Conhecer os discursos das igrejas.
Na reflexão entre a Categoria Vocação Pastoral, os dados da pesquisa apontam que: quanto à vocação pastoral, percebe-se na tabela 11.2, por igreja, que 48,7% (19 discentes), descrevem a vocação pastoral como motivação para entrar no Curso de Bacharel em Teologia, sendo 33,3% (13 discentes) metodistas e 15,4% (6 discentes) de outras igrejas.
Esta constatação pressupõe uma inversão de valores no tocante à motivação para o ingresso no Curso de Bacharel em Teologia, entre pentecostais e neopentecostais, em relação aos protestantes históricos (Metodistas, Batistas...), que sinalizam a vocação pastoral como motivação primária para o ingresso no referido curso em detrimento da formação pastoral.
Outro dado relevante consta de que a categoria Vocação Pastoral, emerge nos discursos dos sujeitos, a partir de três nomenclaturas: Ministério Pastoral, Chamado Pastoral e Vocação Pastoral.
1. Ministério Pastoral – Este conceito aparece na fala de 11 sujeitos, a saber: de 7 a 10, 12, 15, 16, 19, 27, 35 e 37 e remete ao sentido de que o ministério pastoral surge a partir da vocação cristã e tem como essência o cuidado com todas as dimensões desta vocação (GARCIA, 2005, p. 105 e 106). É expresso pelos sujeitos nas seguintes conotações:
A formação teológica como requisito para o exercício eclesial do ministério pastoral; O reconhecimento da necessidade da formação teológica para o exercício do
ministério pastoral;
A relevância de uma formação teológica que proporcionasse subsídios teóricos e práticos para o exercício, mais substancial, do ministério pastoral;
A relevância de uma formação que proporcionasse aprendizagem e condições para estar apto/a a desenvolver conhecimento teológico.
2. Chamado Pastoral – A vocação pastoral nominada como chamado aparece na fala dos sujeitos: 4, 11, 17, 21, 23, 35 e 40. Tal fala destaca que Deus é quem chama para o exercício do chamado pastoral (JOSGRILBERG, 2005, p. 66) e o ser humano delibera sobre este convite. Conclui-se que o chamado pastoral implica:
Consciência de que o chamado provém de Deus e requer uma resposta humana;
O chamado de Deus para o exercício da vocação tendo como vezes a leitura da palavra e da realidade;
O reconhecimento da necessidade de aprendizado e formação teológica para o exercício do chamado;
A convicção do chamado pastoral.
3. Vocação Pastoral – O termo vocação pastoral emerge dos sujeitos: 11, 18 e 21 e remete
à concepção de que Jesus Cristo é o núcleo formador de todo o ministério constituído e é Jesus quem vocaciona (JOSGRILBERG, 2005, p. 66). No entanto, esta relação implica a ligação da pessoa com uma instituição religiosa, o que, não necessariamente, ocorre com a espiritualidade. A leitura da palavra e da realidade, é outro interim que emana no exercício da vocação pastoral, e considera o cuidado com a criação e com o ser humano como eixos para a práxis pastoral (GARCIA, 2005, p. 105 e 106). A fala dos sujeitos aponta às seguintes considerações:
A convicção de que a vocação vem de Deus e necessita de uma resposta humana; A vocação vem de Deus e sua vivência deve ter como princípio a leitura da realidade; A constatação do exercício da vocação pastoral mediado pela instituição religiosa; A espiritualidade expressa no desejo pela formação teológica, com vistas ao exercício
da vocação.
Os sujeitos Metodistas, de outras igrejas e sujeitos que declaram não pertencer a
nenhuma instituição religiosa, do turno matutino e noturno, quanto à motivação de
ingresso no Curso de Bacharel em Teologia, da UMESP, sinalizaram como convergência: A categoria formação teológica e a vocação pastoral, a partir das ideias centrais:
formação teológica, vocação pastoral e cumprimento de requisitos legais.
Questão 01a – O que pretendia com o Curso?
Participaram da pesquisa 41 alunos/as do Curso de Bacharel em Teologia da UMESP, sendo 25 (61%) no período da manhã e 16 (39%) no período noturno.
Na Questão 1a – O que pretendia com o curso?, as respostas dos sujeitos indicaram como categorias de análise a formação teológica com 87,8% (36 discentes), sendo 53,7% (22 discentes) no período matutino e 34,1% (14 discentes) no período noturno e vocação pastoral com 43,9% (18 discentes), sendo 31,7% (13 discentes) no período matutino e 12,2% (5 discentes) no período noturno (apêndice D, tabela 12.1).
A tabela 12.1 fornece os dados a partir dos sujeitos por igreja, metodista e outras, nos quais se verifica que em ambas as situações, a pretensão para ingressar no curso é a formação teológica, com a mesma porcentagem, 43,6% (17 discentes) e, a seguir, a vocação
pastoral como pretensão de ingresso no referido curso por metodistas com 38,5% (15 discentes) e outras igrejas, com 7,7% (3 discentes) (apêndice D, tabela 12.2). Tal indicativo corrobora com a primazia da formação teológica por parte de sujeitos de outras igrejas e por parte dos sujeitos metodistas, da formação teológica e a vocação pastoral, concomitantemente, ou seja, o conhecimento teológico e a espiritualidade.
