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EN KORT PRESENTASJON AV TEAMENES KONTEKST OG BAKGRUNN

KAPITTEL 4 INTEGRERING OG INTERAKSJON

4.2. EN KORT PRESENTASJON AV TEAMENES KONTEKST OG BAKGRUNN

Friedrich Wilhelm Heinrich Alexander von Humboldt nasceu perto de Berlim em 1769, suas primeiras instruções foram dadas pelo pedagogo e autor de livros pedagógicos J. H. Campe (cujo escreveu Robinson o Jovem). Com dezoito anos entra na Universidade de Gottingen, muito de depois entra na Escola de Minas de Freinberg. Em 1794 é nomeado diretor geral das minas da Francônia e esse foi o começo da carreira de um grande cientista,ganhou respeito por toda a Europa, até mesmo o imperador da Rússia (Nicolau II)

faz um estudo geográfico dos Urais, dos montes Altai, Sibéria, Mongólia e do mar Cáspio. Escreve inúmeras obras e percorre grande parte do globo terrestre, destacando seus estudos da natureza e suas avaliações econômicas, tal como seus estudos e avaliações sobre a ilha de Cuba. Falece em 1859, aos noventa anos de idade (GAROZZO, 1975).

As primeiras preocupações de Humboldt foram tentativas de restaurar as ciências existentes e praticadas no mundo naquele momento, para isso considerava fundamental a integração de inúmeros campos do saber. Suas inquietações foram desde a constituição física da Terra e das suas relações geológicas, pedológicas, fitogeográficas e outras até a relação das condições harmônicas da própria natureza - ou seja, uma visão romântica de mundo (CAPEL, 2004).

A natureza para Humboldt era, então, HARMONIA. Logo, a natureza era considerada ideal por ser harmônica, como escreveu Capel (2004, p. 13):

“O projeto científico de Humboldt se dispunha de demonstrar empiricamente essa concepção idealista da harmonia universal da natureza concebida como um todo de partes intimamente relacionadas, um todo harmonioso movido por forças internas”.

Isto é, um todo orgânico. O cosmos humboldtiano era um todo, unido internamente, ou seja, impossível de possuir partes definitivamente separadas; assim, o todo já estava organizado e por mais que os estudos elaborados focassem uma parte do cosmos, não havia distanciamento das partes para com o todo, pois as partes estavam comprometidas com as leis regentes gerais do todo.

Ferreira e Simões (1986) entendem Humboldt e sua metodologia como desejoso de obter leis gerais, isto é, as leis valem para todas as situações das partes dentro do todo. Ao descortinar e evidenciar as leis do Cosmos não haveria mais necessidade de compreender empiricamente o mesmo por completo, pois as próprias leis garantiriam tais

situações com suas respectivas compreensões. Ou seja: “[...] A geografia passou a ser, com Humboldt, uma ciência sistemática” (p. 63).

Nas próprias palavras de Humboldt (1988, p. 160):

“La consecución más importante de um estudio racional de la Naturaleza es aprehender la unidad y la armonía que existe en esta inmensa acumulación de cosas y fuerzas [...]”.

Portanto, Humboldt (1988) busca uma integração cósmica de todos os acontecimentos físicos e da própria impressão do homem sobre a natureza, para isso nos seus textos trabalhou com as palavras, idéias e sentimentos como formas de contribuições ao próprio entendimento da natureza - escrita pelo mesmo com inicial maiúscula - já que não concebeu a natureza distante da própria impressão do homem.

Não concebeu a natureza distante do homem, o homem depende constantemente da mesma e, portanto, não poderia jamais viver sem a mesma. A inevitabilidade da separação homem e natureza foi uma realidade considerada por Humboldt e, deste modo, começa a ser mais estudada e de certa maneira prevalecer nos últimos anos. Parece algo óbvio, todavia não é, uma vez que por muito tempo o ser humano por meio de seu progresso técnico e tecnológico pensou em superar a natureza numa linha temporal constante e somatória de anos, ou seja, o próprio desenvolvimento científico provaria que o homem independe da natureza, o que Humboldt não concordava. Na contemporaneidade há muitas provas da não separação do homem e da natureza, bem como das respectivas conseqüências desta relação nada harmoniosa.

