As etapas que esta investigação seguiu inscrevem-se na metodologia da investigação histórica, dada a natureza epistemológica da mesma. A investigação histórica tem o seu método próprio: o método histórico. Para efeito de aplicação, o método histórico compreende quatro fases: a heurística, a crítica, a hermenêutica e a exposição (Ruiz Berrio, 1976).
A heurística ocupa-se da procura e recolha de documentos para a investigação. Quando os documentos já estão seleccionados procede-se à sua análise crítica, distinguindo-se, normalmente, dois tipos de crítica, a externa e a interna. A hermenêutica é a fase que compreende a interpretação dos dados. Finalmente, a exposição corresponde à redacção dos resultados da investigação.
Começamos por referir que ao caminhar junto com AAL existiu a possibilidade de estabelecer uma articulação entre os diferentes temas tratados. Deste modo, a coerência da nossa narrativa, que aqui designa a organização dos materiais e a concentração dos conteúdos em capítulos, fundamenta-se na representatividade que atribuímos a AAL relativamente ao conjunto de temas escolhidos. Ao nível da construção textual essa representatividade encontra-se na iluminação de questões ou contextos.
Inserimos neste trabalho um capítulo (capítulo 2) que visa, em primeiro lugar, dar a conhecer ao leitor o percurso pessoal, académico e profissional de AAL – o que publicou, a sua ligação ao Liceu Normal de D. João III como professor convidado, a colaboração na Gazeta da Matemática, entre outros – no pressuposto de aquele possibilitar uma perspectiva adicional às palavras actuais de AAL, e, em segundo lugar, contribuir para o conhecimento da profissionalização docente, tomando a vida de AAL como exemplo da vida de um professor de Matemática nos anos quarenta e focando-nos na dificuldade em aceder ao quadro de professores efectivos.
Neste estudo utilizamos fontes impressas, manuscritas e orais. No tratamento das fontes escritas e manuscritas tentámos fazer uma leitura crítica dos documentos: quem os produziu? em que situação? com que interesses? Esta leitura permitiu reunir os documentos que considerámos pertinentes para esta investigação.
No que respeita à formação de professores do ensino liceal a recolha dos diplomas normativos processou-se na Hemeroteca de Lisboa. Interessando-nos descrever o quotidiano da formação inicial dos professores de Matemática do ensino liceal 1939-1941, recolhemos documentos manuscritos no Arquivo da Biblioteca da Escola Secundária José Falcão e impressos no Arquivo Histórico da Secretaria-geral do Ministério da Educação. Ao tentar
encontrar documentos referentes à formação de professores no período relativo à formação inicial de AAL para professor do ensino liceal, sentimos a dificuldade constatada por Julia (2001) ao referir que “a história das práticas culturais é a mais difícil de se reconstruir porque não deixa traço” (p. 15). Com efeito, o levantamento de fontes processado no Arquivo da Biblioteca da Escola Secundária José Falcão que estava, na altura da nossa consulta, muito desorganizado, revelou poucos vestígios do estágio, mas encontrámos alguns documentos relativos à formação de professores de Matemática dos anos em estudo e conseguimos encontrar um documento produzido por AAL durante o seu estágio. Na Hemeroteca de Lisboa, procurámos na imprensa periódica e em revistas educativas – fontes de informação escrita, não oficiais – artigos relacionados com o nosso estudo.
Para compreender como se desenvolveu a modernização do ensino da Matemática no ensino liceal a partir dos anos 1960, buscámos, por um lado, entender como funcionaram, no Liceu Normal do Porto, os estágios pedagógicos no final dos anos 1950 e inícios de 1960, por outro lado, clarificar o trabalho da Comissão nomeada para fazer a revisão do programa da disciplina de Matemática do 3.º ciclo, do ensino liceal. O levantamento de fontes foi realizado em revistas educativas do período compreendido entre 1957 e 1963, nomeadamente nas revistas Labor e Liceus de Portugal, em artigos da imprensa diária e no Arquivo da Escola Secundária Rodrigues de Freitas. Outras fontes foram documentos manuscritos que AAL nos cedeu para o nosso trabalho.
