5 FORSLAG TIL SAMORDNING
5.2 F UNKSJONSKRAV SOM KAN INNFRIS MED ADMINISTRATIVE ENDRINGER
5.2.3 En nasjonal samordningsmodell av AU‐reiser, TT‐reiser og bilstønad
No capítulo 3, abordamos os episódios que Lara relata ter entrado em depressão. No terceiro episódio, pudemos observar uma distância entre aquilo que o meio externo lhe coloca como um ideal a ser realizado por ela e suas reais possibilidades de conseguí-lo. Vejamos a fala de Lara: [...] foi tudo demais para mim: foi muita emoção e eu não agüentei. O padre ia falando as coisas, a gente já era recebida com música, já colocavam a gente sentada e traziam as melhores coisas para comer – já faziam tudo por nós: era uma coisa muito além daquilo que é a minha realidade... diziam que somos pessoas de luz, que a gente seria semente e teria
que levar tudo para as outras pessoas, espalhar essa semente para todos os lugares... [sic].
Nesse relato, Lara traz este elemento em comum com os demais episódios: a distância acentuada entre um ideal de ego e o ego real (bastante fragilizado). Associado a isso, Lara está bastante enredada por auto-recriminações. Tais processos levam a um estado de tensão excessiva entre o ego e o superego.
Ideal do ego é uma expressão usada por Freud na medida em que vai elaborando a segunda teoria do aparelho psíquico, ao longo de sua obra. É difícil estabelecer um único sentido para esse termo porque está estreitamente ligado à construção progressiva da noção de superego. Laplanche e Pontalis (1992) definem o ideal de ego ou ideal de eu como uma “instância da personalidade resultante da convergência do narcisismo (idealização do ego) e das identificações com os pais, com os seus substitutos e com os ideais coletivos. Enquanto instância diferenciada, o ideal de ego constitui um modelo a que o sujeito procura conformar-se” (p. 222).
pela primeira vez, como uma formação intrapsíquica relativamente autônoma “pelo qual [o homem] mede seu ego real” (Freud, 1914, p. 111), as suas realizações efetivas. Sua origem é, principalmente, narcísica. Surge a partir de um deslocamento do narcisismo desfrutado na infância pelo ego real. Nos primórdios da vida psíquica, o “ego real” seria mais um ego ideal, na medida em que se instala através de um movimento psíquico parental: cabe aos pais afetuosos atribuir um projeto ideal para seu bebê, inaugurando seu ego pela instalação do narcisismo primário. Isso ocorre porque na relação com o filho – bebê – os pais revivem seu próprio narcisismo, abandonado há muito tempo. Assim,
eles se acham sob a compulsão de atribuir todas as perfeições ao filho – o que uma observação sóbria não permitiria – e de ocultar e esquecer todas as deficiências dele. Além disso, sentem-se inclinados a suspender, em favor da criança, o funcionamento de todas as aquisições culturais que seu próprio narcisismo foi forçado a respeitar, e a renovar em nome dela as reivindicações aos privilégios de há muito por eles próprios abandonados [...] ela [a criança] será mais uma vez realmente o centro e o âmago da criação – ‘Sua Majestade o Bebê’, como outrora nós mesmos nos imaginávamos. A criança concretizará os sonhos dourados que os pais jamais realizaram [...] O amor dos pais, tão comovedor e no fundo tão infantil, nada mais é senão o narcisismo dos pais renascido, o que, transformado em amor objetal, inequivocamente revela sua natureza anterior”(p. 107-108).
Por isso, o ideal do ego, tal “como o ego infantil, se acha possuído de toda perfeição de valor” (1914, p. 111). Tal estado de narcisismo – que Freud compara a um delírio de grandeza – não é renunciado com facilidade. Freud (1914) entende que o indivíduo,
[...] quando, ao crescer, se vê perturbado pelas admoestações de terceiros e pelo despertar de seu próprio julgamento crítico, de modo a não mais poder reter aquela perfeição, procura recuperá-la sob a forma de um ego ideal. O que ele projeta diante de si mesmo como sendo seu ideal é o substituto do seu narcisismo perdido de sua infância na qual ele era o seu próprio ideal (p. 111).