Sendo assim, a questão 01a, O que pretendia com o curso?, tem como frequência a formação teológica e a vocação pastoral a partir das vozes dos sujeitos metodistas, de outras igrejas e daqueles que declaram não pertencer a nenhuma instituição religiosa.
SUJEITOS METODISTAS
Metodistas do turno matutino (sujeitos 1, 9, 10, 12, 14, 15, 17, 19, 21 e 23) que
indicaram formação teológica e vocação pastoral, concomitantemente, como pretensão de ingresso no curso, com as seguintes motivações:
Reconhecimento da formação teológica para o exercício do ministério pastoral;
Necessidade de uma formação teológica interdisciplinar para utilizá-las no ministério pastoral;
Expectativa de uma formação teológica que contribuísse com subsídios teóricos e práticos para o exercício, mais substancial, da vocação pastoral;
Reconhecimento da vocação pastoral.
Metodistas do turno noturno (sujeitos 31, 32 e 37) que sinalizaram formação
teológica e vocação pastoral, concomitantemente, como pretensão de ingresso no curso, com as seguintes motivações:
Expectativa de uma formação teológica que contribuísse com subsídios teóricos e práticos para o exercício mais substancial da vocação pastoral;
Exercer o ministério pastoral;
A necessidade de uma formação teológica interdisciplinar;
A expectativa de uma formação teológica que cultivasse a solidariedade como princípio educativo tendo como base o amor pela humanidade;
A expectativa de uma formação teológica que cultivasse a teologia e a espiritualidade como partes integrantes no processo de formação teológica.
Metodistas do turno matutino (sujeitos 7, 8, 11 e 16) que indicaram somente
Obtenção de mais conhecimento sobre a Bíblia; Exercício do ministério pastoral;
Expectativa de uma formação teológica que contribuísse com subsídios teóricos e práticos para o exercício mais substancial da vocação pastoral;
Aprendizado maior sobre a Bíblia.
Metodista do turno noturno que indicou somente a formação teológica: Nenhum
sujeito.
Metodistas do turno matutino que indicaram somente a vocação pastoral (sujeito
6 e 18), tendo como pretensão de ingresso no curso, as seguintes motivações: Exercício do ministério pastoral;
Reconhecimento da formação teológica para o exercício do ministério pastoral.
Metodista do turno noturno que indicou somente a vocação pastoral: nenhum
sujeito.
SUJEITOS DE OUTRAS IGREJAS
Sujeitos de outras igrejas do turno matutino, que indicaram formação teológica
e vocação pastoral, concomitantemente, como pretensão de ingresso no curso: nenhum
sujeito.
Sujeito de outras igrejas do turno noturno (36), que sinalizou formação
teológica e vocação pastoral, concomitantemente, como pretensão de ingresso no curso com
a seguinte motivação:
Formação teológica que contribuísse com subsídios teóricos e práticos para o exercício, mais substancial, da vocação pastoral;
Sujeitos de outras igrejas do turno matutino (2, 4, 5, 13, 20, 22, 24 e 25) que
indicaram somente formação teológica, como pretensão de ingresso no curso, com as seguintes motivações:
Aquisição de formação teológica reconhecida;
Reconhecimento da formação teológica para o exercício do ministério pastoral;
Expectativa de uma formação que cultivasse a solidariedade como princípio educativo tendo como base o amor pela humanidade;
Expectativa de uma formação que cultivasse a teologia e a espiritualidade como partes integrantes no processo de formação teológica;
Expectativa de uma formação teológica que contribuísse com subsídios teóricos e práticos para o exercício mais substancial da vocação pastoral;
Aprimoramento de conhecimentos teológicos, pessoais e intelectuais; Aprimoramento de conhecimentos teológicos para servir a obra de Deus.
Sujeitos de outras igrejas do turno noturno (26, 29, 30, 33, 34, 38, 39, 40 e 41),
que indicaram somente a formação teológica, como pretensão de ingresso no curso, com as seguintes motivações:
Aprimoramento dos conhecimentos teológicos para a interpretação da Bíblia;
Expectativa de uma formação teológica que contribuísse com subsídios teóricos e práticos para vivência da fé;
Aquisição de conhecimentos teológicos;
Aprimoramento do conhecimento sobre a Bíblia;
Expectativa de uma formação teológica como pressuposto para ingresso no mestrado; Docência;
Necessidade de aprimorar os conhecimentos teológicos para auxiliar na administração da igreja/comunidade;
Expectativa de uma formação teológica que cultivasse a solidariedade como princípio educativo, tendo como base o amor pela humanidade;
Aprimoramento de conhecimentos teológicos, pessoais e intelectuais.
Sujeitos de outras igrejas do turno matutino que indicou somente vocação
pastoral: nenhum sujeito.
Sujeito de outras igrejas do turno noturno (40), que indicou somente vocação
pastoral, com a pretensão de ingresso no curso a partir da motivação:
Exercício do pastorado.
SUJEITOS QUE NÃO PERTENCEM A NENHUMA DENOMINAÇÃO RELIGIOSA
Sujeito 30 e 38 sinalizaram como pretensão de ingresso no curso as seguintes motivações: