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6. FORSLAG TIL LOV- OG FORSKRIFTSENDRIN- FORSKRIFTSENDRIN-GER SAMT FORSLAG TIL ELEMENTER I EN

6.3 En bedre forvaltning av felles informasjon i samfunnet

Em sânscrito, mandala significa círculo ritual mágico, ou ainda, representação circular de ordem cosmológica, podendo muitas vezes encerrar-se numa moldura quadrada49. É o símbolo espacial de Purusha - "presença divina no centro do mundo" (CHEVALIER & GHEERBRANT, 1993, p. 585). Uma variação da mandala é o iantra, que corresponde a uma

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Carl Jung (2002/b) descreve as regiões e elementos que compõem uma mandala: a beirada externa é de fogo, representando o mundo dos desejos; dentro há um pátio de mosteiro com quatro pórticos significando o isolamento sagrado e a concentração. No interior desse pátio encontram-se as quatro cores básicas representando os pontos cardeais e as funções psíquicas. O centro ainda é separado por um círculo mágico, designando a meta específica da contemplação.

representação geométrica das forças divinas, formada por dois triângulos que se interpenetram, representando o masculino e o feminino, a união dos opostos.

A mandala aparece em diversas tradições orientais como guia imaginário na meditação, sendo praticada individual e coletivamente. Sua execução requer concentração absoluta, atenção perfeita, controle do corpo, postura e respiração, desapego. O minucioso trabalho de soprar a mandala através de finos tubos vegetais pode levar semanas. Efemeridade é um de seus princípios já que, ao ser concluída, ela é literalmente varrida, simbolizando a impermanência e a desordem, após a paciente construção da ordem perfeita.

Figura 22 - Monges budistas executando uma mandala de areia Fonte: www.atc.org.au/tibet/gallery.com

Simbolicamente, o centro da mandala funciona como integrador e ordenador de todas as coisas, em torno do qual ocorre uma periferia ou área circundante onde ocorrem os pares de opostos. Com tendência pronunciada para concentrar a totalidade, a mandala representa, por meio de seu vórtice gerador, "a última unidade de todos os arquétipos como também a multiplicidade do mundo dos fenômenos, e forma por isso a correspondência empírica para o conceito metafísico de 'unus mundus' (mundo uno)" (JUNG, 1990, p. 217).

Na linguagem espiritualista, o centro da mandala é associado à caverna do coração, jóia do lótus, flor de ouro ou vibhuti, entre outras denominações referentes à sede da consciência no coração, conforme os orientais e gnósticos a entendem. A jóia do lótus, segundo eles, é a presença divina no ser humano conectada à fonte divina cósmica e macrocósmica.

A mandala, em seu sentido mais elevado, só pode ser construída através da imaginação de um lama que já concluiu sua instrução:

Nenhuma mandala é igual a outra, sendo individualmente diferentes [...] A verdadeira mandala é sempre uma imagem interior, construída pouco a pouco através da imaginação (ativa), somente em períodos de distúrbio do equilíbrio anímico, ou quando se busca um pensamento difícil de ser encontrado por não figurar na doutrina sagrada. (JUNG, 1994, p. 104)

Para Carl Jung, o propósito da mandala budista é que "o iogue perceba (interiormente) o deus, isto é, pela contemplação ele reconhece a si mesmo como deus, retornando assim da ilusão da existência individual à totalidade universal do estado divino" (JUNG, 2002/b, p. 353). Ainda segundo Jung (1990), tal concepção aproxima-se do mysterium conjunctions, expresso na simbologia universal da quadratura do círculo, ou seja, a comunhão entre o quadrado imanente e o círculo transcendente, que corresponde ao casamento alquímico entre os pares de opostos complementares presentes na vida e na natureza.

Complexa e transversal, a mandala é uma forma estrutural que articula diferentes níveis de percepção da realidade, colocando dualidades em anel: microcosmo e macrocosmo, ordem e desordem, abstrato e concreto, subjetividade e universalidade, padrões da natureza e padrões psíquicos, tempo de longa e curta duração.

O que fazer com todas essas coisas tão opostas entre si? É possível rejeitá-las e livrar-se delas? Ou é preciso reconhecer a presença delas, e é nossa tarefa colocá-las em harmonia, e do seu aspecto múltiplo e cheio de contradições estabelecer uma unidade, que naturalmente não resulta por si mesma, mas por meio do esforço humano. (JUNG, 1990, p. 311)

Com finalidades terapêuticas, pedagógicas e artísticas, a mandala tem sido cada vez mais utilizada e atualizada como meio de expressão. Sua simbologia básica é arquetípica e milenar, trata de uma fenomenologia que se repete e é idêntica em toda parte. O círculo é seu símbolo estruturador. Há uma relação entre essa forma geométrica e a real estruturação das funções cognitivas, já que o círculo "sugere imediatamente uma totalidade completa, quer no tempo, quer no espaço". Ao compôr uma mandala, seu autor está tentando "coordenar seu círculo pessoal com o círculo universal" (CAMPBELL, 1992, Passim, p. 225).

Embora as mandalas budistas apresentem aparência bidimensional, elas designam um diagrama tridimensional de uma mansão sagrada, ou melhor, o palácio de uma divindade meditacional específica e seguem as mesmas proporções dos templos indianos e altares védicos, que foram buscar seus cânones nas proporções observadas na natureza.

Figura 23 - Visão tridimensional da mandala/simulação digital Fonte: www.ccat.sas.upenn.edu

O princípio da mandala não se restringe à tradição oriental, estendendo-se a outras representações abertas e fechadas, desenhadas, talhadas e dançadas, como as circunvoluções dos derviches rodopiantes da tradição sufi, as rodas de ciranda, as rosáceas das catedrais góticas, os monumentos celtas em pedra, as estupas tibetanas e os templos circulares.

Jung esclarece que toda construção, religiosa ou secular, baseada no plano da mandala, é uma projeção arquetípica do "interior do inconsciente humano sobre o mundo exterior. A cidade, a fortaleza e o templo tornam-se símbolos da unidade psíquica, assim, exercem influência específica sobre o ser humano que entra ou que vive naquele lugar" (JUNG, 1992, p. 243).

Na natureza, as mandalas-anel são forma recorrente, desde o quanta até as estrelas. Dando dinamicidade centrífuga ou espiral aos campos gravitacionais e às órbitas dos planetas e partículas subatômicas, as estruturas em forma de mandala estão presentes em grande parte do mundo natural, tais como os cristais de neve, plantas, conchas, teias de aranha e minerais. Representam ritmos e repetições, em uma vasta variedade de formatos e cores, entre harmonias e desvios naturais.

Como mandala, a natureza é oráculo, um imenso portal para leituras plurais e complexas, por meio das quais pode-se penetrar em suas leis, aprendendo com ela, à maneira do Tao. Michel Random ilustra poeticamente essa visão dizendo que

[...] quando a imagem de uma ponta de tungstênio é aumentada 750.000 vezes vemos aparecer outro cosmos. Esse é o aspectro fractal: no infinitamente pequeno não há ponto no qual não encontremos nada; sempre há algo atrás. Essa é a beleza das energias, a beleza oculta. Por isso se diz que cada grão de areia é como mil

Budas. Todos nós conhecemos os cristais de neve. Há bilhões e bilhões de cristais de neve, mas nenhum é como o outro. Há bilhões e bilhões de grãos de areia, mas nenhum é como o outro. (RANDOM50 in NICOLESCU, 2000, p. 131)

György Doczi (1990) refere-se às formas da natureza como derivadas de uma anatomia do compartilhar, resultante de padrões geométricos que, inconsciente ou conscientemente, são trazidos à tona pelas artes e representações sócio-culturais. Ele lembra que Buda, ao fazer seu famoso Sermão da Flor, não disse uma só palavra, simplesmente mostrou uma flor para a multidão. E com a flor, todas as analogias foram sugeridas.

As formas dos caracóis, por exemplo, são foco de estudos científicos que demonstram como elas se abrem em espirais logarítmicas caracterizadas pelas proporções da seção áurea51. Os desdobramentos em espirais são encontrados em numerosos fenômenos da natureza, tais como as sementes do girassol, a galáxia em espiral, as escamas do abacaxi, etc. O corpo humano igualmente pode ser descrito pela proporção áurea e inserido na quadratura do círculo, como fez Leonardo da Vinci, baseado em esquemas simbólicos gnósticos muito anteriores à Renascença.

Figura 24 - Concha Nautilus

Fonte: www.wheelockweb.com/images/nautilus.jpg

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RANDOM, Michel. O Belo. (in NICOLESCU, 2000, p. 115- 137)

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Uma típica espiral logarítmica do crescimento de uma concha mostra que cada estágio consecutivo de expansão é contido por um retângulo áureo que é um quadrado maior que o anterior (conchas Nautilus, Relógio de Sol Atlântico, búzio, Haliote, etc.)

A idéia da mandala foi trazida ao Ocidente por diversos pesquisadores. Entre eles, Carl Jung, que a utilizou em suas práticas psicanalíticas com um instrumento que "visa à unidade", e representa uma "compensação da cisão do homem moderno", oferecendo-se à imaginação como uma "superação simbólica". A mandala atua duplamente: "conserva a ordem psíquica se ela já existe ou reestabelece-a, se essa desapareceu" (JUNG, 2002/a, Passim, p. 289).

Nise da Silveira, seguidora de Jung e mentora do trabalho internacionalmente reconhecido do Museu do Inconsciente, no Rio de Janeiro, tratava da arqueologia da psique de internos em um hospital psiquiátrico por meio de mandalas, entre outros estímulos de sensibilização. Nesse caso, as mandalas não se baseavam em tradições ou modelos. Aparentemente representavam criações livres da fantasia, embora manifestassem pressupostos arquetípicos geralmente desconhecidos por seus autores, circunscrevendo, assim, uma fonte de dados bem palpáveis no tratamento dos pacientes.

Entre os povos tribais, os xamãs navajos também vêem um importante instrumento de cura em suas mandalas de areia feitas no chão. A pessoa que deve ser curada "movimenta-se dentro da mandala como se estivesse se movendo num contexto mitológico, com o qual deverá identificar-se; ela se identifica com o poder simbolizado" (CAMPBELL, 1992, p. 227).

Embora a mandala não tenha sido a prática específica utilizada na oficina Água, sua lógica complexa esteve presente na estruturação dessa pesquisa, seja na busca de anelamento entre os capítulos, seja no anseio de se alcançar ao final do trabalho uma mandala sintética, dialógica e integradora dos conteúdos abordados, seja nos detalhes das oficinas práticas, como a disposição circular das mesas de trabalho, as dinâmicas corporais, a partilha e leitura em círculo dos trabalhos ao final de cada encontro, na disposição de todos de reconhecer e equilibrar polaridades, identificando-as dentro e fora do ser.

Procurou-se percorrer juntos, ao longo de todo o processo, uma mandala-espiral, círculo ativo que nos levasse de volta ao ponto de partida: um retorno à natureza, porém trazendo alguma distinção, pelo grau de consciência e liberdade, constituído ao longo de nossas práticas.