5 Presentasjon av funn og analyse
5.1.3 En tidstyv eller en normativ forventning?
Nesta primeira fase, que foi essencialmente de observação e que decorreu sobretudo nos meses de outubro e novembro, a estagiária teve oportunidade de conhecer não só a valência do LIJ Casa das Conchas, mas também todas as outras valências que constituem a Fundação ‘O Século’, uma vez que se considerou fundamental adquirir consciência do modo de funcionamento de toda a Instituição também no sentido de captar toda a sua essência, filosofia e forma de atuar e servir. Neste sentido, foi realizada, por escrito, uma caraterização exaustiva da Fundação, partindo de uma pesquisa e descrição pormenorizada das suas 18 valências, sendo obviamente dada especial atenção à Casa das Conchas, bem como ao Regulamento Interno da mesma. Esta fase permitiu um conhecimento do funcionamento e organização de toda a instituição em termos gerais e da Casa das Conchas em particular.
Ainda nesta fase, foi conduzida uma fase de observação das crianças e jovens residentes na Casa das Conchas, inicialmente realizada de forma exaustiva e posteriormente de forma mais orientada, focando sobretudo as interações entre crianças e as interações entre crianças e adultos (consultar o Anexo A para aceder a um Relatório- tipo relativo a esta fase).
Nas duas semanas iniciais do Estágio, a estagiária integrou a equipa da parte da manhã, das 10h às 17h, aproximadamente, sendo que, posteriormente foi adotado o
Tarefas 2013 2014
out nov dez Jan fev mar abr mai jun Caraterização da Instituição
Anamnese
Observação + Avaliação inicial Estabelecimento da Relação Terapêutica Apoio ao estudo
Sessão de grupo semanal
Sessões individuais semanais
Preparação/ Dinamização de iniciativas Participação nas Reuniões de Equipa Participação nas Reuniões de Grupo de Jovens Colaboração “Relógio de Areia”
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horário das 16h às 22h00, sendo que a hora de saída ia sendo ajustado às necessidades das crianças e jovens da Casa. Depois de observar toda a dinâmica de funcionamento da Casa das Conchas; o tipo de funcionamento das crianças e jovens residentes; o tipo de relações existente entre os educadores e as crianças; entre elas e o próprio espaço; como estão organizados os dias e as rotinas; foi possível, pouco a pouco, a estagiária encontrar o seu espaço de ação e reação, ganhando o sentimento de pertença a uma Equipa, o que foi facilitado pela boa aceitação dos elementos já integrantes da mesma.
Ao mesmo tempo, e no sentido de conhecer a história de vida destas crianças e jovens procedeu-se a uma análise dos processos individuais de cada um, tornando possível a elaboração da anamnese de cada caso, com informações acerca dos motivos de acolhimento, história do desenvolvimento, relações familiares que mantém, apoios que recebiam na altura ou já haviam recebido. Esta foi uma fase de extrema importância, na medida em que, como explicado anteriormente, o Modelo de Intervenção Psicomotora entende que este tipo de intervenção deve ser o mais individualizada possível, ou seja, elaborada de acordo com a identificação e compreensão das características de cada criança/jovem. Foi também uma forma de conhecer as histórias de vida de cada criança e jovem, o que facilitou também a compreensão dos seus comportamentos.
Ganha-se, assim, a consciência de que é imprescindível que o psicomotricista observe, sendo mesmo esta considerada a primeira etapa de todo o processo interventivo. Neste caso, a fase de observação foi também uma época crucial para a integração do estagiário na instituição no geral, e na Casa das Conchas em particular, pois tornou possível um conhecimento acerca das rotinas e das tarefas destinadas a cada elemento. A partir daqui tornou-se mais fácil dar conta das necessidades do local e de cada criança ou jovem, assim como quais as condições do espaço físico, qual o tipo de interação, relação e ligação existente entre técnicos, jovens e os diferentes serviços e como são tomadas as decisões que afetam a dinâmica da Casa. Esta fase foi igualmente importante por permitir uma reflexão e um estudo mais aprofundado acerca da teoria já aprendida e quais os conhecimentos que seriam imprescindíveis procurar, assim como perceber de que forma a prática poderia vir a ser exercida, sendo também determinante para a construção de uma identidade enquanto profissional neste local específico de trabalho, já com uma dinâmica de funcionamento instalada há muito tempo e sem um psicomotricista que poderia servir de modelo.
Foi também ainda nesta fase de observação que se começou a tentar perceber quais os elementos da Casa que poderiam beneficiar de uma intervenção mais direta no âmbito da PM. Assim, em acordo com a Equipa Técnica do Lar, decidiu-se que os quatro elementos mais jovens seriam os que iriam usufruir de sessões de PM, de acordo com uma perspetiva de intervenção atempada, até porque alguns deles estavam numa fase em que expressavam alguns comportamentos disruptivos, necessitando de uma atenção terapêutica especializada. Depois de tomada essa decisão, deu-se início a uma nova fase de observação, agora em contexto de Sessão de PM, que veio complementar a visão adquirida a partir da observação já realizada em contexto natural. Uma vez que esta observação foi um contributo essencial para a avaliação inicial do grupo de crianças, esta será descrita mais pormenorizadamente no capítulo destinado à exposição do tipo de Avaliação realizada com os mesmos.
Importa ainda refletir acerca de um dos pressupostos essenciais inerentes ao tipo de intervenção em causa, a intervenção realizada pelo psicomotricista, que é a criação e a existência de uma sólida relação terapêutica entre o profissional e cada criança ou jovem. Esta permite que os mesmos percecionem a segurança e a confiança no técnico, condições necessárias para que, na fase de intervenção propriamente dita, as sessões e a interações sejam realizadas e vividas num ambiente e contexto seguro, acolhedor, facilitador e promotor de partilhas, onde há uma aceitação dos desejos e dos sentimentos de cada um, e no qual todos se poderão mostrar totalmente, incluindo os seus medos,
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fantasias e desejos. Acredita-se que só desta forma é possível potenciar as aprendizagens e o equilíbrio da personalidade, promovendo sempre um desenvolvimento global que irá facilitar as relações afetivas e sociais de cada criança/jovem. Este é um tipo de relação que se vai construindo ao longo do tempo e que é reforçada por cada momento de interação, tendo sido, por isso, essencial, a participação da estagiária em diferentes momentos da rotina diária das criança/jovens, algo que foi sendo criado e desenvolvido durante o período inicial de intervenção e que se prolongou durante todo o período de Estágio.