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CHAPTER 4 METHODOLOGY

4.10 Ethical Consideration

Entende-se porsistema complexo qualquer sistema constitu’do por elementos ou agentes, n‹o necessariamente em grande nœmero, que interagem entre si, formando uma ou mais estruturas que se originam das intera•›es entre tais agentes. De outra forma, um sistema complexo Ž qualquer sistema constitu’do por um Òconjunto de objetos que interagem entre si, competindo por algum tipo de recurso escasso, com a capacidade de se auto organizarem de tal forma que o fen™meno aparece por si s—, como que por magiaÓ (JOHNSON, 2009, p.4/5 - tradu•‹o livre do autor). Os sistemas complexos caracterizam-se por serem din‰micos, adaptativos, n‹o- lineares, ca—ticos, imprevis’veis, sens’veis ˆs condi•›es iniciais, abertos, sens’veis ao

feedback, auto organiz‡veis e emergentes, manifestando-se como redes din‰micas de

intera•›es e rela•›es e n‹o agrega•›es de entidades est‡ticas (KIRSHBAUM, 1998; PALAZZO, 2004; JOHNSON, 2009, p.13).

Os mesmos autores explicam que um sistema Ž din‰mico quando se verificam constantes a•›es e rea•›es dos agentes que o constituem e que a capacidade de adaptar o seu comportamento a poss’veis mudan•as de eventos ambientais, confere ao sistema um car‡ter adaptativo. O controle de um sistema complexo din‰mico adaptativo tende a ser disperso, ou seja, n‹o centralizado e a coer•ncia do seu comportamento Ž possibilitada pela competi•‹o ou coopera•‹o (ou negocia•‹o) entre os agentes que comp›em o sistema. Outra caracter’stica de um sistema complexo din‰mico adaptativo Ž sua n‹o-linearidade, na medida em que n‹o h‡ rela•›es de causa e efeito diretas dos eventos que constituem os processos de evolu•‹o do sistema (KIRSHBAUM, 1998; PALAZZO, 2004; JOHNSON, 2009, p.13-15).

Os sistemas ditos ca—ticos t•m como uma das principais caracter’sticas a incapacidade de se preverem os est‡gios futuros do sistema e essa imprevisibilidade est‡ relacionada com o fato do sistema ser altamente sens’vel ˆs condi•›es iniciais, ou seja, uma pequena mudan•a nas condi•›es iniciais do sistema pode ocasionar grandes implica•›es em seu comportamento futuro, sendo este fen™meno conhecido como o efeito borboleta como descrito por Edward Lorenz (LORENZ, 1963; CAPRA,1996, p.117; THUAN, 1999, p.135). Outra caracter’stica Ž a auto-organiza•‹o, e segundo Palazzo Òa organiza•‹o surge, espontaneamente, a partir da desordem e n‹o parece ser dirigida por leis f’sicas conhecidas. De alguma forma, a ordem surge das mœltiplas intera•›es entre as unidades componentesÓ (PALAZZO, 2004).

Quando agentes em um sistema trabalham individualmente, ou seja, com pouca ou nenhuma intera•‹o, o produto de sua atividade Ž, simplesmente, o cumprimento das tarefas a eles designadas. No entanto, quando os agentes de qualquer sistema trabalham interagindo, em rede, algo de novo e diferente pode resultar. A esse algo que Ž mais do que a soma dos resultados individuais chama-se emerg•ncia e consubstancia-se na exist•ncia de um padr‹o coerente que decorre das intera•›es entre os agentes do sistema em causa (CAPRA,1996, p. 78; ODELL, 1998; JOHNSON, 2009).

Sistemas complexos adaptativos s‹o casos particulares dos sistemas complexos. Estes, para alŽm de serem complexos na acep•‹o descrita acima, s‹o tambŽm adaptativos ou adapt‡veis na medida em que os seus comportamentos, individual e coletivo, mudam como resultado da experi•ncia e aprendizado. Tr•s conceitos fortes constituem a ess•ncia dos sistemas complexos adaptativos: autopoiese, emerg•ncia e redes (CAPRA,1996; PALAZZO, 2004; JOHNSON, 2009). Relativamente ˆ complexidade inerente ˆs redes, merecem relevo quatro fen™menos que lhes s‹o pr—prios e importantes para sua an‡lise: os mundos pequenos declarados em primeira inst‰ncia por Milgram (1967), a import‰ncia dos la•os fracos descoberta por Granovetter (1973 e 1983), a n‹o aleatoriedade das redes inferida por Watts e Strogatz (1998) e a caracteriza•‹o feita por Barab‡si (2002) das redes complexas, com crescimento e liga•‹o preferencial entre os seus n—s. Estes fen™menos caracter’sticos da complexidade das redes (entre outros) ser‹o abordados na se•‹o 5.2. ÔUma historia da ci•ncia de redesÕ.

