4.6. Validitet og reliabilitet
6.2.2. Endringer i operativ stab
bastante equilibradas. Mostrando-nos a condição de agromineradores a qual se encontram, ambivalentes nos exercícios de atividades dentro da estrutura a qual fazem parte.
Gráfico 5 - Ocupação principal dos
entrevistados Gráfico 6 - Ocupação secundária dos entrevistados
Nesse aspecto, o discurso dos entrevistados era bastante claro quanto ao movimento pendular que existe entre a agricultura e a mineração. Sendo a decisão sobre uma ou outra atividade pautada na necessidade financeira de se manter as famílias. Foi observado também um vivo registro dos conceitos de pluriatividade e de agricultura part time nos entrevistados e suas famílias, que se valem ora de uma atividade não agrícola, mas mantêm a residência no ambiente rural, configurando-se, assim, a pluriatividade; ora da atividade da agricultura, especialmente nos períodos de chuvas e, ainda assim, trabalhando também na mineração como fonte de renda acessória ao ofício rural, configurando-se, assim, a part-time farming.
A viva aproximação entre os dados dos gráficos 5 e 6 é um registro da complementariedade que há entre as atividades de agricultura e mineração Por trás da Serra. Sobretudo nos últimos anos, onde a seca praticamente obrigada esse grupo a buscar outras formas de manutenção econômica e social e que não esteja ligada à agricultura.
Agriculto r conta própria 50% Extrativis mo mineral 46% Outra atividade 4% Ocupação principal dos
entrevistados Agriculto r conta própria 46% Extrativis mo mineral 50% Outra atividade 4%
Ocupação secundária dos entrevistados
O diagrama de Venn20 ajuda a organizar e visualizar melhor os dados obtidos na pesquisa, especialmente quando há duas ou mais opções escolhidas pelos entrevistados em questão. Assim, na terceira parte do questionário, que versa sobre as condições de vida e trabalho dos entrevistados, a primeira pergunta feita desejava do entrevistado não a informação sobre aquilo que ele poderia considerar como sendo a sua atividade principal ou secundária, como já está demonstrado nos Gráficos 5 e 6. Ao contrário, buscava-se entender que, de fato, as duas atividades eram feitas, como condição característica do grupo, e para além da importância empregada pelos entrevistados sobre o grau de acessoriedade ou não de uma atividade com relação à outra.
Então, quando perguntados sobre quais atividades realizavam, buscando-se entender as ocupações as quais colocavam essas pessoas em suas condições de trabalho reais, que garantem os seus sustentos, 21 dos 24 responderam que faziam as duas atividades. Sem duvidar ou colocar em questão qual seria a principal e a secundária (Diagrama 1).
Diagrama 1 – Ocupações dos entrevistados
20 Criado pelo matemático inglês John Venn com o objetivo de facilitar a intersecção e união dos conjuntos, apresentando melhor visualização dos dados de cada grupo.
Total: 24
Agricultura
1
Outra atividade Mineraçã
o
Uma das questões contempladas no quadro de caracterização de ambiente familiar e de trabalho, feita para todos os membros das famílias, era a propósito da ocupação principal e da ocupação secundária dessas pessoas que, morando ou não no domicílio, contribuíam com a renda da família (Diagrama 2).
Diagrama 2 - Ocupações dos membros das famílias que, morando ou não no domicílio, contribuem com a renda da família
Na construção do Diagrama 1, como já foi dito, foram desconsideradas a ordem dos ofícios já apresentadas pelos Gráficos 5 e 6, acima expostos, e que nos trazem dados sobre as ocupações principais e as secundárias dos entrevistados. Já para a construção do Diagrama 2, observa-se melhor as atividades as quais estão envolvidos todos os membros das famílias, excetuando-se os entrevistados, que também contribuem para a renda familiar. Isso nos vale para analisar o envolvimento, direto ou indireto, de todas as 91 pessoas nas atividades de agricultura e mineração, tomando como base as condições de pluriatividade as quais estas famílias estão submetidas.
