• No results found

Organisering av operativ stab

In document Krisehåndtering i politiet (sider 79-83)

4.6. Validitet og reliabilitet

6.2.1. Organisering av operativ stab

3.1. “POR DETRÁS DA SERRA” DE PARELHAS

Descreveremos a partir de agora os fatos envolvidos no objeto de estudo dessa pesquisa, objetivando acercar o máximo possível da realidade a qual presenciamos nas duas visitas realizadas ao município de Parelhas/RN. Serão expostas nesse subtópico apreciações da pesquisadora conduzidas sob os olhares teóricos já apresentados no capítulo II desse trabalho, relatando algumas condições as quais estão vivendo os agromineradores “Por detrás da Serra” em Parelhas/RN.

Como os conceitos de habitus, campo, trajetória e instituições são utilizados como marcos teórico fundantes desse trabalho, concatenados às considerações sobre agricultura familiar part-time e pluriatividade, faz-se necessário aplicar essas considerações aos fatos presenciados, buscando-se entender as conjunturas e conjecturas a qual essas pessoas estão envolvidas e quais as observações daí entendidas.

Sob a lupa dessas teorias sobrepostas a um questionário com perguntas abertas e fechadas, as reflexões se converteram em exercícios de comparação da realidade ante a essas proposições, transformando as observações feitas no campo em um aprendizado constante e desafiador no tocante à confirmação ou refutação das hipóteses aqui pretendidas. Ademais, esperando que a leitura desse trabalho se torne mais dinâmica, optou-se por trazer os dados tabulados em blocos, para então seguirem suas interpretações sob a perspectiva dos teóricos aqui apresentados.

Em visita exploratória realizada em 21 e 22 de novembro de 2014, foram colhidas as primeiras impressões sobre o agrominerador familiar de Parelhas. Antes da visita a um estabelecimento agrícola, propriamente dito, conversamos com um membro do STTR, com o intuído de deixá-lo a par da nossa intenção com a pesquisa e, também, de solicitar apoio junto à análise em questão,

estabelecendo redes de contato e facilitando a mediação com os agromineradores.

Na primeira conversa tivemos conhecimento da área “Por detrás da Serra”, nome dado em alusão as comunidade que vivem por detrás da Serra da Princesa, distando cerca de 25km de Parelhas (Imagem 2). Nesse lugar existe um número expressivo de pessoas que se enquadram na categoria de agrominerador, ou seja, de agricultores que combinam a atividade agrícola com a atividade não agrícola.

Imagem 1 - Panorâmica da Serra da Princesa

Fonte: autoria própria

Todavia, a pessoa do STTR não conseguiu nos afirmar com precisão a quantidade de pessoas que se dedicavam as duas atividades. Mas enfatizou, por mais de uma vez, que existe uma média de cem (100) famílias que vivem nessa área e se dedicam à agricultura. E, dentre esse número, cerca de sessenta (60) famílias também vivem da convivência entre a agricultura e a mineração.

Imagem 2 - Comunidades “Por detrás da Serra”

Fonte: autoria própria

Há ainda uma área quilombola no município, o Quilombo da Boa Vista, onde se percebe também a dedicação a essas duas atividades. Porém, esse grupo trabalha com carteira assinada na empresa de mineração. O que acaba cortando vínculo legal com a atividade rural familiar. A pessoa do Sindicato dos Trabalhadores Rurais nos relatou que ainda assim há solicitação de aposentadoria rural por esse grupo. Isso acaba por gerar dificuldades para o STTR, pois como esses trabalhadores têm suas Carteiras de Trabalhos e Presidência Social (CTPS) assinadas, o cálculo dos anos como trabalhadores rurais, que foi interrompida quando firmaram contrato de trabalho com a empresa de mineração, é comprometida, dificultando a contagem do período e, assim, a aposentadoria rural.

Situada cerca de 20 km de distância do centro do município de Parelhas, uma propriedade agropecuária visitada na área “Por detrás da Serra” foi nosso primeiro contato com os agentes que são objetos dessa dissertação. Com duas pessoas residindo nesse estabelecimento e fazendo uso de política de transferência de renda em razão da estiagem, foram narradas algumas impressões sobre a realização das duas atividades como, por exemplo, o trabalho na agricultura realizado no período do inverno e a garimpagem no período de estiagem e o relato de que em vinte (20) anos de vida nessa

residência, a família só pode se manter de atividades exclusivamente ligadas à agricultura familiar nos primeiros anos que viveram no sítio.

