8 Konklusjoner og veien videre
8.3 Er vi klare for et vulkanutbrudd fra Katla?
Segundo Dávila (2005), a juventude é uma invenção do pós-guerra, no qual os vencedores, por interesse econômico, impunham um novo estilo e novos valores sociais às crianças e aos jovens para dessa forma se tornarem sujeitos de consumo. (Reguillo, apud, 2000). Na sociologia, a juventude sempre foi concebida como conseqüência de uma construção social, histórica e cultural. Ao mesmo tempo, existe uma dinâmica permanente dentro do mesmo conceito, que decorre da mudança social e histórica.
A categoria juventude é uma construção histórica que aparece como emergência do capitalismo, o qual criou um espaço simbólico que fez possível o surgimento da juventude. A partir desse momento, a juventude é vista como uma categoria etária (sócio- demográfica), como etapa de maduração (área sexual, afetiva, social, intelectual e física) e como sub-cultura.
Segundo Dávila (2005), a faixa etária dos adolescentes e dos jovens considerada nos países ibero-americanos é a seguinte: para adolescentes entre os 12 e 18 anos. Para a juventude argentina entre os 14 e 30 anos de idade. A juventude peruana e a juventude boliviana estão entre os 15 e 24 anos de idade (cepal apud ?, 2004). No Brasil, a juventude está entre 15 e 24 anos (Instituto Cidadania, apud, 2004).
O conceito de juventude tem adquirido inumeráveis significados. Enquanto uns apóiam-se na faixa etária para defini-lo, outros se apóiam no período de vida, no qual o indivíduo se desenvolve fisicamente, e acontece transformações psicológicas e sociais, que o fazem abandonar a infância para entrar na vida adulta. Porém, a noção de juventude é muito variável socialmente; cada sociedade rotula as qualidades específicas da juventude, num determinado momento da história, as quais dependerão ainda do lugar e do estrato social de onde vem o jovem. Por exemplo, o jovem da zona rural não tem a mesma concepção que um jovem da cidade; da mesma forma, o jovem marginal em relação ao jovem com recursos econômicos altos. Essa é uma das razões que não se pode estabelecer
uma idade e uma concepção para todos os jovens, a qual só se torna válida como referente demográfico.
Por outra parte, caracterizaremos a juventude a partir de sua condição de
transitoriedade. Entende-se a juventude como um momento de passagem de uma situação de heteronomia e irresponsabilidade à autonomia e responsabilidade. O processo de
transitoriedade está relacionado à diversidade social com a qual o jovem deve aprender a lidar, como a formação da família, a inserção no mercado de trabalho, a inclusão no universo público, entre outras. (Calazans, 2000 apud Abramo, 1994).
Outra característica para definir a juventude é a condição de relatividade (apud, Abramo, 1994), segundo a qual os direitos, deveres e responsabilidades dos jovens são definidos de acordo com as outras faixas etárias do meio onde ele se encontra. Estas responsabilidades são mais amplas que as das crianças, mas não tão extensas quanto as dos adultos.
Outras características para definir a juventude são ambigüidade, negatividade e
indeterminação. A fase da juventude não tem um início e um término claro; ela muda conforme estipula cada sociedade. Encontra-se entre não ser mais uma criança e não ser ainda um adulto. Outra característica importante da juventude é a preparação e o treinamento para a vida social futura. Nessa passagem anterior à vida adulta, o jovem procura sua independência com a família de origem, tanto com relação às normas e valores como às experiências concretas de vida. (Calazans, 2000 apud Salem, 1986).
Definindo cultura juvenil, Pais (2003) nos menciona que é um conjunto de significados compartilhados, é um conjunto de sinais específicos que simbolizam a pertença a um determinado grupo. Possui uma linguagem específica do grupo, uma forma particular de ritos e eventos, através dos quais a vida adquire um outro sentido, diferente das outras gerações. Alguns comportamentos dos jovens (forma de vestir, jeito de falar, etc.) são vistos por esta corrente como “forma de resistência”. Essa conduta de resistência é igual para todos os jovens; nesse sentido, não existe diferença decorrente do estrato social ou da
condição social. Cabelo vermelho, piercing, etc. são sinais da “cultura juvenil” que são usados para desafiar a “ideologia dominante”. Estes jovens procuram sempre um significado político para manifestar a resistência e ao mesmo tempo criam espaços culturais.
