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3- DIA DE SERVIÇO SEM HORA DE TRANSPORTE R$ 7,39 4- DIA DE SERVIÇO COM HORA DETRANSPORTE R$ 8,89 5- PREÇO DE TONELADA DE CANA DE 18 MESES R$ 1,4155 6- PREÇO DE TONELADA DE CANA DAS DEMAIS R$ 1,3434 7- POR HORA “SEM HORA DE TRANSPORTE” R$ 1,01 8- POR HORA “COM HORA DE TRANSPORTE” R$ 1,51 Fonte: Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Capivari e Região

Com um aumento no valor do salário de 6%, pouca diferença houve na média de pagamento observada em 1998/99 e 1999/2000, que estiveram na faixa de R$ 300,00 mensais para trabalhadores com produtividade média, ou seja, de 200 metros por dia ou 5 a 6 toneladas de cana cortada. Aqueles que produzem bem, cortam de 300 a 400 metros por dia ou 7 a 8 toneladas, e chegam a receber por volta de R$ 500,00/mês, que é a média de produção do município, nos

dois últimos anos. Há informações de que existem trabalhadores que chegam à cidade somente para este serviço, chamados de “safristas”, são especialistas no corte da cana-de-açúcar e conseguem cortar 15 toneladas/dia, ou mais, de cana-de-açúcar. Esses trabalhadores são, na maioria das vezes, do Estado da Paraíba e já adquiriram fama por isso.

Quanto aos trabalhadores residentes no município, segundo os empregadores (intermediários ou “turmeiros”) há uma restrição significativa quanto à contratá-los, sob a alegação de dois principais problemas: o primeiro relaciona-se à produtividade extremamente baixa, ficando em média, entre 2 a 4 toneladas/dia.Também, não são assíduos, apresentando alto índice de absenteísmo, o que faz reduzir a produtividade do grupo em que trabalham, sem reduzir as despesas do empregador, com o seus pagamentos e encargos.

O outro problema, diz respeito à cobrança de direitos, através de reclamações trabalhistas. Por tratar-se de cidade de pequeno porte, todos os trabalhadores que fazem essas reclamações são apontados, tanto pelos colegas como pelos possíveis contratantes, passando a ter dificuldades para serem recontratados. É o que ocorre na chamada “seleção ou profissionalização dos trabalhadores”56, tanto por parte das usinas através de suas empresas agropecuárias, como pelos intermediários ou empresários de prestação de serviços, os “turmeiros”.

A jornada de trabalho em geral, é das 6:00 às 17:00 horas. Para trabalhadores locais, é a possibilidade de trabalhar. Para aqueles de outros Estados, o valor pago nesta região, não está compensando o esforço da vinda, conforme publicado no Jornal de Piracicaba (1 ag0 2000).

Desses trabalhadores que são de outras localidades, os chamados “safristas”, a grande maioria volta às suas cidades de origem. No entanto, anualmente ficam na cidade algumas famílias que vieram para o trabalho na safra canavieira. Este índice já foi de 10% no final da década de 80 e início de 90, quando os valores pagos, acrescidos da inflação, eram considerados bons. Com a estabilidade econômica implantada pelo Plano Real e a diminuição dos salários, reduziu-se muito a permanência dessas pessoas nas regiões canavieiras, eles têm preferido aguardar a nova safra em suas cidades de origem. Empiricamente, pode-se dizer que 1% dessas pessoas que chegam, têm interesse em permanecer na cidade. Não há dados estatísticos anuais que permitam aferir esses números com maior precisão.57

Para melhor visualizar os dados e analisar as situações encontradas diante do objeto pretendido com este estudo, passaremos a apresentar os resultados obtidos buscando captar as transformações e a

permanência dos fenômenos que definiram o modelo de realidade encontrada no município canavieiro de Rio das Pedras, da denominada região canavieira de Piracicaba.

Assim é que, no próximo Capítulo, estaremos apresentando as análises dos eixos definidos por nós como norteadores deste estudo, ou seja: a questão das condições de trabalho do canavieiro, principal sujeito desta pesquisa, mais o aferimento de dados relativos ao período em que os trabalhadores se mantiveram empregados; tipos de contratos de trabalho que conseguiram manter; benefícios, sindicalização e busca de direitos trabalhistas; valores de remuneração e sua relação com a produtividade no trabalho e o comportamento individual do trabalhador canavieiro, entre outros.

No segundo eixo de análise, está presente a ingerência do “turmeiro”ou intermediador, na contratação da mão-de-obra da lavoura canavieira, e a forma e modus como ela vem se dando, bem como a reafirmação da sua presença, inclusive nas novas empresas “terceirizadoras” que continuam a se utilizar desses intermediários, entre o trabalho existente e o trabalhador contratado.

No terceiro eixo, o foco são as condições de vida desse mesmo trabalhador, observadas questões como renda individual e familiar, nível de escolaridade, condições de habitação, higiene e saúde, aferida pela incidência de doenças e vícios, acrescida das informações e dados sobre a utilização dos serviços sociais municipais, desenvolvidos

pela política pública da cidade, de ajuda solidária e a apreensão de bens materiais. Complementando os dados, constatamos os níveis de participação comunitária ou em movimentos sociais, de participação política e religiosa formando assim, o contexto desta avaliação.

A questão canavieira está apresentada no quarto eixo de análise, a qual, dentro da estrutura agrária do município, dá fundamento a este estudo. É dela que decorrem todos os fenômenos relativos à propriedade da terra e sua exploração econômico-social, todos os determinantes históricos e políticos. É ela quem define a permanência ou não das situações hoje vivenciadas, no âmbito da política e economia agrícolas em geral e da monocultura canavieira, em particular. Este eixo permeia todo o estudo como também os demais eixos de análises acima desenvolvidos.

CAPÍTULO IV: DESCRIÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS ESTUDADOS: O