Os principais minérios extraídos nessa propriedade são o feldspato15 e a tantalita16, nomeada pelo agrominerador como ”bloco” e sua extração realizada com o uso de explosivos. Quanto ao regime acordado entre as partes – agrominerador e empresa mineradora -, ainda que de propriedade do agricultor, o acordo feito entre os dois prevê que o subsolo pertence à empresa, que paga ao agrominerador pelos minérios extraídos, ficando sob a responsabilidade dele a exploração e peneira do minério.

Em razão da informalidade desse acordo, qualquer acidente que venha a acontecer com o agrominerador, como, por exemplo, com o uso de explosivos, na execução do trabalho, a empresa não se responsabiliza pelo incidente e, provavelmente, seria o STTR que solicitaria junto ao Instituto Nacional de Seguro Social – INSS – os direitos de assistência a essas pessoas. O grande entrave, justificado pelo membro do STTR que nos acompanhou, dá-se quanto a justificativa do acidente junto à previdência social. Haja vista que é difícil atribuir a um agricultor familiar o uso de explosivos na realização de seus trabalhos.

A necessidade de concomitância dessas atividades na área “Por detrás da Serra” é reafirmada pelo chefe da família, que nos diz que, caso não a faça, ele e sua família passariam fome. Ele ainda acrescenta que no caso dele e da grande maioria dos moradores daquela região, que também precisam trabalhar com a garimpagem, é a agricultura familiar que é complementar à garimpagem. E não o oposto. Já que, atualmente o que produz por meio da agricultura é utilizado apenas para consumo da casa, tampouco garantido a subsistência familiar.

No retorno à sede do município, perguntei ao membro do STTR se existia o pagamento de algum tipo de “royalty” 17, da empresa para o

15 Com variadas aplicações na indústria, pode ser utilizado na fabricação de vidros, cerâmicas, incorporação em tintas, louças sanitárias e de cozinha, látex, agregados para a construção civil, entre outros produtos.

16 Utilizado na fabricação de aparelhos eletrônicos em geral e indústria bélica. 17 Forma de pagamento que garante o direito a usufruir de algo.

agrominerador. A resposta fornecida foi que há o pagamento de uma “conga”, que é o ajuste financeiro acordado entre as partes quanto ao pagamento para extração.

Diante de tais informações, estava claro que ali existiam outros tantos aspectos que deveriam ser abordados e aprofundados para um entendimento mais apurado sobre as questões propostas nessa dissertação, de maneira que um retorno seria imperativo. Assim, nove meses depois, ocorreu a segunda visita aos estabelecimentos agrícolas que estão “Por detrás da Serra”, entre os dias 5 e 8 de agosto de 2015 (Mapas 2 e 3 ).

Nesse período, foram aplicados os questionários e observados fatos imprescindíveis para o enriquecimento da pesquisa. Histórias foram narradas, contadas e recontadas por diversas bocas e sob os mais diversos olhares. Foram traçados, além de caminhos, teias de parentescos e histórias de vidas cruzadas pelo mesmo ponto em comum: a agricultura e a mineração como ocupações necessárias às reproduções sociais e econômicas “Por detrás da Serra” de Parelhas.

Mapa 2 - Caminhos percorridos em Parelhas

Fonte: Google Earth, construído pela autora

Mapa 3 - Caminhos e espaços visitados “Por detrás da Serra”

Dentre algumas dificuldades encontradas, fixar uma data de retorno após a primeira visita com uma pessoa do STTR foi uma das mais difíceis. Ciente do apoio que necessitaria para apresentar-nos às famílias em seus estabelecimentos seria imprescindível contar com alguém que articulasse uma espécie de elo de confiança entre a pesquisadora e o grupo. Alguém que se constituísse como um mediador, quebrando o contato inicial, apresentando-nos como universitários que estavam ali buscando concluir uma etapa dos estudos.