Sobre o lançamento da Telescola2 quisémos compreender o momento histórico, as intenções da implementação da Telescola, o relevo dado a essa implementação, para isso foi recolhida legislação referente à implementação da Televisão Escolar e Educativa, do Instituto de Meios Audiovisuais de Ensino, da Telescola, bem como legislação referente ao Ciclo Preparatório do Ensino Secundário, Ciclo Preparatório TV. Usámos também como fonte, os textos das primeiras comunicações do Ministro Galvão Telles, ao País, artigos da imprensa periódica da época e Diários das Sessões da Assembleia Nacional. Para um conhecimento mais pormenorizado sobre a Telescola, foi consultado o relatório de 1977, Uma Revisão para Avaliação da Telescola com Recomendações, produzido pela OCDE (DVD, anexo n.º 25).
No que respeita à disciplina de Matemática do Curso Unificado da Telescola e dos anos iniciais do Ciclo Preparatório TV, procurámos conhecer o programa seguido nas lições televisivas, a prática pedagógica e a metodologia e didáctica desta disciplina. Além da
2 Para simplificar o discurso utilizaremos o termo Telescola em três sentidos distintos, a saber, para referir a
instituição, para indicar os cursos (CUT ou CPTV) e para os edifícios (posto de recepcão ou sede da Telescola). Em nosso entender, este triplo sentido do termo não tirará clareza ao texto uma vez que em cada momento de utilização
legislação oficial, usámos como fonte os Boletim IMAVE, correspondentes aos anos lectivos de 1965/66 a 1969/70, onde eram publicados antecipadamente as indicações didácticas, os textos das lições e as indicações aos monitores. Outras fontes foram documentos manuscritos que AAL nos cedeu para o nosso trabalho.
Tentámos contribuir para uma melhor compreensão da polémica em torno da aprovação, em 1950, do livro único de Álgebra para o 3.º ciclo, da autoria de AAL, bem como esclarecer detalhes da reintrodução da análise infinitesimal no programa do 3.º ciclo do ensino liceal. Pretendemos também ter um melhor conhecimento da trajectória da produção de livros didácticos de Matemática elaborados por AAL. Ao nível das fontes foi feita uma consulta de legislação para fazer um levantamento dos concursos para livro escolar único do ensino liceal. Outras fontes foram revistas de educação e ensino, nomeadamente, a revista Labor e a Gazeta de Matemática, bem como, manuais escolares da autoria de AAL. Recolhemos ainda informação, sobre livros a concurso, no Arquivo Histórico da Secretaria-Geral do Ministério da Educação.
Nesta investigação para além das fontes atrás referidas utilizámos estudos actuais. Como fonte complementar realizámos entrevistas, pois a história faz-se com vestígios do passado e, no caso da fonte oral, esse vestígio é o próprio depoente. Na nossa investigação a fonte oral mobilizada foi AAL.
A escolha de AAL como fonte teve em vista a nossa investigação estando por isso prevista a utilização imediata do seu depoimento. As fontes orais são portadoras de uma autoridade que corresponde à experiência do vivido, ou seja, baseia-se no ‘eu vi, eu estive lá’ ainda que, atendendo aos níveis de subjectivação decorrentes de trabalhar com a memória, as suas palavras se apresentem como a sua leitura da realidade de que está hoje a falar. Mas, consideramos que o uso de uma fonte oral não deve ter a pretensão de realçar o mérito pessoal do depoente e a escolha da(s) fonte(s) deve ter em vista os objectivos traçados para o estudo. Acreditamos que estas fontes têm a vantagem de despertar a atenção dos ouvintes. Com efeito, pensamos que aceder a eventos passados, pessoais ou profissionais, de um professor torna mais sedutora a divulgação da história do ensino de uma disciplina. Porque o padrão de experiências é conhecido do professor a história inspira à reflexão, ajuda a perceber quem somos e como nos encaixamos no esquema das coisas, como refere Mattoso (1997) “não é mais, afinal, do que do que tentar ver-me ao espelho da vida do outro e aprender nele a experiência vital da alteridade. As suas reacções e os seus caminhos remetem-me para mim mesmo perante os outros homens e perante o mundo” (p. 64).