Quando perguntados de porque trabalhar na mineração e não em outra atividade, esses vinte e três que trabalham na mineração e em outra atividade responderam: Agricultura
2
Outra atividade12
Mineração2
Total: 441) Escapulindo da agricultura para ganhar dinheiro. Já não se pode tirar lenha e preciso fazer dinheiro;
2) A precisão e a necessidade me trouxeram para a mineração. É o serviço que tem. Já não posso cortar uma lenha;
3) É o que tem para trabalhar e meu pai já trabalhava;
4) É mais fácil. Aqui só tem agricultura, mineração e lenha. E a lenha tá proibida;
5) Gosto da mineração. Já estou acostumado;
6) Faz 1 mês que trabalha na mineração. Estava sem trabalho na PB; 7) Quando chover voltarei para a agricultura;
8) Por que não tinha outra atividade;
9) Não tinha outro trabalho para fazer. Eu tinha a agricultura, mas sem chuva a única que eu encontrei foi a mineração. Outro serviço o cabra não encontra;
10) É só o que tem;
11) É o que tem para as pessoas. Não tem opção. Desde pequeno eu mexo com mineração;
12) É mais fácil. Só tem a mineração; 13) O emprego é fácil;
14) Por que garante a feira. Mas tento fazer agricultura também; 15) Eu cresci na agricultura e sempre vivi aqui. Na mineração se
aventurou para aumentar o rendimento. Não tinha outra opção; 16) Está na mineração (há menos de 1 ano) e enquanto não aparece
nada tá achando bom;
17) Se não fosse a agricultura gostaria de ser mecânico, dirigir carro. Mas tudo isso no campo. Não quer sair;
18) Por que é mais fácil porque eu tenho pouco estudo; 19) É melhor porque o resto dá pouco dinheiro;
20) Por que foi o que apareceu mais fácil e certo; 21) Por que sem a agricultura era o que tinha para viver;
22) Por que a mineração é mais fácil de trabalhar. Tem emprego fácil; 23) Quando a agricultura ficou fraca eu saí pra procurar outro serviço,
como os amigos já estavam na mineração eu fui também. (COLETA DE DADOS REALIZADA ENTRE OS DIAS 5 E 8 DE AGOSTO DE 2015).
Já em uma pergunta aberta realizada no questionário, sobre o fato de ser corriqueiro ou não fazer as duas atividades, todas as respostas levaram a mesma afirmação: sempre foi comum. Tal como ocorreram os fenômenos e de maneira espontânea, responderam, integralmente, os 24 entrevistados:
1) Sempre foi comum; hoje é que é mais fácil de trabalhar; tem mais máquinas;
2) Desde sempre as duas atividades. Desde a época que deu o "boom" no município;
3) Desde sempre trabalhando nas duas atividades pela vantagem financeira;
4) No inverno a agricultura, na seca a mineração. Antes a mineração era melhor porque sempre vendia pedra preta e dava dinheiro, hoje o preço baixou;
5) Em Pedra Lavrada (PB) sempre foi comum;
6) Até a década de 90 só agricultura. Mas depois da praga do bicudo, que atingiu o algodão veio com tudo. Agora a mineração também tá difícil por causa que não podemos usar os explosivos. A empresa é que trabalha com essa parte;
7) Aqui é comum. Eu não sou daqui, mas aqui é o que se faz; 8) Sempre foi comum em Parelhas;
9) Sempre foi comum. Aqui chove 1 ano sim e 10 anos não. Esse ano eu plantei e nem mato nasceu;
10) Sempre foi comum. Antes era melhor que chovia todo ano; 11) É comum demais fazer as duas. A gente passa o inverno na agricultura e a seca na mineração;
12) É comum. O único meio de vida é dessas atividades; 13) Sim, porque na seca não tem outro trabalho;
14) Sim, quando sai da agricultura vai para a mineração. E quando volta a chover volta para a agricultura;
15) São as duas atividades para se ter renda. Ter só uma dessas profissões é morte;
16) Sempre foi natural. Sem fazer nada é melhor se ocupar. Como estava desempregado tinha que procurar algo que fazer da vida; 17) Desde de menino eu vejo a mineração aqui;
18)Sempre foi comum;
19) Sim. Por que quando não tem um tem o outro; 20) Sim. Como não chove as pessoas fazem mineração;
21) Sim, porque só tem essas duas atividades e a seca complica tudo;
22)Sim, é o que tem aqui;
23) Era comum as pessoas fazerem as duas atividades. Isso é bom porque quando não chove tem a mineração;
24) Todos os amigos fazem, não dando certo uma vai para a outra atividade.
