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3. Teori

3.5 Endringsledelse

O conforto físico e psicológico é uma necessidade básica para que os indivíduos permaneçam nos ambientes. Nos EAUPs, alguns aspectos podem favorecer ou inibir a permanência das pessoas, cujas percepções apresentam variações na percepção quanto ao conforto ambiental a que cada pessoa está habituada (Carr et al., 1992). Entretanto,

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alguns recursos são considerados relevantes para a satisfação da maioria das pessoas tais como a presença de vegetação, arborização, equipamentos e mobiliário urbano.

Referindo-se aos idosos, suas necessidades são em geral as mesmas das pessoas de outras idades, contudo, como anteriormente visto os idosos estão em uma condição física que requer uma atenção maior para que sua permanência no local seja convidativa, agradável e proporcione mais bem-estar do que incômodos e preocupações. Alguns idosos, por exemplo, por apresentar maior comprometimento auditivo, recorrem à utilização mais frequente da visão quando esta se mostra mais preservada, adotando, portanto uma postura compensatória que o tornará, em determinados ambientes, mais dependentes de pistas visuais.

Barbosa (2002) elencou algumas dificuldades associadas à terceira idade relacionando-as a alternativas adaptativas que podem ser realizadas nos ambientes como medidas compensatórias, algumas delas, listadas na Tabela 01.

Tabela 01

Medidas compensatórias para idosos em EAUPs

Dificuldade vivenciada Medida compensatória

Incontinência e urgência urinária (uso ou não de remédios diuréticos)

Facilitar o acesso ao banheiro

Quedas acidentais

Eliminação de obstáculos físicos, dimensionamento, sinalização e iluminação

adequadas do ambiente

Afecções da pele Uso de formas de controle da exposição solar

Osteoporose

Controle da exposição solar para fixação do cálcio sem radiação excessiva, espaço suficiente

e formas de estímulo a práticas de exercícios físicos

Alterações de humor estímulos visuais para incentivar a atividade Criação de ambientes acolhedores com

Fonte: Adaptado de Barbosa (2002).

As possibilidades de se estimular a frequência dos idosos nas praças podem ser inúmeras. Thwaites e Simkins (2007) afirmam que o próprio mobiliário urbano é considerado objeto-âncora de atração do público quando apresenta bom arranjo espacial

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ou ainda quando há possibilidade de imprimir certa personalização do espaço, como a possibilidade de utilizar mesas e cadeiras móveis que permitam manipular e alterar perspectivas de privacidade dos usuários, concedendo controle territorial temporário por meio de recombinações dos elementos para que se ajustem às necessidades de diversos indivíduos e grupos.

Segundo a WHO (2008), a disponibilidade de bancos e áreas para sentar é uma característica urbana necessária para os idosos, pois para muitos deles, é difícil andar pela cidade se não houver algum lugar para descansar. A instituição cita, também, que a existência de banheiros limpos, convenientemente localizados, bem sinalizados e acessíveis a deficientes é, em geral, considerada uma característica amigável ao idoso.

Outros recursos considerados relevantes para gerar níveis adequados de conforto para o uso dos EAUPs por idosos foram: disponibilidade de água potável, iluminação adequada durante a noite, presença de elementos naturais, presença de outras pessoas, sombreamento natural ou artificial em locais ensolarados, abrigos contra intempéries como chuva e vento, pontos de venda de alimentos etc. (Tucker, Gilliland, & Irwin, 2007; Veitch, Bagley, Ball, & Salmon, 2006; Whyte, 2001). Dentre os demais recursos, destacam-se ainda o sentimento / sensação / percepção de segurança e presença de elementos naturais.

De modo consensual, diversos estudos referem-se à relevância do sentimento de segurança para a participação em atividades nos EAUPs, relacionado ao conforto psicológico. A percepção do risco no espaço público pode ser influenciada pelas características do ambiente físico e social, sendo considerada uma das principais barreiras contra a frequência das pessoas em EAUPs, principalmente idosos, crianças e mulheres (Austin, Furr, & Spine, 2002; Booth, Owen, Bauman, Clavisi, & Leslie, 2000; Butterworth, 2000; Cattell et al., 2008; Ishii, Shibata, & Oka, 2010; King, 2008;

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Krenichyn, 2006; McCormack et al., 2010; Müller et al., 2007; Transportation Alternatives, 2010). Segundo a OMS, a sensação de segurança no local onde se mora afeta grandemente a vontade das pessoas de saírem à rua, o que, por sua vez, influencia na sua independência, saúde física, integração social e bem-estar emocional (WHO, 2008). De modo complementar, idosos que não demonstram interesse em frequentar EAUPs se mostram menos resistentes quando percebem que há condições de segurança pessoal para permanência e participação de atividades ao ar livre (Booth et al., 2000; King, 2008; Transportation Alternatives, 2010; WHO, 2008).

As pessoas costumam avaliar os EAUPs como seguros ou perigosos por meio de sinais relativos à manutenção (acessibilidade visual e aprazibilidade, incluindo existência/ ausência de lixo, vandalismo, pichação), às condições de iluminação, à presença de outras pessoas ou grupos (tanto para uma possível convivência, quanto intimidantes, entre estes últimos, moradores de rua, usuários de drogas, pessoas suspeitas, pessoas com cães, etc.), à presença de vegetação (diversos portes e posições, interferindo ou não na visualização dos espaços) e, ainda, à reputação do lugar.

Além do aspecto estético e da abrangencia visual, a existência elementos naturais contribui para o aumento do conforto ambiental. As plantas, além de valorizarem a paisagem, suprem necessidades de ventilação, proteção à insolação e conservação e drenagem do solo. Nesse aspecto, os tamanhos, formas e perenidade da folhagem são barreiras que podem regular a passagem da radiação solar, de brisas, a diminuição da temperatura do ar e a luminosidade, contribuindo para tornar o microclima mais agradável. Nos locais de clima frio, onde a incidência de luz solar é desejável, os espaços com pouca sombra são preferidos (Machado, Ribas, & Oliveira, 1986). Por outro lado, em países de clima quente, a falta de sombra nos EAUPs pode inibir ou limitar o interesse de permanência nos ambientes externos (Gonçalves,

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Tibiriçá, Silva, & Torres, 2008). Nas duas situações, a combinação de árvores que proporcionam sombreamento com espaços para sentar-se estimula a percepção de que o espaço é convidativo e confortável, amenizando o aspecto de artificialidade de áreas urbanas e contribuindo para sensação de bem-estar em termos de conforto ambiental.

De fato, nos EAUPs, a presença de recursos que favorecem o aumento do conforto são essenciais para a permanência no ambiente por períodos prolongados, aumentando as oportunidades de interação social e o senso de comunidade (Kearney, 2006).