Ferreira & Amado (1998) entendem a história oral como uma metodologia de investigação, que como qualquer outra metodologia apenas determina e organiza procedimentos de trabalho – tais como os diversos tipos de entrevista e as implicações de cada um deles para a investigação, as várias possibilidades de transcrição de depoimentos, suas vantagens e desvantagens, as diferentes maneiras de o investigador se relacionar com seus entrevistados e as influências disso sobre seu trabalho - funcionando como ponte entre a teoria e a prática. Pensamos que a história oral como metodologia de pesquisa é adequada para o nosso estudo, o fundamento está no trabalho de Alberti (2005) sobre entrevistas e fontes orais.
História Oral é um termo que na perspectiva de Verena Alberti (2005) pode ser definido como “método de investigação científica, como fonte de pesquisa, ou ainda como técnica de produção e tratamento de depoimentos gravados” (p. 17), ou de modo mais sucinto “a história oral é um método de pesquisa (histórica, antropológica, sociológica, etc.) que privilegia a realização de entrevistas com pessoas que participaram de, ou testemunharam, acontecimentos visões do mundo, como forma de se aproximar do objeto do estudo” (p. 18). A entrevista adquire o estatuto de documento, mas “deslocando o objecto documentado: não mais o passado ‘tal como efetivamente ocorreu’, e sim as formas como foi e é apreendido e interpretado. A entrevista de história oral – seu registo gravado e transcrito – documenta uma versão do passado” (p. 19).
As entrevistas permitem “recuperar aquilo que não encontramos em documentos de outra natureza: acontecimentos pouco esclarecidos ou nunca evocados, experiências pessoais, impressões particulares, etc. (…) informações inéditas que podem ser resgatadas durante uma entrevista de história oral e confrontadas com outros documentos escritos e/ou orais.” (Alberti, 2005, pp. 22-23).
Então, no trabalho com história oral a dimensão temporal é, evidentemente, o vivido dos depoentes, ou seja, os acontecimentos e/ou as conjunturas a estudar têm que estar num espaço de tempo que a memória dos entrevistados alcance. Os testemunhos, por um lado, podem abordar fenómenos que não estão, ou estão pouco, documentados por registos escritos, salientando-se o seu imenso valor de complementaridade relativamente às limitações dos documentos escritos, e, por outro, podem ser um primeiro e único documento informativo que sirva como ponto de partida para a investigação de um tema ou ainda, como encaminhamento para procura em outras fontes.
Para Camargo (1989)
distorções factuais do que uma entrevista gravada. A diferença básica é que, enquanto no primeiro caso a ideologia se cristaliza em um momento qualquer do passado, na história oral a versão representa a ideologia em movimento tem a particularidade, não necessariamente negativa, de ‘reconstruir’ e totalizar, reinterpretar um fato. A história oral tem também o mérito singular de introduzir o pesquisador na construção da versão, o que significa introjetar no documento produzido o controle sistemático da produção da própria fonte. (pp. 13-14)
Sobre a característica da história oral, referida atrás por Camargo, e que se prende com o facto de haver uma produção intencional, através de várias etapas, do documento que se torna fonte, Alberti (2005) menciona
Sabemos que qualquer documento — tanto o escrito quanto o oral, ou ainda o iconográfico ou o sonoro de maneira geral — pode ser interpretado de diversas maneiras pelos historiadores e que os critérios que distinguem a ‘boa’ e a ‘má’ interpretação são divergentes e se modificam conforme se modifica a visão sobre a própria história e o papel dos historiadores. Porque é volitiva, a produção do documento de história oral já inclui um primeiro trabalho de crítica interna e externa do documento, que é feita concomitante à realização da entrevista (o que não exime o pesquisador que irá consultá-la do mesmo esforço). A autoria do depoimento, é claro, não deve gerar dúvidas, uma vez que é o pesquisador-entrevistador quem procura o entrevistado e está diante dele durante a entrevista, sabendo, com certeza, de quem se trata. Apenas duas circunstâncias — certamente improváveis — podem comprometer a autoria de um documento de história oral: a impostura (quando o entrevistado se faz passar por outro) e a adulteração da gravação. (Tais circunstâncias, entretanto, não são exclusivas da história oral, podendo ocorrer na produção de qualquer outro tipo de fonte.) Quanto ao conteúdo do depoimento, tanto o entrevistado, durante a entrevista, quanto o pesquisador que consulta o documento têm condições de perceber falhas, excessos, incorreções e adequações no discurso do entrevistado. Se este último ‘distorce’ o passado em função de sua visão particular, omite informações, evita falar sobre determinados assuntos, isso pode ser percebido ainda durante a gravação da entrevista e, dependendo da relação estabelecida, problematizado junto com o entrevistado, além de colocado em questão no caderno de campo e incorporado à preparação de novas sessões de entrevista. A participação direta do pesquisador na produção do documento de história oral permite assim uma constante avaliação desse documento ainda durante sua constituição. (p. 22)
Assim, entende-se que a constituição da memoração é um ‘trabalho a duas mãos’, no qual o investigador não deve julgar o que é narrado, mas deve ter em consideração que o sentido dado às experiências pelo depoente no momento da entrevista é determinado pelos significados atribuídos às atitudes e escolhas feitas no passado.
