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2. Scientific background

2.4 Snow distribution modelling and snow data assimilation into hydrological

2.4.3 Ensemble-based snow data assimilation techniques

Dado o dinamismo do processo de transformação da base técnica do país instalado após a Segunda Guerra Mundial, convencionou-se dar o nome de “nacional-

19 A criação, no ano de 1961, da autarquia federal Eletrobrás, se daria sob o signo de dois problemas cruciais:

a) “o das perspectivas de sua autosuficiência econômico-financeira”(LEITE, 1997:129), que possibilitaria a modernização das infra-estruturas na velocidade e distribuição necessárias; e b) o da “integração física do sistema elétrico” (LEITE, 1997:129).

desenvolvimentismo” a este período, ao menos na visão da economia política (TAVARES, 1978).

Constituído como principal articulador e executor das políticas de expansão do meio técnico-científico no território, o Estado passou a ser o mais importante agente deste processo modernizador. Não havia, na verdade, um parque industrial diversificado e “completo”, para atender as novas demandas de consumo do território brasileiro. Não existia tampouco uma burguesia nacional dinâmica o suficiente para chamar a responsabilidade sobre essa industrialização. Daí a ação mais firme do Estado no planejamento e na condução das mudanças.

Além de uma política específica para o comércio exterior20, o Governo Federal implementa uma política de investimentos, com conseqüências diretas para a alteração dos conteúdos industriais e financeiros do território; neste período, são criadas as seguintes instituições públicas:

a) Usina de Volta Redonda (1946), que supriria de bens siderúrgicos de variados tipos todas as indústrias que passam a requerer este insumo em território brasileiro; b) Centro Tecnológico da Aeronáutica (CTA) e o Conselho Nacional de Pesquisa

(CNPq), ambos em 1951; formam-se estes institutos em função da preocupação estatal em promover iniciativas que viessem a incorporar o país de forma ativa no período técnico-científico que se gestava, financiando projetos e iniciativas nas Universidades que gerassem padrões tecnológicos menos dependentes de conhecimento gerado no exterior, e com maior adequação à realidade nacional; c) Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (1952), que, como veremos, se constituirá num sistema de ações especializado no projetamento de grandes investimentos, e financiará obras importantes para a remodelação dos grandes sistemas de engenharia aqui presentes;

20 Conforme nos mostra também Maria da Conceição Tavares (1978), essa política de comércio exterior

permitiu, entre outras ações: a) uma discriminação controlada dos produtos importados (protegendo sensivelmente parte das indústrias nacionais em formação); b) uma liberação apenas da importação de bens de capital e produtos considerados estratégicos (que serviriam para completar os circuitos produtivos já instalados); e c) por último, mas não menos importante, dentro da política de comércio exterior foi executada uma hábil política cambial, que permitiu ao Estado reter boa parte dos lucros cambiais gerados com as importações/exportações, permitindo um financiamento não-inflacionário das atividades do Estado.

d) Petrobrás (1953), que interferiria positivamente no suprimento de recursos energéticos do país, assim como posteriormente no suprimento de bens intermediários (derivados do petróleo) para uma gama enorme de indústrias.

Estes são os principais eventos, resultados de iniciativas governamentais, para fazer frente ao “desinteresse e incapacidade do capital privado (nacional e estrangeiro) em realizar investimentos em infra-estrutura e setores industriais básicos”, lembra- nos Wilson Suzigan (1976:88).

Como é conhecido na literatura sobre a evolução das infra-estruturas do território brasileiro, a partir do ano de 1956 o Governo Federal implementa ainda uma série nova de políticas públicas que – dado o dinamismo que geram – nos permite falar numa inflexão do processo de industrialização do território. Durante os anos de 1956-1961, parece adequado afirmar que o chamado Plano de Metas passa a ser o eixo principal sobre o qual são possibilitados novos usos do território brasileiro. Neste “subperíodo” do Plano de Metas, podemos destacar ao menos três mudanças principais em relação aos seus usos industriais:

a) conforme já iniciado no subperíodo de 1945-55, é aumentada a presença do Estado na execução e no financiamento das estruturas produtivas nacionais;