Esses significados compartilhados fazem parte de um conhecimento comum, quotidiano. É no quotidiano e nas suas interações que os jovens constroem formas sociais de compreensão e entendimento que se articulam com formas específicas de consciência, pensamento, percepção e ação. De fato, as crenças e representações sociais fazem parte do contexto do quotidiano dos jovens, sem eles haver presenciado sua elaboração.
Não obstante, atualmente existem duas discussões com relação à noção conceitual da juventude, uma delas são “as novas condições juvenis” e a outra é “a situação social dos jovens”. As novas condições juvenis são causadas pelas grandes transformações sociais*
experimentadas a nível global nas últimas décadas. Por este motivo, tornou-se difícil definir juventude para os pesquisadores da área. As mudanças econômicas, sociais e culturais foram se dando rapidamente, afetando a estrutura social na qual a juventude está submersa. Por essa razão, modificaram-se a compreensão da etapa e a categoria juvenil, como tradicionalmente tinha sido compreendida na sua construção social-histórica. (Dávila, 2004).
Contudo, Peralva (1997), citado por Calazans (2000), atribui aos jovens maior capacidade de adequação a esse mundo aceleradamente transformado. Essa capacidade de fácil adequação dos jovens em relação aos adultos associa-se ao fato de que a experiência dos adultos tem sido pautada por um modelo de sociedade em decomposição, enquanto os jovens estão se formando submersos naquelas vivências aceleradas do novo modelo social em formação.
Por outro lado, as discussões para definir a juventude giram em torno da “situação social dos jovens”, as quais analisam o espaço e o tempo determinado em que o jovem experimenta a sua realidade social juvenil. Por exemplo, atualmente testemunhamos o
alongamento da juventude causado pela maior permanência no sistema educativo, o atraso da sua inserção no mercado de trabalho e da formação de sua própria família, maior dependência com respeito a seu lar de origem e menor autonomia e emancipação residencial.
O prolongamento da escolaridade do jovem estaria promovendo a desconexão do jovem com a maturidade, dizem alguns autores. Antes, o processo da moratória do jovem para a vida adulta se apresentava da seguinte forma: o término da escolaridade levava ao ingresso na vida profissional e só depois teria as experiências sexuais e a reprodução, possibilitando a formação de um novo núcleo familiar. Atualmente, porém, o aumento da escolaridade, a maior liberalização dos costumes em relação à sexualidade e à disponibilidade de métodos contraceptivos constituem novos percursos da transição do jovem à fase adulta.
Este problema da escolaridade levou os jovens a ficarem mais vinculados a suas famílias de origem para poder concluir sua escolarização. Além disso, outro problema que o jovem enfrenta é a falta de emprego, o que contribui para que ele continue morando mais tempo com a família. Estes problemas não impedem que os jovens passem a exercer ou experimentar a sua sexualidade, muitas vezes independentemente da reprodução e da possibilidade de formar um novo núcleo familiar. Às vezes já tendo filhos, eles se mantêm junto a suas famílias de origem, configurando núcleos familiares em que se observa uma dupla hierarquia parental: os jovens pais apresentam dois papéis diferentes, são filhos e ao mesmo tempo são pais. Por estar na casa dos pais, devem se submeter às regras deles, apesar de impor novas regras a seus filhos. Este problema sociocultural é chamado de descristalização por Chamboredon (1985), citado por Calazans (2000).
Por outro lado, Chamboredon (1985) menciona que os jovens têm outra forma de experimentar o alongamento do período de escolarização, a manutenção de estatutos pré- matrimoniais e pré-parentais, quer dizer, o retardamento das idades do casamento e da reprodução, experiência que o autor chamou de estabelecimento. A vida dos jovens como solteiros e sem filhos permitiria maior flexibilidade em seus planos.
Como conseqüência de todas estas mudanças, os pesquisadores tiveram que reformular a condição juvenil sob este novo contexto, e concebê-la como um conjunto de mudanças nas vivências e relações dos jovens em outro cenário social, com novas condições juvenis.
No entanto, para definir a juventude deve-se levar em conta a discussão da “trajetória de vida”, tanto individual como social. Este processo se caracteriza pelo tempo de espera da transição do jovem à vida adulta e, sobretudo, pela relevância da passagem da formação profissional à inserção no mundo do trabalho e tudo o que envolve este processo de inserção. No plano individual, a trajetória do jovem refere-se não somente às experiências passadas senão também ao projeto de futuro; o presente vê-se condicionado pelos projetos de futuro. O plano social, aponta Dávila (2005), é visto pela pluralidade de juventudes e condições juvenis possíveis que são reflexos das estruturas e processos sociais.