Relativamente à questão de memória, Alberti (2005) destaca ainda o papel das impressões do investigador sobre o processo de recordação da pessoa entrevistada e alerta para o facto de aquelas poderem contribuir para prejudicar a rememoração deste último.
Numa situação de entrevista privilegia-se, é claro, a biografia e a memória do entrevistado; mas, diversamente da autobiografia, a presença e o papel do(s) entrevistador(es) acrescentam-lhe outra(s) biografia(s) e outra(s) memória(s). Assim, as duas partes (entrevistado e entrevistadores) constroem, num momento sincrônico de suas vidas, uma abordagem sobre o passado, condicionada pela relação de entrevista, que se estabelece em função das peculiaridades de cada uma delas. E porque a posição do entrevistador é tão relevante nesta criação do concebido sobre o vivido, e a torna inclusive diferente de outras criações, como a autobiografia, por exemplo, é imprescindível contar com sua honestidade, sensibilidade e competência. O entrevistador deve ter consciência de sua responsabilidade enquanto co-agente na criação do documento de história oral. Sua biografia e sua memória são outras, e não estão propriamente em questão, mas ambas são decisivas em sua formação de pesquisador; sua memória a respeito do tema e/ou ator em evidência na entrevista vem em grande parte de suas pesquisas (afinal, é esse seu trabalho), e é preciso que ele tenha consciência da importância desse trabalho para o exercício de sua atividade. (p. 23) Então, reconhecendo que o recurso a testemunhos orais tem as vantagens que expusemos atrás, temos também que considerar a parcialidade de um documento produzido intencionalmente num diálogo entre duas pessoas que muitas vezes pertencem a gerações distintas. Esta parcialidade liga-se com dever de objectividade pedido a um estudo científico. Como caucionar essa objectividade? Alberti (2005) entende que
jamais poderemos apreender o real tal como ele é; apesar disso, insistimos em obter uma aproximação cada vez mais acurada dele, para aumentar qualitativa e quantitativamente nosso conhecimento. Este é o zelo científico, do qual a história também não escapa, mesmo que se discuta a propriedade de chamá-la de ciência. O trabalho do cientista, contudo é também um ato de criação. A objectividade, então acaba por condicionar-se à competência, à sensibilidade e à honestidade do pesquisador na
crítica interna e externa dos documentos que elegeu e na determinação do peso (ou valor) de cada um deles no corpo do seu trabalho. (p. 24)
Em síntese, tentámos perceber as limitações e vantagens da história oral. Entendemos que não se trata apenas de optar pela colecta de depoimentos e de colocar a oralidade a concorrer com a escrita. Trata-se de considerar que a fonte oral tem o mesmo peso que outras – documentos oficiais, arquivos, imprensa, entre muitos outros – ao trazerem as percepções do momento em que os sujeitos evidenciaram as suas experiências, ainda que seja com interpretação actual.
A escolha do(s) entrevistado(s) depende do(s) objectivo(s) da pesquisa, assim é vital que este(s) entenda(m) o(s) objectivo(s) do trabalho, bem como o que se pretende fazer com as informações prestadas, deixando claro que será divulgado apenas o que aquele(s) entender. O local e data das entrevistas devem ser combinados entre investigador e depoente, bem como o tema de cada entrevista. Anteriormente à realização da entrevista, o investigador tem que estudar sobre o tema, em fontes primárias e secundárias, com o objectivo de obter uma base se conhecimentos que permita, por um lado, a formulação de perguntas enriquecedoras para o diálogo e, por outro lado, reconhecer respostas significativas (Alberti, 2005).
