fylkeskommunene fra 1986 til 2001
4.5 Erfaringene med dagens modell
Retornando agora à questão central do meu projeto “de que forma podemos construir conceitos matemáticos através da exploração da natureza e dos recursos naturais?”, pretendo apurar se esta foi, ou não, respondida. Para tal, explorarei os dois objetivos de investigação que adotei.
1) Apurar de que forma posso criar e desenvolver atividades que proporcionem o máximo de aprendizagens possíveis para estas crianças, recorrendo à natureza.
Uma vez que, na floresta existe uma vastidão de elementos naturais de todas as formas e feitios, cada um com a sua individualidade, durante toda a implementação do projeto, senti muita facilidade em ter ideias para atividades criativas e estimuladoras de conhecimentos. Retornando a Woolley e Lowe (2013), foi possível perceber a potencialidade que a floresta e os seus elementos têm para promover atividades que se baseiam nos interesses das crianças. Principalmente no contexto de pré-escolar, em todas as idas à floresta as crianças reparavam em coisas que muito facilmente se tornava em atividades estimuladoras de todas as áreas do saber. Existia evidentemente um interesse por parte delas em entender tudo o que se passava na natureza e as questões do gênero “Porque é que aquela árvore é mais grossa?” ou “que fruto é este?” eram constantes durante as atividades. Muito naturalmente, um educador baseando-se apenas nisso, conseguiria promover atividades para um ano todo.
Com elementos naturais criei atividades que considero muito interessantes tal como a “Padrões com elementos da floresta” (pré-escolar) e a “Descobrir formas geométricas” (primeiro ciclo), entre outras que não estão explicitas no relatório, que motivaram as crianças para a aprendizagem apenas por serem utilizados este tipo de elementos. Era realmente notória, como já foi referido, a predisposição que as crianças tinham para trabalhar com estes elementos e o interesse que fornecia à atividade.
Assim sendo, considero verdadeiramente que os elementos naturais, neste caso da floresta, podem contribuir para uma aprendizagem significativa, levando as crianças a aprender de uma forma diferente, e que, de acordo com a minha experiencia, é uma forma mais estimulante e motivadora para as mesmas.
Uma outra enorme potencialidade da natureza/ floresta, foi evidentemente a utilização da mesma como contexto. Tal como expliquei, uma ida à floresta oferece logo uma imensidão de temas para atividades, mas não só, este contexto promove a calma, o sentimento de liberdade, a autonomia e o
bem-estar de todas as crianças. Antes de todas as atividades, mesmo no primeiro ciclo em contexto de natureza, promovia um momento de relaxamento, muitas vezes só com os sons da natureza e isso colocava as crianças mais predispostas à aprendizagem. Em todos os momentos era notório que só o facto de lá estarem já se sentiam mais alegres, porque estavam rodeadas de natureza. Muitas vezes durante o decorrer da atividade, principalmente nas atividades da floresta, invadia um silêncio tremendo, devido a todas as crianças estarem tão concentradas na atividade ou num barulho qualquer de um animal, que era notório que todos estavam a aprender, sendo de forma mais formal ou mais informal. Eram minutos especiais que para quem observava percebia imediatamente que se tratavam de momentos enriquecedores. Ainda, na hora do intervalo, a natureza possibilitava toda uma exploração do espaço, deixando as crianças explorarem e sentirem-se livres. Inventavam todo o tipo de jogos com plantas, paus, bugalhos, entre outros, e corriam por onde pudessem. Inventavam também casas imaginárias, tuneis, passagens secretas e ainda trepavam árvores, quando possível. Procurava incentivar tudo isto e foi percetível que a natureza, mais especificamente a floresta conseguiu promover todas as áreas e domínios necessários para a criança crescer de uma forma integral.
No primeiro ciclo foi óbvia a evolução a nível de autonomia e confiança. Inicialmente, as crianças não tinham grande contacto com a natureza e, por isso, não estavam habituadas a percorrer estes espaços tendo muitas vezes medos e inseguranças, como medo de se sujaram ou de não conseguirem passar de um lado para o outro quando existia um obstáculo. Na ultima atividade, realizada na floresta, já nenhuma delas se preocupava com a roupa suja e tinham já a iniciativa de experimentar aventuras novas, confiando mais em si próprias. Caso o projeto fosse mais longo, acredito que ainda iriam melhorar mais neste sentido.
Assim sendo, acredito realmente que é possível criar e desenvolver uma vastidão de atividades que proporcionem o máximo de aprendizagens possíveis para as crianças, recorrendo à natureza e, que estas atividades sejam facilmente transversais a todas as áreas. Desta forma, a aprendizagem é interligada e as crianças trabalham todas as suas aptidões, saberes e consciências de si próprias, ganhando autonomia, sentido de responsabilidade e autoestima.
2) Averiguar de que forma essas atividades, baseadas na natureza, contribuem para a construção de conceitos matemáticos e aprendizagens matemáticas.
Tal como anteriormente explicado, o projeto “Aprender na e com a Natureza” foi implementado de modo transversal a todas as áreas, mas, com uma preocupação em marcar de forma mais evidente
conteúdos que precisavam de ser abordados, foram formando atividades que tinham como objetivo criar aprendizagens matemáticas e construir conceitos matemáticos através da natureza.
Para conseguir ir analisando se as aprendizagens e conceitos estavam a ser adquiridos criei grelhas de avaliação (possível verificar em Anexos) e, no caso do primeiro ciclo exercícios de avaliação. Nos exercícios obtive ótimos resultados, conseguindo garantir que as aprendizagens promovidas tiveram sucesso e que os conceitos foram aprendidos (mostrados anteriormente). Nas grelhas de avaliação, em ambos os casos, consegui também perceber que em todas as atividades os conceitos foram aprendidos, havendo apenas algumas variâncias no caso do pré-escolar, devido às idades. Contudo, no geral, percebi que todas as crianças conseguiram aprender com as atividades, demonstrando interesse por tudo o que aprendiam.
Com todas as atividades implementadas, utilizando os elementos da natureza ou a natureza como contexto, consegui promover as seguintes aprendizagens matemáticas:
Pré-escolar: elaboração e interpretação de um itinerário simples; noção temporal (ciclo da árvore, meses, estações); conceito de “oposto” em relação à altura e espessura; formação de conjuntos atendendo a diversos atributos (disjunção, negação e conjunção); elaboração de tabelas de dupla entrada e interpretação das mesmas; contagem de números até 20; ordem crescente e decrescente; noção intuitiva de medir; conceito de circulo e circunferência; conhecimento do compasso; identificação, criação e continuação de padrões; abordagem ao número ordinal e cardinal; figuras geométricas; resolução de problemas.
Primeiro ciclo: pictograma; formas geométricas; sólidos geométricos; interpretação de um itinerário; conceito de “opostos”; noção temporal (dia, semana, mês, estação do ano, ano); resolução de problemas.
Deste modo, parece ser possível concluir que ao utilizar a natureza e os seus elementos se podem construir atividades que proporcionem aprendizagens matemáticos e a aquisição de conceitos matemáticos. Existe várias formas de incluir a natureza na aprendizagem e tal como Moss (2009) já tinha demonstrado, incluir a natureza na aprendizagem Matemática ajuda as crianças e o professor/educador a descobrir a alegria de aprender Matemática, compreendendo melhor o mundo ao nosso redor.
Ao ter utilizado a natureza e os seus elementos para a aprendizagem da Matemática pude observar que as crianças se sentiam mais motivadas a fazê-lo e obtiveram ótimos resultados. Pelo que acredito que poderia ser algo a ser considerado no momento formal de aquisição de conceitos matemáticos.