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26 de interesses e diferenciações que se organizam nas cultuas juvenis a partir de sua relação com as mídias apesar dessa unidade aparente.

Sposito (2009) coordenou a produção de um dossiê das pesquisas brasileiras,15 realizadas durante os anos de 1999 e 2006, que tiveram a juventude como objeto de estudo. A partir desse levantamento, ela explica que esse tipo de estudo se configurou no Brasil apenas a partir da década de 1990. Eles foram decorrentes das preocupações do Estado com a posição dos jovens nos problemas sociais e no crescimento da violência, bem como da percepção de alguns pesquisadores de que alguns movimentos juvenis contribuem para a interlocução com a política. Percebemos que essas preocupações trazem influxo das diferentes linhas de pesquisas citadas anteriormente.

A produção de pesquisas sobre jovens ainda é tímida no Brasil e indica a dispersão de focos, tendo alguma produção mais significativa em torno dos seguintes temas: a posição do jovem na escola (13,17%), os processos de exclusão social dos adolescentes (12,4%) e os jovens na universidade (10,44%). O levantamento feito por Sposito indica também que houve um deslocamento do estudo dos jovens com base em referenciais da psicologia para os da sociologia nas pesquisas em educação. Temas como violência, mídias, grupos juvenis e jovens negros inexistiam nas décadas anteriores e passaram a ocupar um espaço crescente no período englobado pela pesquisa, embora ainda tenham presença pequena no total da amostra.

Em geral, os trabalhos analisam a condição urbana juvenil. Embora, o maior agrupamento de investigações localize-se em torno da relação entre o jovem e a escola, parcela pequena desses trabalhos se dedica ao estudo das possibilidades e impactos das tecnologias de informação e comunicação na educação de jovens (6,2%). Esse resultado indica uma lacuna importante na pesquisa acerca dos grupos juvenis, visto que nossas reflexões, pautadas em Green e Bigum (1995), indicam a importância da tecnocultura na vida e estrutura cognitiva desses jovens. Essa ausência justifica a importância de pesquisas como a nossa: uma pesquisa que pretende contribuir para o entendimento do papel das TICs na educação de jovens quanto aos seus aspectos cognitivos, afetivos, culturais, sociais etc.

Trazemos aqui mais um dado para ressaltar essa relevância. A Universidade de Navarra e o programa Educarede da Fundación Telefonica da Espanha investigaram, em 2007, 2000 estudantes de 200 centros educativos de alguns países latino-americanos (Brasil, Argentina, Chile, Colômbia , México, Peru e Venezuela) com a intenção de conhecer o uso de diferentes tecnologias por parte de crianças e jovens dessa região. O estudo constatou que a

15 Os dados foram acessados a partir das dissertações de mestrado e teses de doutorado produzidas no Brasil nesse período nos cursos de Educação, Ciências Sociais e Serviço Social.

27 maioria (42% aos 11 anos e 60% entre 14 e 15 anos) prefere usar a internet a assistir televisão, mesmo que não tenha acesso à rede a partir de sua casa (CÔRTES, 2008).

Retomemos os resultados do dossiê citado acima. Em um capítulo voltado para a relação dos jovens com as TICs, produzido por Setton (2009), a autora busca conhecer o perfil dos jovens16 interessados pelas “novas mídias” e traz uma novidade, pois rompe com o estereótipo de adolescente “viciado e isolado do mundo”. O capítulo descreve que grande parte dos usuários tem outras atividades de lazer e de leitura e utiliza a internet para fazer amigos. São, geralmente, oriundos das classes sociais de maior poder aquisitivo e de escolaridade. Os estudos indicam também relações entre as habilidades cognitivas dos jovens e as características dos aparelhos eletrônicos.

O olhar das pesquisas em educação para as novas mídias é bastante recente. Segundo Setton, esse foco de pesquisa não existia no “estado da arte” anterior, referente aos anos 1980- 1998. Esses poucos trabalhos estão interessados no potencial didático dessas mídias e no tipo de influência que podem ter sobre as identidades dos jovens. Esse é mais um indicador da importância da pesquisa que propomos.

