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2. Background

1.4. English as an L3

As manifestações realizadas pelo homem são carregadas de significados, valores, sentimentos que foram construídas por ele durante seu processo histórico e social. A Educação Física também está neste contexto de realizações executadas pelo homem durante toda a sua existência.

Toda manifestação humana é movida por valores que determinam certos ideais, certas finalidades e certos objetivos. Evidentemente, esses valores são culturalmente moldados e se modificam de acordo com as variáveis que o momento histórico lhes impõe. (MEDINA, 1990, p. 59)

Para Kolyniak Filho (1995a), pensar a Educação Física na ótica do materialismo histórico dialético significa:

• Perceber que há uma realidade objetiva que não pode ser totalmente compreendida pelos homens, que segue suas leis próprias;

• Compreender que o conhecimento é mediado por signos, envolvendo representações de objetos e fenômenos;

• Situar a Educação Física como produção histórica do homem no seu processo de desenvolvimento cultural que inclui a produção material e ideológica18;

• Buscar compreender as relações entre o fazer histórico do professor de Educação Física e seus antecessores (instrutores de ginásticas, militares, pedagogos, etc.) e o conjunto das relações sociais em que este fazer ocorreu;

• Assumir uma posição política clara, diante do poder da sociedade identificando a Educação Física como prática social, que pode colaborar para transformar as relações de poder;

• Libertar-se de compromissos impostos e assumidos no passado, como a orientação higienista, a defesa da eugenia e a preparação do trabalho para a exploração capitalista, pois isto vem limitando a prática da educação como atividade voltada para o desenvolvimento da totalidade humana. • Compreender o homem como ser biopsicossocial, cuja consciência se

constrói nas e pelas relações;

• Buscar a indissociabilidade entre teoria (reflexo psíquico sistematizado sobre a realidade ou parte dela) e prática (ação direta sobre a natureza ou sobre outros homens, mediada por instrumentos e/ou por signos).

• Reorganizar o conhecimento já produzido até o momento a respeito do objeto de estudo na perspectiva do materialismo histórico dialético.

• Além destes fatores da perspectiva da psicologia sócio-histórica, a Educação Física tem seu objeto de estudo no movimento humano, ou seja, o homem em movimento.

De acordo com Kolyniak Filho (1995), Vigotski propôs uma teoria que visava ao desenvolvimento cognitivo humano, entre outras coisas para orientar questões educacionais; porém, não está explicitada, em seus escritos, a

18 Ideológico compreendido em dois sentidos: como conjunto de ideias e valores subjacentes a

toda manifestação humana e como conjunto de ideias e valores professados pela classe dominante, que se tornam hegemônicos na sociedade de classes. (KOLYNIAK FILHO, 1995)

preocupação com o desenvolvimento da motricidade humana19. Entretanto, como seu pensamento foi balizado pelas concepções do materialismo histórico- dialético, é importante refletir, sobre a aplicabilidade de suas ideias, a questão do desenvolvimento humano consciente.

Motricidade, na perspectiva da teoria sócio-histórica do desenvolvimento, segundo Kolyniak Filho (2001), é anterior à construção das funções psicológicas superiores (atenção deliberada, memória evocativa, raciocínio lógico, auto- regulação da conduta), tanto no plano da filogênese como da ontogênese.

Nas palavras de Kolyniak Filho (2001)

No caso da filogênese, o desenvolvimento das áreas associativas córtex cerebral (possibilitadoras das funções psicológicas superiores) ocorreu proporcionalmente ao aumento do volume craniano – que por sua vez dependeu da diminuição do volume mandibular, graças às mudanças nos hábitos alimentares dos primitivos grupos humanos. Essa mudança ocorreu associada a uma série de adaptações motoras que envolveram a caça, o uso de instrumentos, a preparação dos alimentos etc.

No plano ontogenético, observou-se que a criança nasce com o sistema nervoso incompleto (apenas uma parte do cérebro encontra-se mielinizada, abrangendo a área motora). Assim sendo, a única atividade adaptativa que a criança pode exercer é a própria motricidade, que inicialmente é meramente reflexa e, aos poucos, vai se tornando mais complexa, à medida que a criança vai estabelecendo novas conexões neurológicas e, com isso preparando condições de amadurecimento de outras áreas cerebrais (como por exemplo, as da linguagem e das funções associativas no lobo frontal). (p. 35-36)

Para ultrapassar a visão fragmentada de homem estabelecida historicamente, é prerrogativa entender a complexidade da evolução filogenética e ontogenética do ser humano, compreender que as relações de motricidade e as coordenações sígnicas fazem parte de um mesmo processo de desenvolvimento e que tais relações estão presentes nas ações caracterizadas como humanas, como nos ensina Melani (1997).

Sabendo que a Educação física tem como pressuposto básico o desenvolvimento intelectual, emocional e social, a partir da intervenção sobre práticas corporais dos sujeitos, é função da escola considerar as manifestações das pessoas em sua totalidade e não apenas em sua dimensão motora.

O movimento humano vem sempre marcado por sua intencionalidade, isto é o que nos diferencia do movimento dos outros seres e isto é determinado por um mundo material, numa perspectiva histórica.

Como podemos perceber, todos os movimentos são carregados de intenções desde o mais simples ao mais complexo e por isso concordamos com Kolyniak Filho (2001) quando afirma que a motricidade se caracteriza pela intencionalidade e pelo significado, sendo fruto da relação dialética entre herança biológica e a herança histórica e sociocultural. Os significados dos nossos movimentos são adquiridos no contexto das relações sociais em que eles ocorrem e construídos pela cultura e pela sociedade.

A partir destas concepções apresentadas, nosso estudo procurou ir adiante, contribuindo para o desenvolvimento do debate. Buscamos com nosso estudo dar visibilidade à dimensão subjetiva de todo este processo. Entendemos que faz parte da realidade, na qual o indivíduo se insere e age, uma dimensão que é composta pelos sentidos e significados que vão sendo constituídos pelos sujeitos. Os humanos são sujeitos pensantes que se relacionam com a realidade social a partir de suas construções subjetivas. Esses aspectos não podem ser esquecidos e devem ser estudados, na medida em que fazem parte do processo social. A dimensão subjetiva foi aqui estudada a partir das categorias: significados e sentidos, que se tornam objetos de estudo e recurso metodológico de nossa pesquisa.