Assim, o narcisismo infantil é abandonado (ou deslocado) em razão das críticas que, principalmente os pais e demais educadores, fazem à criança. Tais críticas são interiorizadas na forma de uma instância psíquica especial: instância de censura e de auto- observação, que irá observar “constantemente o ego real, medindo-o por aquele ideal” (Freud,
1914, p. 112). Note-se que, nesse texto, o ideal do ego é apresentado como um conceito distinto da instância de censura e de auto-observação.
Em Psicologia de grupo e a análise do ego(1921), Freud relata que o censor do ego é denominado de ideal do ego: trata-se de uma mesma instância psíquica com as funções de auto-observação, consciência moral e censura. O ideal do ego “é o herdeiro do narcisismo original em que o ego infantil desfrutava de auto-suficiência; gradualmente reúne, das influências do meio ambiente, as exigências que este impõe ao ego, das quais este não pode estar à altura; de maneira que um homem, quando não pode estar satisfeito com seu próprio ego, tem, no entanto, possibilidade de encontrar satisfação no ideal do ego que se diferenciou do ego” (p. 138).
No que se refere a Lara, criou-se uma distância bastante grande entre o ego atual (real), bastante fragilizado, e as expectativas elevadas colocadas pelo ambiente e por si mesma (ideal do ego). Freud (1921) considera que a distância entre essas duas instâncias pode variar muito de um indivíduo para o outro. E, como desencadearia a doença?
O ideal do ego se origina através de um processo de “gradação diferenciadora do ego”; porém, “cada uma das diferenciações mentais com que nos familiarizamos, representa um novo agravamento das dificuldades de funcionamento mental, aumenta a sua instabilidade, podendo tornar-se o ponto de partida para a sua desintegração, isto é, para o desencadeamento de uma doença” (1921, p. 164). Ao longo desse processo, vai se colocando, cada vez mais, a necessidade de reprimir conteúdos para deixá-los fora do sistema consciente – no inconsciente. O material inconsciente fica guardado pela resistência, porém, a estabilidade dessas novas aquisições, fica exposta a abalos, tal como ocorre nos sonhos e neuroses, onde aquilo que está excluído tenta emergir.
Por isso, a “separação do ideal do ego do próprio ego não pode ser mantida por muito tempo, tendo de ser temporariamente desfeita. Em todas as renúncias e limitações impostas ao ego, uma infração periódica da proibição é a regra” (1921, p. 165). Vários são os
exemplos através da história: a instituição dos festivais, as saturnais dos romanos, o nosso moderno carnaval, etc. Em tais ocasiões, “há sempre uma sensação de triunfo quando algo no ego coincide com o ideal do ego” (Freud, 1921, p. 166)
Neste sentido, tanto o sentimento de culpa, quanto o de inferioridade, são expressões da tensão entre o ego e o ideal do ego. Por isso, parece provável que, parte do sofrimento desencadeador e mantenedor dos episódios depressivos de Lara, seja a expressão de um agudo conflito entre o ego e o ideal do ego, “conflito em que o ideal, em excesso de sensitividade, incansavelmente exibe sua condenação do ego com delírios de inferioridade e com autodepreciação” (1921, p. 167).
Em O Ego e o Id (1923), Freud observa que pode ser precisamente a atitude do ideal do ego que determine a gravidade de uma doença neurótica. Nesse texto, usa pela primeira vez a expressão superego, e o faz como sinônimo de ideal do ego. Trata-se, pois, de uma mesma instância formada a partir de identificações com os pais, por ocasião da vivência edípica. Na dissolução do complexo de Édipo produzir-se-á uma identificação paterna e uma identificação materna que se unirão, de alguma maneira, formando um precipitado no ego e conseqüente modificação desse. Esta modificação do ego “se confronta com outros conteúdos do ego como um ideal do ego ou superego” (p. 49). O superego reúne as funções de ideal – aquilo que deveria ser – e, ao mesmo tempo, de interdição – aquilo que não deve ser. Além disso, “preenche a mesma função de proteger e salvar que, em épocas anteriores, foi preenchida pelo pai” (p. 75).
