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O conceito de formação tem sido objecto de diferentes análises, originando diferentes perspectivas.

Garcia (1999: 19) entende este conceito “…como uma função social de transmissão de saberes, de saber-fazer ou do saber-ser que se exerce em benefício do sistema socioeconómico, ou da cultura dominante”

Neste sentido, a formação apresenta-se directamente relacionada com a aquisição de saberes específicos, destinados a satisfazer necessidades determinadas pelo sistema social e cultural vigente.

O mesmo autor considera também a formação “…como um processo de desenvolvimento e estruturação da pessoa que se realiza com o duplo efeito de uma maturação interna e de possibilidades de aprendizagem, de experiências do sujeito.”

(1999: 19)

Neste caso, a formação centra-se no desenvolvimento pessoal do sujeito, conforme referenciado também por outros autores como Zabalza (1990a:201) e Ferry (1991:43) citados por Garcia (1999:19).

De acordo com Ferry, (1991, cit. in Garcia, 1999: 19) a formação assume-se ainda como instituição quando se reporta à estrutura que organiza, planifica e desenvolve actividades de formação.

Perspectivado deste modo, o conceito de formação pode ser construído a partir de diferentes ângulos, abrangendo aspectos como os conteúdos, o sujeito e as instituições de formação.

Por seu lado, Debesse (1982, citado por Garcia, (1999:19-20) distingue diversos processos de formação, tendo o sujeito por referência.

Assim, este autor designa por autoformação aquela em que o sujeito domina os objectivos, os processos, os instrumentos e os resultados da sua própria formação.

Quanto à heteroformação considera-a exterior ao sujeito, sendo organizada e desenvolvida por especialistas.

Por último, a interformação relaciona-se com a acção educativa que ocorre entre futuros professores, ou entre professores e baseia-se num trabalho de equipa, cunhado pelo carácter pedagógico.

Este processo de formação distingue-se dos dois anteriores pelo facto de se dirigir especificamente à formação de professores, num contexto de trabalho de equipa.

O conceito de formação de professores, também tem sido perspectivado por diversos autores.

Das pesquisas efectuadas destacamos o conceito de Medina e Dominguez (1989:87, citado por Garcia, 1999:23) que consideram a formação de professores como “… a preparação e emancipação profissional do docente para realizar crítica, reflexiva e eficazmente um estilo de ensino que promova uma aprendizagem significativa nos alunos e consiga um pensamento-acção inovador, trabalhando em equipa com os colegas para desenvolver um projecto educativo comum.”

Este conceito percorre assim os aspectos que entendemos essenciais na formação de professores, a saber, o conhecimento profissional, o pensamento reflexivo em ordem ao qual o professor estrutura a sua acção, os processos que desenvolve de forma a promover as aprendizagens dos alunos e o trabalho de equipa como meio de produção de conhecimento inovador, tendo por alvo a realização de um projecto educativo.

Numa perspectiva mais específica, centrada na formação inicial de educadores, Cardona (2006: 39) considera-a “… a primeira etapa da sua preparação formal” sendo que neste período ganham particular relevo as situações de auto e hetero-formação, na

medida em que os formandos são portadores de experiências pessoais e vivências escolares que influenciam a forma de pensar e encarar a educação e a infância e que se reflectem no seu processo formativo.

Por outro lado, a mesma autora destaca também a importância da formação inicial como “primeira etapa do processo de socialização e desenvolvimento profissional.”

(2006:39)

Reflectindo esta importância, são amplos os estudos desenvolvidos por investigadores que apontam paradigmas, orientações conceptuais e modelos, com o nobre objectivo de contribuir para a construção da complexa e multifacetada profissão docente.

Neste contexto, destacamos o Paradigma da Formação de Professores defendido por Zeichner (1983, citado por Garcia, M., 1999: 30)) definido como “…uma matriz de crenças e pressupostos acerca da natureza e propósitos da escola, do ensino, dos professores e da sua formação, que dão características específicas à formação de professores”. (

Por seu lado, Fieman-Nemser (1990:220, citado por Garcia, M. 1999: 30) considera a designação de Orientações Conceptuais, definindo-a como “…um conjunto de ideias acerca das metas da Formação de professores e dos meios para as alcançar”, o que pressupõe “… uma concepção do ensino e da aprendizagem e uma teoria acerca do aprender a ensinar”.

Relativamente ao conceito de Modelo de Ensino, explicitado por R. Marques (1999:149), este autor apresenta-o como “Conjunto articulado e coerente de teorias, métodos e técnicas de ensino, partindo de um quadro filosófico, psicológico e pedagógico, comum (…) pressupõe uma coerência lógica entre as finalidades da educação, as metodologias, as técnicas e os instrumentos de avaliação”.

Todas estas concepções apontam, em nosso entender, para um objectivo comum: o de destacar a necessidade de revestir a formação de professores da especificidade que lhe é característica, isto é, formar profissionais participantes na construção da sua profissão, de uma forma consciente e assente em bases científicas.

Destacamos ainda que esta breve referência ao modo como alguns investigadores se pronunciam sobre a definição das bases conceptuais da formação de professores, serve apenas para ilustrar a sua preocupação neste domínio. Ficam por referir inúmeros outros investigadores, bem como diferentes propostas de formação, de uma forma mais específica e concreta, de acordo com a perspectiva em que cada um se situa.

A título de exemplo, referiremos apenas alguns modelos de formação apontados por Joyce e Perlber (1975, 1979, citados por Garcia,.M. 1999: 31) tais como:

- O modelo tradicional que se caracteriza pela separação entre a teoria e a prática, baseado num currículo centrado nas disciplinas;

- Movimento de orientação social, influenciado pelo trabalho de Dewey, que assenta numa perspectiva construtivista do conhecimento e é direccionado para a resolução de problemas;

- Movimento de orientação académica, que considera o professor como especialista das matérias disciplinares e através da transmissão de conhecimentos científicos e culturais, procura formar professores numa área especializada, orientada para o domínio, dos conceitos e da estrutura disciplinar em que ele mesmo é especialista.

- Movimento de reforma personalista que considera a formação de professores como um meio de promover o desenvolvimento pessoal, profissional e relacional dos professores em formação, salientando a importância dos aspectos afectivos e da personalidade, que se pretendem reflectidos na boa relação com os alunos. Resta acrescentar que, segundo o nosso ponto de vista, estas e outras concepções deverão ser

analisadas e reflectidas, á luz da sua aplicabilidade, pois a especificidade da profissão docente relaciona-se com o facto de ter como objecto de trabalho, o ser humano e o contexto em que este se insere, sendo indispensável atender à sua complexidade e à diversidade de situações com que a docência nos confronta.

3. Da necessidade de formar professores/educadores eticamente orientados