Dada a importância da relação entre as mídias (na tecnocultura e outras) e a cultura do consumo, também consideramos relevante citar a pequena quantidade de trabalhos que investigam as práticas dos jovens em seu tempo de ócio e a produção da cultura do consumo (4,4%). Os jovens são os principais praticantes do consumismo e este tem relação direta com diversos impactos socioambientais. No entanto, também consideramos inexpressivo o número de pesquisas sobre a relação entre o jovem e o ambiente (menos de 1 %). Esses focos representam outras ausências e pretendemos contribuir nessa direção.

As mudanças que vêm ocorrendo na estrutura social e que afetam as identidades e culturas juvenis também afetam as relações na escola. Em um dos documentos desse dossiê, produzido por Dayrell et al (2009), são apontados novos temas de investigação sobre “o jovem e a escola” em relação aos das décadas anteriores. Esses temas são as “identidades/ subjetividades juvenis” e as “culturas juvenis na escola”, embora ainda bastante incipientes.

Diante desses dados, consideramos de importância fundamental analisar as possibilidades de participação das mídias audiovisuais e das tecnologias informáticas na escola. Não basta inseri-las como mais um dos recursos didáticos. É preciso compreender os modos de uso desses recursos pelas culturas juvenis e investigar como são e quais são as

16 Aqui a amplitude da faixa etária investigada é um pouco menor do que a contemplada pelos dossiês da MTV. A faixa vai de 14 a 25 anos.

28 características dessas ferramentas que podem dialogar com a cultura escolar, além de investigar como essas práticas culturais influenciam e podem influenciar suas identidades.

1.4.1. Os usos da tecnocultura pelos jovens e o blog como perspectiva para a educação.

1.4.1.a. Seleção do elemento de ligação entre a tecnocultura e a cultura escolar

A criação da rede eletrônica teve por princípio ultrapassar os limites de tempo e espaço para contato sigiloso entre militares durante a Guerra Fria a partir das facilidades conquistadas com o lançamento dos satélites espaciais. Desde 1974, ela se tornou viável por meio da criação do sistema TCP/IP (Transmission Control Protocol/Internet Protocol), pelo qual foi possível conectar e enviar mensagens entre computadores por meio de pequenos pacotes de informação.

Mais adiante, esse sistema ficou facilitado pela criação de um navegador da Microsoft, a linguagem HTML (HyperText Markup Language) e de aplicativos específicos para decodificar essa linguagem de modo que o usuário não precisasse aprender uma sintaxe complexa de comandos. A partir desses recursos, houve gradativamente a organização de redes eletrônicas para a integração dos computadores dos Estados Unidos, Europa Ocidental, seguida pela Central e Oriental. Na década de 1990, a internet passou a ser uma grande rede mundial composta por subredes. Ela liga vários textos formando um grande hipertexto particular para cada visitante. (LERMAN, 2007; DIAS, 2009; SBIHI et al, 2010).

Nos artigos citados acima, os autores indicam que mesmo sendo uma grande rede, a internet em seu estado inicial, ainda continha uma limitação. Nela havia poucos produtores de conteúdo e uma multidão de leitores que acessavam a rede a partir dos vários cantos do planeta para se informar. Esta limitação foi superada por ferramentas denominadas de mídias sociais, pertencentes à web 2.0.

Web 2.0 é um termo cunhado e definido por um empresário, O‟Reilly (DIAS, 2009) durante uma conferência em 2004, que foi publicada em 2005. O termo se refere ao conjunto de aplicações online que permite a qualquer usuário produzir, divulgar, criticar e interferir na produção do conteúdo de outros usuários. Ao fazê-lo, todos os usuários produzem e transformam conhecimento. Isso é a chamada sociedade do conhecimento, uma nova forma de relação social e de relação com o conhecimento. Essa mudança transforma a posição de leitor para a de um leitor-escritor

29 Embora essas funções já estivessem previstas na produção inicial da internet, isso foi possibilitado e estimulado pela maior velocidade da rede com a entrada do acesso por banda larga, pelas redes sem fio e pela criação de aplicativos com interfaces de fácil manuseio (LERMAN, 2007; DIAS, 2009; SBIHI et al, 2010).

