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Equivalent Plastic Strain

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5.4 Simulation Results

5.4.5 Equivalent Plastic Strain

“O estado ou condição de indivíduos ou de grupos sociais de sociedades letradas que exercem efetivamente as práticas sociais de leitura e de escrita e participam competentemente de eventos de letramento” é apresentado por Soares (2003, p. 145)

como letramento. A autora identifica duas dimensões desse termo: a individual e a social. A dimensão individual envolve especificamente a competência de ler, escrever e compreender o que se está lendo e escrevendo, requerendo um conjunto de habilidades, quais sejam: motoras, cognitivas e metacognitivas. Soares ressalta ainda que ler e escrever são processos diversos, embora complementares, que requerem habilidades diferenciadas. A dimensão social do letramento apresenta-se como uma prática social, ou seja, de que forma, em um determinado contexto, as pessoas demonstram familiaridade com algumas práticas de leitura e de escrita.

Além disso, continua a pesquisadora, em cada sociedade práticas de leitura e escrita diferenciam-se segundo os contextos sociais, exercendo papéis diversos na vida de grupos ou de indivíduos específicos. Dessa forma, as pessoas em suas diferentes profissões, lugares e vivendo diferentes estilos de vida enfrentam demandas funcionais de leitura e escrita muito diferentes. A idade, o sexo, a localização urbana ou rural e a etnia são, entre outros, fatores que determinam a natureza das práticas de leitura e escrita.

Além das dimensões do termo, Soares (2003) e também Kleiman (2008) dão destaque a dois modelos de letramento propostos por Street (1984, 1993): o autônomo e o ideológico. O modelo autônomo é aquele em que o problema da não aprendizagem é uma questão individual. O aluno atribui a si próprio a responsabilidade de não ter aprendido; trata-se de um modelo bastante comum de ser encontrado entre alunos em processo de alfabetização: uma autoculpabilização por não ter estudado quando criança. No modelo ideológico, o que se destaca é que todas as práticas de letramento são aspectos não apenas da cultura, mas também das estruturas de poder numa sociedade (KLEIMAN, 2008, p. 38). Essa pesquisadora ainda explica que o conceito de letramento foi ganhando ressignificação, sobretudo com os estudos do letramento, novos estudos do letramento e letramentos concebidos no plural, por meio de pesquisadores como Street (1984), Barton (1994) e a própria Kleiman (2008). Sob esse ponto de vista, a língua escrita é tomada na perspectiva social, sendo, dessa forma, parte da configuração de entornos culturais de grupos sociais. Kleiman (2008) reforça que os estudos do letramento refletem a inter e a transdisciplinaridade características da pesquisa sobre a escrita e o ensino de língua materna nesse campo do saber e também a heterogeneidade de questões e problemas de pesquisa que aí se constituem: possíveis relações existentes entre os estilos cognitivos e as formas de socialização da linguagem; as relações de interdependência entre a fala e a escrita; os condicionantes que contribuem para o

desenvolvimento de estilos diferentes de aprendizagem da leitura e da escritura; os processos sócio-históricos e culturais que influenciam os usos da língua escrita.

Definindo tal acepção como base, pode-se considerar que indivíduos efetivamente inseridos em sociedades grafocêntricas são letrados. No entendimento de Kleiman (2008, p. 18-19), “[...] podemos definir hoje letramento como um conjunto de práticas sociais que usam a escrita, enquanto sistema simbólico e enquanto tecnologia, em contextos específicos, para objetivos específicos”. Rojo (2008) ressalta que o fenômeno do letramento implica os usos e as práticas sociais às quais a escrita se presta, em contextos valorizados ou não valorizados, nos mais variados espaços (família, escola, igreja, mídias). De acordo com Rojo (2008), as mais recentes abordagens acerca desses estudos têm apontado para a forma heterogênea, na qual as práticas sociais de leitura e escrita estão presentes, uma vez que as práticas de letramento são situadas socioculturalmente (BARTON e HAMILTON, 1998).

Acerca disso, Kleiman (2008) argumenta que os estudos do letramento adotam um modelo situado nas práticas de uso da língua escrita, visto que, nessa perspectiva, qualquer aspecto descritivo ou explicativo acerca dos usos da língua escrita implica todos os eventos que compõem a situação comunicativa. Sob esse novo ponto de vista, o conceito de letramento passa a ser designado no plural.