O superego compreende tanto os resíduos das primitivas escolhas objetais do id, como também uma formação reativa enérgica contra essas escolhas: a proibição. O superego comporta pois esse aspecto duplo: aquilo que deveria ser e, ao mesmo tempo, aquilo que não pode ser. Freud (1923) considera que “o superego retém o caráter do pai, enquanto que quanto mais poderoso o complexo de Édipo e mais rapidamente sucumbir à repressão (sob a influência da autoridade, do ensino religioso, da educação escolar e da leitura), mais
severa será posteriormente a dominação do superego sobre o ego, sob a forma de consciência (conscience) ou, talvez, de um sentimento inconsciente de culpa” (p. 49). A tensão entre as exigências do ideal do ego e os desempenhos reais do ego, é também vivenciada como sentimento de culpa; e pode ser precisamente a atitude do ideal do ego, que determine a gravidade de uma doença neurótica (p. 66).
Tanto na neurose obsessiva, quanto na melancolia, o sentimento de culpa atinge uma força extraordinária, tornando-se “superintensamente consciente; nelas, o ideal do ego demonstra uma severidade particular e com freqüência dirige sua ira contra o ego de maneira cruel” (Freud, 1923, p. 67). Na neurose obsessiva o sentimento de culpa também é superconsciente, porém não se justifica para o ego, que se rebela e procura o apoio do terapeuta para repudiar tais sentimentos. Pelo contrário, na melancolia, o ego não faz objeções e admite sua culpa, submetendo-se ao castigo. Tal diferença se estabelece porque na neurose obsessiva “eram os impulsos censuráveis que permaneciam fora do ego, enquanto que na melancolia o objeto a que a ira do superego se aplica foi incluído no ego mediante identificação” (p. 67-68).
Para Freud (1923), o ponto fundamental que pode explicar como é que o superego se manifesta essencialmente como sentimento de culpa (ou como crítica) e desenvolve tamanha rigidez e severidade para com o ego, é o instinto de morte. Na melancolia, a crueldade e a violência impiedosa com que o superego trata o ego, pode ser entendida seguindo o ponto de vista sobre o sadismo: “o componente destrutivo entrincheirou- se no superego e voltou-se contra o ego. O que está influenciando agora o superego é, por assim dizer, uma cultura pura do instinto de morte e, de fato, ela, com bastante freqüência obtém êxito em impulsionar o ego à morte, se aquele não afasta o seu tirano a tempo, através da mudança para a mania” (p. 69-70). Ao contrário, o neurótico obsessivo nunca dá o passo para a autodestruição, porque devido à regressão à organização pré-genital, os impulsos amorosos são transformados em impulsos de agressividade contra o objeto, liberando o
instinto de destruição.
Mas, como é que, na melancolia, o superego se tornou uma trincheira para os instintos de morte? Uma resposta possível remete ao tema da moral na sua relação com a agressividade e com o controle instintual. Nesta perspectiva, pode-se considerar que o id é totalmente amoral, o ego se esforça por ser moral e o superego pode ser “supermoral e tornar- se então tão cruel quanto somente o id pode ser. É notável que quanto mais um homem controla a sua agressividade para com o exterior, mais severo – isto é, agressivo – ele se torna em seu ideal do ego [...], mais intensa se torna a inclinação de seu ideal à agressividade contra seu ego. É como um deslocamento, uma volta contra seu próprio ego” (Freud, 1923, p. 71).
Neste ponto, Freud (1923) introduz uma nova hipótese visando ampliar a compreensão acerca desta relação estabelecida entre o superego e a agressividade. Entende que tal relação é possível devido a uma defusão instintual que se efetua na constituição mesma do superego: o superego surge de uma identificação com o pai, identificação esta que tem a natureza de uma dessexualização ou mesmo uma sublimação. É possível que em transformações deste tipo ocorra uma defusão instintual: o componente erótico não consegue mais unir a totalidade da agressividade que fica, então, “liberada sob a forma de uma inclinação à agressão e à destruição. Essa defusão seria a fonte do caráter geral de severidade e crueldade apresentado pelo ideal – o seu ditatorial 'farás'” (p. 71).
Nesta perspectiva de Freud, como compreender a formação do superego em Lara, partindo do pai e da mãe que tem e/ou teve em sua infância?
No princípio do trabalho com Lara fui observando que quase não se referia à sua família de origem e, quando indagada sobre isso, era evasiva ou dizia não querer falar sobre... Aos poucos, começou a falar sobre isso de maneira espontânea.