Não obstante, a experiência é raramente transmissível na atualidade, é uma realidade construída com representações e relacionamentos, é algo para se ‘ter’ e algo para se ‘fazer’ (Melucci, 1996). Porque o futuro se apresenta como algo incerto, não só inclui a incerteza da idade senão as incertezas das possibilidades sociais.
Este autor defende que a consciência do limite do tempo é muito importante para o adolescente. Caso contrário, ele pode se perder em um presente ilimitado, sem raízes, devido a pouca esperança em relação ao futuro como efeito de um desencanto. A experiência se dissolve e produz frustração, tédio e perda de motivação. Por esse motivo, o limite se tornou uma condição de sobrevivência de sentido. Dessa maneira, o adolescente consegue ter consciência do outro, como a dimensão de estar-na-terra, dos significados e de manter relação com os outros. Por outro lado, o tempo como possibilidade de limitação é uma forma de cuidar da continuidade e da duração, para evitar que o tempo seja destruído numa seqüência fragmentada de pontos, como uma soma de momentos sem tempo.
Na atualidade, o adolescente constrói sua experiência de uma forma mais fragmentada. Ele pertence a uma pluralidade de redes e grupos, entra e sai de diferentes grupos de participação e o tempo que demora em cada um deles é reduzido. A informação que ele manda e recebe está crescendo de forma muito acelerada e descontrolada pelo adulto e pela sociedade, segundo Melucci (1996).
Hoje em dia, a pluralidade das participações e o aumento das possibilidades de mensagens que são oferecidas ao adolescente contribuem para debilitar os pontos de referência através dos quais formará sua identidade, como acontecia antigamente. A construção de uma biografia contínua torna-se cada vez mais incerta. Sobretudo os adultos se espelham em idéias teens e os jovens ficam sem parâmetros para pensar no futuro, não encontram adultos em quem se espelhem.
Da mesma forma, os movimentos juvenis também se tornaram fragmentados, as redes pertencem a diferentes grupos. Os jovens se mobilizam para o controle de suas próprias ações e pelo direito de definir a si mesmos contra os critérios de identificação que vêm de fora. Sua voz é ouvida com dificuldade porque fala pelo particular. A juventude deixa de ser uma condição biológica para ser uma definição simbólica. As pessoas não são jovens pela idade senão porque assumem culturalmente a característica juvenil através da mudança da transitoriedade.
Segundo Melucci (1996), movimentos juvenis se dividem em virtude do ambiente sombrio que está ao seu redor e declinam-se à marginalidade das drogas. Só quando a democracia for capaz de garantir um espaço para que as vozes juvenis sejam ouvidas, poderão tornar-se importantes atores na inovação política e social.
Depois de haver visto as definições de juventude e adolescência através dos diferentes teóricos tanto da sociologia quanto da psicologia, entraremos a conhecer as características das juventudes argentina, boliviana e peruana, que são o foco desta trabalho de pesquisa, para logo entender o resultado final de análise.
Após explicar o que é juventude e adolescência na área da sociologia e da psicologia, no capítulo seguinte desenvolveremos o processo de identidade psicossocial, explicando as considerações sobre o que é ser argentino, boliviano e peruano para entender a identidade cultural dos jovens imigrantes que vieram para o Brasil.
TERCEIRO CAPÍTULO
ASPECTOS PSICOSSOCIAIS DA JUVENTUDE
A identidade é um processo que se constitui na relação do indivíduo com a sociedade. Para analisá-la, precisaremos nos apoiar na Psicologia Social que estuda o ser humano e suas relações sociais dentro de um sistema social. A Psicologia Social é uma área de conhecimento que tenta abranger a análise da ordem social enquanto estrutura do sistema (nível macrossocial) e ao mesmo tempo busca entender como esse sistema regula o comportamento dos indivíduos (nível microssocial). Os dois níveis estão interligados e, por isso, Martín-Baró (1999) afirma: “cada sistema social é fruto de uma história e a história é
feita pelos seres humanos” (p. 49). Dentro deste processo de relações sociais, o ser humano constrói sua socialização e sua identidade tanto social quanto individual. Explicaremos o desenvolvimento da socialização do ser humano, para em seguida entrar no processo de identidade social e o que abrange este tópico para finalizar com a identidade individual, que é o propósito deste trabalho.