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Três características centrais da reflexão ativa e pró-ativa ilustram os contrastes entre as duas diferentes maneiras de refletir. A reflexão ativa ocorre em andamento, ao longo da experiência, sem planejamento e está imersa na experiência que a produz. “Estar em andamento” significa que a reflexão ativa acontece durante toda a experiência. Ela é estimulada por situações de perplexidade e novidade e, desde que as experiências de desenvolvimento sejam repletas com tais situações, ela acontece regularmente.

Um aspecto da reflexão ativa relevante não relatado nas descrições de reflexão-na-

ação de Schön (1983) é que a reflexão ativa acontece tanto fora como no trabalho. Os gerentes freqüentemente relatam que se engajam na reflexão ativa enquanto desempenham outras tarefas que requerem envolvimento minimamente consciente, como viajar em férias ou a trabalho, praticar exercícios, tomar banho, despertar durante a noite, realizar trabalhos de campo ou tarefas domésticas, ou engajar-se num passatempo ou hobbie. A reflexão ativa transcende as tradicionais fronteiras do local de trabalho.

Uma segunda característica da reflexão ativa é que ela é essencialmente uma atividade não planejada. Ela aparece e continua espontaneamente quando um gerente está intrigado por algo. Os gerentes estudados por Seibert e Daudelin (1999) não reservaram deliberadamente

tempo apenas para pensar sobre uma questão. Em vez disso, a reflexão ativa ocorreu assim que a questão apareceu ou recorreu à mente do gerente.

Finalmente, a reflexão ativa ocorre enquanto os gerentes estão imersos em sua experiência. Ser removido da experiência significa que a reflexão ativa não é mais possível. Até mesmo a reflexão off-line que é o tipo de reflexão que acontece quando o gerente está ausente do trabalho ainda ocorre enquanto a experiência é parte central da vida do gerente. Em contraste à reflexão ativa, a pró-ativa é episódica/casual, planejada e apartada da experiência. Diferentemente da reflexão ativa, que acontece regularmente através de toda experiência de desenvolvimento, a reflexão pró-ativa ocorre num evento definido claramente para um período de tempo especificado. Há três tipos diferentes de intervenções para a reflexão pró-ativa: uma hora gasta refletindo sozinho, com pares ou com um tutor.

Reflexão pró-ativa, por definição, é uma atividade planejada. Ela acontece como uma intervenção formal usando ferramentas e linhas de direção, tanto sozinho, com outra pessoa ou num grupo pequeno. Ademais, a reflexão pró-ativa é apartada de uma experiência de desenvolvimento. Aprendizes são intencionalmente removidos em tempo e espaço de sua experiência para refletir sobre ela em uma forma mais pensada. Assim, como a reflexão ativa requer a imersão numa experiência, a reflexão pró-ativa requer distanciamento daquela experiência.

Devido à imersão em questões particulares de uma experiência de desenvolvimento, a reflexão ativa é focada na resposta às demandas imediatas da situação. A reflexão ativa ajuda os gerentes a verem sua experiência de forma mais específica, dando mais atenção aos detalhes. O resultado dessa reflexão é uma interpretação em curto prazo e aumento de insight a longo prazo. Em contraste, a reflexão pró-ativa, precisamente porque ela é apartada da experiência e por seu caráter formal, ajuda os gerentes a explicitar o que aprenderam a partir

de uma experiência, compreendendo seu significado para a ação futura. Através deste modo de reflexão, os gerentes são capacitados a ver sua experiência de forma global e mais ampla.

Como pode ser visto, enquanto o foco da reflexão ativa são os detalhes, a ênfase da reflexão pró-ativa é mais amplo e geral. Esta diferença de ênfase para cada modo de reflexão é evidencia a importância de manter um balanço entre ambos os tipos de reflexão quando se considera a maneira como os gerentes aprendem pela experiência. Os resultados da construção da teoria e dos estudos experimentais sugerem que a pressão tem um efeito diferencial na reflexão gerencial dependente da reflexão ser ativa ou pró-ativa. Reflexão ativa é focada no aspecto de quando os gerentes sofrem pressão diretiva. Sabendo que suas experiências são de vital importância para a organização e sua carreira, o foco da mente dos gerentes proporciona a reflexão ativa.

Em contraste, os experimentos do moderador medindo a importância relativa da experiência à carreira do gerente não afetam a quantidade de aprendizagem que os sujeitos relataram. Num primeiro olhar, as descobertas parecem contraditórias. Uma explicação razoável para essa diferença é que para a reflexão ativa e a pró-ativa ocorrem dois modos de reflexão qualitativamente diferentes, sujeitos, portanto, a forças distintas. No meio de uma experiência desafiante, é compreensível sentir pressão para ativar a reflexão. Da mesma forma, é igualmente compreensível remover gerentes de suas experiências a fim de eles refletirem pró-ativamente. Isto leva ao pensamento produtivo sem considerar a importância da experiência. Sair de uma experiência permite ao gerente pausar para fazer considerações sobre o aprendizado que pode ser extraído daquela situação, mesmo que, superficialmente, a experiência não aparente ser importante para ele. Até mesmo se estiver entediado pela experiência, um gerente, numa sessão de reflexão estruturada, pode gerar alguns insights importantes, incluindo, talvez, o porquê de ele estar entediado pela experiência.

O relacionamento de pressão à reflexão gerencial é algo interessante e paradoxal. Atualmente, muitos gerentes trabalham em ambientes cheios de pressão que simultaneamente promovem a reflexão ativa e inibem a reflexão pró-ativa. A mesma pressão que causa a reflexão ativa força os gerentes a pensar através das situações rapidamente. Dessa forma, por eles terem de responder efetivamente torna-se mais difícil refletirem pró-ativamente, porque não podem encaixar a reflexão ativa em suas agendas. Se a pressão é uma força externa que afeta a reflexão ativa e a pró-ativa diferentemente, ambos os modos de reflexão são afetados similarmente pela interação de outras pessoas com o aprendiz. Seja por meio de um processo informal, no caso da reflexão ativa, ou através de uma atividade estruturada de refletir com apoio de um tutor, no caso da reflexão pró-ativa, o envolvimento de outras pessoas no processo facilita a reflexão. O fato de o grupo de pares não ter produzido resultados significativos no experimento de Seibert e Daudelin (1999) parece ser mais uma função de algumas inadequações no design daquela intervenção do que de qualquer problema inerente do uso de pares para refletir. O peso da evidência indica que a reflexão gerencial é tão mais um fenômeno social e psicológico do que puramente um fenômeno cognitivo.

Finalmente, ambos os modos de reflexão gerencial apresentam alguma concordância sobre as questões que envolvem este processo. Na reflexão ativa, questões de fato, função, abordagem, propósito e eu (self) vêm naturalmente aos gerentes conforme eles investigam para compreender suas experiências. Na reflexão pró-ativa, o cuidado na colocação de questões intencionalmente designadas para extrair aprendizagem a partir da experiência leva ao processo de reflexão.