Seu pai foi um homem bastante rígido e distante afetivamente. Batia muito em sua mãe, nela e nos irmãos. Controlou muito aquilo que cada um comeria: no passado, nunca permitiu que saciassem a fome e, atualmente, quando Lara e os irmãos vão almoçar na casa
dos pais, o pai fica contabilizando a comida que cada um levou com aquela que poderá comer. Na adolescência, não permitia que ela saísse de casa para passear com amigos. Quando descobria que isso ocorrera, castigava-a com violência. Sempre lhe colocou apelidos que geravam muita dor: “pezão”, “olhos vermelhos”, “goiaba branca” e outros que nem se lembra mais. Também era comum ele denegrir a imagem da mãe de Lara: somente há pouco tempo é que foi descobrindo que tinha uma maneira muito distorcida (negativamente) de ver sua mãe.
A relação com seu pai foi, assim, marcada por situações de constrangimento, desqualificações e humilhações. E era, também assim, que Lara sentia o mundo externo: como ameaça constante de desqualificações e humilhações. Contou várias situações vividas com a família de seu marido em que se sentiu assim... Aos poucos, com o andamento do nosso trabalho, Lara foi se dando conta que, em algumas dessas situações, não tinha ocorrido realmente isto, mas ela assim as interpretou.
No fundo, o que está colocado nesse tipo de relação com o mundo é o medo de uma outra perda: da auto-estima. Ela se refere a tais vivências dizendo que as pessoas a derrubaram, a fizeram cair...
Com freqüência, trouxe situações em que a família do marido fez com que ela “caísse”: quando questionavam o destino que Cláudio dava ao seu salário, uma vez que ganhava muito bem e Lara e os filhos estavam sempre mal vestidos e calçados. E, na casa deles, faltavam muitas coisas: alguns móveis indispensáveis e, inclusive, a porta dos fundos. Contou várias situações em que se sentiu humilhada e que seus filhos foram tratados como pessoas de segunda categoria. Com o transcorrer dos encontros, começou a entender que a família do marido e, principalmente sua sogra a tratavam como uma coitada, tentando poupá- la de tudo: “ficam me dizendo como eu devo agir e viver, mas é exatamente isto que não é bom para mim, porque o que eu quero e preciso é andar com as minhas próprias pernas: é isto que fará com que eu fique forte, novamente.” [sic]. Conta outra situação que a angustiou: os sogros foram visitá-los e pegaram o número da carteira de identidade de Maria Luisa, por
conta própria: não lhe pediram e nem lhe falaram nada a respeito... Depois, veio a saber, que a sogra havia falado com o marido, sobre a necessidade de ter o documento da filha, porque esta iria viajar com eles. Lara entende que as intenções dela [sogra] são as melhores, mas não gosta disto, porque não é disto que precisa: “ela me deixa de fora das coisas e me trata como se eu fosse uma incapaz, uma inútil... Eu não me sinto bem na casa deles: me sinto mal, com falta de ar, sufocada, já tive crise de bronquite quando dormia lá... Eles reparam em tudo!” [sic] Então, me pergunta: “Será que ela [sogra] pensa que porque minha mãe já esteve internada e tenho uma irmã com problema mental, eu também vou ser doente mental? Será que não sabe que eu não quero ser tratada assim, que eu não quero ser poupada...? Será que têm medo que eu fique como a minha mãe? Agora que eu estou conseguindo colar as coisas... Como é que eu não percebi isto antes?” [sic]
A problemática da auto-estima evoca, em Freud (1914), o tema do narcisismo, porque a auto-estima depende da libido narcisista; dito de outra maneira: está relacionada com o elemento narcisista do amor.
Sua origem, no desenvolvimento emocional normal do ser humano, se confunde com o surgimento do narcisismo primário: instala-se através do amor dos pais, com todos os projetos, expectativas e sonhos que são atribuídos ao recém-nascido – Sua Majestade o Bebê. Na verdade, Freud (1914) entende esse movimento amoroso dos pais como, nada mais do que o narcisismo dos pais que renasce com a chegada de seu filho, porém transformado em amor objetal. O narcisismo primário, então, caracteriza-se pelo amor por si mesmo: o bebê toma a si mesmo como objeto de amor. Nesse mesmo movimento é que se constitui o ego infantil: a partir dos ideais (amorosos) dos pais (seria, então, um ego ideal), como já abordamos no início deste capítulo.