A web 2.0 está constituída por um conjunto de ferramentas online, as mídias sociais, que são na verdade, sites da internet que permitem criar uma rede de interação entre amigos e que os mantêm em contato mais permanente, estimulando uma avaliação de maior profundidade do conteúdo dos sites. Há um processamento social da informação tanto para sugestão dos conteúdos a serem escolhidos, como para avaliação e descarte.

Segundo Shibi et al (2010), as mídias sociais são constituídas de ferramentas primárias, como blogs17, os wikis (aplicativos para colaboração na produção de textos), as redes sociais (Orkut, Facebook, Myspace, Linkedln, Forsquare18), e outras secundárias como os videocasts (os sites de compartilhamento de imagens - youtube e Flickr), podcasts (sites de compartilhamento de sons) e os RSS (“really simple syndication”- sistema que avisa as atualizações do site para os cadastrados). Além destes, encontramos em outras fontes menção também aos chats ou bate-papos online, aos grupos de discussão (fórum), videoconferências, compartilhamento de notícias (Digg, Reditt, Porpeller), os jogos online e os de inserção em realidade virtual –“Second Life” (LERMAN, 2007; DIAS, 2009; RUIZ, 200919).

Destes, as redes sociais e os blogs são considerados atualmente os mais populares, principalmente entre os jovens. De acordo com David Pogue20, editor de tecnologia do jornal “The New York Times”, o facebook é a maior das redes sociais atuais com cerca de 400 milhões de usuários.

Dentre essas mídias sociais, várias têm sido utilizadas para fins educacionais. Essas ferramentas permitem diferentes modalidades de interação. Dentre essas ferramentas, algumas são ferramentas síncronas, isto é, o emissor e o receptor trocam mensagens ao mesmo tempo, como se estivessem em um contato telefônico. A comunicação ocorre em tempo real. Há outras que são ferramentas assíncronas, isto é, o emissor e o receptor não mantêm contato em

17 Mais adiante, há uma seção denominada “ O que é um blog”? para descrever em detalhes esse aplicativo.

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O foursquare é um serviço de geolocalização, que indica onde a pessoa está para os seus amigos através de um aplicativo no seu celular. Você abre o aplicativo e aparece uma lista de lugares, em que o aviso fica vinculado ao Twitter e ao Facebook. Além disso, ele contém dicas sobre os locais (bares, restaurantes). Transformou-se em um guia para entretenimento, comentado por amigos.

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Este autor indica uma série de sistemas disponíveis na internet que empregam combinações entre as ferramentas das mídias sociais, como por exemplo, o Slidestory, http://www.slidestory.com/?page=home, que permite integrar a produção de podcasts com imagens na criação de uma história narrada com imagens.

20http://noticias.uol.com.br/ultnot/multi/?hashId=conheca-as-redes-sociais-mais-populares-na-internet- 04029A366CC8C943A6&mediaId=5492665, acesso em 19/07/10.

30 um mesmo momento. O emissor envia sua mensagem e esta fica armazenada para que o receptor a leia em outro período de tempo, quando estiver disponível. É um processo semelhante ao envio e leitura de cartas ou textos de jornais e revistas. São exemplos de ferramentas síncronas: o chat, as vídeo e audioconferências. São exemplos de ferramentas assíncronas: o blog, as listas de discussão e fóruns.

De acordo com Silva (2008), as características das interações diferem nos dois tipos de ferramentas. As ferramentas síncronas facilitam o entrosamento dos participantes, fortalecem o sentimento de comunidade e provocam respostas espontâneas. Essas trocas rápidas incentivam a manutenção do vínculo e a criatividade. Porém, elas necessitam de um grande esforço para que os participantes atinjam uma leitura rápida das mensagens postadas e elaborem respostas imediatas, o que inviabiliza uma reflexão mais aprofundada.

As ferramentas assíncronas permitem maior flexibilidade para o contato e uso dos materiais disponibilizados, garantem o tempo para reflexão, onde os sujeitos podem retornar ao material várias vezes, buscar informações em outros lugares e mudar de opinião antes de responder ao interlocutor, facilita e incentiva a organização do tempo de estudo.

Entre as mídias sociais de maior acesso dos jovens, segundo o dossiê da MTV Brasil de 2008, destaca-se o uso do Orkut, blogs, fotologs (83% dos entrevistados), e de emails (84%). Esses são quatro exemplos de ferramentas assíncronas. Na escola em que fizemos essa investigação, em uma amostra de 69 jovens, 61(88%) têm MSN, 50 (72%) têm Orkut e 9 (13%) têm blog. Aqui já aparece uma ferramenta síncrona.