b) concomitantemente, porém, são também incentivadas as entradas de capitais externos no território, fossem eles privados ou oficiais;

c) são instaladas no espaço brasileiro um conjunto de indústrias bastante dinâmicas a partir desta base, como por exemplo: a indústria automobilística, indústria naval, de material elétrico pesado, além de “outras indústrias mecânicas de bens de capital”(TAVARES, 1977:72). Expandem- se várias indústrias já existentes, como a siderúrgica, a petrolífera, a metalurgia de não-ferrosos, a de celulose e papel e de química pesada, entre outras (TAVARES, op. cit.:72).

A industrialização brasileira altera a divisão social e territorial do trabalho instalada. Os lugares da produção são cada vez mais dissociados dos lugares do consumo, o que leva a uma maior necessidade de integração material (física) do território. A quantidade de capitais necessários aos investimentos nestes sistemas de engenharia se avulta. As somas necessárias acabam por tornar pouco eficaz o sistema bancário (assim como o financeiro) existente, já que estes não tinham o dinamismo suficiente para suprir com capitais as novas demandas dos circuitos produtivos da nação.

Por que podemos dizer que essa nova constituição do espaço geográfico torna menos eficiente a atividade bancária existente até então? São ao menos duas novas necessidades de financiamento que nos permitem afirmar isto:

a) realização de investimentos nas grandes infra-estruturas de suporte em construção no território (rodovias, ferrovias, usinas geradoras de energia, equipamentos para a transmissão da energia etc.);

b) provimento de capitais para a dinamização das atividades industriais e comerciais que se instalavam com maior velocidade nos centros urbanos; tanto o financiamento do consumo de bens duráveis, como o provimento do chamado “capital de giro” das empresas tornam-se necessidades prementes.

Do ponto de vista dos investimentos nas grandes infra-estruturas, o processo é assumido (principalmente) pelo Governo Federal, que se vale de dois principais meios de obtenção de recursos: a) a utilização do sistema tributário em vigor, que permitia ao Estado (em suas esferas Federal, Estadual e Municipal) drenar recursos fiscais dos agentes econômicos e da renda gerada no território; e b) por meio da modernização do próprio sistema financeiro e bancário brasileiro, já que aquele herdado dos períodos anteriores não mais tinha funcionalidade para esta nova base técnica instalada21.

21 Vale ressaltar que a nova base técnica que passa a funcionar no território brasileiro altera sensivelmente os

tempos do território, principalmente aqueles tempos de maturação dos investimentos realizados. Essa “necessidade de se realizar um amplo programa de investimentos de infra-estutura”(MARTINS, 1985:85) é que balizaria os novos processos de planejamento do Governo Federal, por exemplo, que passaria a pensar no planejamento de seu território com prazos mais longos de tempo.

Se antes as quantidades de técnicas e de capitais geografizados no território eram menores, também eram menores as necessidades de financiamento destes conteúdos. Mas o acréscimo em proporções cada vez mais vultosas de capitais fixos, em várias partes e em vários tipos de atividades produtivas, aumenta a necessidade de disponibilização de recursos financeiros da nação.

Não havia, na verdade, um sistema financeiro que permitisse grandes investimentos em sistemas de engenharia, já que estes, por definição, requerem prazos de maturação bastante longos (10, 20 ou até 30 anos, dependendo do tipo de atividade). Os atores financeiros instalados no território lidavam basicamente com a concessão de créditos em prazos mais curtos, geralmente para o financiamento da agricultura, ou para algumas atividades comerciais urbanas (GOLDSMITH, 1986).

Podemos dizer, portanto, que estes novos conteúdos do território (dos quais destacamos com algum detalhe aqueles ligados à geração de energia e à atividade industrial) é que impulsionarão a formação de um sistema financeiro e bancário nacional mais moderno, capaz de suprir com recursos de médio e – principalmente – de longo prazo, os novos sistemas de ações e de objetos que serão acrescentados ao território brasileiro no período.

CAPÍTULO 3. As Necessidades de Financiamento do Meio Técnico-Científico