Hegel, de certa forma, influenciou Humboldt principalmente na concepção da natureza e sua ligação constante com a história e os acontecimentos diversos efetuados não apenas pelos homens, sim por toda a parte natural do planeta. A natureza e a história estão reunidas na visão da natureza de Humboldt; assim, evidenciou a não inércia do mundo físico e

também do mundo social - como exemplo disto temos a sua obra escrita junto com Aimé Bonpland “Viagem Pelas Regiões Equatoriais do Novo Continente” que buscou informações empíricas e também procurou conhecer os costumes dos nativos e suas relações com a própria natureza (GAROZZO, 1975).

Ainda quanto aos aspectos sociais na obra sobre a Ilha de Cuba, Humboldt preocupou-se com as questões relacionadas aos homens, ou melhor, a situação em que vivem estes homens, principalmente os escravos africanos e todos seus sofrimentos (CAPEL, 1984).

Conforme Moraes (1983) )Humboldt foi influenciado pelo pensamento cartesiano, que pode ser evidenciado pela máxima: fragmentação do todo sem apartar do todo, bem como incorporou ao seu discurso a unidade de Spinoza e o uno de Giordano Bruno. Acima de tudo, Humboldt respirou os ares do Iluminismo principalmente com Diderot, D’Alembert e Rousseau, pela própria postura do autor quanto a sua sistematização geográfica à maneira dos enciclopedistas e a natureza enquanto harmonia (morada dos bons selvagens de Rousseau).

Ainda Moraes (1983) insatisfeito com Humboldt acusa o mesmo de não aproveitar as melhores influências da Ilustração como “o materialismo e a postura crítica” (p. 148), por outro lado no âmbito das questões políticas apóia o anticlericalismo, o liberalismo, o livre pensamento e os direitos do cidadão.

Claval (1974) considerou Humboldt não apenas como romântico, como muitos geógrafos posteriores consideram também, acima de tudo colocou-o como divulgador da ciência geográfica e da própria sistematização, principalmente pelas palestras proferidas por Humboldt a qual culminou com o livro Cosmos.

Humboldt, portanto, buscou entender a natureza para descobrir os vínculos existentes entre a natureza não orgânica e a orgânica, efetuando uma sistematização das forças atuantes sobre a natureza por meio de comparações de paisagens e regiões do globo terrestre,

ao mesmo tempo inspirado pelos estudos hegelianos apoiou-se também nas perspectivas da História. Surge, assim, uma Geografia detentora de um ritmo avançado para a ciência da época, pois via a natureza como dinâmica e não apartava o homem de suas relações.

Karl Ritter (1779-1859), segundo Campos (2001), era inicialmente um estudioso racionalista com formação em filosofia e história, posteriormente sofreu influências dos românticos alemães adotando uma postura diferenciada para pesquisar. Considerou a observação fundamental, não baseada em experiências cientificas, apenas a observação como ponto fundamental para entender as leis da natureza e as diferenças dentro da própria natureza por meio da observação das paisagens.

Ritter completou o trabalho de seu conterrâneo, ressaltando a experiência humana no contexto regional. Considerava ele a terra como a casa do homem. Dividia-a em regiões naturais, principalmente de acordo com as formas dos acidentes e examinava seu sentido para a sociedade que ocupava ou havia ocupado cada unidade. (VANUCCHI, 1977, p. 117).

Para Tatham (1959, p. 223):

“Ritter escrevera sobre a relação recíproca do homem e da natureza, relação esta que era parte de um todo harmonioso, servindo às finalidades criadoras de Deus [...]”.

Ritter estabeleceu, portanto, uma natureza direcionada para os princípios divinos, ou seja, a natureza enquanto finalidade, bem como entendeu a mesma de maneira muito parecida com Humboldt: a natureza enquanto quadro natural organizado tal como um organismo (CAPEL, 2004).

Ritter diferenciou a superfície da Terra de forma orgânica, tendo cada um dos diferentes continentes papéis desempenhados no palco (planeta) de forma específica, principalmente na configuração da relação do homem para com a natureza e vice-versa. De certa forma, Ritter (1988) entendeu que a natureza avançou sobre o homem e acabou por moldar o próprio.

“Concebida de un modo metafísico, fue esta misma naturaleza lo que Ritter se empeñó em describir y analizar, em demostarar su influencia sobre o desarrollo de las grandes civilizaciones”. (CLAVAL, 1974, p.50).