Autores que adotam essa perspectiva, como Barton e Hamilton (1998), propõem, em seus estudos, os letramentos dominantes e os letramentos locais ou vernaculares. No entendimento desses autores, os letramentos dominantes estão associados a organizações formais tais como escola, igreja, local de trabalho, comércio, nos quais estão previstos agentes como, por exemplo, professores, especialistas, padres, entre outros. São padronizados em termos de efeitos formais da instituição, ao invés de serem definidos em termos de múltiplos propósitos e deslocamento dos cidadãos e de suas comunidades. Na medida em que esses letramentos são agrupados, são vistos como racionais e de elevado valor cultural. Já no que se refere aos letramentos vernaculares, compreende-se que esses são essencialmente aqueles que não são regulamentados ou sistematizados por regras e procedimentos formais de instituições sociais, mas têm sua origem nos propósitos da vida cotidiana. Eles podem ser ativamente reprovados, banalizados e contrastados com os letramentos dominantes. Na tentativa de ampliar as discussões sobre os usos sociais da escrita, Street (2003) propõe a existência de dois modelos: o modelo autônomo e o modelo ideológico aos quais já fizemos menção

anteriormente. No modelo autônomo, a escrita seria tomada independentemente do contexto, apenas na perspectiva da imanência.

Street (2003, p. 4) escreve que, nessa concepção, “[...] a questão do letramento é com frequência representada como sendo simplesmente técnica: as pessoas precisam aprender uma forma de decodificar as letras, e depois poderão fazer o que desejarem com o recém-adquirido letramento.” Sob essa perspectiva, as funções da linguagem são afetadas pelo domínio da escrita, sobretudo no que diz respeito a funções lógicas, visto que, nessa concepção, a escrita seria a única possibilidade de habilitar os indivíduos no desenvolvimento de abstrações. Desse modo, a escrita seria regida pela racionalidade e pela lógica inerente ao sistema, distinguindo-se da oralidade, que seria regida pelas relações interpessoais da linguagem, estabelecendo com ela uma dicotomia.

Essa discussão referente aos usos sociais da escrita remete a Barton (1994) e suas proposições acerca de eventos e práticas de letramento. O autor entende que os eventos de letramento seriam as atividades humanas em que a escrita está presente, enquanto as práticas de letramento seriam as maneiras gerais como cada cultura utiliza o letramento, práticas nas quais as pessoas se baseiam quando participam de um evento de letramento. Segundo o estudioso, a escrita desempenha diferentes funções na vida diária dos indivíduos, em múltiplas atividades nas quais essa modalidade da língua está presente; trata-se dos eventos de letramento. Esse fenômeno consiste em ações de que a leitura e a escrita fazem parte. Alguns eventos de letramento abrangem atividades diárias que abarcam a escrita, como a discussão de uma reportagem de jornal por um grupo de amigos, ou mesmo um ato de contar histórias para uma criança, fazendo remissão à obra.

Tendo como base o sucesso da leitura pelos padrões escolares, tem-se o seguinte quadro: crianças bem-sucedidas são as que tiveram uma orientação de letramento compatível com a orientação escolar e, portanto, atendem às expectativas da escola. Do outro lado, encontram-se as mal-sucedidas: o letramento que tiveram em casa é ignorado, não desejado pela escola. Vê-se que todos os grupos sociais são representantes de determinada cultura, no entanto poucos desses veem sua cultura representada na comunidade escolar.

Acertadamente, Sacristán (2000) assinala que a escola, em geral, adota uma posição e uma orientação seletiva frente à cultura de determinados grupos e, isso se visualiza no currículo que transmite. Completando o raciocínio, o autor destaca que as modalidades de educação num mesmo intervalo de idade acolhem diferentes tipos de

alunos com diferentes origens e fim social e isso vai-se refletir nos conteúdos a serem cursados e delimitar a essa população a um tipo ou outro de educação.

Entende-se, assim, que a escola tem suas portas abertas para todos, todavia não se incomoda se suas exigências curriculares colocam seus alunos em diferentes trilhos. Todos são recepcionados, contudo as reivindicações não são realistas, visto que o nível cultural de procedência dos alunos é diverso. “Assim, o currículo deve tornar-se, pelo menos, um elemento de compensação, já que não poderá sê-lo de total igualização”, afirma Sacristán, (2000, p. 63).

Alfabetizar letrando é posto, então, como principal legado da educação, percebendo ser esse trabalho não só do Ensino de Línguas, mas te todas as outras disciplinas que manuseiam informações escritas, verbais, tecnológicas e gráficas.

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