O Orkut era, nessa época, o local mais procurado da tecnocultura21. Esses números concordam em parte com os dossiês da MTV. Os estudantes da escola investigada têm pouco interesse pelos emails e a tendência de interesse pelos sites de publicação de conteúdos (fotologs, blogs) não foi verificada nessa comunidade, ou está camuflada.

No encontro com os jovens investigados em 2009, percebemos que ter uma página no Orkut é um orgulho para todos, enquanto ter um blog é algo secreto. Uma das alunas, ao indicar o seu endereço de blog, pediu à pesquisadora que o mantivesse em segredo. Os relatos dos alunos indicam que o motivo principal de uso do Orkut é para manter contato com os amigos. Não encontramos centros de interesse, a maioria não visita as comunidades que lá existem, e quando o fazem preferem as que comentam experiências engraçadas. Nessa

21 Esse dado foi modificado em 2010, visto que a maioria dos alunos investigados passou a usar o Facebook. Em 2011, percebemos maior interesse pelo Twitter e não há mais tanto receio em externalizar a produção de blogs para os colegas.

31 amostra encontramos apenas três casos de interesse por comunidades de práticas corporais (futebol, videogame, fingerboard22).

Embora tenhamos constatado que os estudantes prefiram as ferramentas síncronas, ou as assíncronas com redação breve e rápida, as características desse tipo de ferramenta não têm caráter reflexivo, o que traz mais semelhanças com a cultura escolar. Assim, pode-se contemplar tanto os modos de ação e os propósitos dos jovens na tecnocultura, como as intenções de formação da cultura escolar. Há ferramentas assíncronas, que empregam linguagens e recursos que propiciam a produção de textos mais extensos, o que pode estimular discussões em torno de elaborações de significados quanto aos temas em estudo.

Dentre os tipos de ferramentas assíncronas apontados pelos Dossiês da MTV, encontramos algumas vantagens nos blogs em relação a outros aplicativos da internet. Eles permitem empregar ferramentas de texto, fotografias, videos, música e criar links. É uma ferramenta de publicação, o que pode aproximar os estudantes em função de que um de seus propósitos de uso da internet é a visibilidade perante os outros. No blog, outras pessoas podem ler e comentar a produção do autor.

Como a maioria dos estudantes declarou que não gosta de escrever e de ler, acreditamos que os blogs tenham grande potencial para estimular a produção e leitura de textos e a reflexão sobre as idéias em negociação. Segundo Tim Berners-Lee (apud MARINHO, 2007), criador da WWW, o blog é dos recursos mais utilizados em relação ao grupo da “web de leitura e escrita”. Ele é considerado um software social, pois permite participar de redes onde o conhecimento pode ser produzido de modo compartilhado.

Tomando essas interpretações, optamos por usar o blog como uma ferramenta da tecnocultura para nossos propósitos de observação dos efeitos da implementação da prática pedagógica sobre as identidades juvenis. Entendemos que ele contempla tanto algumas das características das culturas juvenis, como algumas das características da cultura escolar. Ele tem recursos que atendem às intenções educativas da prática pedagógica a ser investigada e podem nos permitir observar e interpretar as prováveis mudanças nas identidades dos jovens ao longo das aulas de Ciências.

Assim, estabelecemos como foco para essa pesquisa a análise das características e dos efeitos de uma prática pedagógica no ensino de ciências, circunstanciada pelo uso de blogs, sobre a formação das identidades juvenis.

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1.4.1.b. O que é um blog?

Um blog é uma página da web e provém da palavra inglesa weblog, onde “web”

significa rede e “log” significa registro. Um blog é um sítio (site) da internet que atualiza suas páginas com frequência maior do que a da maioria dos outros tipos de sites. De acordo com o relatório “Estado da blogosfera23” publicado no site Technorati, 71% dos entrevistados

atualiza seu blog semanalmente e 22% o atualiza diariamente.