O próprio Ritter (1988) evidenciou o que Claval interpretou do mesmo, ao escrever, por exemplo, que a África está às margens de todo progresso e de toda a civilização pela própria dificuldade de movimentação de suas populações:

Al ser las costas africanas periféricas poco articuladas, son más cortas que las de los demás continentes. De ahí la pobreza de los contactos entre el mar y el interior de las tierras y la dificultad de acceso al corázon del continente. Las condiciones naturales y humanas han negado al cuerpo inatirculado da Africa toda individualización [...] Esto es lo que explica el estado primitivo y patriarcal en el que viven los pueblos de este continente haya permanecido al margen de los progresos [...]. (RITTER, 1988, p. 171-172).

Ritter afirmou que as distâncias, as assimetrias do relevo, as plantas, os animais, enfim, o continente africano com sua disponibilidade geográfica é que determinou o afastamento dos povos habitantes do mesmo da civilização alcançada graças ao progresso. Argumentou que a incapacidade de comunicação forçou o continente africano a ter seu desenvolvimento isolado, portanto, só há possibilidade de uma grande civilização, tal como a européia, por meio da comunicação e da interação de culturas.

A natureza para Ritter era determinante na evolução civilizatória de um povo, de um país, enfim, de um continente. Ao mesmo tempo a natureza estava determinada para um fim, tal como Deus desejou, logo, harmônica e organizada.

A principal obra de Ritter escrita em vários tomos foi o “Conhecimento da Terra” (Erdkunde), na qual buscou integrar a natureza física com a humanidade, também inspirado na pedagogia de Pestalozzi e de Rousseau escreveu de maneira didática, preocupado em transmitir o conhecimento de forma simples para que todos compartilhassem do conhecimento da Terra. Tal como Humboldt apoiou-se também em Hegel e na construção das idéias geográficas firmadas no diálogo com a História, logo a própria natureza não estava isolada mais comprometida com as finalidades impostas por Deus e suas funções fitadas e

utilizadas pelo homem, ao mesmo tempo que a natureza determinava grande parte destas funções (CAPEL, 2004; CLAVAL, 1974; FERREIRA e SIMÕES, 1986).

Para Bernardes (1982) Ritter apoiou suas observações na busca da simplicidade das coisas para depois alcançar a complexidade das mesmas através da procura da unidade na diversidade, pois para o geógrafo tudo no globo terrestre insere-se no princípio de conexão (züsammenhang) dos fenômenos em uma área. A busca da unidade na diversidade é impulsionada também pelo método de analogia de Ritter, isto é, a comparação entre características de áreas incongruentes, buscando um certa semelhança e principalmente diferença.

A natureza em Ritter é unitária quanto as leis gerais e é múltipla no sentido da diferenciação da própria conexão das áreas distintas com o poderio da lei geral (universal). A natureza, tanto em Humboldt como em Ritter, é orgânica, ideal e pré-definida, sempre aguardando o homem para entendê-la. Humboldt sistematizou o conhecimento geográfico na procura de uma Geografia Geral, já Ritter capturou as idéias humboldtianas e fez com as mesmas um direcionamento regional, portanto, sua Geografia foi Regional. Desta forma, ambos acreditavam num sistema orgânico e definido na natureza e Ritter almejava entender as leis gerais no âmbito regional, isto é: como as leis universais são contidas nas diferentes regiões do planeta. Todavia, as leis universais de Humboldt ao alcançar as regiões estudadas por Ritter também eram sistematizadas em leis regionais. Como escreveu Ferreira e Simões (1986, p. 64): “[...] em ambos existe um único objetivo: o de criar leis.”

Ambos geógrafos inspirados pelos ideais do Iluminismo, pela redescoberta de Descartes, pelo impulso da cientificidade mundial, almejavam sistematizar o mundo. O próprio Ritter procura demonstrar as leis gerais e regionais, somadas as diferenças de áreas, regiões e lugares por meio de uma linguagem matemática, pois tal linguagem é simples, didática e resumida (CAPEL, 2004).

Humboldt e Ritter dão os primeiros passos na construção da ciência geográfica e inspiraram, posteriormente, outros geógrafos - os quais também tiveram influencias de filósofos, sociólogos e estudiosos das ciências naturais.

Outros geógrafos posteriores a Humboldt e Ritter foram influenciados por uma nova corrente teórica e científica: o positivismo associado ao evolucionismo, que na Geografia foi chamado de Determinismo.

3.2. DETERMINISMO

Não podemos aceitar o determinismo como fonte primária de forma exclusiva na obra de Ratzel, uma vez que anterior ao mesmo outros cientistas elaboraram suas teorias baseadas na visão evolucionista e positivista. Na Geografia o próprio Ritter executou grande parte do pensamento determinista, que posteriormente influenciou Ratzel.