No carro, a caminho do primeiro estabelecimento a ser visitado, em 05 de agosto desse ano, a pessoa do STTR, em uma conversa bastante à vontade, nos relata sobre a sorte que esse morador, que íamos conhecer em seguida, tem de contar com o apoio de seus filhos para trabalhar na terra. Porém não era o trabalho na agricultura. Era, sim, o trabalho de mineração, explorando uma área dentro da propriedade, que contava com as licenças necessárias para extração e funcionamento da mina, que “empregava” alguns moradores da região “Por detrás da Serra” e, também, de outros municípios (Imagens 3 e 4).

Imagem 3 - Mina de superfície “Por detrás da Serra”

Fonte: autoria própria

Ali começaria a aplicação dos questionários e a observação mais aprofundada da realidade que imaginávamos nos deparar. Vale acrescentar que essa primeira casa, o primeiro estabelecimento que tivemos contato na segunda visita, foi chave para o desenvolvimento da pesquisa. Chegar nesse território acompanhado de alguém que já sinalizava confiança para essas pessoas – alguém do STTR - foi muito importante para o desenvolvimento do trabalho. Afinal, estar “dentro de uma mina”, em contato com o proprietário do estabelecimento e trabalhadores na condição de mineradores, propiciou-nos uma rede dentro desse espaço, que já assinalava para o imbricamento de relações existentes entre a agricultura e a mineração, entre os agentes que estruturavam aquele contexto. Habitus, campo, trajetória e instituições eram conceitos teóricos que saltavam aos olhos e que naquela conjuntura talvez só recebessem outros nomes.

Imagem 4 - Trabalhadores lavrando na mina

Fonte: autoria própria

Dentre algumas inferências constatadas, vimos que trabalhar tanto na agricultura como na mineração, “Por detrás da Serra”, é mais comum do que se pode imaginar. Aos agricultores familiares e trabalhadores rurais que tinham como o obstáculo ao ofício laboral principal a seca e seus reflexos impeditivas para a produção agrícola, restava a “fuga” para a mineração. Afinal, “é mais cômodo”, “todos os amigos já trabalhavam”, “meu pai já fazia as duas atividades”, “a terra só dá para essas duas coisas, e é como a gente vai escapando”.

3.2. APRECIAÇÕES SOBRE O AGROMINERADOR FAMILIAR “POR DETRÁS DA SERRA” DE PARELHAS/RN

O perfil etário de nossos grupo de agromineradores varia entre 15 e 65 anos de idade (Gráfico 1). Mas fisicamente os nossos entrevistados pareciam ser mais velhos do que nos diziam. O serviço debaixo do sol, com alta exposição aos raios solares, extraindo minério na superfície, com jornada média de 8 horas por dia, cinco dias por semana, em temperaturas que podem

atingir a máxima de 32º Celsius, castiga fisicamente o trabalhador, dando-lhes aparência de mais idade do que realmente têm.

Considerando que existe entre essas idades – 15 e 65 anos - 50 anos de diferença e dividindo esse valor pela metade, ou seja, separando o grupo em duas grandes faixas etárias, uma entre 15 e 40 anos e outra entre 41 e 65 anos, percebe-se que o segundo grupo de idades corresponde ao dobro do que tem entre 15 e 40 anos. Isto é, 67% do grupo pesquisado têm mais de 40 anos de idade.

Gráfico 1 - Faixa etária dos entrevistados

Mas essa relação entre a idade e o trabalho realizado pode ser explicada, como nos contou um entrevistado de 18 anos que queria trabalhar com a mineração “como todo mundo por detrás da Serra”, porque os donos preferem contratar18 trabalhadores mais velhos, pois eles já possuem determinado conhecimento sobre os minérios extraídos na região, sabendo identificá-los corretamente para a extração e são conscientes da lida diária e trabalho braçal que a mineração exige, sobretudo quebrando as pedras com picaretas e marretas.

Entre os 24 entrevistados, o que se percebe é que o grupo se concentra também entre os que não chegaram a concluir o Ensino Fundamental I. Ou seja, não chegam a um grau de instrução onde possam almejar uma condição

18 Aqui contratar é utilizado como um vínculo, geralmente verbal, de acordo entre as partes. Sem qualquer assinatura de contrato ou de CTPS.

0 1 2 3 4 5 15-20 21-25 26-30 31-35 36-40 41-45 46-50 51-55 56-60 61-65

In document Krisehåndtering i politiet (sider 79-83)