Ao contactar AAL com vista à sua participação neste nosso trabalho, a sua primeira reação foi “Que tenho eu a dizer que possa ser interessante?”, neste momento foi essencial o diálogo estabelecido entre nós e AAL. Esse diálogo veio contribuir para dissipar a hesitação inicial de AAL e permitir proceder à constituição do testemunho. Durante as entrevistas AAL mostrou-se sempre entusiasmado em participar, disponibilizando documentos pessoais que pudessem ajudar a nossa investigação. Em alguns momentos das entrevistas o discurso de AAL saía da temática definida, estabelecendo-se um diálogo que veio a permitir-nos uma aprendizagem que consideramos, também, ser uma mais-valia deste trabalho.
De acordo com o propósito da investigação, realizámos onze entrevistas com AAL, para além da primeira. Todas as entrevistas foram conduzidas directa e pessoalmente pela historiadora, igualmente todas, excepto a segunda, foram vídeo-registadas. As entrevistas foram todas realizadas no Porto, normalmente numa deslocação nossa, de somente um dia, a essa cidade, apenas a terceira entrevista (parte A e B) foi realizada em dias consecutivos. A primeira entrevista aconteceu a dezasseis de Dezembro de 2006 e teve lugar no gabinete de AAL, nas instalações da Universidade Portucalense. Esta entrevista, realizada ainda no âmbito do Mestrado, serviu de referência para entrevistas posteriores. As entrevistas seguintes foram realizadas para esclarecer o tema estudado durante o doutoramento.
A segunda entrevista foi realizada a dezanove de Dezembro de 2007. A terceira entrevista foi realizada a doze e treze de Julho de 2008. A quarta e a quinta realizaram-se a vinte e nove de Novembro e a seis de Dezembro de 2008, respectivamente. A sexta, a sétima e a oitava entrevista foram realizadas a vinte e seis de Setembro, a oito de Outubro e a trinta de Novembro de 2009, respectivamente. A décima entrevista aconteceu a vinte e nove de Abril de 2010 e a décima primeira decorreu a 11 de Junho de 2011. As entrevistas realizadas foram referenciadas ao longo deste estudo como E1, E2, E3A, E3B, E4, E5, E6, E7, E8, E9, E10, E11. A proxemia, "utilização do espaço pelos interactuantes" (Poirier et al., 1999, p. 61), foi- se alterando na situação de entrevista. Nas três primeiras entrevistas, realizadas no gabinete de AAL, nas instalações da Universidade Portucalense, o ambiente foi de alguma formalidade, com o professor e a historiadora sentados em lados opostos de uma mesa, nas seguintes, a distância física e a formalidade foram diminuindo, a proximidade cresceu e o espaço onde as entrevistas decorreram foi mudando. A terceira e a quarta entrevista tiveram lugar na sala que a Universidade Portucalense denominou de Sala Augusto Lopes3, em sua homenagem. As restantes entrevistas realizaram-se na casa de AAL.
Optámos por entrevistas temáticas que versaram prioritariamente a participação de AAL nos temas escolhidos para a pesquisa (Alberti, 2005), a saber, a sua formação inicial, formação de professores, o período de modernização do ensino da Matemática e Telescola. Ao preparar as entrevistas tivemos em consideração os procedimentos relatados por Alberti (2005) e, durante as mesmas, tivemos o cuidado de respeitar o tempo necessário para que o nosso entrevistado pudesse pensar e expor as suas ideias, havendo somente algumas intervenções nossas para esclarecer ou orientar o discurso na direcção pretendida. Com efeito, algumas das entrevistas não decorreram da forma que tínhamos projectado e as informações relevantes para a pesquisa foram escassas, houve ainda casos em que tivemos que fazer posteriormente a pergunta de outro modo para preencher lacunas detectadas.
Preferimos entrevistas de carácter pouco estruturado que têm sido dadas como adequadas aos estudos históricos (Bogdan & Bilken, 1994). Isto implicou a construção de guiões por tópicos de conversa que ocasionalmente consultavamos durante a entrevista,
3“Sala prof. Augusto Lopes. Foi inaugurada no dia do seu 90.º aniversário uma sala em sua homenagem e de
agradecimento por todos os anos de trabalho e dedicação a esta Instituição. Pretende-se que a sala Professor António