Segundo Torres-Zúñiga (2009), o blog tem como elementos básicos no desenho de sua interface os seguintes itens: o título; uma coluna principal contendo o título de cada texto produzido pelo autor, a data, o nome do autor, o corpo de um dos textos do blog e um botão para o leitor inserir seu comentário; uma ou mais barras nas laterais onde podem ser inseridos outros complementos.

Uma das barras da lateral contém uma lista de tópicos que permite ao leitor acessar os textos produzidos. Esses estão disponíveis em ordem cronológica invertida, isto é, o texto mais recente é o primeiro a ser visualizado. Cada texto publicado é denominado de postagem (post). Produzir uma postagem é bastante simples, pois a interface de escrita é semelhante à de um correio eletrônico (email), ferramenta mais antiga e bastante conhecida da maioria dos usuários de internet. Assim, qualquer um pode criar um blog sem nenhum conhecimento da linguagem de máquina “html”.

Além do texto, a cada postagem podem ser adicionados vídeos, fotografias e algumas interfaces podem incluir também músicas. Os diferentes aplicativos de produção de blogs disponíveis na web, os “blogwares”, permitem de modo fácil e rápido, compor a página com padrões visuais atraentes a partir de modelos de telas prontas (os templates).

Ao final de cada postagem há ícones para que os leitores possam escrever seus “comentários” (coments) a respeito da postagem. A lista de comentários aparece em ordem cronológica direta, o que permite ao leitor acompanhar toda a conversa antes de emitir a sua opinião.

Nas barras laterais, os blogs também podem conter uma lista de blogs (blogroll), com canais (links) de acesso para estes outros sítios, que são sugeridos pelo autor do blog de origem e que indicam as suas preferências, as idéias com que concorda, ou evidências sobre suas opiniões.

33 Os blogs podem ter também dispositivos para estabelecer outros tipos de ligações com os usuários. Um desses dispositivos é o “trackback”, um aviso que aparece na seção de comentários, que é enviado de um blog para outro e que indica que o blog emissor contém um comentário sobre o blog receptor da mensagem. Outro dispositivo é o sistema RSS, que permite avisar aos usuários que houve alguma alteração de conteúdo no blog a que está inscrito (FU, 2006; CABERO et al., 2009 DIAS , 2009)

A tecnologia de suporte para a produção dos blogs, o XML ("extensible markup

language") permite que o computador processe os documentos de internet de tal modo que

possa colocá-los automaticamente em outros sítios (sites) da rede eletrônica. É assim que ele dispersa com facilidade as informações publicadas e cria a inserção do blog em comunidades. O autor do blog ou os usuários podem, de certo modo, interferir na classificação e organização do blog na internet por meio da criação de palavras–chave (taggs) ou por meio de

bookmarks (botões que marcam o blog como um “favorito” e o liga às redes sociais para compartilhamento com outros internautas) associados aos blogs. Com isso, percebemos que existem vários tipos de elementos que garantem a produção de ligações entre blogs e que são modos de manter e fortalecer os vínculos, formando comunidades de blogs: a blogosfera.

Um blog é um meio de comunicação bastante recente. Ele tem pouco mais de uma década. De acordo com Amorim (2008), um produtor de software americano, Dave Winer, fez em 1994, o primeiro weblog da internet e logo em seguida, no mesmo ano, Justin Hall, um jovem, também realizou um. Isso pode indicar a atração e facilidade de uso desse tipo de recurso pelos jovens.

O termo weblog foi cunhado em 1997 por Jorn Barger em um sítio da internet denominado “The robot wisdom”, onde já empregava links associados ao texto. Porém, ainda eram raras as produções com esse tipo de interface devido às necessidades de conhecimento da linguagem de programação. Em 1999, Peter Merhlz, um web designer, transformou a palavra weblog em blog no seu blog pessoal.

No mesmo ano, surgiram os primeiros programas capazes de traduzir esse tipo de linguagem em aplicativos de fácil manuseio: os Pitas. Ewan William, funcionário da empresa Pyra Labs, criou um desses programas para produção e publicação: o blogger, que mais adiante, em 2003, foi comprado pela empresa “Google”, tornando-se cada vez mais popular. Hoje há vários outros blogwares para a criação de blogs, disponíveis de modo gratuito na rede eletrônica. Esse fato popularizou a prática blogueira.