2. Edward Kienholz (1927-94)
2.3 En tiltagende bruk av tredimensjonalitet
Ao longo da vida, os indivíduos identificam-se com numerosos grupos. Algumas afiliações aos grupos são inerentes ao próprio indivíduo, por exemplo, a utilização do
nome de alguém da família como uma fonte de identidade, ou, o género, a etnia e / ou a nacionalidade. Outras identidades de grupo são adquiridas, incluindo a identificação com os membros de uma universidade, de um clube social, ou de um clube desportivo.
Várias investigações têm analisado o tema da identificação social de forma mais ampla em diversos contextos (para uma revisão ver Ashmore et al. 2004), enquanto outros trabalhos analisaram tipos específicos, como a identificação com a equipa desportiva (Fisher and Wakefield 1998, Gwinner and Swanson 2003, Heere and James 2007b, Heere et al. 2011, Kim and Kim 2009, Lings and Owen 2007, Madrigal 2001, Madrigal and Chen 2008, Smith et al. 2008, Sutton et al. 1997, Tapp 2004, Wann and Branscombe 1990, Wann and Branscombe 1993, Wann and Pierce 2005, Wann et al. 2001, Wann et al. 2011)
Em trabalhos mais recentes da área da psicologia social, os investigadores têm utilizado o termo identidade coletiva em vez de identidade social (Ashmore et al. 2004). Os termos identidade coletiva, identidade organizacional, identidade social e identidade de grupo (group identity, in-group identity, and intragroup identification) são muitas vezes utilizados indiferenciadamente como sinónimos (Ashforth and Mael 1989, Heere and James 2007a).
Apesar das eventuais conotações do termo ‘social’, será utilizado o termo identificação social com a equipa desportiva, ou mais abreviadamente identificação com a equipa, por três razões: A primeira, porque a identificação com uma equipa desportiva é a identidade social que um grupo de pessoas (ou seja, dos adeptos) evidencia em relação ao objeto que é a sua equipa desportiva favorita (Kwon et al. 2007). A segunda razão, porque a ênfase da literatura da identidade social ‘a consciência do grupo para o indivíduo’ parecer ser muito diferente da experiência de um indivíduo fundada nas
interações efetivas num pequeno grupo, situação na qual será mais apropriado designar de identidade do grupo (Ashmore et al. 2004). A terceira razão, incide sobre a distinção entre os outros grupos e o interior do grupo. A identidade social enfatiza a autocategorização: baseada nos atributos partilhados dos indivíduos com o grupo e na distinção com outros elementos exteriores ao grupo (Henry et al. 1999), situação adequada e pertinente para o contexto das equipas desportivas, no qual se verifica uma rivalidade competitiva entre as equipas, distinta do que se verifica em pequenos grupos.
No entanto, um adepto pode estar identificado não só com a equipa desportiva, mas também com uma variedade de outros objetos do desporto, entre eles, os jogadores, a instituição representada pela equipa, o clube, o evento desportivo ou com a atividade em si (Murrel and Dietz 1992). Para determinar o objeto de identificação dos adeptos Trail et al. (2003b) conceberam a escala designada por ‘Points of Attachment Index – PAI’ que procura identificar o foco da ligação entre os adeptos e os vários objetos do desporto: 1) os jogadores, 2) o treinador, 3) a comunidade, 4) a atividade desportiva, 5) a universidade, 6) a equipa desportiva, e 7) o nível do desporto (por exemplo, universitário, profissional).
Grande parte da literatura relacionada com a identificação com o desporto concentrou-se nas equipas. Sociologicamente, as equipas desportivas são grupos com os quais os indivíduos se relacionam. Tajfel and Turner (1986, p. 15) definiram os grupos sociais: como ‘…um conjunto de indivíduos que se consideram membros da uma mesma categoria social, partilham algum envolvimento emocional nesta categorização comum de si mesmos e evidenciam um certo grau de consenso social sobre a sua participação e avaliação do grupo.’ Um grupo é ‘…aquele que é psicologicamente
significativo para os seus membros, a ele se referem subjetivamente por comparação social, bem como a aquisição de normas e valores...o que influencia as suas atitudes e comportamentos.’ (Turner 1987, p. 2).
Assim, os adeptos podem considerar-se como membros da equipa desportiva, na medida em que se interessam, vivem um envolvimento emocional e atribuem relevância à equipa desportiva, (Gwinner and Bennett 2008), situação que corresponde a um grupo de tipo natural, cuja adesão dos membros é auto-selecionada ou voluntária (Ellemers et al. 1999).
A identificação dos adeptos com a equipa desportiva é uma forma específica de identificação organizacional (Ashforth and Mael 1989). Os estudos de identificação organizacional, Bhattacharya et al. (1995) definiram identidade organizacional como ‘…a unidade percebida com / ou de pertencer a uma organização da qual a pessoa é membro’ (p. 47), ‘…é a perceção de pertença a um dado grupo.’ (Mael and Ashforth 1992, p. 104), fundamenta-se no desejo de autodefinição de um indivíduo, suportado pela pretensão de agradar, emular, ou indiretamente ganhar as qualidades do outro (Ashforth and Mael 1989), conforme tabela seguinte que expressa os elementos de duas definições.
Conforme se reconhece ‘…uma equipa profissional de desporto é um tipo de organização em que os seus fãs são seus membros.’ (Kim and Kim 2009, p. 215) e por isso a identificação com a equipa pode ser vista como uma forma de identificação organizacional (Gwinner and Bennett 2008).
