por rela•›es de trabalho ou compartilhamento de informa•›es e, por meio dessas liga•›es, v‹o constituindo e reconstruindo a estrutura socialÓ (2006, p.75), podendo acrescentar-se que Ònas redes sociais, h‡ valoriza•‹o dos elos informais e das rela•›es, em detrimento das estruturas hier‡rquicasÓ (MARTELETO, 2001a, p. 72). De forma an‡loga, Silva e Ferreira (2007) consideram que Òrede social Ž um conjunto de pessoas (ou empresas ou qualquer outra entidade socialmente criada) interligadas por um conjunto de rela•›es sociais tais como amizade, rela•›es de trabalho, trocas comerciais ou de informa•›esÓ.

ƒ importante salvaguardar que os atores podem n‹o ser Òapenas pessoas ou organiza•›es, podendo constituir-se, tambŽm, como eventos (redes de modo-duplo), ou como outras entidades que tenham la•os entre si (e.g. documentos e sistemas)Ó implicando um conceito alargado que inclui Òpessoas, documentos, sistemas e seus agrupamentosÓ e que se consubstanciam em Òredes sociais de informa•‹oÓ (MATHEUS, 2005, p.27/61) Neste trabalho, Matheus define a ARSI, isto Ž, a An‡lise de Redes Sociais de Informa•‹o. No entanto, a g•nese do conceito de redes sociais emana da ideia de indiv’duos em sociedade, ligados por la•os sociais que podem ser refor•ados ou entrar em conflito entre si, sendo de salientar o fato de que Óexiste uma diversidade de defini•›es, que, no entanto parecem conter um nœcleo semelhante relacionado ˆ imagem de fios, malhas, teias que formam um tecido comum. O termo rede sugere ainda fluxo, movimentoÓ (ACIOLI, 2007). Sobre esse fluxo e movimento, Hanneman recorda que

a teoria de sistemas sugere dois poss’veis dom’nios: o material e o informacional. As coisas materiais s‹o ÔconservadasÕ no sentido em que, em cada momento, s— podem estar localizadas num œnico n— da rede. A movimenta•‹o de pessoas entre as organiza•›es, de dinheiro

entre pessoas, de autom—veis entre cidades e assim por diante s‹o todos exemplos de coisas materiais que se movem entre n—s, estabelecendo, portanto, uma rede de rela•›es materiais. Coisas informacionais, para um te—rico de sistemas, s‹o Ôn‹o-conservadasÕ no sentido em que elas podem estar em mais de um lugar ao mesmo tempo. Se eu sei alguma coisa e partilho isso com voc•, n—s os dois passamos a saber. Em certo sentido, tambŽm se pode dizer que o bem comum que Ž compartilhado pela troca de informa•›es estabelece um la•o entre dois n—s que o partilham (2001, p.10 - tradu•‹o livre do autor).

Em linha com as defini•›es apresentadas, Queila Souza e Carlos Quandt afirmam que Òredes sociais s‹o estruturas din‰micas e complexas formadas por pessoas com valores e/ou objetivos em comum, interligadas de forma horizontal e predominantemente descentralizadaÓ. (DUARTE et al., 2008, p.34). Complementarmente, a topologia e din‰mica atravŽs das quais se operam essas rela•›es s‹o da maior import‰ncia sendo que, Òpor exemplo, a topologia de redes sociais afeta a difus‹o da informa•‹o e da doen•a, e a topologia de redes de energia afeta a solidez e a estabilidade das transmiss›esÓ (STROGATZ, 2001, p.268 - tradu•‹o livre do autor) e, num contexto de intera•›es humanas, diversos autores defendem Òa ideia segundo a qual a conduta individual depende em larga escala das redes sociais nas quais os indiv’duos se engajam diariamenteÓ (MEIRA e MEIRA, s.d., p.1). Para mais, ao estarem presentes em toda a vida social, as redes est‹o naturalmente presentes nas diversas institui•›es atravŽs das quais se articula essa vida social, sendo que Òas redes sociais em organiza•›es podem ser entendidas como os padr›es formados pelas rela•›es formais e informais entre os membros da organiza•‹o, incluindo rela•›es instrumentais ou de trabalho, bem como rela•›es expressivasÓ (SAINT-CHARLES e MONGEAU, 2009, p. 33 - tradu•‹o livre do autor). ÒAs redes, dentro do ambiente organizacional, funcionam como espa•os para o compartilhamento de informa•‹o e do conhecimentoÓ (TOMAƒL et al., 2005, p.94) e, em particular, Òo mapeamento de rede sociais intraorganizacionais permite, entre outras analises, a visualiza•‹o e identifica•‹o de grupos de trabalho, divis›es internas, contatos prim‡rios externos e atores centrais nos fluxos de informa•‹oÓ (DUARTE et al., 2008, p. 15). Sob a Žgide da sua teoria de sistemas sociais referida anteriormente, Luhmann considera que