O determinismo para Lacoste (1974) é a natureza (os dados naturais) exercendo influências diretas e, portanto, determinantes sobre a humanidade. Esta idéia não é nada original na Geografia alemã, pois muito anterior a isso o historiador Heródoto já havia escrito a influência da natureza sobre a formação dos povos, bem como a obra de Montesquieu (1698-1755): O espírito das leis.

Neste momento histórico o pensamento de Darwin e Comte tomaram hegemonicamente o pensamento geográfico, isto é, consideravam a ciência social como a própria ciência natural, logo as leis sociais e naturais eram as mesmas.

Ritter escreveu sobre o distanciamento dos povos do mar, explicando como isso determinou seu tipo de comportamento social, político e até mesmo econômico. Ratzel inspirado nestes escritos somado ao pensamento evolucionista e positivista elaborou sua obra pelo viés determinista, ou seja, o homem sempre estará subordinado as leis naturais (FERREIRA e SIMÕES, 1986).

A natureza determinava a história dos povos, seus modos de vidas, suas culturas, sua superioridade ou inferioridade quanto aos demais povos. Portanto, a organização do mundo era NATURAL, ou seja, a pobreza, a riqueza, as desigualdades múltiplas, tudo era fruto da determinação da natureza. Desta forma consideravam a Europa superior a todos os demais continentes - pela vontade da natureza - com isso poderia explorar os demais países

fora do continente europeu, pois não estaria ultrapassando nenhuma lei, pelo contrário estaria cumprindo a “sagrada” determinação da natureza.24

Segundo Ratzel (1988) a riqueza e a pobreza de uma país estava sobretudo ligados às propriedades da natureza: solos, rios, lagos, vegetações, animais, relevos e o tamanho territorial, ou seja, a disponibilidade dos recursos naturais e sua distribuição qualitativa e quantitativa (entendam enquanto inseparáveis) no território. Era, desta forma, direito do país superior (com maior tecnologia, cultura, poder econômico e político) dominar os países inferiores (ou seja, aqueles que não possuem o que aqui foi destacado), objetivando aumentar seu território, poder ofensivo e domínio da natureza inferior pela superior.

Ratzel não enxergava uma uniformidade da natureza, entendia que somente as leis naturais são universais, daí a justificação do domínio dos países superiores para com os inferiores. Em Ratzel percebemos duas naturezas: 1 - a superior destinada aos países ditos também superiores (neste caso o continente europeu) e; 2 - uma natureza inferior, isto é: a natureza superior é dotada de solos, rios, vegetações muito melhores do que outras; portanto, a relação do homem para com a natureza e a formação de um Estado Nação direcionava-se na capacidade da sua própria natureza. Como exemplo Ratzel (1988) dissertou sobre o solo e a relação do mesmo para com o desenvolvimento do Estado, ou seja, o Estado dependeria sempre do solo, uma vez que o mesmo determinaria a produção de alimentos e, conseqüentemente, riquezas.

Dependeria, conforme Ratzel, o desenvolvimento de um país da configuração dada pela natureza ao mesmo; assim, Ratzel, influenciado pelo pensamento da biologia (BERNARDES, 1982), escreveu a sua mais famosa obra: Antropogeografia, influenciada, sobretudo por Darwin e Comte. “[...] podemos dizer que, da influência e do confronto com as ciências naturais e sociais de então (sobretudo devido ao darwinismo) reforçou-se o

24 Infelizmente, o pensamento acima é forte nos dias atuais, a natureza converteu-se na chamada democracia dos

Estados Unidos da América, logo, a positividade política e econômica de um país no mundo contemporâneo é definido pelo seu compromisso com o país já destacado neste parágrafo e com todas as suas determinações. Percebam, o determinismo não faleceu e é muito importante saber qual a roupagem do mesmo para justificar os males do mundo.

caráter ambientalista da Geografia, isto é, o estudo das relações entre o homem e o meio”. (BERNARDES, 1982, p. 392-393).

A Geografia começou, portanto, a ter uma maior preocupação com as relações do homem para com a natureza, numa nova tradição científica e metodológica, tendo a natureza como ponto de partida e o homem como ponto de chegada de todas relações existentes no universo. O grande representante destas idéias ambientalistas foi Ratzel:

Já, então, (1881) tinha o seu primeiro volume da Antropogeographia. Obra de vigorosa originalidade abriu novos horizontes à ciência. Nela, Ratzel viu os homens como realidades ocupando a superfície terrestre e desta sendo um revestimento digno de maior estudo e observação, como os vegetais ou os animais e viu, ainda, os grupos humanos e as sociedades se desenvolvendo sempre nos limites de um certo quadro natural (rahmen), tendo sempre um lugar preciso do globo (stelle) e a necessidade, para alimentar-se, subsistir e crescer dum certo espaço (GABAGLIA, 1945, p. 841).