Tabela 2.13. Definições de identidade organizacional.
Identidade organizacional Autor
‘…é a perceção de pertença a um dado grupo.’ (Mael and Ashforth 1992, p. 104)
‘…a unidade percebida com / ou de pertencer a
uma organização da qual a pessoa é membro.’ (Bhattacharya et al. 1995, p.47)
Por sua vez, a identificação organizacional é uma manifestação de identidade social (Ashforth and Mael 1989), que Tajfel (1981, p. 63) definiu como ‘…a parte do autoconceito de um indivíduo que deriva do seu conhecimento de pertença a um grupo social (ou grupos), em conjunto com o valor e significado emocional ligado a essa pertença’.
A identificação social é portanto, a perceção de pertença ou de unidade com algum agregado humano. O indivíduo percebe-se, a si mesmo, como um membro real ou simbólico do grupo. A identidade social é a parte da própria identidade do indivíduo que é definida em termos das várias categorias sociais ou classificações em grupos relevantes, que o indivíduo se reconhece (Ashforth and Mael 1989), ignora a parte da identidade de um indivíduo que é proveniente dos seus atributos pessoais. A identificação social para o indivíduo pode dar uma resposta, ainda que parcial, à seguinte pergunta: Quem sou eu? Por exemplo, um homem pode definir-se em termos do(s) grupo(s) em que ele próprio se classifica ‘Eu sou um homem’; ‘Eu sou da equipa X’). Assume-se, não só quando o indivíduo tem conhecimento da sua pertença a um grupo social, mas também quando o indivíduo se categoriza, (autodefine-se) com um membro desse grupo e sente uma ligação psicológica que reconhece valor e significado emocional associado a essa pertença.
A ligação psicológica de um indivíduo a uma equipa desportiva tem sido designada e representada pelos autores de diferentes formas (Theodorakis and Wann 2010). A utilização de termos alternativos para descrever o mesmo fenómeno é evidente, conforme se mostra na Tabela 2.14.: ‘atração’ (Hansen and Gauthier 1989), ‘identificação com a equipa desportiva’ (Wann and Branscombe 1993), ‘lealdade à equipa’ (Wakefield and Sloan 1995), ‘envolvimento’ (Kerstetter and Kovich 1997), ‘identificação do fã’ (Sutton et al. 1997), ‘associação’ (Gladden et al. 1998), ‘ligação’ (Funk et al. 2000, Speed and Thompson 2000), ‘importância’ (Funk and Pastore 2000), ‘compromisso’ (Mahony et al. 2000), ‘identificação com o clube’ (Leeuwen et al. 2002) e ‘ligação psicológica’ (James and Ross 2002, Kwon and Armstrong 2004, Theodorakis et al. 2009). Abaixo apresenta-se a tabela que expressa a designação de ligação psicológica e as expressões similares.
Tabela 2.14. Conceito de ligação psicológica a uma equipa desportiva e designações similares.
Designação Autor
Atração (Hansen and Gauthier 1989)
Identificação com a equipa desportiva (Wann and Branscombe 1993)
Lealdade à equipa (Wakefield and Sloan 1995)
Envolvimento (Kerstetter and Kovich 1997)
Identificação do fã (Sutton et al. 1997)
Associação (Gladden et al. 1998)
Ligação (Funk et al. 2000, Speed and Thompson 2000, Theodorakis et al. 2009)
Importância (Funk and Pastore 2000)
Compromisso (Mahony et al. 2000)
Tabela 2.14 (continuação).
Designação Autor
Ligação psicológica (James and Ross 2002, Kwon and Armstrong 2004)
A identificação com a equipa desportiva corresponde ao ‘…nível de ligação psicológica sentida por um fã relativamente à sua equipa.’ (Wann et al. 2001, p. 3). A ligação à equipa é definida como ‘…um processo que ocorre quando um indivíduo atribui significado emocional, funcional e simbólico a ideias, pensamentos e imagens relacionadas com um objeto de desporto.’ (Funk and James 2006, p. 196).
Numa formulação conceptual amplamente aceite pela comunidade científica (Trail et al. 2003a), tem sido adotada a proposta de (Branscombe and Wann 1992, p. 1017), em que a identificação com a equipa é definida como ‘…o grau em que os indivíduos se percebem como adeptos da equipa, estão envolvidos com a equipa, estão preocupados com o desempenho da equipa, e vêem a equipa como uma representação de si mesmos.’ A tabela abaixo apresenta as definições de identificação com a equipa e de ligação psicológica.
Tabela 2.15. Definições de identificação com a equipa desportiva e ligação à equipa desportiva.
Descrição Autores
‘…o grau em que os indivíduos se percebem como os fãs da equipa, estão envolvidos com a equipa, estão preocupados com o desempenho da equipa, e vêem a equipa como uma representação de si mesmos.’
(Branscombe and Wann 1992, p. 1017)
‘…o nível de ligação psicológica sentida por um fã
Tabela 2.15 (continuação).
Descrição Autores
‘…um processo que ocorre quando um indivíduo atribui significado emocional, funcional e simbólico a ideias, pensamentos e imagens relacionadas com um objeto de desporto.’
(Funk and James 2006, p. 196)
A partir de agora convenciona-se adotar a definição acima (Branscombe and Wann 1992), uma vez que é largamente aceite pela comunidade e contempla os elementos essenciais à representação do constructo.