Freud (1914) considera que a “auto-estima expressa o tamanho do ego”, e sua dinâmica, em termos quantitativos, tem uma íntima relação com a libido objetal. Quando o investimento libidinal nos objetos é elevado, a auto-estima terá uma diminuição proporcional.
Em um segundo momento, a auto-estima pode voltar a se fortalecer através do retorno que tais objetos dão ao ego, em termos de amor ou realizações. Freud (1914) dá o exemplo do estar apaixonado: “Um indivíduo que ama priva-se, por assim dizer, de uma parte de seu narcisismo, que só pode ser substituída pelo amor da outra pessoa por ele” (p. 116). Ser amado aumenta os sentimentos de auto-estima.
Mas, a regulação da auto-estima, também, estabelece uma relação muito íntima com o interjogo do ego com o ideal do ego. O desenvolvimento do ego implica num afastamento do narcisismo primário, mesmo que, ao mesmo tempo, mantenha um movimento de tentativa de retorno a esse estado. Para promover tal afastamento, o ego desloca a libido em direção a um ideal do ego, imposto de fora. Ao mesmo tempo, o ego emite as catexias objetais libidinais – se empobrecendo –, na tentativa de alcançar o ideal do ego. Quando consegue realizar o seu ideal, o ego se satisfaz e aumenta os sentimentos de auto-estima. Por isso, “tudo o que uma pessoa possui ou realiza, todo remanescente do sentimento primitivo de onipotência que sua experiência tenha confirmado, ajuda-a a aumentar sua auto-estima” (Freud, 1914, p. 115).
No caso de Lara, as coisas foram sucedendo-se no sentido contrário do exposto acima. As situações, aqui relatadas, apontam para uma impossibilidade desse interjogo entre tais instâncias, desembocando em sentimentos de culpa e em um “delírio de inferioridade”:
O paciente representa seu ego para nós como sendo desprovido de valor, incapaz de qualquer realização e moralmente desprezível; ele se repreende e se envilece, esperando ser expulso e punido. Degrada-se perante todos, e sente comiseração por seus próprios parentes por estarem ligados a uma pessoa tão desprezível. Não acha que uma mudança se tenha processado nele, mas estende sua autocrítica até o passado, declarando que nunca foi melhor (Freud, 1917 [1915], p. 278).
Fenichel (1981) desenvolveu algumas compreensões sobre a relação entre auto-estima e depressão, que parecem contribuir com nossas reflexões.
mesma predisposição: o indivíduo se fixou “no estado em que a auto-estima lhe é regulada por provisões externas”, ou o indivíduo regrediu a esse estado, devido aos sentimentos de culpa. Tais indivíduos “vivem em situação de perpétua avidez. A não se lhes satisfazerem as necessidades narcísicas, diminui-lhes a auto-estima a ponto de risco” (Fenichel, 1981, p. 361). Devido à fixação pré-genital, tais indivíduos tendem a reagir com violência, diante da frustração. Por outro lado, “a dependência oral respectiva leva-os a tentar obter aquilo de que precisam pela propiciação e pela submissão” (p. 361). São dependentes e suas escolhas objetais são do tipo narcísico.
Freud (1914) entende que, no tipo de escolha objetal narcisista, a pessoa busca a si mesmo como objeto amoroso: “(a) o que ela própria é (isto é, ela mesma), (b) o que ela própria foi, (c) o que ela própria gostaria de ser, (d) alguém que foi uma vez parte dela mesma” (p. 107).
Fenichel (1981) busca compreender este tipo arcaico de regulação da auto- estima retomando “os estádios desenvolvimentais do sentimento de culpa” (p. 362).
Inicialmente, na vida do bebê, os estádios de fome se alternam com a saciedade. Quando está faminto, o bebê “se lembra de que já foi satisfeito” e tenta retomar onipotentemente, esse estado, gritando e gesticulando. Depois, o bebê vai perdendo a crença na sua onipotência, e projetando-a nos pais.Tenta recuperá-la pela participação na onipotência