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5.4 R IS OG ROS

5.4.4 Andre innspill om ros

As consequências do desenvolvimento desgovernado do conhecimento científico, assim como o estabelecimento do paradigma da especialização liderado pela modernidade, implicaram em diversas interferências na educação. Uma delas, segundo Silva (2010), foi a tentativa de transformar o professor em um grande especialista, isolando-se em sua disciplina e limitando-se na transmissão de conhecimentos de forma isolada e fragmentada.

Corroborando com Silva, Santomé (1998) confirma que dentro deste contexto, os conteúdos configuram-se em um processo isolado uns dos outros, sem qualquer interação entre si e sem o mínimo de consciência de professores e alunos sobre suas ações.

Nesta perspectiva, a educação na modernidade foi entendida como um campo fragmentado, em que os conteúdos trabalhados na escola, eram desenvolvidos sem nenhuma relação com a realidade dos alunos, tratando os educandos como indivíduos uniformes e não

No

me

1º ASPECTO: CONCEPÇÃO DE FRAGMENTAÇÃO Conhecimento

específico Processo isolado para o todo Necessário Ruim Barreira

P1 X P2 X P3 X P4 X P5 X P6 X P7 X P8 X P9 X P10 X 3ª CATEGORIA

como pessoas com suas diferenças e sensibilidades. Com isto, princípios ontológicos como os de homogeneidade e seriação, eram cada vez mais explorados (NAJMANOVICH, 2001).

Partindo desta realidade e na tentativa de compreender melhor a visão que cada informante tem de seus colegas relacionada à prática docente, foi feito a seguinte pergunta: na sua percepção, seus colegas trabalham suas disciplinas isoladamente?

A pesquisa constatou que 100% dos participantes informaram que sim, que as disciplinas são trabalhadas isoladamente. Segundo eles, seus colegas trabalham isoladamente por várias razões, como: individualismo (P2, P6, P8 e P10); dificuldade de interação (P5 e P9); disciplinas específicas (P1); falta de maturidade (P3); cartesianismo (P4) e ensino fragmentado (P7).

Vejamos agora na figura 26, parte das falas dos professores que associaram o trabalho de seus colegas à subcategoria “individualismo”.

Figura 26: Representação do aspecto- isolamento das disciplinas de quatro professores/terceira categoria. Fonte: Pesquisa de campo.

O individualismo foi o fator em comum encontrado neste grupo de professores. P8 explica que seus colegas trabalham de forma isolada entre si, sendo comum usarem expressões como: “[...] ah mais a minha disciplina então eu faço assim”. Explica ainda que quando realiza seus eventos, tenta envolver outras disciplinas, porém, encontra muita

“Digamos que 30% deles trabalham, pois se vê ainda um pouco de: „eu cuido da minha disciplina, e quero concluir a minha grade e ponto final‟. Mas, a gente sabe que é difícil relacionar as matérias, é um processo que exige dinâmica para se trabalhar isso, porque essa

interdisciplinaridade não é fácil e que se precisa trabalhar constantemente isso dentro do ensino pedagógico, para abarcar essas disciplinas com um único objetivo”. (P2)

ISOLAMENTO DAS DISCIPLINAS

“É óbvio. Infelizmente não há uma maior integração entre as disciplinas dos colegas, [...] eu conheço o processo educacional de algumas instituições públicas e privadas e as disciplinas são impulsionadas de maneira isolada como se fosse realmente uma ilha, [...]. (P10).

“Sim, pois quando a gente se propõe quando trocamos idéias entre colegas, não sei se é receio, ou medo de partilhar, se é desinteresse dos professores mesmo, e a minha briga hoje é para fazer com que as pessoas se conheçam. [...] existem ainda alguns professores que se acham detentores do conhecimento [...]. (P6).

“Trabalham, [...] geralmente eles pensam: “ah mais a minha disciplina então eu faço assim”. Eu quando faço os meus eventos tenho muita dificuldade para unir e

envolver outras áreas porque os professores acham que por não serem da área eles não precisam se envolver e esquecem que tudo faz parte do mesmo curso”. (P8)

dificuldade de aproximação. Na sua visão, isto acontece pela seguinte razão: “[...] os professores acham que por não serem da área eles não precisam se envolver e esquecem que tudo faz parte do mesmo curso”.

Deste modo, é possível perceber uma zona de congruência envolvendo P10, P2 e P6. P10. Com muita segurança P10 afirma não existir integração entre as disciplinas: “É óbvio. Infelizmente não há uma maior integração entre as disciplinas dos colegas, [...] as disciplinas são impulsionadas de maneira isolada como se fosse realmente uma ilha, [...]”.

Acrescenta que esta realidade é frequente não só em instituições particulares, mas, também nas escolas públicas. Vale destacar que dentre os participantes, P10 é aquele que tem maior tempo de magistério, (33 anos).

Acrescenta que esta realidade é Já P2, mesmo cauteloso, informa que pelo menos 30% de seus colegas trabalham de alguma forma, isolados:

[...] se vê ainda um pouco de „eu cuido da minha disciplina, e quero concluir a minha grade e ponto final [...]”. Explica ainda,

que trabalhar dentro de um enfoque interdisciplinar é difícil e que faz parte de um processo contínuo: “[...] porque essa interdisciplinaridade não é fácil e que se precisa trabalhar

constantemente isso dentro do ensino pedagógico, para abarcar essas disciplinas com um único objetivo”.

P6 confirma também o trabalho isolado de seus colegas, entretanto, explica não saber o “porquê” de tal ação. A única certeza que tem, é que: “[...] existem ainda alguns

professores que se acham detentores do conhecimento [...]”.

Outra subcategoria do aspecto em questão (isolamento das disciplinas) surge nas falas de P5 e P9 que é “dificuldade de interação”. Vejamos:

Na maioria das vezes sim, inclusive a gente procura articular algumas políticas por exemplo eu estou trabalhando com o primeiro período, tem um professor de empreendedorismo, um em Direito Administrativo e eu com a Comunicação porque nós temos a convicção que as três disciplinas se falam. Eu não sei se eu estaria sendo ousado em dizer que trabalhamos com transdisciplinaridade, mas, estamos caminhando para isso, porque há ainda uma dificuldade dos professores de entender que há um todo, que há essa interação e não é de maneira isolada. (P5)

Trabalham. Já tentei algumas vezes trabalhar a minha disciplina com outras e senti muita dificuldade. (P9)

Como pode se observar, P5 e P9 confirma o que foi dito também pelo grupo anterior em que seus colegas trabalham isoladamente. P5 explica que iniciativas são tomadas para combater este isolamento. Exemplifica que está trabalhando sua disciplina (comunicação), interagindo com mais duas (empreendedorismo e direito administrativo), acreditando estar caminhando para a realidade transdisciplinar.

Sem dúvida, vale o esforço do rompimento do enfoque disciplinar rumo ao enfoque transdisciplinar. No entanto, é importante esclarecer que a realidade relatada pelo P5, assemelha-se à realidade apresentada por P8, já discutida anteriormente, demonstrando também utilizar um enfoque multidisciplinar. Neste sentido, no enfoque transdisciplinar, as relações das disciplinas não se limitariam apenas a uma interação, mas sim, a uma concretização de uma integração, alcançando um nível tão alto que impossibilitaria identificar onde começaria ou terminaria uma disciplina (MORAES 2008; ZABALA, 2002; NICOLESCU, 1999; CAPRA, 1996; MORIM, 1991).

Doravante, ainda que não formando grupos de subcategorias específicos, P1, P3, P4 e P7, enriqueceram esta discussão seguindo o mesmo viés dos demais participantes. Vejamos primeiramente o que dizem P1 e P4:

Algumas disciplinas específicas são trabalhadas separadamente, eu, por exemplo, trabalho com o sistema de informação e existe até uma dificuldade de fazer com que ela seja trabalha junto às outras, não que ela não acompanhe as outras disciplinas e não estou dizendo que ela não tem pontos em comum com as demais. Mas as disciplinas gerais são mais bem trabalhadas e mais envolvidas com as outras áreas. Já houve conversas e reuniões sobre a minha disciplina para que ela abordasse as demais, porém alguns alunos sentem dificuldade de assimilar isso. O fato é que nessas reuniões nós acabamos ficando nas pequenas coisas e não avançamos muito. (P1).

Não diferente dos demais informantes, P1 confirma a existência de uma ação docente fragmentada no desenvolvimento das disciplinas. Explica ainda, que apesar de já ter sido cobrado em reuniões para trabalhar sua disciplina interagindo com outras, ainda assim, sente dificuldade, pois, segundo ele, os alunos apresentam dificuldades de atuar neste processo.

É interessante observar que P1 coloca a dificuldade dos alunos como um impedimento para desenvolver um trabalho integrado, como se o professor não tivesse responsabilidade sobre tal ação. A visão deste professor vai de encontro a vários autores como Assmann (1998), quando esclarece que para romper o isolamento disciplinar, é necessária

uma mudança de mentalidade, primeiramente pelo próprio professor, por meio de uma auto- reflexão de sua atividade, proporcionando assim, sua emancipação intelectual (ZABALA, 1998).

Na mesma perspectiva, Morin (2008) explica que não adianta reformar Políticas Públicas, Projetos e o Currículo da escola, sem primeiramente reformar o pensamento, a partir do próprio educador, abandonando o velho paradigma cartesiano (cf. seção 1.4), já discutido anteriormente na fala do P9 e reforçado na fala de P4, vejamos:

Com certeza. Hoje apesar de todas as teorias muitos ainda estão ligados à teoria cartesiana de disciplinaridade, no qual cada um tem o seu conhecimento, que cada um tem o seu saber, como se fosse uma disputa de quem conhece mais, onde cada um é cada um e ponto. (P4)

Nesta mesma direção, P7 confirma o trabalho isolado entre seus colegas, depositando credibilidade no enfoque interdisciplinar, como uma estratégia para a superação de um ensino fragmentado. Observemos:

Alguns sim, porque de alguma forma fica fragmentado mesmo, mas o ideal é que tenha interdisciplinaridade porque se você está em um período deve-se haver esse link com outras disciplinas de outros períodos até para se ter um referencial, colocando uma disciplina dentro das demais. (P7).

Assim, P3 finaliza a discussão deste aspecto, explicando que o trabalho isolado realizado por seus colegas, se dá em razão da falta de maturidade do ensino superior. Todavia, assume, na condição de professor, uma parcela de culpa neste processo, atribuindo também a instituição a outra. Vejamos:

Sim, trabalham, mas isso é devido a uma falta de maturidade do ensino superior. Geralmente essa preocupação com a integração das disciplinas começou com o ensino básico por causa do ENEM que exige muito da formação crítica do aluno, e o ENAD chegou com essa visão, mas a maior parte dos professores não estão preparados pra lidar com isso. A culpa é do professor? Em parte sim, mas a instituição deveria criar momentos para que possa haver a criação dos recursos, trabalhos, e o planejamento isolado já é considerado retrógado, pois a instituição deveria criar momentos para estar socializando conteúdos e delimitar isso por período, assim a gente derrubaria muitos paradigmas. (P3).

Sobre esta realidade, estratégias utilizadas pela instituição para superar a fragmentação, é que será tratado no próximo e último aspecto da categoria em questão.

O quadro 10 destaca os principais elementos que foram identificados nas falas dos professores, quanto ao aspecto, “isolamento das disciplinas.”

Quadro 10: Principais falas do 2º aspecto “isolamento das disciplinas/3ª categoria. Fonte: Pesquisa de campo.

A análise deste aspecto deixa claro na fala de todos os participantes, a existência de uma prática docente fragmentada. Com isto, coloca em cheque o que foi dito no aspecto anterior, em que todos os participantes se posicionaram contra o ensino fragmentado, confirmando uma grande distância entre o que pensam e o que fazem no que se refere à prática docente.

Assim, a análise permite ainda verificar grande divergência entre o trabalho dos professores e a proposta do Projeto Político Pedagógico, o qual preconiza uma educação com uma visão holística da realidade, buscando atender assim, às exigências da complexidade.