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Verifica-se que, enquanto na tarefa subjetiva a pontuação dos grupos foi bastante equilibrada, com uma vantagem para o G2 de apenas 1%, na soma dos pontos da tarefa objetiva esta vantagem do G2 aumentou para 16%. Enquanto o G1 obteve 58% de aproveitamento nas tarefas descritivas, nas objetivas seu desempenho subiu para 72%. Da mesma forma o G2 obteve um desempenho de 59% nas tarefas descritivas, subindo para 88% nas objetivas.

As linhas dos gráficos 5 e 6 demonstram o desempenho dos grupos nos dois tipos de tarefas exploradas pelo instrumento de coleta.

Gráfico 5 - Desempenho do G1 em ambas as modalidade de tarefas

Soma das tarefas Subjetivas (SS) versus Atividade Objetiva (AO)

Na linha vertical estão as 15 possibilidades34 de pontos máximos que cada participante poderia alcançar, enquanto que na horizontal estão dispostos individualmente cada um dos participantes do G1. Através da observação da linha mais clara, que representa as questões objetivas, verifica-se uma variabilidade entre quatro e quinze acertos, enquanto que as questões subjetivas, representadas pela linha mais escura, variam de quatro a treze. Observa- se no G1 uma maior variabilidade entre as duas modalidades de tarefas, se comparadas às linhas do G2 do gráfico seguinte, pois as linhas estão mais entrecruzadas. No entanto, a superioridade do número de acertos nas questões objetivas se evidencia através da visualização da linha mais clara, que as representa, sempre acima da linha mais escura, com exceção do participante de número quatro que obteve pontuação superior na modalidade subjetiva.

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Cabe relembrar que cada participante poderia obter no máximo 15 pontos por modalidade de tarefa (5 para cada tira), ou seja, 15 pontos nas subjetivas e 15 pontos nas objetivas. Em cada tira, com um desempenho máximo, eles somariam até 5 pontos por modalidade, que por sua vez foram multiplicados pelo número de tiras do instrumento.

Gráfico 6 - Desempenho do G2 em ambas as modalidade de tarefas

Soma das tarefas Subjetivas (SS) versus Atividade Objetiva (AO)

O Gráfico 6 apresenta a mesma disposição de dados que o anterior, no entanto, demonstra a comparação entre as duas modalidades de tarefas no G2. Como mencionado anteriormente, visualiza-se neste grupo, uma menor variabilidade entre as modalidades de respostas. Isto porque as linhas do gráfico não se entrecruzam, apenas se encontram nos dados do participante dois, o que demonstra que este obteve o mesmo desempenho nas duas modalidades de tarefas, enquanto que os demais obtiveram uma pontuação sempre superior nas tarefas objetivas, representadas pela linha mais clara.

Durante a etapa de criação do instrumento de coleta houve uma grande preocupação em relação ao fato de que as perguntas não viessem a induzir a resposta dos participantes. Cabe relembrar a metodologia adotada, que optou pela realização das tarefas em fichas separadas, de modo que, ao final de cada atividade, elas eram recolhidas. A cada etapa as perguntas eram mais específicas e traziam uma maior quantidade de pistas da compreensão textual. Assim, se a pergunta da etapa posterior trouxesse indícios para a resposta anterior, esta não poderia ser modificada, pois já havia sido entregue à pesquisadora.

As perguntas objetivas traziam fortes indícios da compreensão das tiras, deste modo, se o instrumento fosse distribuído aos participantes de uma só vez, alguns deles poderiam lê- lo na íntegra e ficar fortemente influenciados, usando tais pistas na resolução da primeira tarefa, que solicitava a explicação do entendimento da tira. A metodologia usada possibilitou um maior controle na aplicação das tarefas, com o intuito de analisá-las separadamente.

A partir deste procedimento cauteloso foi possível fazer uma análise comparativa entre o desempenho dos grupos nas duas modalidades de tarefas, assim como na quantidade de vezes em que os participantes melhoraram, pioraram ou tiveram um desempenho igual nos dois tipos de tarefas. O gráfico 7 apresenta em sua linha vertical o número de vezes em que houve melhoria (M), piora (P) e margem igual de pontuação entre as tarefas (I).

Gráfico 7 - Análise comparativa do desempenho dos grupos nas tarefas objetivas na comparação com as subjetivas

Melhoria (M), piora (P) e margem igual de pontuação entre as tarefas (I)

Verifica-se que no G2 houve melhora em 35 oportunidades, por seis vezes os participantes pontuaram de forma igualitária entre os dois tipos de tarefas e a incidência de piora ocorreu uma vez. No G1 a melhoria ocorreu em 22 oportunidades, o desempenho ficou igual nas duas tarefas por dez vezes, coincidindo como a incidência de piora que também ocorreu dez vezes.

Esta pesquisa apurou uma evidente melhoria no desempenho dos grupos no que tange às tarefas objetivas. Tal melhoria pode ser um indício de que este tipo de tarefas, de certa forma, facilitou a compreensão dos leitores em relação aos textos, pois como já mencionado anteriormente, as próprias afirmativas traziam pistas que auxiliavam os leitores na direção de um tipo de interpretação.

Este resultado instiga a reflexão sobre quais seriam as melhores tarefas a serem adotadas nas investigações científicas quando se quer verificar o “produto da compreensão” (TOMITCH, 2008, p.39).

As tarefas subjetivas são mais trabalhosas tanto para os participantes voluntários, quanto para aqueles que farão a análise, uma vez que dependem de um trabalho manual, que não pode ser computado por softwares. Neste sentido, as questões de múltipla escolha são mais positivas, podem dispor mais facilmente de recursos tecnológicos e assim abarcar um maior número de sujeitos. Outra desvantagem em relação às tarefas descritivas é que elas, à medida que requerem alguém que as analise, ficam suscetíveis aos efeitos da subjetividade de cada corretor, que as analisará a partir de seu ponto de vista, que por sua vez está identificado com o lugar social e a cultura em que está inserido.

Enquanto as tarefas subjetivas oferecem um determinado risco no sentido da maior exposição a diferentes maneiras de compreender o texto, as tarefas objetivas oferecem o risco de fornecer pistas em seus próprios enunciados, que poderão interferir na opinião do leitor de modo a direcionar as compreensões, ou ainda, oferecer em si mesmas uma interpretação que o participante não conseguiria inferir sozinho. Diante disso o pesquisador se depara com uma situação bastante difícil para escolher as tarefas, visto que ambas demonstram limitações. No entanto, estes são os recursos disponíveis na pesquisa da compreensão leitora como produto. Neste sentido, para dar maior validade ao seu trabalho cabe ao pesquisador não depositar toda sua confiança somente em uma modalidade de tarefa.

Pensando em situações como a descrita e ciente das limitações do instrumento que seria utilizado, esta pesquisa procurou empregar dois tipos de atividades, objetivas e subjetivas. Desta forma, as limitações de um determinado tipo de tarefa poderiam ser supridas pela outra modalidade, e vice-versa, em busca de uma maior validade para o instrumento de coleta e os resultados oriundos de sua aplicação.