Kapittel 6 Hovedfunn og diskusjon
6.3 Etablering og endring av retningslinjen
Com o avanço das técnicas de análise de dados, tornou-se possível verificar estruturas latentes, deste modo, surge uma das mais conhecidas teorias, formulada por Raymond Cattel, pautada na análise fatorial. Tal análise permite que se identifiquem estruturas subjacentes às variáveis observadas, deste modo, Cattel foi um dos mais influentes cientistas a aplicar procedimentos empíricos visando à construção de uma taxonomia da personalidade (Goldberg, 1990; Hall, Lindzey, & Campbell, 2000).
Para Cattel (1950), a personalidade é o construto que permite a previsão do que uma pessoa fará em determinada situação, logo, este autor objetivava predizer o que uma pessoa faria ou como iria se comportar em resposta a uma dada situação de estímulo. Não obstante, somente a partir do conhecimento de algumas dimensões ou traços é possível prever um comportamento (Schultz & Schultz, 2011).
Deste modo, a exemplo de Allport, o conceito de traço também é central nas pesquisas de Cattel. Para este autor, traço é entendido como uma estrutura mental básica da personalidade, uma inferência feita a partir do comportamento observado para explicar a regularidade ou consistência nesse comportamento. De maneira mais sucinta,
os traços são atributos ou qualidades que foram abstraídos do comportamento (Wiggins, Renner, Clore, & Rose, 1971). Segundo Cattel, os traços podem ser divididos em superficiais e fundamentais, os primeiros referem-se à representação de agrupamentos de variáveis manifestas que parecem ocorrer juntas, ao passo que o segundo tipo representa variáveis subjacentes que entram na determinação de múltiplas manifestações de superfície (Hall et al., 2000).
Para chegar aos traços fundamentais, Cattel se utiliza de dados oriundos de grandes amostras, coletados de diversas maneiras (Engler, 1991; Pervin, 1978). Portanto, a teoria da personalidade de Cattel surge a partir de uma abordagem rigorosamente científica, sendo comum que um mesmo sujeito fosse submetido a mais de 50 tipos de mensuração e, para realizá-las, Cattel se utilizava de três técnicas básicas que ele denominou como dados L (registros de vida), dados Q (dados de questionários) e dados T (testes; Schultz & Schultz, 2011).
Os dados L envolviam a classificação, por parte do pesquisador, de comportamentos específicos do dia-a-dia, como, por exemplo, faltas ao trabalho e notas escolares. Tais dados possuem a vantagem de serem manifestos em ambiente natural. Os dados Q, por sua vez, se baseiam em questionários, onde os próprios testandos se classificam. Contudo, Cattel alerta para as limitações deste procedimento, pois as pessoas poderiam falsear suas respostas para esconder traços indesejados, ou mesmo terem autoconsciência superficial, algo que os impede de informarem com precisão seus traços de personalidade. Por fim, os dados T envolvem o uso de testes objetivos, onde as pessoas respondem sem saber que aspecto está sendo avaliado (Hall et al., 2000; Schultz & Schultz, 2011).
Tendo em conta os dados L, Q e T, Cattel pensa ser possível verificar as estruturas da personalidade. Nesta direção, visando alcançar mais informações sobre os
dados L, se iniciou a procura para obter informações sobre todos os aspectos do comportamento humano que fossem de interesse do homem (Pervin, 1978). Sendo a estratégia básica para tal busca verificar palavras que descrevem a personalidade.
Baseado nos 4.500 termos que englobam o grupo de traços estáveis de personalidade do estudo de Allport e Odbert (1936), Cattel iniciou suas pesquisas sobre a temática, reduzindo o número a 171, agrupando sinônimos e excluindo termos raros e metafóricos. Intercorrelacionando as palavras restantes e por meio de procedimentos empíricos, chega ao número de 35 traços, acrescentando outras palavras baseado na literatura chegando ao número de 46, os denominando de traços superficiais (Hall et al., 2000).
Os traços superficiais são facilmente identificados nos comportamentos das pessoas, não obstante, posteriormente, Cattel submeteu estes dados a uma análise fatorial, identificando a presença de 15 componentes. Tendo em conta tais fatores, Cattel elaborou perguntas destinadas a avaliar a personalidade, considerando a resposta dos sujeitos a esse conjunto de itens, a partir de uma análise fatorial com rotação oblíqua, identificou 12 fatores da personalidade que eventualmente formou parte dos 16 fatores. Esses 16 traços são mensurados pelo teste de personalidade mais conhecido de Cattel, o Sixteen Personality Factor Test (16 PF; Hall et al., 2000).
Tais variáveis usadas por Cattel foram replicadas em diversos estudos. Em uma destas replicações Donald Fiske (1949), utilizando 22 das variáveis desenvolvidas por Cattel, encontrou cinco fatores. Em outra replicação, desta vez levada a cabo por Tupes e Christal (1958), que utilizaram 30 dos itens de Cattel, também chegou a uma estrutura pentafatorial (Digman, 1990; Goldberg, 1993). Uma possível explicação para diferença de fatores extraídos no estudo original e nas replicações pode ser atribuído ao método de
rotação empregado, sendo que no estudo inicial realizou-se uma rotação obliqua, ao passo que nas replicações, utilizou-se um método ortogonal (Norman, 1963).
A estrutura pentafatorial foi replicada por Norman (1963), que criou um conjunto de 20 escalas selecionando os quatro melhores itens de cada, baseado no estudo de Tupes e Christal (1958). Inicialmente, os nomeou da seguinte maneira: extroversão, socialização, conscienciosidade, neuroticismo e cultura, posteriormente renomeada como abertura à mudança. Tal modelo recebeu a denominação de Norman’s Five (Goldberg, 1990, 1995).
Críticas ao estudo de Norman (1963) o levaram a refazer os passos de Allport e Odbert (1936), examinando a terceira versão do dicionário analisado por eles. Norman (1967) extraiu 2.797 traços estáveis, posteriormente reduzidos para 1.600. Considerando a polaridade das escalas, dividiu esses termos em dez classes amplas. Em seguida, reduziu para 75 palavras, dividindo os termos em cada uma das dez classes. Portanto, percebe-se que Norman utilizou, em essência, os cinco grandes fatores (Hall et al., 2000).
Apesar de Norman (1967) ter refeito os passos de Allport e Odbert (1936), percebe-se que a estrutura de cinco fatores já havia sido observada tendo em conta as 35 variáveis selecionadas por Raymond Cattel, deste modo, evidencia-se o papel central deste autor no desenvolvimento dos Big Five, mesmo que este criticasse tal modelo, permanecendo com seus 16 fatores (Hall et al., 2000; Goldberg, 1995).