(COLETA DE DADOS REALIZADA ENTRE OS DIAS 5 E 8 DE AGOSTO DE 2015).
Diante desses fatos, como devemos crer que uma atividade dita como “comum” é realizada apenas em razão da falta de chuva durante uma determinada época?
A mineração e a agricultura estão muito mais presentes como atividades conjuntas em virtude da condição climática a qual se encontra esse grupo, de maneira que num contexto climático de semiárido, onde não são suficientes os incentivos à agricultura no que diz respeito à utilização de atenuantes para que os efeitos da seca sejam amenizados, é necessário que sua população recorra
a outras atividades. E assim o fazem há bastante tempo: pais e avós dos nossos entrevistados já faziam os dois ofícios. Já garantiam “suas feiras” através dos dois trabalhos. Afinal de contas eles nos disseram que a mineração “é o que garante a feira”, remetendo à necessidade de sair para comprar o alimento que não foi produzido na terra (Gráfico 7 ).
Há Por trás da Serra uma propagação de condutas por parte desses agentes, que não são realizadas com a consciência como norteadora das implicações que tramam tal estrutura, visando controlar os possíveis efeitos advindos dela. Afinal, já se encontra interiorizado dentro desse grupo que a agricultura e a mineração são as atividades que podem ser feitas nesse espaço e é assim que eles reproduzem essas práticas, sem reflexionar sobre as consequências desses atos e sem apreender a realidade para além de como eles a concebem.
Para pensar essas duas atividades como as possibilidades mais próximas para as reproduções econômicas e sociais desses agromineradores, devemos nos orientar sob o contexto a qual o grupo vive, de forma que as próprias estruturas que tecem esse campo sejam as respostas para a exteriorização da consciência deles, ainda que essa consciência seja reproduzida automaticamente. Portanto, nada melhor que entender o habitus e o campo onde esses habitus se manifestam: o próprio campo da pesquisa.
Afinal, esses alicerces não foram cimentados apenas na última temporada de secas, e que até hoje aflige essa região. Ao contrário, a condição de agromineradores há tempos está impressa nos moradores “Por detrás da Serra”, quiçá em outras partes do município de Parelhas ou outros municípios do Seridó do Rio Grande do Norte.
Quando perguntados qual das duas atividades eles tinham começado primeiro, todos responderam que antes de trabalharem com a mineração eles já tinham trabalhado com a agricultura, sinalizando para suas raízes na lavoura. Já quando inqueridos se eram as primeiras pessoas da família a desenvolverem a atividade da mineração junto com a agricultura, mais de 70% responderam que não, conforme se pode visualizar no Gráfico 7 abaixo. Inclusive, tal pergunta fechada foi vinculada a outra, aberta, que indaga sobre a
origem das duas atividades na família. Perguntando-os se pais, tios, avós, irmãos ou outros membros do clã já tinham trabalhado antes na mineração.
Gráfico 7 - Ascendência da atividade agrícola feita conjuntamente com a atividade mineral
Dos entrevistados, 29% responderam que a atividade na mineração havia sido inserida por eles dentro da família, sendo eles os primeiros a realizarem-na, ainda que envoltos por um campo onde tal prática já se manifestava. Os demais atrelaram a iniciação à prática da atividade mineral aos parentes21 em linha direta (ascendentes) e em linha colateral (irmãos, tios e primos). Bem como por vínculo social estabelecido, como o casamento.
A reprodução das práticas no contexto “Por detrás da Serra”, já herdada dos ascendentes que também moravam na região, nada mais é que a reprodução de habitus, orquestradas pela repetição de práticas sociais presentes no modelo estrutural desse conjunto. O fato de que realizar essas duas atividades sempre foi comum nesse espaço deve ser entendida não apenas pela lógica de conveniência por parte dos grupos. De tal modo que não há como apartar o contexto histórico a qual viveram essas pessoas para tentar entender a conjuntura as quais vivem hoje e, tampouco, pode-se ilhá-los dessas circunstâncias a qual se encontram. Entender os processos nesse campo exige um olhar para a trajetória do grupo, associado às estruturas
21 O Código Civil Brasileiro versa o parentesco como a união de duas ou mais pessoas por vínculos de sangue (descendência/ascendência) ou sociais (casamento).
sim 29% não
71%