Publicado inicialmente em 2007 com o t’tulo ÔTwo«s Company, Three is ComplexityÕ, o guia para a complexidade do importante autor e investigador da complexidade Neil Johnson (1961-), ganhou o seu atual t’tulo, ÔSimple ComplexityÕ, em 2009. Nessa obra o autor relaciona as caracter’sticas de um sistema complexo e explica que um sistema complexo Ž composto por objetos ou agentes que interagem entre si, cujo comportamento Ž afetado por mem—ria ou feedback; esses agentes podem adaptar as suas estratŽgias de acordo com a sua historia; o sistema Ž tipicamente aberto, demonstra uma mistura complicada de comportamentos ordenados e desordenados e parece estar vivo, exibindo fen™menos emergentes que s‹o geralmente surpreendentes e podem ser extremos. Esses fen™menos emergentes tipicamente acontecem na aus•ncia de qualquer tipo de m‹o invis’vel ou administrador central e s‹o muitas vezes surpreendentes, no sentido em que estes n‹o

poderiam ter sido previstos com base no conhecimento das propriedades dos objetos individuais. Uma das principais caracter’sticas dos sistemas complexos Ž a continuada intera•‹o entre os seus agentes constituintes, e

no sentido em que os agentes est‹o ligados atravŽs das suas intera•›es, os mesmos tambŽm podem ser pensados enquanto elementos que formam uma rede. Por esta raz‹o, as redes tornaram-se uma parte integral da Ci•ncia da Complexidade e, de fato para muitos cientistas na comunidade, o estudo da complexidade Ž sin™nimo do estudo de agentes ou objetos que interagem em rede (JOHNSON, 2009, p.13 - tradu•‹o livre do autor).

Porque, em grande medida, todos os desafios de conhecimento com que nos deparamos podem, de alguma forma, ser descritos como sistemas adaptativos complexos, a ci•ncia contempor‰nea, mais do que ter o foco nas situa•›es est‡veis, as perman•ncias, os equil’brios, busca estudar e compreender as evolu•›es, as crises, as instabilidades e essas intera•›es dos agentes. Nesse sentido, a ci•ncia tem tentado compreender a complexidade, contrapondo-se ao objetivo cient’fico cl‡ssico de entender a simplicidade fundamental das leis da natureza.

Foi dito que um sistema complexo Ž um conjunto de objetos interagindo de uma forma potencialmente complicada na presen•a de algum tipo de feedback. Johnsson (2009) exp›e argumentos no sentido de que os sistemas humanos, constitu’dos por um conjunto de decisores que est‹o lutando por algum recurso limitado, tal como o tr‰nsito, o mercado financeiro ou as guerras s‹o excelentes exemplos de sistemas complexos. Os seres humanos s‹o agentes complicados no que diz respeito aos seus gostos, pensamentos, cren•as e a•›es. Do ponto de vista do conjunto, isto Ž, do sistema complexo que um determinado grupo de seres humanos possa formar, as complica•›es e idiossincrasias de cada indiv’duo podem n‹o ser t‹o importantes. De fato, diversos estudos e escritos no ‰mbito da ci•ncia da complexidade v•m notando que 1) apesar de haver muitas diferen•as entre todos os nossos tipos de personalidades, essas diferen•as podem, de alguma forma, anular-se quando nos encontramos num grupo suficientemente grande e 2) um grupo de pessoas escolhido aleatoriamente tende a apresentar caracter’sticas semelhantes a qualquer outro grupo de pessoas escolhido tambŽm aleatoriamente. Assim, o grupo como um todo comporta-se de tal forma que as diferen•as individuais n‹o s‹o t‹o relevantes (HOWE, 2009; JOHNSON, 2009; SHIRKY, 2010). Johnson resume este ponto de um modo feliz quando diz que

[...] a forma em que grupos de seres humanos tendem a ÔfazerÕ mercados financeiros, tr‰nsito, guerras ou conflito pode ser extraordinariamente semelhante, apesar das suas diferen•as em termos de localiza•‹o geogr‡fica, experi•ncia e conhecimento, l’ngua e cultura. Esta Ž uma das raz›es pelas quais os padr›es que emergem de tais sistemas complexos podem ser t‹o semelhantes Ð ou em termos tŽcnicos, os fen™menos emergentes t•m algumas propriedades universais. (JOHNSON, 2009, p. 69 Ð tradu•‹o livre do autor).

Em resumo, Ž poss’vel afirmar que um grupo de humanos competindo por algum recurso limitado Ž um excelente exemplo de um sistema complexo, sendo as guerras, os mercados e o tr‰nsito apenas alguns exemplos desses sistemas complexos. E sob esta perspectiva, Ž poss’vel argumentar que, no que diz respeito aos Ôsistemas sociais complexosÕ, parte do seu funcionamento e topologia s‹o fun•‹o da Ônatureza humanaÕ ou da Ôecologia humanaÕ. Quando deixados ˆ pr—pria sorte, aut™nomos, empossados das suas liberdades individuais e sem Ôm‹o invis’velÕ ou controlador central, os grupos humanos interagem de tal forma que produzem mercados, congestionamento e guerras com caracter’sticas semelhantes em diferentes pontos do globo e com contextos sociais e culturais diferentes.

Este segundo cap’tulo, Ô2. Contexto da ci•ncia na atualidadeÕ, procurou concretizar os dois primeiros objetivos propostos para este trabalho que, pela ordem apresentada inicialmente, s‹o 1) Ôtra•ar um perfil hist—rico da evolu•‹o epistemol—gica e entender o contexto da ci•ncia na atualidadeÕ e 2) Ôpontuar a inter-rela•‹o entre a ci•ncia da complexidade e os objetos de estudo deste trabalho, informa•‹o por um lado e redes sociais por outroÕ. Partindo dos Ôsistemas sociais complexosÕ, o pr—ximo cap’tulo, procura dar resposta ao terceiro objetivo deste estudo, isto Ž, 3) Ôapresentar argumentos em favor de que a sociedade contempor‰nea, reflexo da qual e no bojo da qual vivem e se desenvolvem as organiza•›es contempor‰neas, Ž complexa, em rede e do conhecimentoÕ.

C

APêTULO

3.S

OCIEDADE

:

COMPLEXA

,

EM REDE E DO CONHECIMENTO