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4.1 Troverdighet

4.1.2 Fornærmede

Para compreendermos o terceiro nível de seleção comportamental por consequências, temos que considerar que as pessoas vivem em sociedade, ambientes nos quais o comportamento de umas serve de motivação, contexto, reforços ou punições para o comportamento de outras (SKINNER, 2003, p. 352-355). Assim, a vida em sociedade determina a existência de contingências sociais que exercem a função de controlar o comportamento de indivíduos e de grupos.

Estando em um grupo, o indivíduo está suscetível a uma série de contingências sociais de reforço e punição, sofrendo um controle ético constante e passando a adotar em seu repertório comportamentos que são reforçados e abandonar comportamentos que são punidos. Neste sentido, os indivíduos, em razão do reforço recebido, sustentam as práticas culturais existentes no grupo, como resultado do controle que o grupo exerce sobre eles (SKINNER, 2003, p. 352-355).

Neste sentido, a seleção sociocultural ocorre pela preservação das “práticas culturais que possibilitem uma melhor adaptação às contingências de sobrevivência e reprodução do grupo como um todo tenderão a predominar em detrimento das práticas culturais alternativas menos adaptativas” (AGUIAR, 2014a, p. 17). Assim como as características genéticas e o comportamento individual se adaptam ao ambiente em razão das contingências, o comportamento de grupos também é selecionado pelas contingências existentes no ambiente natural e no ambiente social, através da interação com outros grupos.

Além da modelagem do comportamento dos indivíduos por reforço e punição, o comportamento individual é também alterado pela transmissão de práticas comuns ao grupo por meio de regras e de imitação (BAUM, 2006, p. 274-276)

O comportamento transmitido por imitação ocorre quando um indivíduo, observando outro receber reforço social ou punições ao adotar certos comportamentos, passa a adotar comportamentos semelhantes aos que foram reforçados no outro membro do grupo ou se abstém de realizar comportamentos que foram punidos (BAUM, 2006, p. 274-275). Desta maneira, por exemplo, quando uma pessoa recebe muitos elogios à sua aparência em razão de um penteado diferente, outras pessoas passam a imitar o penteado buscando o mesmo elogio, até que este se torna comum no grupo em questão.

O comportamento controlado por regras, por sua vez, ocorre quando se transmite por comportamento verbal uma consequência futura, recompensa ou punição, para a realização de um tipo de comportamento. Assim, os indivíduos ou grupos realizam ou deixam de realizar comportamentos para não receber punições ou para receber recompensas. Em todo momento na sociedade, indivíduos exercem funções de transmitir e controlar o comportamento de outros por regras e seguem outras regras sociais que controlam o seu comportamento (BAUM, 275-276).

Desta maneira, conforme define Aguiar (2014a, p. 10):

Podemos definir sistema social como uma rede de padrões comportamentais entrelaçados (interlocked behavioral patterns), em que cada padrão comportamental serve de contexto e fonte de reforço ou punição para o outro e vice-versa. O sistema social mais simples é a interação social, a qual tem por característica a dependência da copresença dos respectivos participantes para a existência do sistema. Os exemplos mais comuns de interação social são díades, como a conversa casual entre duas pessoas denominada evento verbal por Skinner.

Disto, temos grupos desorganizados e sem procedimentos consistentemente mantidos e organizações (AGUIAR, 2014a, p. 18), criadas para manipular um conjunto de variáveis no controle de comportamentos por regras.

As organizações surgem pelo controle por um ou mais líderes do comportamento de outros indivíduos por reforçadores e punidores com vistas a atender os interesses dos líderes. Em organizações, lideres e liderados possuem reforços distintos para seus comportamentos, pois enquanto estes são controlados diretamente por contingências de satisfação de necessidades individuais, como, por exemplo, pelo salário, aqueles são controlados por contingências que determinam a sobrevivência da organização, como, por exemplo, o lucro em organizações de cunho econômico (AGUIAR, 2014a, p. 18).

Uma vez formada, a organização assume o controle sobre contingências que reforçam ou punem indivíduos externos à organização, cujo comportamento passa a reforçar ou punir o comportamento dos líderes (AGUIAR, 2014a, p. 18). Uma organização econômica, empresa, por exemplo, controla o comportamento dos funcionários através do dinheiro, controla o comportamento de pessoas que não fazem parte da empresa pelo fornecimento de bens e serviços e reforçam ou punem o comportamento do líder, proprietário, pelo lucro, que garante a sobrevivência da empresa, ou pelo prejuízo, em caso de gestão inadequada.

Na evolução sociocultural, o comportamento dos indivíduos é selecionado por contingências sociais compostas por redes de comportamentos entrelaçados, contingências sociais estas que, por sua vez, são selecionadas por contingências de sobrevivência e reprodução do grupo como um todo ou dos sistemas parciais existentes no interior deste, como as organizações.

Assim como os indivíduos alteram o seu comportamento para sobreviver e conviver em sociedade, as organizações alteram e produzem novas práticas para se adaptar às contingências sociais decorrentes de pessoas externas e de outras organizações e, desta forma, sobreviverem (SKINNER, 2003, p.340-342). Da mesma maneira como os indivíduos adotam comportamentos reforçados e abandonam comportamentos punidos, as organizações adotam práticas reforçadas e abandonam praticas punidas (AGUIAR, 2014a, p. 20-22).

Em última instância, caso um comportamento tenha sido tão fortemente reforçado na história pessoal de um indivíduo que este não consiga abandona-lo mesmo diante de inúmeras punições sociais sofridas, esta pessoa pode acabar sendo excluída de determinado grupo ou do convívio em sociedade (SKINNER, 2003, p. 352-358). Organizações, por sua vez, caso não se adaptem as contingências, podem acabar deixando de existir, conforme bem aponta a teoria

econômica nos postulados sobre concorrência entre empresas que não operam dentro de custos e preços de venda competitivos.

Desta seleção de comportamentos em organizações, que acabaram se especializando na produção de certos tipos de reforçadores e punidores, surgem os sistemas funcionalmente organizados, ou agências, no termo empregado por Skinner (2003, p. 363), que emergem quando, nas palavras de Aguiar (2014a, p. 19):

[O]s padrões relativamente estáveis de influência comportamental recíproca entre determinadas organizações e os indivíduos que compõem o seu público-alvo se especializam no cumprimento de uma importante função para a sobrevivência e reprodução do grupo social como um todo, em um dado contexto espaço-temporal. Como exemplos de sistemas funcionalmente organizados temos os sistemas político, econômico, jurídico, científico e educacional (AGUIAR, 2014a, p. 20), cada um destes sistemas determinando contingências específicas de punição e reforço e se adaptando às contingências que sofrem da interação com outros sistemas funcionais. Essa adaptação dos sistemas funcionais contribui para a sobrevivência de determinada sociedade, ou cultura, mas também para a preservação do próprio sistema.

Com relação aos sistemas funcionalmente organizados, todos os indivíduos estão sujeitos a contingências diversas oriundas de cada um destes sistemas, os quais estabelecem regras distintas, exercendo estas contingências um poder de controle maior ou menor, de acordo com o seu grau de importância relativo na vida de cada pessoa. Neste contexto, o sistema jurídico, conforme aponta Aguiar (2014a, p. 22-26), é apenas um dos sistemas que determinam contingências aos quais as pessoas estão sujeitas, existindo ainda contingências originárias de outros sistemas, em outras interações sociais, como familiares e afetivas, além de contingências fisiológicas.

3.3. O COMPORTAMENTO INVESTIGADO ENQUANTO FRUTO DE SELEÇÃO