Spesifikt Målbart
3.8 Erfaringer fra de utenlandske prosjektene
luta pelo amor (The knockout, Lambert Hillyer, 1925), que recebe pouco espaço no anúncio.
Curiosamente, uma das comédias encenadas em sessão do Odeon foi O tataravô, de Max Mix, pseudônimo de Gilberto de Andrade, estrelada por Belmira de Almeida, Manuel Durães e Luiz Barreiras, entre outros. Esta peça voltaria a ser adaptada por Luiz de Barros em outras ocasiões, como veremos adiante.
Ainda em setembro Luiz de Barros encerra seu trabalho nos cinemas de Francisco Serrador para iniciar sua própria companhia de revistas. Porém esse período curto de sua carreira é bastante relevante, na medida em que observamos uma variedade de atrações exploradas pelo diretor artístico, desde os primeiros prólogos, com números de canto e dança, depois com esquetes mais elaborados, revuettes e, por fim, comédias completas, utilizando elementos do teatro popular e artistas do meio teatral.
2.4 A Companhia Ra-ta-plan
Inicialmente batizada como Grande Companhia de Sketches e Bailados Ra-ta-Plan, a nova empreitada de Luiz de Barros no teatro de revista evocava na sonoridade do nome a companhia francesa Ba-ta-clan, uma das principais referências para o tipo de espetáculo que pretendia realizar. A peça de estreia, Miragem, revista em dois atos e 24 quadros, teve a autoria de Goulart de Andrade e Max Mix, com música de Hekel Tavares. O elenco era encabeçado por Aracy Cortes e Augusto Annibal, artistas que estavam na Tro-lo-ló; e contava também com Luiz Barreira e Roberto Vilmar, que trabalharam com Barros nos prólogos do Odeon, entre outros artistas. Luiz de Barros além de dirigir a revista era também o cenógrafo. A estreia ocorreu em 18 de setembro de 1926, no Teatro Cassino, próximo ao Passeio Público do Rio de Janeiro.
A crítica publicada no Correio da Manhã (19 set 1926, p. 3) classifica Miragem como uma “revista fina, leve, gênero parisiense, que deleita e não cansa”, com “esquetes e números de variedades e de baile que causaram justificado sucesso”. Álvaro de Penalva destaca os bailados, as músicas e os cenários, mas afirma que Miragem não pode ser considerada uma revista, “por faltarem os elementos essenciais a este gênero de teatro”, e por se aproximar mais do music hall, com seus “dois atos de frivolidade” (Gazeta de Notícias, 19 set 1926, p. 15).
A segunda revista da Ra-ta-plan é de autoria de Luiz de Barros em parceira com Abadie Faria Rosa. Elas estreou em 14 de outubro de 1926, apresentando 30 quadros com
diversos aspectos sobre a mulher. Sobre os quadros da revista, uma nota de jornal afirmava que:
Um dos característicos da revista moderna é a falta de ligação entre os seus quadros, e embora em Elas pareça existir esta ligação por se tratar do mesmo assunto, são todos os seus quadros perfeitamente autônomos, apresentando cada um uma mulher sob uma determinada feição, e não se ligando em absoluto com o seguinte (Correio da Manhã, 22 out 1926, p. 8).
Essa seria uma característica recorrente dos espetáculos da Ra-ta-plan, como indica o próprio título das revistas seguintes: Missangas, “um verdadeiro colar de missangas [sic] pela sua variedade e colorido” (Gazeta de Notícias, 29 out 1926, p. 5), de Max Mix, estreada em 9 de novembro; e Mosaico, de Celestino Silveira e Annibal Pacheco, em 3 de dezembro de 1926.
Em 14 de janeiro de 1927 a Ra-ta-plan estreia em São Paulo, no Teatro Santa Helena, na Praça da Sé, reprisando as revistas encenadas no Rio de Janeiro, e realizando um baile de carnaval no final de fevereiro. Em seguida a companhia muda para o Teatro Boa Vista, estreando uma nova revista, Só... risos, organizada por Luiz de Barros e musicada por Antônio Lago. A peça continha alguns bailados apresentados em Noé e os outros, revista de Alvaro Moreyra, que a Ra-ta-plan encenou no Rio de Janeiro, mas que teriam sido utilizados em São Paulo sem os créditos e contra a vontade do autor. Luiz de Barros se defende, dizendo que os bailados seriam de Nemanoff, coreógrafo da companhia, e as músicas de Antônio Lago.
