3.2 S TUDIER AV NORSKE FORHOLD
3.2.2 Endring i forbruk
As análises dos discursos decorrentes da pesquisa de campo foram realizadas tendo como orientação básica a utilização do método fenomenológico. A fenomenologia, inicialmente proposta por Edmund Husserl (1859-1938), aponta para uma nova possibilidade de discussão e compreensão no âmbito das Ciências Humanas, configurando- -se como um meio necessário à compreensão da práxis social. Surge em reação ao positivismo científico, já que tal ciência não captaria a realidade humana. Seria, a princípio,
considerada a ciência das essências (ideias universais) fundadas nos fenômenos captados pela consciência (MARQUES et al., 2006).
O método fenomenológico tem como premissa o desvelamento do fenômeno, numa tentativa de descobri-lo, de clarificá-lo, na medida em que busca “[...] desvendar o fenômeno além da aparência. Exatamente porque os fenômenos não estão evidentes de imediato e com regularidade faz-se necessária a Fenomenologia” (FAZENDA, 2000, p. 63). A partir da experiência de busca da compreensão da existência de determinado fenômeno, pode-se levantar todas as possibilidades de interpretação do fenômeno como realmente o é, desprovido de qualquer interferência que pode vir a mascará-lo.
Assim, o pesquisador precisa adotar uma atitude de abertura para a compreensão, não se prendendo ou se limitando a conceitos ou preconceitos antigos. Com efeito, “[...] na pesquisa (como em qualquer outra situação), a apropriação do conhecimento dá-se através do círculo hermenêutico: compreensão-interpretação-nova compreensão” (FAZENDA, 2000, p. 63). Nesse sentido, foi importante considerar o conhecimento como algo passível de mudança, em que o olhar precisa ser reeducado na perspectiva de abertura para o novo, e que esse “novo”, muitas vezes, não é passível de descrição, pode não estar tão claro num primeiro contato, exigindo do pesquisador uma apropriação maior, um mergulho na essência do que o fenômeno realmente representa.
Para uma compreensão mais clara do fenômeno pesquisado, utilizou-se da hermenêutica, como uma ramificação da fenomenologia, à luz da teoria de Gadamer.
4.1.1 A experiência hermenêutica de Gadamer
Inicialmente, é importante trazer uma definição de hermenêutica na concepção de Hans-Georg Gadamer. Para ele, citado por Schmidt (2012, p. 12), “[...] a hermenêutica é a teoria filosófica do conhecimento que afirma que todos os casos de compreensão envolvem necessariamente tanto interpretação quanto aplicação”. Ao afirmar a necessidade/importância da hermenêutica, Gadamer enfatiza que qualquer situação que envolve a compreensão, necessariamente, envolve também a interpretação. É preciso ir além do que está posto, do que está explícito, na busca da compreensão do sentido, da comunicação.
Muitos aspectos estão envolvidos na atividade hermenêutica, dentre eles a função exercida pela linguagem, que expressa a vivência das pessoas. A compreensão é muito específica de cada sujeito. Cada pessoa compreende de uma forma diferente, tendo em vista os fatores ligados às experiências inerentes a cada ser em particular.
Nesse sentido, Gadamer estabelece um comparativo entre o ato de compreender e uma situação de conversa, considerando que o intérprete precisa ouvir o outro que fala e respeitar suas opiniões. O mesmo acontece com a tarefa de compreensão de um texto, em que é preciso deixar o texto falar no horizonte do intérprete. Assim, para Gadamer, o ser que pode ser compreendido é a linguagem, o que se estabelece a partir da fala e da compreensão dessa fala (SCHMIDT, 2012).