Ratzel, como escreveu Gabaglia (1945), preocupava-se em ter os Estados sempre se desenvolvendo limitados por rahmen, daí a necessidade de expandir os domínios destes quadros naturais, ou melhor, o Estado gerenciar tais quadros, uma vez que realmente, para Ratzel, quem coordenava eram as leis naturais. A natureza determinava o homem, suas condições sociais e até mesmo políticas.

Camargo e Bray (1984) questionam a posição determinista acusando a mesma de ser fatalista, isto é: o mundo aí está e da maneira que está deve permanecer, pois esta é a ordenação da natureza, cuja hierarquização da mesma ocorreu por causa da superação dos estágios inferiores da própria natureza para estágios mais avançados, tais como acreditava Darwin e também Comte por meio de seu progresso continuado temporal.

Ainda Camargo e Bray (1984) criticam a posição determinista, pois a mesma afasta do homem a possibilidade do mesmo executar sua história, já que para os deterministas a natureza é que determina tudo que ocorre no mundo.

Voltando a Ratzel e sua preocupação com os quadros naturais, devemos lembrar de sua obsessão pelas questões relacionadas aos solos e ao tamanho do território de um país. Para Ratzel (1988) um certo país alcançaria níveis seguros de progresso se o mesmo

possuísse um quadro natural amigável às causas do aumento das riquezas e poder do país, ao contrário se o país não possuísse quadros naturais amigáveis, certamente o mesmo ruiria. Daí a constante necessidade em expandir as fronteiras dos países europeus, para garantir a perpetuação de um Estado e não correr os riscos afirmados por Malthus.

O homem e seu domínio, conforme Ratzel (1988), personificava-se na figura do Estado, não para dominar a natureza, sim para tirar proveito da mesma, para estudar os pontos aproveitáveis para o homem, pois:

“A medida que el território de los Estados se hace mayor, no és sólo el número de kilómetros cuadrados lo que crece, sino también su fuerza colectiva, su riqueza, su poder y, finalmente, su duración.” (RATZEL, 1988, p. 203).

Todavia, a natureza na visão determinista ratzeliana não poderia ser estudada por qualquer um, sim por pessoas com capacidades e aptidões superiores aos demais, transferindo isso para os Estados, podemos enxergar na história (durante e pós este período) a expansão européia para o continente africano, pois a Europa era superior a África. Assim, era mais do justo a hierarquia mundial em povos superiores e inferiores justificados pela própria acomodação da natureza.

O pensamento de Ratzel influenciou não apenas a Geografia, também alcançou a lógica da política de Adolf Hitler (1889-1945) tal como pode ser constatado em duas citações que faremos abaixo, que reforçam o parágrafo anterior e a capacidade natural do homem “superior”descortinar os mistérios da natureza para seu próprio proveito.

A natureza, na sua lógica implacável, decide a questão, deixando entrarem em luta os diferentes grupos na competição pela vitória e conduzindo ao fim almejado o movimento dos que tiverem escolhido o caminho mais reto, mais curto e mais seguro.(HITLER, s/d, p. 122).

A lógica da natureza condutora do mundo é conforme nas palavras de Camargo e Bray (1984) é fatalista e, conseqüentemente, aliena principalmente os dominados, tal como Hitler fez ao justificar a superioridade ariana em relação aos demais povos.

No parágrafo seguinte perceberão como o ambientalismo influenciou Hitler e como este discurso ainda é utilizado para justificar ricos e pobres.

Assim Hitler (s/d, p. 123) escreveu:

“[...] a evolução natural [...] assegurou à melhor parte do povo alemão o lugar que lhe compete [...] Não se deve, pois, lamentar o fato de diferentes indivíduos se porem a caminho para atingir o mesmo alvo: o mais forte e o mais expedito será sempre o vitorioso.”

Este discurso determinista ainda está sendo utilizado principalmente por pessoas interessadas em manterem o status quo, dentre elas políticos, empresários, latifundiários e outros.

A naturalização da pobreza para muitos e a riqueza para poucos, segue a lógica desenvolvida por Hitler, ou seja, há, indiscutivelmente, uma ordem pré-estabelecida de