redes sociais, ent‹o, n‹o s‹o redes de rela•›es qu’micas, mas redes de comunica•›es. Assim como redes biol—gicas, elas s‹o autogenerativas, mas o que geram Ž imaterial. Cada comunica•‹o cria pensamentos e significados, os quais d‹o origem a outras comunica•›es, e assim toda

a rede se regenera (LUHMANN apud CAPRA, in DUARTE et al., 2008, p.23).

Conclui-se esta se•‹o de explora•‹o das defini•›es de rede e de rede social com a vis‹o, alargada e historicamente contextualizada, de Castells sobre o que s‹o e como se manifestam as redes sociais:

As redes sociais sempre foram uma forma b‡sica de organiza•‹o humana ao longo da historia, tanto na alta sociedade Ð nas elites, que sempre se organizaram em rede Ð como, sobretudo, entre as pessoas, fam’lias, entre as redes de intera•‹o. O que ocorre Ž que grande parte das redes sociais foram formalizadas em institui•›es e organiza•›es da sociedade, reproduzindo as rela•›es de poder que se geram dentro e entre as redes. Portanto, no fundo, as redes sociais s‹o a matriz da organiza•‹o social humana, inclusive nas comunidades locais. [...] As redes s‹o formas flex’veis e adapt‡veis, formas evolutivas de desenvolvimento org‰nico de a•‹o social humana. O que ocorre Ž que ao longo da hist—ria as redes sociais estiveram, durante muito tempo, nas m‹os de formas dominantes de organiza•‹o social. N‹o eram capazes de administrar os problemas da complexidade da organiza•‹o humana, no momento em que aumentavam a dimens‹o e o volume dessas rela•›es. E, portanto, todos os projetos que requeriam uma execu•‹o centralizada, no sentido de disponibilizar recursos a servi•o de um objetivo, foram dominados por hierarquias verticais Ð estados, exŽrcitos, igrejas. Dessa forma, as redes foram, ent‹o, reduzindo-se ao espa•o do cotidiano, ao espa•o da sobreviv•ncia e viv•ncia pessoal (CASTELLS, 2010, p.90).

Para efeitos desta disserta•‹o de mestrado, define-se Rede Social como uma estrutura social composta por indiv’duos, organiza•›es, associa•›es, empresas, sistemas de informa•‹o ou outras entidades sociais que est‹o conectadas por um ou v‡rios tipos de rela•›es que podem ser de amizade, familiares, comerciais, sexuais, etc. Nessas rela•›es os atores sociais desencadeiam os movimentos e fluxos sociais atravŽs dos quais partilham cren•as, informa•‹o, poder, conhecimento, prest’gio, etc.

Define-se ainda Rede Social de Informa•‹o (RSI) como uma rede social, ou seja, um conjunto de pessoas, com algum padr‹o de contatos ou intera•›es, entre as quais se estabelecem diversos tipos de rela•›es por meio das quais circulam diversos fluxos de informa•‹o, como definida anteriormente (se•‹o 4.7., ÔInforma•‹o, cultura e sociedade - Informa•‹o em redes sociaisÕ).