Outro conceito importante é a compreensão em torno do que se caracteriza como “o círculo hermenêutico”, um “[...] círculo rico em conteúdos (inhaltlich erfüllt) que reúne o intérprete e seu texto numa unidade interior a uma totalidade em movimento (processual whole)”
(GADAMER, 1998, p. 13). Nesse sentido, é possível afirmar que as partes não podem ser compreendidas de forma isolada, elas só podem ser compreendidas a partir de uma compreensão do todo, mas que também o todo só pode ser interpretado a partir de uma compreensão das partes (SCHMIDT, 2012). É preciso levar em conta todo o contexto para se chegar à compreensão de partes específicas, e vice-versa. “Toda compreensão pode ser caracterizada como um conjunto de relações circulares entre o todo e suas partes” (SCHMIDT, 2012, p. 65).
Nesse sentido, compreender como os professores pesquisados pensam e desenvolvem as práticas voltadas para a avaliação da aprendizagem exigiu um tratamento ou um olhar mais cautelosos, fazendo-se necessária uma busca pela compreensão de suas falas, situando-as no horizonte de quem as interpretou.
Gadamer, citado por Schmidt (2012, p. 147) chama a atenção para os preconceitos e sua interferência no processo de compreensão, já que “[...] toda compreensão parte de nossos preconceitos. O caráter arremessado da compreensão implica que todos os nossos preconceitos são herdados de nosso passado no processo de aculturação”. Dessa forma:
Assim se precisa novamente a tarefa da hermenêutica. É graças ao fenômeno da
‘distância temporal’ e ao esclarecimento de seu conceito que se pode cumprir a
tarefa propriamente crítica da hermenêutica, isto é, distinguir os preconceitos que cegam daqueles preconceitos que esclarecem, os preconceitos falsos dos preconceitos verdadeiros. Deve-se livrar a compreensão dos preconceitos que a
dirigem, permitindo assim que as ‘perspectivas outras’ da tradição se manifestem, o
que vem a assegurar a possibilidade de qualquer coisa ser compreendida como outra. (GADAMER, 1998, p. 68).
É importante esclarecer que esses “preconceitos” têm uma forte relação com as experiências prévias, vivenciadas pelos sujeitos ao longo de sua existência, com a maneira como cada indivíduo percebe ou compreende a partir das relações estabelecidas com determinados fenômenos. O conjunto herdado de preconceitos dá origem ao que Gadamer denomina “horizonte”. Na tarefa de compreender um texto, é preciso projetar o seu horizonte
histórico, ou seja, é o ponto de encontro entre uma situação nova com situações vivenciadas, experimentadas anteriormente. É o encontro dos próprios preconceitos do intérprete com os preconceitos e as verdades do autor.
Na situação hermenêutica, o seu horizonte é determinado por seus preconceitos, que estabelecem sua esfera de significado possível. Ao chegar a uma nova compreensão através do encontro com um texto, aquilo que você compreende muda, e portanto seu horizonte de significado muda. (SCHMIDT, 2012, p. 154-155).
Desse modo, é importante destacar que o horizonte do pesquisador pode mudar de acordo com a maneira como ele lida com determinadas situações, com a adoção de outras concepções prévias, num movimento de adesão ou exclusão de novos e/ou antigos preconceitos.
Gadamer chama a atenção para a forma como um texto é compreendido, uma vez que se projeta o horizonte de compreensão de um texto dentro do próprio horizonte do intérprete. Uma atenção maior precisa ser direcionada quando o intérprete está inserido no contexto analisado. Há que se ter uma atenção especial para que o horizonte de compreensão do intérprete não exerça uma força excessiva sobre o objeto de estudo, portanto “[...] a compreensão sempre é a fusão destes horizontes que supostamente existem por si mesmos” (GADAMER, 2009, p. 306). Dessa forma, as análises dos dados coletados foram realizadas com base na hermenêutica gadameriana, vislumbrando-se todas as possibilidades de compreensão, identificando os horizontes presentes em cada uma das falas dos professores entrevistados, buscando estabelecer a relação direta dos dados coletados (fontes primitivas) com a teoria que deu suporte à presente pesquisa.
Buscou-se, então, evidenciar os conceitos presentes nas falas desses professores, em confronto direto com as perguntas lançadas na atividade da compreensão, estabelecendo a dialética entre a pergunta e a resposta a partir do contexto analisado, o que justifica a opção pelo método fenomenológico-hermenêutico.