Para o crítico do Correio Paulistano (4 mar 1927, p. 2), Só... risos era prejudicado pela duração dos esquetes, causando fadiga, o que era amenizado pelos números de dança. Curiosamente, na mesma crítica era destacado o quadro “Antepassado pirata”, um longo esquete que retomava a história de O tataravô, comédia dirigida por Barros no Odeon, no ano anterior. No enredo do esquete um pai de família descobre “os segredos do ocultismo”, um pó capaz de trazer de volta à vida qualquer pessoa desencarnada. Ao ressuscitar seu tataravô, a família descobre que ele, que morreu jovem, era um galanteador que dá em cima de todas as mulheres da casa e quer se casar com a “bitataraneta”26.
Outro esquete, denominado “Tortura atroz”, trazia como personagem um italiano utilizando o telefone pela primeira vez e fazendo várias confusões. É interessante perceber que Luiz de Barros utilizou um personagem-tipo característico das revistas paulistas logo em sua primeira peça feita em São Paulo, uma vez que as anteriores eram reprises.
Em 28 de março estreia a “revista-féerie” Maravilhas, de Luiz de Barros e Simões Coelho. Antes da estreia a companhia sofre um grande revés. Aracy Cortes volta pra o Rio de Janeiro com a Companhia Tro-lo-ló e deixa a Ra-ta-plan. Duas novas atrizes entram na Companhia: Sylvia Bertini e Gina Bianchi.
A temática do adultério é recorrente nos quadros de Maravilhas e há personagens-tipo comuns como o almofadinha, a melindrosa e o português. Novamente, os bailados são elogiados e os esquetes são considerados ruins:
Na “féerie” de Luiz de Barros e Simões Coelho o que há de mais interessante são indubitavelmente os bailados. Todos são ágeis, endiabrados, festivos. [...] Os esquetes começam regularmente, mas encaminham-se com desânimo para um fim aguado e frio. Todavia, como são, felizmente, rápidos e limpos, não fatigam ou irritam a assistência culta e elegante (Correio
Paulistano, 29 mar 1927, p. 7).
Durante a temporada da Ra-ta-plan em São Paulo, Luiz de Barros é convidado para realizar prólogos para o Santa Helena, que seria transformado em cinema. Com isso, quando a companhia volta ao Rio de Janeiro Simões Coelho assume a direção da Ra-ta-plan, temporariamente. Pouco tempo depois Luiz de Barros regressa à companhia, porém a Ra-ta- plan já não estava mais fazendo o sucesso do início (BARROS, 1978, p. 86). As primeiras peças inéditas apresentadas no retorno ao Rio de Janeiro eram classificadas como “fantasias”, pela ênfase nos bailados e no visual. Amorosas, por exemplo, de Simões Coelho, estreada em 27 de abril de 1927, era caracterizada como uma “fantasia-sátira”. Com A dondoca do Catete, de Gastão Tojeiro (Gazeta de Notícias, 28 jul 1927, p. 5), a companhia procura se modificar, apostando em uma “revista-burleta” e apresentando-se no Teatro Carlos Gomes, na Praça Tiradentes. De acordo com Luiz de Barros, a peça fez um sucesso inesperado. Ele, porém, recorda que as revistas seguintes foram mal de público (BARROS, 1978, p. 86).
A Ra-ta-plan ainda faz uma última temporada em São Paulo, com algumas reprises e outras revistas inéditas, muitas vezes com reaproveitamento de alguns quadros, até ser dissolvida por Luiz de Barros em meados de abril de 1928. A Ra-ta-plan foi a incursão mais bem sucedida de Barros no teatro de revista e é frequentemente lembrada em trabalhos da área. Sua ênfase na estética, com cenários e figurinos luxuosos, e nos bailados fizeram com que o diretor fosse prestigiado por um bom tempo pelos críticos teatrais. O tipo de humor praticado pela Ra-ta-plan era bastante focado no duplo sentido e na malícia, geralmente em poucos, mas longos, esquetes. Contando também com um bom elenco, por onde passaram Augusto Annibal, Manuelino Teixeira, Aracy Cortes, Ítala Ferreira, Nair Alves, entre outros.
Vale destacar, também, que vários artistas que fizeram parte da Ra-ta-plan apareceriam em filmes que Luiz de Barros faria posteriormente.