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Com este estudo, pretendemos promover uma reflexão sobre a representação social em torno da avaliação, durante a formação de professores, no interior dos Cursos de Licenciatura Plena em Letras, tendo em vista que a forma como o professor conduz o processo de avaliação repercute significativamente nas representações naturalizadas pelos alunos e nas atitudes e posturas que estes assumirão quando do exercício da sua prática docente.

Interessou-nos realizar um exercício reflexivo sobre as motivações dos docentes para as práticas que ele leva a cabo, particularmente aquelas relacionadas com a avaliação. Dispusemo-nos a ouvi-los com vistas a compreender seu raciocínio teórico, mas também seus sentimentos e impressões sobre o tema. Partimos do pressuposto de que a linguagem é esse caminho mediador, que, não sendo transparente, deixa pistas que podem ser seguidas, mapeadas e que dizem do que vai no íntimo da nossa forma de ver e sentir o mundo.

Necessário dizer que como professora, tanto do ensino presencial como do semipresencial, e pesquisadora do tema, muitas vezes, precisei esforçar-me para ouvir a voz do outro, para seguir seu raciocínio, em lugar da minha própria voz e conhecimento. Em muitas ocasiões, identifiquei-me com a escuta do que ouvia, em outras, questionava,

mas estive sempre consciente de que ouvir o outro, buscando entender seus porquês era o exercício que precisava ser feito. Lembro aqui as palavras de Ribeiro (2008), com quem me solidarizo,

A (re)velação plena e absoluta do discurso docente jamais se faria. Sempre irão restar elementos, aspectos intocáveis, intangíveis. Esse é mesmo o comportamento esperado por toda e qualquer análise pretendida focada na atividade discursiva. Quando se opta por percorrer um caminho, compreender, abordar um determinado objeto de discurso sob um viés, inevitavelmente, outros traços, caracteres deixarão de ser percebidos e/ou considerados.

Mesmo sem a pretensão de completude, o exercício da compreensão do outro, força-nos a compreendermos a nós mesmos, torna-se imperativo que sejamos nós os primeiros a nos indagar sobre nossas próprias razões e ações. Assim, não temos como escapar de nossas próprias opções: que avaliador eu sou? Que avaliador estou formando?

A pesquisa é, no entanto, um processo de construção de conhecimento sobre a realidade, sua divulgação tem repercussão social e joga um papel importante na interpretação dos fenômenos que nos cercam. Inseridos nesse processo, objetivamos, por fim, contribuir para o avanço das investigações que se voltam sobre o sujeito e suas práticas.

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